Alegria da Creação

Alegria da Creação

Le Tícia Conde

II

I

 

Amor é a capacidade de conceber, por vontade e imaginação, o Verbo antes do Movimento

porque o Poder de creação faz com que a concepção do Amor se revele

em todos os relevos

– no interno primeiro, no externo depois

por dever se dando em casamento à dança que antecede a verbificação

porque todo nascimento é gerado após a côrte para acasalamento

– que no animal acontece no corpo

e nos homens deve acontecer na mente antes de chegar nos artelhos

pois é preciso pensar para só então caminhar sobre a terra

sendo a cabeça os pés daquele que busca o espiritual para além da matéria

e o joelho, ponte que aponta aonde ir para que o caminho seja feito.

 

É o coração que pulsa articulação entre os Homens e Deus.

 

Quando amamos somos virados de ponta cabeça

e, presos pelos calcanhares

compreendemos que, ao contrário do que os mitos nos contaram

lá, na garganta do pé dos que verdadeiramente falam

reside a eternidade dos que choram o que sentem

porque finalmente lhes fala a Alma do Espírito

desde dentro do ventre…

Sim, há uma Palavra em nós em silêncio

pronta para acordar e cantar a melodia de nossa canção

no ritmo e harmonia que, juntos, estamos sendo

porque em cada átimo de sangue etéreo que pulsa por essa mão

que obscura nos segura para que voemos

essa mão que apenas em aparência parece estrangular nossa respiração

mão que firme nos agarra a garganta, chegando a dar medo

em cada gota que cai dessa nova circuncisão

que pelo ouvido sangra para que, um dia, pela boca verdadeira falemos

caem as lágrimas, duas, uma transparente e outra negra

uma de um olho que nos guia fora

outra de um olho que nos guia dentro

ambas rolando pela mesma face que nos tem como creação amorosa

para que, nos amando e de si doando, aprendamos a amar ao vermos seu outro lado:

a do misericordioso exemplo.

 

E quantos termos estéreis ainda carregamos enquanto crença

esperando a hora certa para nos livrarmos do peso

quando, se soubéssemos o único Verbo que a nós sustenta

tudo ganharia imediata suavidade e leveza

e passaríamos a ter certeza de que o maior dever que jorra de nosso coração

tal qual joelho que nos leva rumo à reta direção

é amar, amar e amar, abolindo toda e qualquer molécula do medo

limpando a mácula que nos leva à castração de nós mesmos

ao deixarmos de doar-nos em relações de real amor

por obscuro receio – temor, não a Deus, mas à sombra que tampa o Sol

fazendo com que o futuro pareça igualmente negro

quando toda escuridão é apenas efeito

de quem dança separando o joio do trigo

assim como para se andar se separa o pé direito do esquerdo…

 

As pernas que crescem estão a avançar

como crianças que, para não cair, dão passos como se estivessem a marchar

erguendo o joelho para o céu, como quem apoia o coração na profundidade do ar

e com o tempo aprende a andar reto

a parir o Verbo tal qual asas no calcanhar

e, em direção ao Amor, em alegre liberdade

simplesmente

agora e sempre

voar…

 

II

 

Assim, a Vontade se casa com o Movimento

para que o Verbo seja feito

parindo sua vibração no negrume anterior ao espaço e ao tempo.

 

Todo voo começa na queda ao inferno

– é preciso se lançar no desfiladeiro

pois logo aprendemos que se não o fazemos por vontade própria

será por empurrão alheio.

E quem não sente os pés do destino em suas costas

sempre pronto para a repetição do abismo que é

conhecer, pouco a pouco, a imensidão do vazio de si mesmo?

Vazio de pré enchimento da Luz que se fará porta

ao abrir a fresta para que o frescor entre

fazendo com que todas as coisas se revelem novas

porque, sim, é preciso primeiro cair para só depois compreender

o que significa ser pleno do Outro

em silencioso coro que canta a respiração dos seres todos

orquestra que, sendo um só corpo

mantém, ao mesmo tempo, a individualidade dos instrumentos.

 

Música é o Amor manifestado em diversos hálitos

e Poesia é a capacidade dos hálitos anunciarem que todo ar respirado

é um único sopro

que a tudo sustenta

em cada eterno hoje…

 

O pão de cada dia é D’us nos digerindo por Amor

até que sejamos transformados

– pois nós somos também Seu alimento.

 

A Palavra inspirada é germe de futura florescência

jardim secreto que no escuro gera fruta

bem antes dos olhos serem capazes de vê-la

– é preciso visualizar a semente no ventre antes

para que só depois ela possa nascer

assim como é preciso cair no sono

para que, acordando, as asas possamos bater.

 

Amor é a inalação que verte pleroma ao mais profundo negrume

para ser filtrado pelo diafragma

– nosso rim do vento

formando o cinto dourado

que nos cinge a cintura

ao aprendermos que é antes do processo de absorção e expiração

que se dá a real escolha dos elementos

sendo preciso aprender a levar Amor a cada canto da escuridão

antes de ser possível aspergir o Verbo liquefeito

tal qual água que jorra dum cântaro

sendo a voz um perfume que se exala

desde o miolo: nosso solar centro.

 

III

 

Para se chegar, do castelo, ao meio

é preciso antes se livrar dos parasitas e dos receios

a corda bamba que faz cair em dúvidas

e escolher amar com todo o peito, com toda a força até exaurir o interno

dormindo de cansaço após tanta luta

por apenas desejar se tornar uno com o Amor

ainda que não com o amante que se carrega dentro.

Não importa se é Amor a um animal ou a um homem

aqui a hierarquia ainda não é lua que se pisa

os degraus apenas observam nossa reação

porque estamos no começo

ação de chorar a distância que há até o adentrar

a porta que nos leva ao cômodo de real assento

para depositarmos nosso coração aos pés do Amor em si mesmo

e entregarmos nosso corpo, alma e espírito

ao sermos designados como eternos combatentes do reino.

 

Sim, o Amor nos toca a espada nos ombros

colocando sobre eles a horizontalidade da mesma

sem que nos toque o fio de sua lâmina

correndo o risco de cortar-nos

porque, perante aquele que sinceramente busca o Amor,

é passivo o estado de atividade de sua agudeza.

E, ao acordar nossas clavículas na ligação delas com a cabeça

pousando a língua que, antes de ser de fogo, é de ferro

em nosso ser, que só através do cansaço chega,

faz com que se inflame nossa floresta

e os animais corram soltos

fazendo deles seres alados em meio ao dourado que

pouco a pouco

entra

cantando todos a glória do retorno ao verdadeiro habitat

pois este é o primeiro retornar

dos muitos combates que ainda travaremos.

Mas a liberdade da corrida faz com que tudo se torne veneno

de repente há uma libertinagem nos passos

e barulho por todo lado

como se cada ser que nos foi dado

falasse algo diferente.

Então, de repente, vemos que o mapa a Magdala

é chegar no estado de caos de si mesmo

é se tornar senhor dos atos e palavras

porque vemos a torre com maior certeza

e em espanto descomunal de suspender qualquer clareza

é-nos dado saber que, tal qual Babel,

os pés não falam a mesma língua que a cabeça

sendo feito o corpo ruínas que serão dispersadas e engolidas

para que a divina torre, tal qual nova taça,

seja erguida, não pelas próprias mãos,

mas pelo único construtor que faz de nós

um Verbo único para a verdadeira Poesia…

 

IV

 

É assim que se sabe que a nobreza ao combate obriga.

Toda a mata e montanha que antes atravessamos

as borboletas que tínhamos

as lagartas que cultivamos

tudo era pó que faz e desfaz a mesma realidade

para que possamos finalmente ver que a realeza

precisa ser conquistada em árduo trabalho.

Sim, eis as gotas a pingar da testa

quando um lobo corre conosco e nos vemos com as quatro patas na terra

naqueles sonhos em que a pele nos cobria de pelos brancos

e ruivos

para que pudéssemos passar à frente

mas o que isso significa, senão que teremos filhos e mais filhos

apenas para terminarmos em solidão extrema?

De nada adianta ser o primogênito se a fome não é de salvação dos homens

e de nada adianta parir tribos

se todas se atacam como diferentes alcateias…

Vemos de súbito que somos nosso próprio inimigo

e vemos também que a espada sobre a cabeça

é a mesma que, na horizontalidade, um dia apontará o pomo

bem na goela

revelando o abismo íntimo sobre o qual devemos construir

junto ao divino, o templo que guardará

o sorriso, as lágrimas, o silêncio e as palavras

sob o véu dos lábios, das pálpebras, do labirinto e do sino

que devem, somente juntos, louvar e levar ao celeste

porque quando a corda é puxada ao ser filtrada antes das narinas

o canto da campânula atravessa o tortuoso caminho

a ser adentrado por martelo, bigorna e estribo

apenas para se chegar, após estreito caminhar,

a derramar água e sangue de cada pupila

para que, em derradeiro instante,

venham a preencher a boca, que como cálice ou como lua

sustenta os pilares para, do ar, haver passagem,

ao nos alegrarmos pela fome e pela sede que ali são saciadas

de forma una.

Assim, somente nos tornamos dignos das alturas

se nossa face se revela mesa a congregar ao redor da mesma

todos os que preparados estejam

tanto para as alegrias quanto para as tristezas

tanto para as inspirações quanto para as expirações

tanto para os nascimentos quanto para as mortes

que se verá ao atravessar a mata

e que se viverá ao partir para se doar…

 

V

 

A doação é intensidade que com lenço se cobre partes

pois que a cada um é mostrada fração da feição

– ninguém tem onisciência sequer da própria integridade

senão o altíssimo, que levanta nosso véu em perfeita santidade

a nos beijar em aliança eterna de casamento em sacramento

o qual nem sequer a morte separa.

Honroso é morrer em campo de batalha

e, vivo em qualquer mundo que seja, continuar fiel aos votos

por saber que um verdadeiro esposo espera sua rainha

ainda que ela seja viúva aos olhos que a vejam

então, mesmo sozinhos, continuamos com aliança no dedo…

Riem as hienas e chegam os abutres

porque a cada pouco mais de luz

revela-se que todos os animais em nossa floresta

ou estão com cobras enroladas em suas pernas

ou foram, em seus calcanhares, picados por elas

certeza têm as sombras

de que todos se deitarão para que sejam consumidos

então há buracos por todo o chão

e a cada instante neles caímos

a terra nos cobre golpe a golpe

e somente com muito esforço nos levantamos e saímos

não porque tenhamos força sozinhos

mas porque ao fim de cada sentença

ao findar de cada oração

somos renovados com a espiritual essência

de quem, do alto, se curva para nos puxar pela mão.

Neste momento entendemos que a aliança que temos

em verdade adorna nosso coração

porque é por ela que somos reconhecidos

para que possamos ser erguidos

como marca na fronte

e como cálice que recebe o pão embebido em vinho

a ser elevado acima daquilo que nos consome no íntimo

ao nos dar eterna oportunidade

de continuarmos pelo caminho

– ainda que os animais continuem vindo…

É preciso saber cuidar de cada um deles

seja em cura de vigília noturna

seja em assunção de sacrifício

é preciso também desviar das tumbas

ainda que sendo inegável o fato de que, em algum momento

inevitavelmente caímos…

Há fundura por todo lado

e todos os passos revelam que em nós há abismos

e quando encontramos outros ao cruzarem conosco

vemos que seus altares estão cheios de corpos

mortos

porque não sabemos nos esvaziar para que nos habite

o infinito…

 

VI

 

E como lançar fora do bosque os animais que matamos

e ainda os que nos devoram?

Como desviar dos ataques e dos botes?

Como não cair em encantamento quanto aos etéricos elementos?

Talvez a resposta resida em saber que toda árvore é grama

quando na humildade se distancia

percebendo que tudo é pasto cujo pastoreio

vem da visão de cima

d’Aquele que desce para nos erguer e assim possamos, com nossos olhos, ver

sendo sanadas as dúvidas que se tinha.

Quando o voo se dá pelo sopro que nos leva

aonde jamais imaginávamos

além das fronteiras do epitélio

além da pele que organiza a carne

além dos poros preenchidos pelo outro

além do sangue embebido em individualidade

quando, por um segundo, se lança em voança a flecha

para que a morte para o mundo se dê

através da mão invisível

que rasga a costela outra vez

e faz renovar a vida da matéria que nos cerca

ao vencer as ilusões e mentiras que cresceram nela

quando, num átimo dum átomo voluntário,

doando a si, nos fazemos presentes

através d’Aquele que é filho do casamento

do espírito com a materialidade

e, nascendo a alma em milagre,

vemos nesse reflexo perfeito mais do que a nossa própria imagem

mas a união do rio com a face

reconhecemos, em espanto, que o azul do oceano

é o terceiro elemento nascido de sua união com a eternidade

– o céu que o olha em misericordiosa constância

dotando-o dum cristalino véu

cuja seda não se rompe nem se rasga

mas é pelo noivo delicadamente levantada

porque é o próprio noivo o véu – o corpo e o rosto

pelos quais se passa

assim como é ele também o que, junto ao suspiro

a expiração e inspiração d’Aquele que descansa e trabalha

nos dota do movimento cuja dança

nos purifica do diário automatismo

assim como nos consola

quando não sabemos os próximos passos

fazendo com que seja um voo de confiança

no qual os membros flutuam

apesar de toda a densidade

que nos puxa para baixo…

 

VII

 

É só descendo, no entanto, que se tem o casamento às claras

o universo inteiro olhando

e a noiva baila

dança a música dos astros que, sentados, são testemunhas de tal milagre

– é realmente quase inacreditável

porque aquela miséria caída e despedaçada

aquela taça de vinho velho já quebrada,

na dualidade, que vence o dualismo de dois que vão para opostos lados cada

é pega pelas mãos e, em imortal enlace, vê seu esposo fazer com que

alma e matéria

se tornem uma só carne…

e como é possível fazer desse corpo alma

como Madalena que se torna filha de Maria

matéria que se torna ressurreta

por receber a aliança dourada da eterna vida?

Como? Senão por Cristo

Aquele que sussurra ao cosmos o seu pedido

e concretiza tudo o que se julgava invisível…

 

O azul se revela luz, e quando respiramos

testemunhamos que as ideias relampejam…

 

É preciso observar a torre e reconhecer nela a pedra

aquela, de fundamento, da qual sai água para a sede

e para que seja revelada a fonte dentro

porque é preciso entregar os tijolos não só aos que passam

desejando pão e nos ensinando a ser pó

mas também ao alto para que, milagre a milagre,

o peso do chumbo que é estar acorrentado

se torne puro ouro

cuja circunferência que antes prendia em altivo aposento

se torne anel de núpcias

– o cumprir efetivo de antigas promessas

sim, porque me lembro, Amor de minha Vida,

de quando me dizias que não importava o que acontecesse

Tu, somente Tu, me resgatarias

ainda que por um momento eu tenha me esquecido

e atentado contra Ti ao te trair

com a imagem que criei de mim mesma

sim, fui adúltera desde o noivado, desde antes que me abrisses passagem

como quem ergue o véu para ser beijada

e ter nosso destino selado

ao ser teu próprio corpo transpassado

pela lança que eu segurei a cada vez

em que cultivei em meus pensamentos o pecado

sim, porque tentei fundir os fios de minha cabeleira

sem levar em conta o mar que deveria desde já cobrir-me a cabeça

eu não compreendia ainda que, a cada filamento, a tecitura

era da coroa de espinhos da qual penderia

o futuro ornamento

nem soube ver que a mão que a mim me tirou do inferno e da solidão

me oferecia lírios a tornarem-se os cravos que me adotariam

como filho para que, dos poros que se abririam,

eu me tornasse fiel jardineiro, em imagem e semelhança

de tal forma que pela voz possam reconhecer em mim

o teu chamado

e vejam, em verdade, a Ti

por termos nos tornado

por Tua vontade, um só corpo

e, em casamento divino, uma só carne.

 

VIII

 

E agora amo-Te, amo-Te em cada um que vejo

em cada um que me dás

para que nós dois amemos

e me torno todos os que Te rodeiam

à medida que necessitas que se cumpra alguma tarefa específica

sendo imbuído de armaduras que luzem

porque toda imagem é Luz em seu íntimo

a mesma Luz que continua vindo

indo em direção aos que sabem tornar duo

tudo o que dança em perfeito casamento

como as asas que juntas andam

porque se os pés caminham um após o outro

quando nos dás a capacidade de voar

já não há o que fique para trás

e o baixar das penas aladas

significa que o centro está, aos nossos olhos, a se elevar

e quando há o erguer do bater

nos é revelado que o cerne do ser

é uma constante reta em meio a todo esse luminoso vibrar.

Aos poucos aprendemos também que o voo não é ter asas em si

mas sim a apreensão do movimento do ar

toque: toda pele é pelo vento que se está a encostar

terra com terra não produz o sensível em si

mas para ser penetrada pelo vento é preciso que ele se torne respiração

porque o respiro contém a água em vaporização

e é a água a chave para o ar a terra adentrar

assim como é pelo fogo calorífico

invisível

que a terra se mistura ao alento

ao virar cinza e reduzir-se a partículas que, em suavidade e leveza

fazem com que ela possa sublimar

ascender aos céus e se elevar

ser coroada como fênix que nada mais é do que o fogo que se fez chave

para que a terra se torna-se verdadeiramente sagrada.

 

Mais que isso não há!

 

Eis todo o amor expresso em rudimento

de pequenos elementos

sedimentos da natura que revelam como tudo

em sintonia

pulsa

sendo, primeiro, sentido como música

para que depois, somados, divididos, subtraídos e multiplicados,

se tornem verbo que vivifica cada uma das sinestesias

em palavras que causam verdadeiro espanto em cada creatura

sim, porque se só expulsamos demônios se os nomeamos

é também nomeando as virtudes, as bondades, as belezas e as manifestações

da verdade

nomeando anjos e santos

assim como é somente orando a Deus e rogando por amor, misericórdia e piedade

que profundamente encontramos o estado de suspensão

para além do bailado

– aquele instante em que, mais do que a soma dos corpos

nos tornamos responsáveis pelo casamento da eternidade

com o tempo e o espaço

e nos damos conta de que o que dançamos

mais do que instrumentos manifestos e falhos

era, agora e sempre, Deus nos sussurrando

em fraternal verbo e paterno silêncio

as maravilhas divinas

para as quais fomos genuinamente creados.

 

IX

 

E então quando sê creação

da água sai para a terra rastejando o que serão pés e braços

a formação do indivíduo, que dar-se-á conta de si

somente mais tarde

porque se do mar nasce-se para a solidez da carne

é somente do fogo, da labareda que nos engloba

e na qual estamos imersos todos,

que saímos individualmente em espírito

para o respiro do ar que sustenta o movimento daquele que vai

aonde se faz chamar, em missão altiva

apostolado dos que são designados e,

recebendo nomes, podem descer da nuvem

diretamente carregados pela bruma

da qual um dia o próprio senhor dela descerá.

 

A consciência vem de, voando, saber baixar

não como borboleta que busca néctar para própria fome

mas sim para levar a gota da matéria-prima aos outros

que, com sede, estão a secar

assim como o pedaço de pão, de cristalização

daqueles que da água não conseguem sair

e se debatem, quase a se afogar…

 

Ah, Amor de minha Vida, nem sequer entendemos

como em tudo nos estás a alimentar

porque se a terra deve ser acompanhada do respiro

sendo a alma aquela que mantém o corpo

sem que possam jamais se separar

é também o próprio alento divino que sopra nossa chama

para que ela nunca venha a se apagar

sendo casamento eterno esse mesmo

em que minha boca toca a tua

como quem, vivo, faz aquela que era morta

ressuscitar

sim, porque me beijas a virgindade dia e noite

e me consertas as quebras e cortes

com teu sussurrar

pronunciando doçuras em minha pele

fogosa e terrestre

que, como torre vegetal cujo final revela o lírio e a rosa

fundidos tal qual pétala que desabrocha,

faz com que o mel de tuas palavras

seja a própria cola dourada

a me sustentar

porque por mim mesma sempre irei cair

mas por ti, tal qual ouro maciço, eternamente me fortificarás

porque a alegria, que é tua força, reluz e reflete a solidez

de teu gozo em nos amar

e eu amo a ti, meu Amor,

amo-te como jamais poderia sequer conceber

porque sem ti sou estéril da inteligência e do saber

jamais chegando a de fato algo conhecer

muito menos o Amor tal qual se nos dá

em doação de morte para todas as coisas passadas

não como quem as destrói ou as vem a negar

e sim como quem restaura a Vida em si mesma

ao sair do descanso de Si

para, na liberdade e no livre arbítrio de sua Amada,

mergulhar, sabendo que não sairia vivo dali

e, por isso, fazendo da morte

justo o impulso vertical para nos salvar.

 

Trocaste então as coisas de lugar

e a morte passou a ser vida

e a vida passou a ser se mortificar

e a mente assentou-se em teu peito

como lança que revela a duplicidade dos eleitos

assim como o coração pousou em tua cabeça

tal qual coroa, a um véu segurar,

sendo de espinhos sua cama feita

para que possa a rosa revelar, ela, tua verdadeira noiva

que, como tua mãe, te faz sangrar

revelando teu aroma liquefeito a todos

para que pudessem ser atraídos até ti

tal qual abelhas, tornando a cruz, cheia de flores, um altar

e teu corpo podermos repartir e de teu sangue

nos embriagar…

Sim, eu estava lá, e eu vi

vi quando até o sol veio a se ocultar

tamanha a luz que amanheceu

no centro do universo

tal qual Coração que em nossos membros

pela primeira vez sentimos pulsar…

E todos os dias, meu Amor, ainda vejo teu centro brilhar

apagando tudo o que me cerca

e iluminando em unidade o universo

silenciosamente

poeticamente

literalmente

sem que ninguém sequer

chegue a desconfiar…

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Carta Orante a Deus

Pai Santo, Deus Eterno, eu vos chamo, eu vos peço, tende piedade de mim, tende piedade de nós!

Muitos são os Teus mistérios, ainda que em suma sendo um único, grande mistério que nos permeia, grande mistério que nos sustém, nos dá Vida, nos alimenta e nos mata a sede todo dia.

Filho Rei, eterno e perpétuo, infinito, misericordioso e rigoroso, cujo caminho se estreita pra que passemos em sua porta despidos de todo e qualquer tipo de grandeza, humilhados feito pós à sua imagem e semelhança de acordo com a Vossa morte de cruz… E Santo Espírito, que nos habita, nos move, nos canta as melodias de união de todos os santos, transformando todas as coisas em uma única coagulação de uma voz em coro que se torna plenamente um único pulmão – aquele, justo o instrumento último a ser formado em nosso corpo humano, finito e débil… Santíssima Trindade, eu vos peço, tende piedade de nós e fazei-Se presente em todos os nossos passos, palavras, respiros, em todos os nossos pedidos, suplicas, vergonhas, em todas as nossas fraquezas e em toda a nossa coragem, para que andemos reto seja nos momentos de escuridão, seja nos momentos de Luz, pra que sejamos dignos de ser chamados filhos, mesmo que não façamos absolutamente nada para merecê-lo.

Deus Uno e Trino, verdadeiro Creador universal de todas as coisas que ganham vida e que, ao ganharem vida, recebem inclusive o dom da liberdade em negá-la, e Deus grandíssimo justo por isso, por nos dar o dom de verdadeira plenitude das coisas, não em idêntica igualdade, mas em verdadeira imagem e semelhança, eu peço, Deus, para que o Senhor guie as minhas palavras, e os nossos ouvidos, olhares, passos, mãos, respiração, palpitação, pensamentos para que o Senhor guie cada célula, bactéria, cada minúscula parte que compõe os nossos corpos, desde os mais débeis aos mais sutis, Senhor, Tu, que por tudo isso é responsável e única fonte de verdadeira existência, vida e eternidade, permiti que eu fale um pouco sobre Vós para que possamos nos aproximar de Ti, Senhor.

Permiti que através desse singelo trabalho verdadeiramente possamos ser um pouquinho mais limpos, com uma vigia um pouco melhor, com um pouco mais de cuidado, com uma cura um pouco mais lapidada e abrilhantada, Senhor, para Vossa glória. Permiti, Senhor, que, portanto, eu fale aos Teus amigos, filhos, servos, a todos aqueles que chamas, a todos aqueles que são escolhidos, e também àqueles que não se fazem dignos, mas que, por milagre, Senhor, porque podes tudo, e sabemos que é de Tua vontade que todos tenham Vida em plenitude para que ninguém se perca, porque jamais desejastes a morte a alguém, a algum ser, mas apenas a Vida Eterna, permiti portanto, Senhor, que para todas as criaturas seja falado sobre Ti, para que preguemos o Teu Evangelho e espalhemos a Tua Boa Nova, Senhor… Que é antiga desde antes de muitos milênios, e que se mostra renovada em Seu Filho na plenitude da encarnação de Ti mesmo, Vós como nosso Senhor vivo em carne e em espírito.

Que o Senhor nos dote de olhos e ouvidos, Senhor, de sentidos que sejam capazes, Senhor, de observar minimamente, um lampejo que seja, sobre como um de Teus doutores e Santo, que se chamou São Tomás de Aquino, como que ele, ao falar sobre Vós serdes o puro Ato, e nem sequer potência, porque potência é algo que está a vir, sendo que Vós Sois plenamente, és verdadeiramente o Eu Sou, porque És verdadeiramente o único sujeito, substância e essência de todas as coisas, que continuamente É, e, portanto, jamais pode vir a ser ou tornar-se coisa alguma, porque és imutável e perduras eternamente em vosso próprio mistério, permiti-nos, Senhor, ver que de fato és Ato Puro, e sendo Ato Puro és Pura Atividade, puro polo que tudo crea, tudo manifesta, tudo sustém, a tudo dá vida, e permiti-nos, Senhor, render glória e louvor, graças por tudo isso… E observarmos como que a plenitude dos tempos, Senhor, a plenitude de Teu Filho encarnado, a plenitude de Teu próprio Ato, não que antes fosse falho, menor ou algo do gênero, forma alguma, mas que nós, cegos em nós mesmos, tendo essa necessidade de uma revelação que se faz de maneira tão amorosa para que não nos fulmine e não nos cegue, tão grande é a vossa Luz e o vosso Mistério, permiti-nos ver que se de fato és puro Ato, então verdadeiramente é na carne ressurreta, Senhor, que encontramos a Tua imagem e semelhança ao Agirmos em Teu nome e realizarmos os Teus milagres.

Não é nas entrelinhas das coisas ditas escritas, faladas, observadas que reside de fato a maior semelhança contigo, ainda que sejas eterno mistério, um mistério que se oculta, mas que tendo escolhido desde sempre, eternamente, imutavelmente manifestar-se plenamente em nossa própria carne, em nossa própria condição humana tão baixa e vil, permiti-nos ver, Senhor, que de fato, o Teu Ato é necessário contemplá-lo e vivê-lo também nesse mundo imediato. Que saibamos, Senhor, ver valor em tudo o que nos deste, matéria-prima, para que seja efetuado o nosso nascimento para o acordar da nossa própria Vida, vida essa que tem uma Vida, superior é claro, que sois Vós, Vida da nossa vida, Carne da nossa carne, Ato do nosso ato, Corpo do nosso corpo.

E, portanto, Senhor, que possamos ver que é nas coisas mais óbvias do dia a dia, que encontramos a verdadeira semelhança contigo em eternidade, em que, por mais absurdo que seja, por mais paradoxal que pareça, quando Te fizestes como um homem, semelhante a tudo em nossa vivência, menos no pecado, verdadeiro homem nascido verdadeiramente da Virgem Maria, aquela prima matéria que foi por Ti escolhida, que tenhamos olhos e sentidos para ver e crer, Senhor, que ao fazer isso, da pura atividade que eras, quando manifestas as Tuas creaturas e Te tornas uma delas, verdadeiramente assumes para Ti mesmo, para Vós mesmo, toda a nossa potencialidade, toda a nossa própria debilidade, toda a nossa própria nulidade, fraqueza, toda a nossa própria negatividade, Senhor, enquanto a verdadeira possibilidade de que possamos ver que és verdadeiramente Aquele que carrega tudo em Si, porque verdadeiramente carregais tudo em Vós, Senhor.

E se um dia foi possível um doutor vosso dizer que jamais serias potências, mas apenas ato, Te rendamos glória, Senhor, e que Vós sejais louvado porque, ao se fazer humano, ao se fazer verdadeira creatura, igual em tudo a nós, menos no pecado, verdadeiramente revelastes que até mesmo a potência reside em Ti, Senhor, porque plenamente nos adotastes. E que verdadeiramente a coroação das coisas que são a própria contradição frente a Vós, de tão menores e de tão nulas frente a Vós, tão nada, tão pó e cinzas, tão mortas e carentes de vida, como que verdadeiramente tomastes a morte para Vós mesmo fazendo com que tudo nosso, menos o pecado, em Ti resida.

Que tenhamos olhos e sentidos para os Vossos mistérios, Senhor, não como um Deus que se transmuda, transmuta e de alguma forma altera a Si mesmo quando já És perfeito, já sois a perfeição de fato, mas justamente porque sendo perfeito incluístes todas essas coisas em vosso plano, o qual só tomamos conhecimento agora e de maneira extremamente parca, falha, cega, tateando para ver se encontramos algo, Senhor, algo que possamos reconhecer nesse algo o Teu toque, porque verdadeiramente, Senhor, ainda que todos sejam surdos eu escuto, Senhor: todos nós, ensurdecedoramente gritamos por Vós, Senhor, verdadeiramente há a lamentação dos mortos, Senhor, há uma lamentação constante, ainda que não saibamos disso, porque nos julgamos senhores sábios das coisas que se passam conosco e convosco.

E sois tão perfeito, Senhor, que tomastes para Vós, não nosso pecado, mas sim nossa falha, a nossa condição humana tão débil, tão humilhada, tão pequenina, Senhor, de modo que se torna quase inacreditável e, por isso, verdadeiramente os anjos nos olham com espanto, Senhor, porque é grande o vosso plano e é muito maior do que qualquer uma de vossas creaturas poderia haver sequer minimamente imaginado. E por isso só Vós sois o Sábio dos sábios. Só Vós sois a pura sabedoria, o puro sabor do fruto da vida, só Vós sois verdadeiramente a água que nos sacia. E que compreendamos, Senhor, que em Ti, em Vós, nosso Pai, nosso Amigo, nosso Senhor, Deus, Senhor de todo o Universo, Senhor da nossa Vida, és verdadeiramente perfeito, sois a perfeição, e ainda que se conhecendo pleno, onipotente, onipresente, onisciente, ainda assim, Senhor, jamais Te tornastes algo isolado, algo fechado, jamais, Senhor, fostes um Deus que manifesta algo de um poder centralizado, num sentido de voltado a si mesmo, como quem se gloria de Si próprio pela própria plenitude de Si mesmo, não, desde sempre, Senhor, És perfeito, Sois perfeito de tal forma e modo que a vossa Caridade, o vosso Amor e a vossa Razão (que supera todo e qualquer raciocino humano que já foi alcançado e pensado e, enfim, humanamente, creaturalmente feito, manuseado com essas nossas ferramentas tão rudimentares e tão cegas quando não sabemos que sois Vós, Senhor, Aquele que nos lapida, nos afia e nos guia), então por vossa Razão, Amor, por vossa Caridade manifestastes todas as coisas, Senhor, sempre, sempre sabendo incluí-las e tendo como plano incluí-las em Ti mesmo por adoção para que a própria revelação de Ti mesmo em plenitude fosse revelada, porque por mais paradoxal que isso pareça, Senhor, não é quando olhamos para Ti pura e simplesmente, para Vós enquanto um Ser altivo e isolado (que O vemos), mas quando verdadeiramente somos capazes de, ao olhar para Ti, ver o coração das creaturas palpitando dentro de Vós, Senhor, dentro do vosso próprio Coração, todas com um mesmo pensamento, uma mesma memória, um mesmo fluxo, Senhor, em uma única voz, um único coro, um único core, um único acorde, num único tempo e espaço e pausa e silêncio, habitando em Vós, Senhor, dentro de vosso Amor e Racionalidade, Intelectualidade ou o nome que se dê, porque essas coisas foram de diversas maneiras nomeadas por diversos sábios.

E peço perdão, Senhor, se ao eu , mais uma vez, nomear as coisas, Senhor, de maneira tão falha, de maneira a verdadeiramente ansiar, desejar e rogar para que Teu Verbo, Senhor, a Tua Palavra me ensine a verdadeiramente pronunciar da Tua Vontade e ter do Teu Ato de maneira clara, sem precisar de enigmas, sem precisar que nada seja ocultado, mas verdadeiramente lançando luz em todos os telhados, acima dessa vossa casa, que aqui de joelhos jaz, perdão, Senhor, se em algum momento dessa minha busca as minhas palavras são tortas e não fazem jus ao Vosso Filho, que é o Verbo Verdadeiro de fato, Senhor.

Perdão se preciso Te limitar, Senhor, para que possamos tentar apreender algo dessa Luz que veio e que não foi assimilada pelas trevas que nos habitam até hoje, Senhor, de maneira tão caótica e desenfreada… então rogo, Senhor, também para que vosso rigor e vosso vigor, para que vossas Leis de Mandamentos e de Misericórdia habitem essa serva Vossa para que verdadeiramente, Senhor, vivendo-as ao máximo que me seja possível, dentro da pecadora que sou, e para além da pecadora que sou, eu possa, com saúde, Senhor, saudar-Te, reverenciar-Te como o Pai amoroso que és e o Filho, Amigo, Esposo, Rei Eterno Divino, Noivo maravilhoso, e Espírito Santo Castíssimo, Puro, tão aquecedor, penetrante e acolhedor, que me preenche de um ar tão límpido, de um sangue e um fogo tão vivo, Senhor. Que essa vossa serva, Senhor, através dos vossos dons divinos, possa de alguma forma Te ofertar o que tenho, Senhor, ainda que não seja ouro nem prata, quiçá chumbo ainda, Senhor, uma matéria morta e pesada, mas que Te entrego, Senhor, e deixo em Vossas mãos, porque seria loucura de minha parte julgar que serão as mãos minhas que irão transmutá-la.

Rogo, Senhor, para que, pedindo em meu nome essas coisas, vejais, Senhor, que não é para mim que as peço de fato, mas para que verdadeiramente essa Laetitia, essa Alegria, Senhor, se torne dos outros, para que inspire que outros façam o mesmo e busquem a Ti com suas fórmulas particulares e também de maneira retificada e mais clara de acordo com aquilo que devemos todos buscar e que, portanto, não é só dom pessoal, mas uma necessidade coletiva enquanto uma vivência santa de fato.

Eu tenho fé, Senhor, creio, que Tu podes tudo, podes tanto, Senhor, que podes ser o Puro Ato que toma sobre Si a Potência das coisas todas manifestadas, a coroa, a faz rainha, Tua própria esposa e noiva, para que através dela nós verdadeiramente nos tornemos vossos Filhos adotados, em verdadeira imagem e em verdadeira semelhança. Não como foi antes, porque antes não era plenitude o que tínhamos, mas porque pleno verdadeiramente é Teu Filho encarnado. Que Ele nos entregue em vossas mãos, Senhor, porque não é por mim que entrego essas coisas a Vós, ponho essas coisas todas em palavras através do meu coração, Senhor, do meu sangue e do meu pão para que Ele possa levar para Ti, Senhor, essas coisas todas, para que Ele seja, como É, o verdadeiro intercessor e verdadeiro intermediador nosso.

Deus É. O Senhor É.

Que eu aprenda cada vez mais, Senhor, a fazer com que verdadeiramente esse presente infinito, em mim, também se manifeste em carne. Que todos nós busquemos isso, Senhor. Que reveleis (tudo isso), Senhor, no coração dos meus irmãos, a quem tanto amo, porque verdadeiramente amo os amigos que me destes, que me Dás todos os dias, Senhor, perpetuamente, continuamente, verdadeiramente Amo os amigos que me dás, peço para que eles também, Senhor, também em clamor Vos chame e que de Vossos dons sejam dotados para que saibam escutar Vossa voz de verdadeiro Pastor, de verdadeiro Pai e que quando verdadeiramente estiverem face a face contigo, Senhor, que Vosso silêncio os abrace…

Peço por todas as vossas Creaturas, Senhor, todos os vossos Santos e Anjos, todos os vossos Filhos, meus Irmãos, nossos Amigos, peço, Senhor, para que verdadeiramente a vossa plenitude seja, em cada um de nós, anjos, santos, pecadores, infiéis e até mesmo traidores, que em todos nós, Senhor, o Vosso Amor seja revelado. Que a vossa plenitude seja manifestada, que ela sacie toda e qualquer dúvida queimando-a para que todos nós sejamos uma creatura renovada.

Que possamos viver, Senhor, na certeza da Vossa grandeza e no abandono da nossa pequenez em Vossas mãos, em Vossos braços, num eterno abraço…

Eu verdadeiramente Vos amo, Senhor, sabeis o quanto, ainda que meu amor não seja digno de ser chamado Amor, Senhor, porque muito me falta ainda para que me habites de maneira que eu me adéque de fato às Vossas … àquilo que é digno de Vós, Senhor… ainda assim, com toda a miséria que sou, Senhor, ouso dizer que Te Amo, Te Amo como nunca, nunca suspeitei que Vós pudésseis ser amado!

Que o Vosso Amor seja a todos revelado!

E que a Vossa Paz habite em todas as nossas casas, corpos, almas, sangue, água!…

Verdadeiramente sejamos guiados de volta para nossa casa, Senhor. Não importa como, não importa se filhos passivos, pródigos, o quão revoltados ou desviados, não importa, Senhor, que entremos novamente na mesma habitação em que resides, porque verdadeiramente em Vossa casa há muitas moradas. E que sejamos dignos, Senhor, de um dia habitar em Vossa presença, em plenitude, assim como o Vosso próprio Filho habitou conosco em plenitude.

Que aprendamos, Senhor, e que caminhemos sobre e sob os Teus passos!

Graças vos dou, Senhor, por todas as coisas. Absolutamente todas as coisas que foram, são ou virão a ser manifestadas.

Obrigada, Senhor! Obrigada!

Eu verdadeiramente Vos amo, meu Amor!

E que estas palavras sejam dignas de ser chamadas Oração, Senhor, porque eu as digo, as pronuncio, as falo pedindo tudo isso, agradecendo tudo isso em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Amém!

O Senhor nos acompanhe em todos os nossos passos!

Em todo o tempo e em todo o espaço!

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Na escura noite em meu peito

Na escura noite em meu peito
surda, cega e muda
o Amor doou-se a mim como um brinquedo
e sem olhos para vê-lo
coloquei-o na boca, feito fruta
o sabor doce dominou meu corpo inteiro
e passei a saber escolhê-lo pelo cheiro
já que não ouvia nem via coisa alguma;
e para a semente que me brindou ele
busquei, com suave tato, a terra mais fértil
enterrando o Amor onde meus dedos sentiram-na úmida:
o coração, que o mundo vive a dizer que é débil
mas como eu era surda e muda
o fiz em silêncio completo.
E quando ele nasceu na escuridão do peito alheio
eu tentei tocar e mostrar, mas as pessoas, que viam tudo,
juravam de pé junto ser só um fruto pequeno, minúsculo
de uma árvore tão miúda que parecia mais um arbusto
mas eu, imersa no escuro, reconhecia o Amor pelo cheiro
e sabia de seu dulcíssimo perfume
sem me importar se era novo ou se era velho
sem diferenciar se era fruto caído agora ou há tempos
sem querer saber se era banquete ou se era resto
pegando um por um e me alimentando do Amor que,
cega, tocava, primeiro, meus pés
enquanto os outros tentavam alcançar uma única fruta
acima de suas cabeças
que não tinha cor, não tinha aroma, e quase não era comestível
de tão dura!
mas que era bonita de se ver pela altura
de onde todos eram precipitados ao perderem a luta
para ver quem seria o senhor de tão rara iguaria
sendo que ninguém jamais a apanharia
pois ela era apenas a ilusão de quem cria que algo via
porque de tempos em tempos, como uma lâmpada, ela acendia
e nesse momento, imóvel, eu testemunhava a briga…
…e o sabor do Amor, da minha boca, quase que desaparecia…
até que o brilho dele cobrindo o chão
novamente me cegava e eu tornava a saborear
todo o Amor que os outros não queriam, se negavam, não colhiam
e que eu, cega, surda e muda
testemunhava sobrar…

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Alegria da Creação

Alegria da Creação

Le Tícia Conde

I

I

 

A estrela não é a estrela ela mesma, senão a luz que nos chega.

É a sua irradiação que a faz ser estrela, e não enquanto fonte para si mesma.

Ainda que a fonte determine tudo

inclusive a intensidade da imagem que se crea.

E isso é poesia, isso é D’us. Isso é Tudo o que pode haver.

O entre que há, sem estar naquele ou neste, apenas existindo e sendo no meio –

se no Sol vivêssemos, deixaria de ser o centro

deixaria de ser estrela.

Quando se está em D’us, Ele deixa de ser o que compreendemos quando dizemos

D’us

a poesia deixa de ser poesia se deixamos de ser poeta para nos tornarmos como ela

eis o trabalho de uma vida, deixar de ser algo

para apenas ser este verbo de ligação que conecta

uma fonte a outra

sem ser D’us ou o outro

sem ser a poesia ou o poeta

sem ser o creador ou a creatura

sem ser o sujeito ou o objeto

há algo para além disso tudo, algo que nasce como terceiro

para além de qualquer linguagem concreta

que vaza e não se captura nem mesmo no um

pois não está também na união de dois

mas na existência de Tudo infinitamente

eternamente

para que Tudo se veja e todas as estrelas possam ser estrelas

ao mesmo tempo em que não são estrelas em si mesmas;

quando voltarmos ao Pai, estaremos para além do ser

e então o que nos tornaremos?

Estrela… toda estrela que é habitada se torna planeta?

Os planetas de hoje se tornarão sóis ou satélites?

A permanência da vivência faz com que nunca estejamos num cometa.

Talvez no centro haja uma chuva de galáxias

talvez o centro negro seja o céu dos grandes seres

que ao nos verem passar fazem pedidos

e nós sejamos a realização dos desejos deles.

Ser poeta é eu riscar o céu com o fogo de Pandora e Prometeu

porque agora eu sei que de cima alguém também risca…

Estamos no azul, dentro da água fogo é apenas luz,

mas se se carrega uma bolha junto da vida que é ser gota

o ar preserva a chama:

desde dentro a imagem toma outro relevo, ganha novos ângulos

mas quando se consegue tomar fôlego e pôr para fora a cabeça

vemos que o objeto que parecia ter brilho em si mesmo

brilha, mas não é a Luz em si mesma

pois Ela é o que está sendo entre mim e ele

dele, de onde sai, eu, aonde chega.

 

II

 

Para ser meio é preciso escolher ser as pontas

não como pontos que se ligam,

mas como um todo que se encontrando apenas continua…

O dois vai pra ambos os lados, pois em qualquer número ele está:

o anterior e o próximo, na ordem que o caos impõe a ele próprio

para que dois olhos consigam se olhar

– a vesgueira em si é o caos, a ordem está em enxergar.

Pode ser caótico eu, sendo 6, desejar ser 11

mas há justiça e ordem no número que o universo me dá

e a sequência não é óbvia, eu posso ter já passado pelo 2 e estar nele novamente

mas se já estive no 5 será justo que do 2 eu passe para o 6 num piscar

como os arquétipos, e até mesmo arcanos

a ordem não restringe, ao contrário

ela crea infinitas direções.

A eternidade está nas combinações.

Mas as combinações devem nos tornar ouro

em cada subtração, divisão, soma ou multiplicação

não relativizando qualquer passo

e, sim, fiando os infinitos pontos

que com fé se tornam um único manto de fios dourados.

Se D’us é Tudo e Nada é efeito Dele

falar do Nada é ir ao passado Dele, e isso só se faz em conversas com Ele próprio

ninguém chega ao Nada sem Tudo, sem o Pai, sem D’us e Amor ao Mundo.

O nada humano é a finitude de si mesmo, pois fora do homem nada há

promover este nada é deixar de ser humano em si e decretar a extinção da unidade

não da Unidade, mas da unidade única que é ser o Si.

Todos Estão no Pai, nem todos São no Pai

é o nosso livre arbítrio para escolher qualquer lado

caminhando, acordando com os pés ao dançarmos com o altíssimo

ou como um carro, num automatismo, fazendo com que Ele mude a paisagem

porque no fundo nada se desvia, contudo

o desejo de se desviar é de fato o único ser sem destino.

Pã: eis um susto ao sair do caminho!

Se na livre expressão do divino já não se sabe fazer escolhas

a única possibilidade é ser deixado nas mãos de criaturas mais densas que Ele.

Se não se sabe lidar com o grau de sutileza que Ele congrega enquanto virtudes para a graça

que dirá observar Nada como efeito e o Vazio como pré-enchimento!

Somente um ser mais denso que o Pai e seus familiares

será capaz de pôr ordem, cada vez mais autoritária, claro.

Isto é o obscuro que tem sua função divina

com uma lanterna a procurar desgarrados numa floresta

– pois à noite, todo grão de areia é árvore

toda procura vira caça

e todo fantasma ganha corpo na matéria.

 

III

 

Não se afofa a areia. Não se torna macio o acumular de grãos

é ilusão, é a estagnação de não se conseguir levantar as pernas

e tirar os pés do chão, ficam soterrados

e crê-se ser bom fazer a realidade aparentar a face do confortável

o que não se sabe é que o corpo do conforto

é um monstro que nos engole rápido, areia movediça:

é a dureza no passo que garante o avanço pelo tempo e espaço

o apoio não de quem cai, mas de quem, já caído, se estende

ergue o pé e segue na firmeza de ter tocado a solidez da experiência

e ter aprendido a levantar-se com isso.

Mas se escoras nas costas de teu irmão

é porque te tornaste uma cruz. Fazer de si penitência alheia

é não se libertar do pó que se é e se carrega

sedimentando o peso em outro ao invés de esfarelares e descobrir

que também tua aparente maciez é duna que enterra cabeças

– uma moleza de pedras que condenam.

A suavidade do áspero está no calo da pele

a delicadeza da rosa se sente na fricção das mãos

e quando se segura um espinho se tem

o peso do mundo entre os dedos

– apegar-se ao denso é perfurar-se deliberadamente.

O apego impõe pressão. A pressão surge no aperto.

Quando brota tua rosa, as pétalas não são para a visão que te olha

mas para que sejam uma rosa de fato, pois sem tais partes

de nada adiantaria ter miolo; não há preservação de si

se não há o que o guarde – as pétalas são as portas uma a uma

que se abrem. Arrancá-las só torna tudo sem entradas

bem como sem saídas para donde se veio.

É o raio milagroso que à Terra chega que permite

que a boca da primavera se abra, todas as flores de saliva ao vento

disseminando pólen pelas palavras

e somos salvos de nós mesmos, porque no outono

nos impomos o arrancar da língua dos lábios: após um inverno mudo

cremos que os símbolos e signos não servem para nada.

Mas tudo, Tudo, serve ao nada, Nada.

E quem somos para calar o que nem dizemos, ainda?

Calada está a rosa quando é semente todavia

envolta nos braços-útero da mãe, sente a terra falar-lhe ao ouvido

todo germe é aurícula que do feminino fecundo nasce

toma banho de sol pela quentura que invade o leito

e há silêncio.

A palavra que toca como vibração vinda de fora

é água que rega e faz despontar o broto que começa

a orelha é pé pra andança, faz ouvir o vento que nos chama –

é pra aumentar o fogo que vem do lábio do Pai desde novo

feito sopro que chega como raio, vai se tornar chuva de luminosidade

e a cabeça sai da Mãe, grita folhas aflitas por colo

solo que abarca a energia de ambos, Mãe e Pai.

Base, planície neutra, recebe o andrógino que recupera sua metade

aquele homem que é mãe quando nunca se viu pai

aquela mulher que é pai quando nunca pariu mãe

aquele ser que Sendo se penetra com raios

e se fecunda as terrosas brechas, como quem pare ainda virgem

e faz nascer de si a obra imaculada de gêneros:

intocada pela duplicidade externa, a rosa

que em si carrega o macho e a fêmea.

A rosa, que é de integridade

mas que não se confunde em ser o jardim inteiro

não é ela que dá a si mesma a luz, a água, o vento e a terra de alimentos

mas é no dever de tomá-los em obediência para a própria existência

que se torna capaz de criar cor, beleza e cheiro

misturando-se com as outras flores que também cresceram

e aceitaram sua vez de ser banquete

o Amor que’scorre em mel e nutre todas as abelhas

o pouso leve que descansa as patas alheias

o degrau dos insetos, que sobem nelas para ver o horizonte

como quem chega no pico d’uma cordilheira.

 

IV

 

A visão do cume é solitária, não há nada que faça pedra

se tornar água para sede das lágrimas

às vezes é preciso descer um pouco para respirar

ainda que se saiba que a descida é queda escolhida

sem germinar algo senão vazio; não se desce pelo caminho que se subiu

então é preciso cortar mais mata, fazer mais podas

e dizimar uma parte do agora para se chegar onde antes estava

– regredir os passos é pisar nos brotos que cresceram

aqueles que tampavam os buracos da mágoa, dos arrependimentos

e, voltando, tornamos outra vez a montanha em deserto

ao menos em partes…

No fundo, as baixas criaturas voltam ao ataque

é sempre noite quando tudo cai

mas é o vazio no espírito que carrega nossas mais profundas obscuridades

são as torres que vemos quando olhamos pelas janelas da alma

e nos damos conta de que sob toda a terra escalada

a porta de entrada nos levava a uma ilusão de ótica

agora, estando de fora, é preciso demolir a antiga estrada

demolir também as certezas que se tinha como morada

desfazer tudo o que era base para que novos sedimentos

construam um deserto nunca antes imaginado

sendo assim desconhecido, para que de uma nova cegueira

nos reconheçamos e vejamos que precisamos de novos aprendizados

– desta forma a falta de visão leva àquela outra pedra

que mais uma vez não será água, senão o fundamento da próxima serra

aquela que é, agora, o novo cume almejado.

E com as antigas ferramentas começamos a construir outro topo

do nada.

Quando vemos cada tijolo cair diante das palmas

que abertas aguardam um novo estado de coisas, especialmente de alma

quando de punhos rijos, ainda que não fechados, sabemos que algo

de tudo o que se passa, nos será logrado

perguntamo-nos o que será, já que o vazio nas mãos

anunciam ao mesmo tempo o paradoxal desterro de tudo o que se julgava conquistado

– já não há nada na frente dos olhos, quem sabe abaixo

então mais uma vez a cabeça se inclina para olhar o solo

e admitir humildemente que a semente só é plantada

quando lembramos que a humildade está em destruir o que é nosso

para encontrar a essência daquilo que pode e deve ser compartilhado

e assim criar novos focos de germinação de algo verdadeiro

que até então ainda é inexplorado.

Outros castelos virão, certamente outras dores se trancarão

no mais alto cômodo de nosso ser, e esperarão até que sejam alcançadas

dores altivas que somente após toda a subida

podem ser dilaceradas. É para isso que serve a pulverização

de cada tijolo erguido em glória ao Nada, feito de barro para voltar ao pó

de se encontrar com o outro que também rasteja a vontade

de ir ao ponto do mais profundo miolo de sua existência

na obliteração do horizonte ao qual verga a flor plantada

pois é nele em que se’stava…

… e toda flor, por fim, termina confundida com a morada definitiva

que é outro nada senão uma creação, da nossa cabeça e do Creador

pois sem primavera não haverá verão, e sem verão não há sol quando o inverno chega.

 

V

 

É preciso desejar que caiam as pétalas ao solo

pois que são adubos para nós próprios ao nos livrar da vaidade

que é crer-se visionário de uma reta

que ao fim é curva para que não sejamos apenas paralelas;

nossos olhos sempre deturpam, e nos perturba a alma a escolha que fazemos

já não sabemos se subimos ou descemos, e o meio não é bem

a continuidade que se cria como via segura

já nada garante o aroma senão tornar-se vento

e como ar seguir colhendo outras flores

feito mão irmã que sossega um jardim para que os perfumes se sintam

e se misturem em direção a outros corações

pois o mel não é apenas na boca percebido

há que se ter digestão nos pulmões

– no futuro nos banquetearemos com a força das asas das borboletas

brindaremos a diversidade do arfar das penas dos passarinhos

e construiremos ninhos em nossas narinas

para que sempre nos pouse a dança dos corpos que voam.

E se somos a junção de todos, e se D’us é a junção de Tudo

a semelhança está na união, e não na inteireza de uma única coisa

: eis a face do Amor. Mas quem logra tal casamento sagrado com o mundo

apenas para vencê-lo depois?

É construir uma torre para que seja pó

bem como elevar toda montanha para que seja distribuída

grão a grão a cada um que passar com mãos erguidas

– pérolas só há quando se está acima para que haja porcos aos quais as jogar –

se há algo que eleve o outro, se há algo em si que possibilite assentar

então na mesma altura os olhos se verão

e pérolas já não haverá, nem porcos abaixo existirão

e a simplicidade estará em, se fazendo igual, saber o que receber

e o que doar…

As pedras, estando no deserto sem mar, têm apenas a língua com sua saliva

para as lapidar. A água do Ser é aquela que faz o bruto se tornar joia

e ganhar valor aquilo que antes era usado como arma:

o apedrejamento feito até mesmo com esmeraldas…

Já as pérolas, elas são aquele único grão de poeira que esteve lá a vida inteira

correndo o risco de entupir artérias.

Muitos morrem engasgados com os sedimentos que lhes entram

outros deixam que aglomerem e virem tumor em vez de dar o que têm de valor

àqueles que saberiam transformá-los em brincos, anéis, pulseiras

o que seja que ornasse o tempo, que combinasse com prata, cobre ou ouro

que revelasse a beleza e capacidade que cada um tem dentro

outros até tentam, mas encalham na margem

acabam por cuspir pedregulhos, e já não distinguem

o que é grosseiro do que é valoroso. Muitos nem mesmo sabem que uma pérola guardam

e são tantos os que não fecham a boca para que a façam

vivem sem incômodo, sem permitir que algo em seu interior os afete de fato

a ponto de mudarem a estrutura de um corpo

a ponto de criarem algo novo

e há ainda aqueles que criam, mas não sabemos, porque jamais se abrem.

De resto, há conchas que um dia ainda hão de ser ostras…

E há, por fim, os que não creem em nada disso

pois preferem viver em lagoas.

 

VI

 

Para enxergar a união das pérolas é preciso conhecer o fio d’água que as carrega

para ver a conexão de todas as pétalas é preciso olhar para o galho que à flor sustenta

para ver a conjunção de todos os galhos é preciso ter olhos para a raiz

que aprofunda em seu ápice e celebra encontros entre vapores terrestres.

Rara degustação do ventre que a todos leva

suporta a condensação de espinhos em seus cálices de ares

e ninguém imagina o quanto o vento, ao brindar e dançar com a rosa, machuca a si mesmo

– imagine a vida quando nos põe em movimento o quanto não se’sfola

rasga a carne de si mesma para que o sangue na taça caia

e a água verta, fazendo com que o deserto se torne mar

molhando a si e criando, da neblina de nevoa rígida

a bruma que se abre como cortina na hora em que menos se espera

pois toda fumaça úmida se inspira e se faz chuva

do céu às narinas, há cheiro de estrelas liquefazendo as vistas

há aroma de derretidas pupilas, o miolo que espalha pólen

com o calor do sol polvilhando abelhas, fogo que arde para que se veja

e o caminho se faça até a fonte em que se penetra

e se alimenta.

Estômago cheio, o pão de pétalas lembra que é preciso voltar às borboletas…

É preciso descer um pouco, ou quase tudo

há choro chamando por ajuda, pois do alto o mel à boca não chega

é preciso escorrer doçura até o início de cada cordilheira

porque mesmo chegando no pico, a neve zera a mira; então é possível piscar os ouvidos

: há ciscos de ruídos, há um espinho no sensível

– as lágrimas são a tontura do tímpano

debulha-se vertigem… cada rodopio é uma gota…

E há um tsunami espiralado de humano giro

ele não vem em nossa direção, nós é que escolhemos ir encontrá-lo

e por isso continuamos indo, seguindo montanha abaixo

para que o coro não se torne grito

para que ainda seja permitido diluir o sal

e romper com as barreiras que criamos para não subirmos

e ficarmos onde estamos, esperando

como se a estase trouxesse-nos um belo filho

quando de bastardos somos nós também filhos da espera

que deve ser abandonada, arrancada do inconsciente

erradicada da ideia.

É como borboleta fora da crisálida ainda pendurada para secar a asa

a tinta em excesso pinga, e o vôo não chega não por estar parada

mas porque é preciso sentir que uma gota faz diferença em cada movimento

pois uma gota pode ser a distinção entre o peso e a leveza;

mas quem se sente mais suave por cada pingo que cai da testa?

Quem agradece o fogo da febre que arde veneno para fora da pele?

Quem doa o corpo como brasa para suar a fogueira de quem se queima?

Quem aceita a gravidade que aterra chama na ponta da flecha

para acertar alvo espiritual mirando na matéria?

Em altas temperaturas se sangra a flama

e a voança só se baila quando a fleuma encontra um sonho

como lagarta, que sabe que a borboleta é a sua alma realizada

como borboleta, que sabe que é na Terra o seu pouso

mas é no Céu que fica sua casa, e por isso mesmo busca flores

sempre no alto, e se farta do que considera ser

a profundidade oculta do topo: o Amor, que antes de ser doce

dói como se incendiasse suas asas.

 

VII

 

Há fagulhas farfalhando pela folhagem, são as faíscas

flamejando fulgurantes filetes de água, há furos no céu

assim se acalma o furor das asas e se funde o fluxo líquido

com fogo, como quem dá forma ao mel, feito fervilhar de vidro

bem nas costas daquela que flui pelos feixes de luz

na flora do mundo, seu jardim

firme ela forja no ar as companheiras aladas de suas costelas

e valseia com as rosas florescendo favos

numa criação de colmeias dentro de si.

Há beijos por todas as partes, há bosques que se abraçam

há busca por beleza em cada berço em que se nasce

e assim a vida continua a parir.

Brasa bruta que banha todos os sonhos

balança os cabelos das corredeiras

enquanto a borboleta voa, boiamos sob sua sombra

somos batizados pelo Sol quando a pomba chega

espantando os insetos todos, dispersando a nuvem de gafanhotos

pois o foco naquela que era bela nem nos fez notar as pragas no ar

– assim é quando não se atenta que as maravilhas também podem cegar

maravilhas pequenas que ofuscam as de real grandeza

pois todo ser alado é passageiro, o que fica é o que os une

: as penas no mar onde plainam nuvens e paira o corpo

a imensidão – que, distraídos, diminuímos e limitamos

sendo que todo pouso é em um ponto específico

e todo vôo se dá na abrangência do céu

atmosfera que doa cor ao oceano: quando respiramos pintamos

– há azul saindo e há azul entrando.

Quanto mais expandimos junto ao cosmos, mais nos tornamos semelhantes

é preciso abrir os olhos, sentir a correnteza nos chamando

ela nos puxa pelos poros, massageia com o rigor dos pingos

eles nos batem e nos sovam até garantir um couro macio

para que nos penetrem os raios da aurora enquanto caminhamos rumo ao infinito

que se põe no lado oposto

– ao seguir o Sol a se pôr, seu futuro nos queima as costas

nós sentimos.

Durante o andar, no entanto, o que se eleva sobre nós é a Lua

e não é possível olhar para trás sabendo que Ela é nosso sal noturno

a medida certa é deixar que nos caia na pele

a pulverizar pigmentos de plácida alvura

na plenitude do escuro ao redor das partes de seu gosto

– é preciso seguir para além de sua brancura

é necessário fazer do corpo calvário maior do que salgado adubo

sagrado é ir em frente, pois quem volta com a onda se torna areia

estátua de grão que não se freia

escorre no tempo e faz de mar ampulheta

porque o amor de Lua tem suas fases na terra

enquanto as águas podem levar às alturas, desde que o Sol seja a fonte na qual se esmera

e reflete o horizonte que ultrapassa a rebentação e vira nuvem – é só depois das dores que se vai longe

e é só estando longe que se volta ao ponto onde tudo recomeça.

 

VIII

 

Todo lago é oceano para algum peixe

mas oceano jamais é lago para quem sabe que o nado é infinito

para todo lado.

É preciso alastrar feito rede e pescar eternidade

ao se alimentar da infinitude do movimento

pois é ilimitado o tempo entre dois números

– do zero ao um cabe o mundo inteiro… e foi então que fez-se a Luz

piscando bolhas no mar do pensamento

estoura instante em vislumbre – o lume ilumina cada pedaço do espaço como farol aceso.

Há ilhas que boiam, são os corpos que em meio ao sangue buscam oxigênio

pois água é o que preenche as veias do firmamento

e pessoas são as hemoglobinas da memória…

Há verde fora, e dentro é azul pra sempre.

A encosta revela outra pele

e o que se denomina orla é o abraço do espírito na matéria.

As mãos dadas liberam gotas, há liberdade nas dunas de areia

pois só quando se arrebenta as torres é que se une as diferenças.

Igual continua sendo seguir acreditando que se leva

o mesmo peso de antes, quando na verdade depois

a leveza do deságue é se saber mar de ondas perenes.

E quais rios desembocam em tuas artérias?

Tua foz é só uma ou em delta?

Qual a geometria que te circunda?

A raiz de tua água se aprofunda em quais terras?

Teus lençóis cobrem a cama de qual fundo?

E sobre tua superfície, quem navega?

Se o ar e a água se encontram no vapor, como não sutilizar o sentimento

e imbricar coração com mente de tal forma que sabedoria e inteligência

se tornem Amor?

Como não ser taça dourada que recebe o fogo que afoga em misericórdia

na justeza do rigor, sendo espada de dois gumes que corta nossa vaidade

e afia nossa espiritualidade, de quem aprende e sabe…:

as torres são pontes para o deserto, e o deserto é porta de entrada

para que a chama nos caia, elevando o broto à condição de flor!…

Alma imortal com perfume, o corpo é planície campestre

nasce e morre na eternidade da prece, e segue iluminado.

Quando estamos no topo da pétala iluminamos até onde os olhos alcancem

estando eles abertos: dos pés à cabeça –

no peito, nas costas, na garganta, na testa…

Como rosa que em cada parte irradia sua beleza, e o coro de todas as vozes

é a pupila que contrai e dilata como coração pulsante

bombardeando clareza.

Espinhosa beleza, há que se ver a raiz nas imagens que se interpreta.

Há que ir até as profundezas das carícias

que não são enxergadas, mas apenas sentidas.

Os elementos nos tocam como mão de Mãe que nos vela

e como lábio de Pai que nos sopra, para que queimemos

– somos fogo Nela para que Ele possa ser respiração em nós.

Então ventemos!

Sejamos inspirar que apenas aparenta estar morto

quando expiramos uma hora…

A morte é quando, da nossa torre, doamos todos os seus sedimentos

pois não é a morte que nos leva

mas nós que, poeirizados, nos ventamos e vamos embora…

 

IX

 

Voar, voar, nada mais que voar. E há urgência maior do que se permitir

ver as colinas de si? Certas torres não são literais

há que demolir a paisagem inteira

fazer tudo o que se cria grande ser eterna miudeza

– saber a pequenez do homem é o maior segredo.

Nós nos ventamos para longe, e todas as coisas mudam

pois o vento faz turva a água, como se eclipsasse

é então que todos os peixes nublam, forma tempestade em coral

há tsunamis de cardumes: a população alucina

quando seu firmamento de fronte cristalina

não reflete o alto como deveria – algo impede que a visão

chegue ao topo, é como se o vento os cegasse por um momento

e por um pouco acreditassem que o embaçado temporário

é a condição do céu que sempre vislumbraram

sem se dar conta de que a natureza brinca, e é mais profunda que seus olhos

bem como mais vasta que a soma de suas pupilas.

A sombra é o corpo aquém do fogo que aponta para o outro lado

por isso sentimos frio quando vamos em direção a ela

estamos nos afastando dos raios, como animais aquáticos que nadam para o raso

só porque é maré cheia, correndo risco de ficarem encalhados

especialmente nas ideias, campo minado de conchas antigas

encontramos qualquer cascalho e julgamos ser uma nova descoberta

quando todo sedimento na orla depositado

só pode ter vindo do fundo de nossas areias.

Por fim aprendemos que toda escuridão queima

pois a luz ainda nos fita, mesmo quando já não a vemos.

E não é o calor uma invisível chama?

Ele nos segue ao redor, preenche o espaço que tateamos

nos esquenta através do sangue, tal qual ferro

e quão maior a temperatura, mais vai ruborizando

ligando os motores internos

assim se conhece a atmosfera, é um saber vulcânico

vem conhecimento desde dentro para se encontrar com o externo

erguendo som agudo de quem canta alto e vibra a terra.

O magma impregna as rachaduras, forma novas pedras

– o que o planeta leva nas veias mata quando jorra das artérias;

a fogueira do ventre é indigesta, devora os entes que vê pela frente

e segue, fazendo com que todos derretam na acidez do tempo.

E não é a lava o fluido que ao matar incorpora novo fluxo em cada movimento?

Pois que a hemorragia da Terra é sangria que oxigena

e que também enferruja para que seja soprado o pó, que rubro corrói e vaza

como borracha que ao rascunho apaga

– imagina a perfeição dos pés que sentem na transparência do ar

o caminhar por sobre vulcões de vapor…

Já não é preciso se queimar: imunes às chamas, vivemos mergulhados em calor.

O batismo que tanto se espera se dará

quando sentir as solas como sóis fizer com que a Mente borbulhe Crear

e o Coração, em eterna erupção, dissolva tudo o que se Conhece

para que então haja a fusão de toda a Creação

em um único corpo

e Tudo coagule Amor ao expandir a Si em união aos Outros.

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Carta ao Pretendente a Cristão Rosacruz

Almas Amadas, minhas meninas,

gostaria de vos dizer ainda mais sobre a Rosacruz. Antes de tudo, gostaria de mais uma vez deixar claro que eu não falo em nome da Fraternidade Rosacruz dos Cristãos Místicos, eu aconselho que conheçam, porque senão não entenderão o que falo, mas o que eu falo é sobre o Cristão Rosacruz em si, e há uma diferença nisso.

Peço licença e vos convido todas, Almas queridas, a continuarmos caminhando, de modo devocional, dentro da observação daquilo que nos é permitido ver para que possamos discernir o que Deus nos dá e como nos prepararmos cada vez melhor para uma contemplação mais apurada, conforme nos forem doados dons apropriados para tal.

Eu falo muito sobre o Catolicismo, e poderiam se perguntar: mas afinal, por que ela fala tanto da Santa Igreja e nos exorta a segui-la se a ideia é seguir a Rosacruz? Isso se dá, meus amores, porque a Rosacruz é a responsável por vos preparar para seguirem para o Catolicismo, mas um Catolicismo ainda mais maduro do que é ofertado a simples leigos. Todos nós teremos que aprender sobre os ditos Fogo e Água, todos nós teremos que ter ambos em nós bem formados e conformados, ainda que isso não signifique que não tenhamos uma predominância de uma via durante parte do caminho. O trabalho é sempre desenvolver ambos e, com o tempo dado pelo Santíssimo, conseguirmos equilibrar essas duas qualidades em nós, que são maravilhosas, trabalhando juntas, assim como o Amado João trabalha junto do Santo Pedro, assim como a Hierarquia Humana hoje trabalha junto da Hierarquia de Escorpião, os Senhores da Forma. Um não é possível sem o outro, e, somos criaturas tão elevadas, ainda que sem sabermos, que os Senhores da Forma se conformam a nós, por isso nos é permitido, ainda que haja consequências, deformar as coisas.

Aliás, aproveito para me corrigir e dizer que quando alguém não age em caridade, a Forma eterna do Amor, não é porque age de outra forma, só há Forma no Amor, mas o que acontece é que a pessoa deforma o que foi doado, criando abominações. Então a aplicação da forma não é perene, não é estável, porque nos é dada a liberdade e o livre arbítrio de deformar as coisas, por mais inacreditável que isso pareça, mas a Forma em si é só no Amor, então a Forma é sempre eterna, ela em si não muda, mas pode ser deformada, e uma deformação pode ser novamente conformada. Por isso ser obediente é importantíssimo, ainda que seja difícil, dificílimo.

Quando falei do casamento, por exemplo, na carta anterior, pela Igreja não é possível um segundo casamento, especialmente no caso das mulheres, que só podem se casar uma vez sob qualquer circunstância, ao menos até onde eu saiba. E de fato, é importantíssimo vivermos isso, não só porque seja Catolicismo, e, aqui, este é um exemplo, então é importante viver as premissas, os dogmas, as regras e leis do catolicismo, não por conta do catolicismo em si em termos banais, mas porque, quem olha sob a Luz da Razão essa maravilhosa dádiva que é ficar solitária, viúva até o fim, vê que dentro desse simbolismo está o fato de podermos conscientemente viver o que o espírito vive. Uma vez saídos dessa matéria, nenhum outro espírito pode habitar o nosso corpo, ou ao menos não deveria. Por isso, aliás, é falsa a história de que São Francisco seria um homem que, havendo morrido, teve seu corpo disponibilizado para que o espírito de São Pedro o habitasse, isso jamais aconteceria, ainda que seja uma deformada ideia com uma aparência muito bonita. O fato de nenhum outro espírito poder habitar a matéria que nos foi reservada é como o casamento para o viés feminino, não podendo, o que é feminino, ser habitado duas vezes. Nenhuma matéria deveria ser usurpada dessa maneira. Não quer dizer, claro, que a magia não exista e que isso não aconteça, mas é abominável.

Uma mulher que aprende que a via que ela se sujeitou a aprender é a da matéria, e por isso ela veio num corpo de mulher, é porque ela veio e se sujeitou a uma via cuja conformidade está em relação à matéria, em se tornar representante dela, e isso faz com que de fato o casamento só possa ocorrer uma única vez para ela, para nós, no caso, caso um dia me aconteça. Assim como o homem pode casar-se em caso de viuvez, por exemplo, porque o espírito pode renascer em outra matéria, e o faz realmente. Então nós vemos como o casamento diz respeito de fato ao nascimento, nascimento de união de espírito e matéria. Por isso há seres espirituais, que são os angelicais, e há seres materiais e espirituais, que somos nós. Nós realmente possuímos uma dádiva que é digna de causar espanto aos deuses todos, me referindo a deuses aqui em termos de seres espirituais que estão, hoje, aparentemente acima de nós.

Por isso também a roda do zodíaco tem a referência do corpo físico e vital no caminhar anti-horário: as casas de 1 a 12 vão no sentido anti-horário e os planetas caminham no sentido anti-horário, sendo que já explicitei nas Poesias sobre a astrologia que as casas terrenas (1 a 12) representam o corpo físico e os planetas em si, o corpo vital, sendo o processo mais elevado, supostamente mais elevado, o corpo físico é tão importante quanto a mente, mas um processo em si mais elevado em termos da nossa caminhada, porque nosso corpo físico já está extremamente lapidado, então, uma elevação na nossa caminhada é lapidarmos o que está acima disso, o que nos foi dado mais recentemente, sendo estes o corpo de desejos e a mente, que são representados pelos signos e pelos aspectos que são formados num mapa, sendo, então, esse processo mais elevado de lapidação, mais atual, ocorrido no sentido horário, porque os aspectos, ainda que verificados através dos planetas, eles dependem principalmente dos signos e constelações, então é muito mais delicado do que só colocar os aspectos em cima dos planetas, eles estão primeiramente conectados aos signos, por isso se fala que a mente aderiu de uma tal forma ao corpo de desejos que se tornou perigosa…

No que concerne ao mais elevado, nós somos a hierarquia primeira, Peixes, sendo Pedro o primeiro dentre os 12 com toda certeza, a pedra de fundamento, aquela sobre a qual todo o resto vai sendo conformado, sendo a nossa evolução mais do que crucial para a evolução de todo o resto. Não são só os seres atrasados que dependem de nosso exemplo, mas mesmo os mais exaltados, a glória deles não supera o que Deus reservou para nós enquanto filhos Dele. Porque nesse processo, como falávamos, Peixes, que é a 12º casa, que habita a 12º casa, é o primeiro no sentido horário.

Então Deus realmente esteve entre nós. E cada vez que eu mesma penso sobre o Deus do Universo ter-Se feito carne para nos ensinar e nos salvar, é algo que chega a dar vertigem de tão imenso. E por mais difícil e até megalomaníaco que pareça, e as aparências enganam, é um fato que o Deus do Universo esteve aqui em carne, encarnado, em nascimento pelo poder do Espírito Santo, nascido da Virgem Maria. Por isso é preciso ter muita humildade, porque para virar megalomania, por exemplo, é um tropeço. Pensar que foi o Deus do nosso sistema solar que veio nos ajuda a manter a sobriedade, achar que tem outros deuses etc. ajuda a evitar a sede de poder, evitar cair justamente na citada megalomania, no orgulho, que é a maior de todas as vaidades, mas é para isso, isso, só, para conter-nos em sobriedade. Então que seja, enquanto for necessário, mas a história verdadeira do Livro da Vida não é só isso, e os Mistérios são muito maiores, podem ter certeza.

Então, quando falo de catolicismo e sobre nos conformarmos a ele, não é por pregação de igrejinha, de religião como nós tomamos no dia a dia banal cotidiano nosso – de ‘ah, vai pro céu ou pro inferno, você tem que se salvar, vai lá’, e passar a frequentar por estilo de vida, por bater cartão –, não é por dogma de imposição e subserviência, mas porque qualquer pessoa que saiba reconhecer os símbolos e arquétipos, vai receber os signos em si mesma. O que significa que receberá o Espírito Santo nela.

Receber o Espírito Santo é algo imenso, é indescritível.

Para isso é preciso passar por todos os sacramentos da Igreja. É preciso porque vemos que essa é a única via verdadeira.

Nós passamos a ver verdadeiramente que o batismo, por exemplo, é como o sangue que, sujo, retorna ao Coração Voluntário do Universo e precisa passar pela Água, ser feito Água, precisa ser limpo para que possa novamente ser levado a outras partes do sistema e fazer seu trabalho, cumprir com missões de verdadeiramente manter a saúde do corpo universal, que é a Igreja, que é a Família, que é a Comunidade, que é a Fraternidade, porque todas essas coisas são apenas oitavas umas das outras, sendo todas uma única nota em si mesma.

Então um verdadeiro Cristão Rosacruz jamais reclamará de seguir os preceitos da Santa Igreja, assim como João jamais abriu a boca para reclamar de Pedro, até porque ele sabe que ele mesmo é muito mais propenso a se tornar um Judas caso caia a qualquer momento. Pois se um sangue sujo, um filho pródigo, chega ao Coração de forma inapropriada, ele o trairá com um beijo. E isso dói de uma maneira que desejo que nunca precisem saber como seja.

Por isso que não basta estar ou mesmo ser da fraternidade para se dizer Cristão Rosacruz, ser um verdadeiro Cristão Rosacruz é passar por um fogo muito maior do que os da Fraternidade ou escolas outras conhecem. É ser capaz de realmente ver a Igreja, ver o corpo de Cristo e submeter-se a Ele, porque Ele é o Mestre: Rabbuni! Rabi! Como disse nossa querida, nossa Amada, nossa Senhora Maria Madalena! E eu anseio pelo tempo em que isso acontecerá, e saberão do que falo, e verão o que vejo, e escutarão o que eu escuto, porque é lindo, é… é um milagre realmente!

É ver a poesia, é ver Maria o tempo inteiro, é amá-la de uma forma castíssima, como seu marido, São José, que foi dado a Pedro, porque os ditos da água também devem aprender a maneira certa de usar as chaves; chave se relaciona a Hércules ou Héracles, um dos principais, senão o principal herói formado por Quiron, e já falei na Poesia do Quiron como ele é relacionado ao Espírito Santo e a José, nosso amado São José, Senhor grande, imenso, Senhor Rosacruz que foi dado a Pedro, para ajudá-lo nos mistérios que ele ordena. São José é aquele que fez um trabalho hercúleo antes de todo mundo, e o trabalho mais hercúleo, além de abrir a via para os 12, é morrer como Quiron para que haja a possibilidade de redenção de Prometeu e o restabelecimento do fogo.

Então São José, representando tudo isso, foi dado a Pedro. Não à toa Pedro representa o casamento, por isso que só Pedro tem autoridade sobre o casamento, só a Igreja constitui um verdadeiro casamento. Mas ao mesmo tempo, quem nela trabalha, como o clero, precisa ser celibatário, porque o celibato, como falei na carta anterior, se relaciona a João, então a via de entrada é pela chave do celibato. E acabam enfiando os pés pelas mãos porque é realmente uma chave complicada, se você usa de maneira errada, ela trava e enfim… causa problemas inimagináveis. Então é muito delicado! Mas é por isso que o celibato foi dado à Igreja, assim como o casamento foi dado a João: João era o celibatário, Pedro era o casado! É mais uma vez a inversão dos polos: o que é de um é dado a outro, o que é de outro é dado a um, por isso que João recebe as mulheres, as discípulas de Cristo Jesus, as suas amadas, e como Cristo não daria as suas Amadas, as suas companheiras, para o próprio Amado? Então as mulheres de Cristo, Maria e Maria Madalena, são dadas a João em casamento, assim como José, como chave, como molho é dado a Pedro, e por isso quem é Rosacruz deve casar-se, é bom que se case, é bom que se case! E que se case dentro da Igreja. Agora, claro, para isso requer uma maturidade imensa, imensa! Mas é maravilhoso, uma vez que nós conseguimos ver os símbolos – porque é isso que quero dizer aqui –: quem faz o estudo de ciências ocultas, quem começa a ter o dom de observação desses símbolos todos e ver o que eles representam ganha a possibilidade de vivê-los por vontade própria, então é bom que assim o faça. Então uma mulher, que faz um estudo desse, se se casa, se o homem morre, ou divorcia por qualquer coisa que seja, se há qualquer tipo de separação, justa ou mesmo injusta, porque não há separação para Cristo, mas ainda assim, se houver qualquer motivo ou qualquer mundaneidade que os separe, é bom que ela permaneça sozinha, porque é bom que se cumpra na pele, no corpo físico, que se conheça no corpo físico o que as coisas superiores nos falam, porque o Corpo Físico é o instrumento mais elevado que temos, e por isso que ele é referente ao Deus Pai, como nos diz a Fraternidade.

O Corpo Físico se liga ao nosso Espírito Divino e à Pessoa do Pai; assim como o Corpo Vital se relaciona com o Espírito de Vida, que estão relacionados à Pessoa de Cristo; e o Corpo de Desejos se relaciona ao Espírito Humano, que estão relacionados à Pessoa do Espírito Santo. Então o Corpo Físico é a forma mais elevada de se aprender uma lição. Quer aprender as coisas realmente do mundo oculto? Viva-as na pele! Na pele! Agora, é isso, pra viver na pele é preciso se conformar, ou seja, tomar forma com o catolicismo.

E a, vós que muitas vezes estudais para apenas acumular ciência, Deus esconde de vós aquilo que é mais precioso, tanto as pedras quanto os metais verdadeiros, e pérolas. E mesmo que tenham acesso a todas as pérolas, jamais poderão usá-las de maneira a realmente adornarem os vossos membros e dos outros, porque Deus conhece verdadeiramente os vossos corações, pois vossos corações foram feitos à imagem e semelhança do Dele, e quando deformais isso, Ele sabe, Ele sente, Ele pulsa em dor e lamento. É claro que é uma dor como a de um pai que vê seu filho fazer algo com o qual não concorda – porque não há acorde, não há core batendo junto, não há coro, não há caridade, mas Deus, perfeito como é, mantém consigo a alegria, já que tem todo o necessário para a cura, para exortar seus filhos a se lembrarem das coisas que foram ensinadas desde quando éramos muito pequenos.

Vós podeis não se lembrar, meus queridos, mas quando éramos ainda apenas uma semente, Deus estabeleceu toda a base, desde lá já nos eram contadas as histórias de como poderíamos, um dia, retornar, porque sairíamos de casa uma hora e nos negaríamos a voltar, fosse como filhos passivos ou pródigos, sendo que somos ambos, todos, realmente. Então Ele e nossa mãe já nos ninavam ao som do que seria a base para, um dia, usarmos como chão, como Caminho, para o retorno tal qual Novos Homens, ressuscitados em Cristo Jesus após nossa queda em Adão.

Sim, o próprio Deus falava conosco como um Pai a seu bebezinho. E quando ainda meninos, ouvíamos e seguíamos suas diretrizes e parâmetros. E víamos o exemplo Dele, aos poucos conhecendo, ainda dentro da inconsciência de nós próprios, tal qual Plutão, tal qual Adão, mas, de maneira primitiva, de maneira imatura e infantil, conhecendo, ou seja, vivendo em união de sabedoria com inteligência, que é o conhecimento em si mesmo, porque escolhíamos os frutos (que é a inteligência) e saboreávamos cada um deles (que é a sabedoria, basta buscar a Poesia da Sabedoria, da Inteligência e do Conhecimento já feita que falo mais sobre isso caso queiram).

Então, um dia provamos o que não nos era lícito.

Chegamos na puberdade, por assim dizer, chegamos num ponto em que acabaríamos tomados pelos desejos, não porque Deus programou a hora errada, e nem porque suas criaturas nos dotaram de corpo de desejos num momento equivocado, nem sequer isso, tudo é perfeito, e a adolescência humana, mesmo a genética, jamais deveria ser postergada. Seria inclusive quebrar com a forma perfeita, que é de 7 em 7. O que acontece é que há filhos que dão pouco e outros que dão muito trabalho. Há filhos que se revoltam e nunca mais saem da adolescência, mas isso, porque não tiveram base, porque não ouviram desde o começo, porque foram se deformando desde novos, por mais que o Pai tentasse de tudo para que isso não ocorresse.

É realmente semelhante à vida humana, ainda que sem entrar no psicologismo da queda, a queda não é psicológica, a queda é espiritual realmente, mas semelhante à vida humana psicológica também, inclusive biológica, genética, hormonal quando observada em profundidade e calmaria porque tudo provém de Deus. Então aquilo que não está dentro da Forma que nos foi dada é deformação, mas mesmo a deformação, é através da Forma que se deforma. Por isso que se fala que, mesmo na tentação da serpente em relação à Eva, havia verdades ocultas ali, porque seríamos de fato como deuses etc., sim, porque qualquer negação provém do sim, qualquer escuridão provém da luz, não porque a luz a cria, não porque o sim cria o não, mas porque enquanto criaturas essa é a possibilidade que se nos apresenta: para haver sombra, tem que haver luz, para haver negação, tem que haver afirmação. Só que o oposto não é verdadeiro.

Nem sempre inverter as frases e as afirmações é algo que continua sendo verdadeiro, então mesmo que se diga, ‘ah, mas se não há luz então há escuridão total’, isso não é verdadeiro, porque aquilo que é negro, obscuro, mesmo a cor preta é aquela que absorve a luz, que absorve todas as cores que são irradiadas pelo branco, então é preciso que haja luz para que exista escuridão, é preciso que exista o branco para que haja o preto, e o contrário não é necessariamente verdadeiro. Então é preciso tomar muito cuidado tanto com a inversão de frases quanto também o fato de falar aqui em termos psicológicos, como se a queda fosse algo psicológico só na cabeça do ser humano, isso também não é verdadeiro, pois a queda ocorre em todas as instâncias, e é urgente, não sei se urgente, mas é capital, é caro, é importante que consigamos observar que isso ocorre no campo espiritual, que a queda é espiritual, para além de psicológica, para além de material, para além de cotidiana.

Então, voltando à analogia do pai e do filho, nenhum pai deseja um filho deformado, nenhum pai deforma seu filho em si mesmo, ainda que um pai humano possa corroborar para tais deformidades, mas nosso Pai celeste é perfeito, não sendo o caso Dele ter sido responsável em nada, ainda que, amoroso como é, eu não me espanto Dele enviar Seu Filho para tomar para Si, sobre Si, todos os erros, especialmente os nossos.

A Salvação nossa por Cristo Jesus é verdadeiramente como se Deus se responsabilizasse pelo nosso desvio, pela nossa queda, pela bifurcação do nosso caminho, é como se Ele quase dissesse que realmente Ele errou, mas obviamente Ele não pode dizer isso, porque isso é mentira. Então o que Ele fez? O que Ele fez e faz é nos mostrar que, mesmo não podendo assumir em Si a responsabilidade de todos os eventos, porque Ele não foi o responsável pela nossa queda, ainda assim Ele toma sobre Si a gravidade dos acontecimentos.

Vós conseguis ver, Almas minhas? O que eu falo aqui é imenso. Não porque eu vos falo, mas porque Deus quer que eu o diga a vós para que saibais e tenhais meu testemunho enquanto eu mesma, enquanto nascida para ser vosso exemplo. Eu me conformo ao Catolicismo e aos vossos olhos me torno uma Cristã Rosacruz para que vejam que tudo isso ocorre em verdade verdadeira, pois tendes como testificação minha morte e meu nascimento, em imitação do nosso Mestre, nosso Guia, nosso salvador, nosso Rei, nosso Deus.

E que seja feita a Vontade do Pai, agora e sempre.

Então, meus Amados Amigos, amem, sejam caridosos a todo momento, busquem isso, busquem de todo coração, de todo espírito, de toda alma, em todas as ações vossas, porque não há alegria maior do que viver no Amor de Deus, em sua plena Forma, sendo amigos da hierarquia de Escorpião, seguindo a Rosacruz, ouvindo seu senhor, São João.

Então leiam os evangelistas todos, leiam especialmente em épocas de grandes festas, como agora no advento. Leiam e esforcem-se por ouvir as palavras com vossos corações realmente, sintam o sangue correndo em vossas veias quando o fizerem, prestem atenção no ritmo cardíaco, ouçam cada versículo, afirmem cada verbo.

A Bíblia Sagrada é Cristo Jesus, é seu Corpo, é sua Igreja, é Lar de Maria, a Virgem, porque é na Bíblia que está a Poesia mais perfeita. Ela é senhora que ordena a Igreja. Por isso que a Arte, a verdadeira Arte, leva até a nossa Mãe em si mesma, sendo que a beleza da Arte só é verdadeira se ela for filha da Bíblia, por isso só existe Arte Sacra, que é uma redundância na verdade, o resto é Babel, torre que um dia será atingida. Então ouçam aos Santos e busquem a Arte dos que falam de Cristo, ainda que de forma oculta, pois todos trabalham muito para que vossos corpos, almas e espíritos voltem para casa, entrem em casa pela porta da frente como verdadeiros filhos, Filhos do Homem, Filhos de Deus, porque tudo o que temos é porque Ele nos doou e nos deu.

E saibam que até os santos não têm acesso a todas as coisas; quando Cristo Jesus estava entre nós, os 12 também não entendiam muitas das coisas que Ele dizia, fosse em público ou particular. Só com o tempo, tempo do Pai, é que os Santos vão enxergando como Deus é grande, maior do que jamais imaginariam ser. Pedro foi o primeiro a reconhecer isso, João o segundo, o que significa que realmente começa aqui na Terra, conosco, em nós, o reconhecimento do Deus do Universo e a pregação e santificação do Universo e de todas as criaturas já feitas.

Isso é de uma responsabilidade gigantesca!

É quase inacreditável de tão imenso!…

Então eu vos peço, eu vos exorto com toda a força que há em meu sangue, com toda a Luz e Amor que habitam meu Coração e minha Mente: orem, roguem, ajoelhem-se, busquem viver verdadeiramente, peçam para Deus que Ele vos veja, que Ele venha com Seu reino, que Ele vos tome por discípulos, porque eu vos garanto: não há maior honra do que essa! E busquem conhecer a Igreja Católica, mesmo que sem frequentar, não precisam se forçar ao que o Espírito Santo não os compele a fazer verdadeiramente, mas busquem ter dentro de si ferramentas, porque vós sereis como as noivas sem óleo quando o noivo chega. Então estudem, eu vos imploro, leiam o catecismo, eu mesma estou gravando ele todo. Então ouçam, leiam. Leiam os autores católicos, leiam coisas ocultas também, mas mantenham o foco, saibam que o principal é Pedro!

Não adianta nada saber sobre anjos, arcanjos, querubins, serafins, conviver com eles, se não se olha para o ser humano em si mesmo! De nada adianta todas matérias que nos foram dadas, todos os espíritos que nos são dados, o tríplice espírito e a tríplice matéria, o tríplice corpo, se não aprendemos a usar a mente.

João, São João ouve a Pedro, e Pedro recebeu o maior herói nosso, pois José é maior que João, eu vos garanto. José é como Jacó. Não sendo maior que o próprio que o criou, mas tendo uma exaltação imensa, que está ainda oculta a nossos olhos, mas será revelada na hora certa.

Então, Almas minhas, façais como Maria: cantem, dancem, sonhem, e também orem o tempo inteiro, tenham leveza, pois o manto de Cristo são asas de fogo e o véu de Maria é um mar cristalino, de beleza transparente, reluzente, feito seda. Assim vós sereis conformados um dia, tal qual água e fogo que voam alto para que todos vejam e assim glorifiquem a Cristo Jesus, o Deus do nosso Universo inteiro. Sim, porque pregaremos por todos os planetas, por todos os sistemas, por todos os cantos existentes e observáveis já feitos, e isso é imenso, é indescritível, é a maior das bênçãos.

Então, escutem, Almas Amadas, porque quem vos chama pela minha boca é nosso Mestre, é nosso Pai, e nossa Mãe, e junto todas as criaturas celestes. Porque todas querem continuar caminhando, todas aguardam em tremendo espanto, a coroa da criação ficar pronta, e vós tendes parte nessa prontidão, pois sois os metais, pedras e pérolas nas mãos do único Santíssimo artesão, que, com seu sopro, faz de nossa terra, nossa matéria, uma joia, uma obra de prima beleza, bondade e justeza.

Eu vos amo. Eu vos amo. Eu verdadeiramente vos amo. E espero que dê para ouvir o Amor no som da minha voz quando trabalho para que, eu diminuindo, Ele, em vós, cresça.

Acreditem, é verdadeiro: nós temos um Rei, e nós somos herdeiros e cocriadores de seu Reino.

Creiam, vós sois guerreiros em bom combate, sois médicos em cura de santidade, sois buscadores em companhia da sabedoria, sois músicos-pescadores com vossas cordas que vibram, sois artistas criando um mundo verdadeiro, sois poetas pronunciadores do Verbo em casamento com a Poesia.

Sois como Cristo Jesus, sois como Maria, sois como os apóstolos, porque sois como uma Bíblia.

E eu vos leio a todos, eu vos leio a todos! E vos amo, como Jesus Cristo vos amou!

Que todos permaneçamos no Amor, tendo fé e esperança, tendo alegria e confiança, em casamento de Nova Aliança.

Eu vos amo, e já não sou eu quem ama, mas Deus.

Que Deus seja convosco, agora e sempre.

Amém.

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Carta de Exaltação e Exortação ao Amor

Amadas almas,

eu gostaria de caminhar em nosso jardim e falar do amor e do casamento e do celibato enquanto cuidamos, se Deus quiser, de algumas flores.

Quando nós caminhamos pela Poesia do Natal, antes de ser-me dada a Poesia do Amor, isso há um ano, bem no advento do Nascimento de Cristo, eu falei sobre Maria e José e seu casamento místico. Para se chegar ao Amor sempre é preciso passar por esses dois santíssimos. O sagrado matrimônio é assunto seríssimo, nós ainda não sabemos viver isso.

No Amor não nos damos em casamento. Quando amamos alguém é porque Deus se manifesta: seja diretamente, seja através de suas criaturas, anunciando, assim, que há um dever a ser cumprido e uma união a ser feita. O exemplo mais sublime e puro disso está em Maria e José.

Mais uma vez o Natal se aproxima e, apesar deu saber que Cristo Jesus pode nascer todo dia, sendo por isso inclusive inútil ficar tentando datar a parturição histórica do mesmo, é só perda de energia e tempo, ainda assim, claro que comemorarmos nesta época não é algo aleatório ou usurpado de outras culturas, como se alega, pois sabemos já que Cristo Jesus é a Luz que era, é e vem e o que nos foi dado no passado eram fagulhas, raios mínimos dessa Luz por chegar, por isso a impressão é de que os cristãos usaram datas pagãs para apagar e suprimir o que veio antes, mas isso é falso, o que veio antes, isso sim, é o prenúncio de Cristo Jesus o tempo todo, de maneira torta e sombreada, é certo, mas prenúncio e corroboração de como Ele de fato é nosso Salvador e Redentor.

Cristo Jesus e o cristianismo não são questão de cultura, não é algo do ocidente ou do oriente, de uma tribo ou nação, nem sequer de planeta, sistema solar ou galáxia, não, isso é bom de se crer quando no início de um estudo, mas é bom ter sempre no horizonte, ainda que seja difícil de ser vislumbrado e aceito, e eu sei o quanto é difícil, porque ver isso é uma questão de Deus querer, mas é preciso minimamente ter ciente na gente que Cristo Jesus é o Rei do Universo, e pedir para ver isso por si mesmo.

Por isso o ser humano é a obra mais gloriosa, pois fomos escolhidos dentre tudo o que foi criado para recebermos o próprio Deus, para Ele se tornar como nós. Além disso, é por isso que, ainda que em aparência tudo gire ao redor do Sol e ao redor dum buraco negro etc., em verdade a Terra sim é o centro, o core, o Coração do sistema solar e do Universo, não por si mesma, não porque o ser humano seja Deus ele mesmo, mas porque Deus se fez homem e habitou entre nós e trabalha conosco o tempo inteiro, então o Universo se volta para cá e gira em torno daqui porque Deus veio para cá Ele mesmo. É através do Homem que Deus aprimora suas outras criaturas inclusive, então assim como nós recebemos dos anjos, arcanjos e hierarquias acima dotes e dons que são próprios deles, assim como eles nos ajudam a construir um corpo, a evoluirmos espiritualmente etc., do mesmo modo o Homem é uma criatura que deve doar-se a todas as hierarquias para que possamos todos de fato continuar caminhando. Então saibam que todas as hierarquias angélicas, ou seja, todos os seres espirituais aprendem conosco e recebem de nós o fator humano que compõe também a evolução deles.

Cristo Jesus é Deus junto ao Pai e ao Espírito Santo, e isso não é questão de cultura ou apropriação de datas passadas, mas sim se trata da revelação da Luz Eterna que até então aparecia de modo velado, sombreado, por isso culturas antigas, como eu dizia, essas sim, ao ainda não terem capacidade de receber o Verbo em carne, pois é Deus quem capacita os escolhidos Seus, usando do rastro de Luz que vinha, que chegava, desde o futuro para iam delineando a sua realidade, e, portanto, assim foi delineado o passado – por isso Cristo Jesus é aquele que Era, aquele que É e aquele que Vem, porque desde o futuro Sua Luz continua sendo, sempre vindo ao nosso encontro, gerando esse efeito de sombra do qual falo por conta de sermos humanos, por pecado nosso, mas não erro divino, pois Deus não erra, não é a Luz em si mesma que gera sombra – é uma questão de lógica, não é uma questão de concordar ou discordar: ‘não, Deus erra sim, é a teoria na qual eu acredito’ – é mesmo? Quem diz isso e insiste em afirmar tal coisa está em profunda heresia, ela não sabe o que fala, não sabe o que faz, ela não tem mínima ideia de nada, porque ela não consegue ter raciocínio lógico, porque é questão de lógica que luz não gera sombra, a sombra é gerada por coisas opacas, que são as criaturas, obviamente pelas criaturas principalmente que decaíram. E mesmo criaturas supostamente não decaídas: ninguém é Deus! É como Michael, Michael significa ‘quem como Deus?’ ninguém! Então ninguém é como Deus, criatura alguma, por mais exaltada que seja.

E aproveito para testificar e atestar que a Rosacruz afirma e sabe que Deus é Perfeito em absolutamente tudo, não há erro da parte divina, mas das criaturas em si mesmas. Essa é justamente a bondade e misericórdia de Deus, permitir a Liberdade da aceitação e da negação, da doação e do egoísmo – claro que havendo sempre consequências para cada escolha, inevitável, e se algo foi feito com fórmulas em tempos equivocados, parecendo que Deus errou em algum momento, não soube o tempo apropriado, como há quem afirme isso por aí, é porque as criaturas erraram, não Deus.

Confundir criador com criatura é um erro imperdoável, pois é atentar contra o próprio Espírito Santo e colocar-se em equiparação com Deus. Nenhum ser humano jamais terá sabedoria suficiente, nenhuma criatura jamais terá sabedoria suficiente para sequer chegar perto de imaginar algo superior ao que fez, faz e fará Deus. Então, mais uma vez, a Rosacruz não corrobora com tais falas, ou seja, a Rosacruz nega falas de que Deus errou. Não importa quem diga isso, seja Max Heindel ou qualquer outra pessoa supostamente membro da fraternidade, isso é heresia, não importa quem seja. Agora, claro, a importância residirá no fato de dizer isso de maneira inocente e dizer isso de maneira ignorante. Deus não erra, quem erra são as criaturas, e as criaturas poderem errar é justo o que sabiamente revela a amorosidade absoluta de Deus. Quem tem olhos que veja. Isso é algo muito claro!

Aproveito para dizer também que assim como há os que dirão ‘Senhor, preguei em teu nome’, há os que dirão, em semelhança, ‘Rosacruz, preguei em teu nome’, sendo mentira. Muitos que se dizem, se pensam, se julgam rosacruzes não têm parte nem com a Fraternidade nem com a Ordem nem com escola de mistério alguma. Deixo dito também que Rosacruz Áurea, AMORC e derivados são deformações, fiquem longe disso. A única com autoridade de estudo é a Fraternidade Rosacruz dos Cristãos Místicos através dos escritos de Max Heindel e seu discipulado, o que não quer dizer que não haja, dentro dela, equívocos, tanto há que também mesmo quem a estuda e julga fazer obras em seu nome nem sempre quer dizer que o faça de fato – e o mesmo ocorre com o catolicismo e os homens que imperfeitamente o compõem. Isso não faz com que Maria seja maculada, assim como nenhuma Maria se torna maculada por conta daqueles que pensam segui-las. E se minhas palavras são duras, reclamem com Cristo Jesus e nosso Pai.

Há muitos que tacam pedras nos outros, para tudo quanto é lado, quando abrem a boca – esses estão em desvio e tentando desviar os demais –, eu não estou tacando pedra quando falo de maneira dura que as coisas precisam mudar, que alguém não está de fato a pregar etc., que uma escola, uma dita escola, não tem nada a ver com a Rosacruz e que dentro da própria instituição há problemas – tanto do Catolicismo quanto da Rosacruz, eu não estou tacando pedra quando afirmo coisas duras, o que estou fazendo é doando uma pedra para que quem ouça tenha onde assentar a sua casa, pois os que tacam pedra fazem com que elas, batendo, se fragmentem, e o tolo é o que assenta sua casa sobre essa areia, mas sobre a rocha está firmemente estabelecida a casa do sensato.

Aprendam a diferença de joio e de trigo em qualquer lugar que estejam, pois qualquer instituição é apenas uma aparência, uma aparência a se tornar 5 mil outras a qualquer momento, pois enquanto somos do mundo, são satânicas e lucíferas as estruturas e as aparências; abstenham-se de usar fermento alheio, mas apenas daquele que o Senhor vos dá e jamais caiam na besteira de hipnotizar as pessoas para crerem no que estão a pregar, acreditar, ver, ouvir, ler etc.. Deixe-as livre para que Deus faça Seu trabalho nelas. Hipnotizadores são raça de víboras, e assim como as igrejas em geral estão cheias deles, as escolas também. Sejam bons filhos, filhos firmes, e mantenham-se como exemplo daquele que aplica os ensinamentos crísticos verdadeiramente em sua e em outras vidas.

Deus fala de coisas duras, revoltantes, mas não cria revoltas nem alardeia, ao contrário, fala sobre como os tempos serão estreitos para que nos preparemos, e não para que nos culpemos, flagelemos, nos adoentemos mais, aumentando o peso da cruz alheia. Não vos desespereis. Aquele que causa desespero não sabe o que faz. Sempre busquem tornar o jugo leve e o fardo suave, isso não significa negá-lo, mas jamais pressioná-lo contra aqueles que sua cruz carregam, e mesmo os que não carregam sua cruz, jamais os obriguem a carregá-la, isso é um imenso erro. Um dos princípios da hipnose é tornar tudo mais pesado, tanto que até na hipnose dita médica, dita clínica, que também é um erro – hipnose em qualquer grau e manifestação é um erro gigantesco – ela fala sobre as pálpebras irem ficando pesadas, é clássico esse dito da hipnose, ainda que se possa hipnotizar uma pessoa sem dizer isso, claro. Mas, como eu ia dizendo, um dos princípios da hipnose é esse: de tornar algo ou tudo mais pesado, mais denso, dando importância à gravidade e não à sobriedade, pois o bêbado é aquele que se torna vítima do próprio peso. Esses se pensam magos por estarem embriagados, mas são apenas lunáticos, no pior sentido do termo.

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Deus é Amor. Amor é dom. Dom é doação – essas palavras [dom e doação] têm inclusive a mesma etimologia. Deus doa para nós a Vida Eterna, doou Seu Filho, doa o tempo todo de Si Mesmo para que possamos continuar sendo. Pois tudo é dom, tudo é doação divina, e nada, absolutamente nada criamos por nós mesmos, ainda que, sim, cocriadores nos tornemos. O ‘estar junto de’, o co- de cocriador e também de cognose, de que já falei em outros caminhares nossos, faz toda a diferença, é um abismo de diferença, e nos livra de uma queda grotesca. Então nos atentemos. São pequenos detalhes que fazem toda diferença.

Deus fez-se homem para que o homem possa ser feito deus. Há uma gigantesca distinção entre ser deus-homem e ser homem-deus.

O Amor… o casamento, como estávamos a caminhar e ver através de Maria e José… é milagre, é doação de Deus.

Maria, meus amores, nossa Mãe Santíssima, ela é poesia, é poema, Deus: o poeta, José aquele a quem foram doados olhos para que conseguisse ler a poesia mais perfeita. O casamento é como ser o único a ler e interpretar uma poesia específica no mundo inteiro, se tornar o único com acesso aos seus mistérios e interpretações profundas, estudos de maior densidade – o que não é fácil, obviamente. Por isso José foi um imenso privilegiado, a ele foi dado ler, em primeira mão, a poesia pura de Deus, ver a manifestação do Verbo através do movimento do Espírito Santo. Por isso São José é senhor cujos olhos e contrição frente ao que lhe foi dado serve de chave para entrar em qualquer mistério espiritual, seja da Rosacruz, seja da Santa Igreja. Ele é como as chaves nas mãos de São Pedro. São José, junto de Maria, a Santíssima Mãe, Senhora da Igreja, abrem e fecham as coisas no céu e na terra por meio de Pedro, irmão em imagem e semelhança de Cristo Jesus em seu trabalho perante o reino, não só humano, mas também celeste. José representa o Pai adotivo que é Deus para nós, assim como é ele aquele que foi pai adotivo de Deus, e também representa o Espírito Santo, pois ele é aquele que honradamente se apresenta em Seu lugar.

Deus-Pai e Espírito Santo estão contidos na figura de São José, assim como já comentei que, em analogia, não em afirmação de teoria, Deus-Pai é como o poeta que senta a fazer seu poema, sua poesia, estando ele com o Verbo desde sempre, sendo a Palavra junto dele desde o princípio, requerendo, para manifestação dela, que Ele se una ao Espírito Santo para que o movimento permita que o Verbo nasça. Isso não faz com que o Espírito Santo venha antes do Verbo em termos divinos, mas a maneira como nós recebemos esses ensinamentos é alterada, por isso Deus-Pai e o Espírito Santo estão em união para que nasça o Filho, ainda que o Filho seja aquele que “vem após mim, que é antes de mim”, como diz São João Batista, representante também do Espírito Santo.

Então a escolha de São José não é algo ínfimo, mas apenas ainda incompreensível, pois ele é o que testemunha o nascimento do Verbo – tal qual quem tem olhos para ver Deus trabalhando, escrevendo Sua Poesia todo o tempo, de forma incessante. Ele é a chave que vislumbra, pela fechadura, antes de todos, o outro lado. Obviamente, já falei na Poesia do Coração, que a chave-mestra é o Amor, é Deus, José não é uma chave-mestra, e sim como o molho próprio das portas, à semelhança da chave-mestra que abre qualquer porta.

São José, e este ano é dedicado a ele, querido São José, é a ciência celeste de aberturas e fechamentos. Por isso ele se liga também à ciência oculta que está sob o comando de Pedro no sentido que já comentei: da Santa Igreja ser e estar acima da Rosacruz, pois ela é a universalidade em si mesma. Por isso José é a contrição e arrependimento perfeitos, bem como a carpintaria perfeita, o bom artesão, o artífice de esmero, sendo um grande senhor perante a Rosacruz, sendo também aquele por quem se deve passar para entrar em qualquer estágio dela, sendo pai adotivo não só de Cristo Jesus, mas também de Maria Madalena, já que ambos são um só em milagroso casamento. E por isso é besteira ficar com distinções de algo ser do Espírito Santo, algo ser de Cristo Jesus e algo ser do Pai, pois o que é de um é também dos outros, em unidade, sempre, ainda que sim, a atuação de cada um, assim como são pessoas diferentes, sejam atuações diferentes, mas o que é de um é de todos os outros.

A José foi dado o maior dos privilégios: casar-se com Maria, a Poesia Imaculada, Pura e Perfeita. Eles não se deram em casamento, mas foram dados um ao outro por Deus, por revelação, anunciação e dons, porque Amor é mais perfeita doação de Deus a nós. Ali ocorreu a maior doação divina, pois Deus doou seu Filho, “parte Dele mesmo”, ao casal. Isso mostra que o Amor ali se fez presente realmente ao Seu Verbo testificá-lo. E isso é de uma pureza e grandeza tão absurdas que é inenarrável.

A beleza de Maria, por exemplo, é indescritível! Ela é a mulher mais bela que já pisou na Terra. Ela não é sequer comparável aos poemas já feitos, apesar dessa minha analogia, porque nós ainda não tivemos, de fato, decentes poetas. E de poesia literária eu entendo e sei. E apesar de amar muito meus amigos poetas, nós sabemos que… há muito o que ser feito. E Maria é realmente o sublime perfeito, o lirismo está contido nela de forma perfeita, sendo o lírico Cristo Jesus ele mesmo, pois todo Eu lírico é parido na poesia em si, ele próprio precisa dela, por isso Maria é realmente a mãe de Deus, e junto dela trabalha Deus em unidade através das três pessoas distintas que são o Espírito Santo, o Filho e o Pai.

Deus é sem gênero, por certo, como nos ensina o catecismo católico, contudo é muito especial a Bíblia se referir a Deus no masculino, pois isso não é machismo nem nada que o valha, mas sim para a própria exaltação do feminino enquanto Mãe, Mater, Matéria na qual a atividade divina, em triplicidade e em unidade, trabalha. Não é somente o Filho e o Espírito Santo que se manifestaram para Maria, mas também o Pai, pois que Deus é Amor e o Amor de Maria superou o dos anjos. E importante se faz lembrar que anjos é em referência aos seres angelicais, e não só a anjos enquanto hierarquia, ou seja, o Amor de Maria supera o Amor de todas as hierarquias, incluindo anjos, arcanjos, senhores, querubins, serafins e o nome que se dê às hierarquias a quem se interessar – potestades, dominações, principados enfim. Não importa, perante toda criatura espiritual celeste Maria é Mãe, Maria é Imaculada, Maria é Fé perfeita, Maria é Amor maior manifestado! E isso é um mistério grandíssimo de ser observado, caso Deus nos conceda.

Maria é a flor perfeita, cujo aroma nunca acaba. Flor que jamais fenece, e que dá frutos sem que precise sacrificar-se. É por isso que se marido se vai, seu filho morre e ela fica… ela é um mistério grandíssimo, cujo véu não é levantado ao apenas crermos que superamos a matéria, levantamos o tal véu de Ísis ou qualquer coisa que o valha, seja chamando de ilusão, seja de maya… tudo besteira, ou, com perdão, não exatamente besteira porque uma tradição não é besteira, mas é ínfimo perto daquilo que é verdadeiramente revelado já através de Maria, nós é que não temos acesso a isso porque não queremos ou porque Deus não quer que assim seja também, eu não sei, mas sei que tudo o que se fala da matéria é minúsculo perto de Maria e sua verdadeira pobreza, obediência e castidade.

Por isso há uma insistência sobre a marianificação da matéria, pois Maria, o nome Maria, se tornou um título concedido, assim como Cristo, sem deixar de ser nome próprio, é claro, porque o Cristo é o próprio Cristo e Maria é Maria, se tornando título apenas a quem, com eles, tem parte. Por isso digo que Madalena se torna filha adotiva passando a ser Maria Madalena. Marianificar a matéria é torná-la reta, torná-la manifestadora do Verbo, sendo casada por doação de Deus, pela revelação do Amor, impregnada do movimento perpétuo ao cumprir deveres. Por isso o trabalho é eterno, pois não só o Pai trabalha, mas a Mãe também, incessantemente, organizando a Sua casa e nutrindo os seus. Nossa Mãe trabalha todos os dias, saibam disso, assim como Deus Pai.

Se Deus é o médico que cura, que faz o remédio e a receita do que deve ser feito, quando, como e onde aplicá-lo, Maria é a sua enfermeira, aquela que mantém-se disposta a tudo fazer de acordo com o pedido daquele que tem o conhecimento que é passado a ela, confiado a ela.

Por isso a mulher deve obedecer ao homem, não em subserviência de escravidão, não falo sobre homens que, sem o espírito santíssimo, arrogam para si o poder apenas por terem um pênis no meio das pernas, de forma alguma é sobre isso. Mas falo sobre a mulher obedecer ao homem por compreender que a parceria entre ambos se dá de acordo com arquétipos celestes que são manifestados pelo próprio Deus e Sua Mãe, Esposa, Filha, Noiva, Serva, Amiga… por isso um casamento perante a Igreja é união celeste que jamais se separa verdadeiramente. Pois o que Deus quer unir e o homem confirma de livre vontade se torna milagre!

O casamento verdadeiro é milagre!

E, é claro, se casamos contra a vontade divina, nos dando em casamento em vez de sermos dados, aí é abominação, certamente se tornará escravidão – ainda que Deus possa sempre e a qualquer momento realizar um milagre caso nos abramos para ele, porque é isso, o casamento não é apenas um contrato, uma instituição qualquer de quem forma íntimos laços, não, casamento é milagre! É vontade divina com vontade do homem em manifestação nas aparências para vencê-la a longo prazo. Vencer as aparências é o mesmo que dizer vencer o diabo, e o único que vence o diabo é Cristo Jesus, por isso somente o casamento místico, verdadeiro, em milagre, doação celeste, é que torna possível vermos nascer Cristo Jesus no seio do lar familiar terreno e vencer as aparências do que se nos apresenta enquanto obstáculos.

Obviamente que não nasce Cristo Jesus em aparência, mas sim nasce Cristo Jesus em literalidade, em simbologia e em arquétipo, pois está no Livro da Vida (sendo literal para Deus), simboliza Seu nascimento já ocorrido ao vencer as deformidades espirituais e das matérias, e é o arquétipo em si do Filho do Homem, de qualquer verdadeiro Filho que nasça, seja em nós, de nós, através de nós, porque tudo o que fazemos é Dele, por Ele, para glória Dele, de Deus, em unidade e em tríplice manifestação, e para que Ele, nascendo novamente, mais uma vez, não em aparência, mas sim no livro divino, em símbolo e em arquétipo, seja mais uma contundente testificação de que Cristo Jesus vive, não só em si mesmo, mas também em nós assim como nós vivemos Nele.

O casamento é milagre, é dom, é anunciação, é revelação. Passar por algo assim é raro, raríssimo, se é que seja possível conscientemente testemunhar algo assim de fato. Eu tenho fé de que sim, ainda que eu deva admitir que não veja isso ocorrer com meus olhos de carne, quem sabe ainda, eu não sei, só Deus sabe. Mas é possível, e isto afirmo com convicção, é possível ver sim, que há casamentos em que as pessoas são dadas por Deus umas às outras, contudo elas próprias não sabem reconhecer isso, elas podem falar que é uma intuição etc., mas não há um reconhecimento do que está ocorrendo de fato, não têm a clareza necessária porque não tem o calibre espiritual, por assim dizer, para viver conscientemente escolhas que as tornem mais próximas de fato de Maria e José, para início do casório – porque o casamento é o início de todos os futuros milagres, a exemplo da Bíblia e os milagres de Cristo Jesus – que começam na boda, no casório e bodas de Canaã, e porque claro que casar-se, para além de se tornar Maria e José um do outro, para além de tornar-se testemunha da Poesia que é o outro, bem como tornar-se a própria Poesia perante o outro, é também aprofundar e tornar-se Verbo, tornar-se Igreja (comunidade, ao multiplicar-se pela família), é tornar-se apóstolo ao reconhecer o Verbo um no outro e trabalhar para Ele, e tornar-se, é claro, também traidores, negadores, e ter contato com o mais profundo inferno, tanto próprio quanto alheio.

E, é claro, as pessoas não têm calibre espiritual para viver isso de maneira consciente assim como mesmo pessoas que venham a tentar, como muitas tentam às vezes, viver isso de maneira ciente, a ciência é complicada porque é muito fácil virar estilo de vida, eu passo a acreditar que para ser como Maria eu tenho que agir assim ou assado, e eu deixo de ser eu mesma para me tornar uma ideia que eu criei a respeito de algo, em vez de me tornar una com aquele algo, com aquele ser, com aquele arquétipo, símbolo, literalidade enfim. Então é perigoso, porque mesmo quando a gente tenta corre-se o risco imenso de virar estilo de vida. Por isso que há tantas pessoas que têm estilo de vida religioso, mas não são religiosas de fato.

Casamento é difícil. Eu mesma chego a ter um certo medo, confesso. E tomo a liberdade de comentar algo pessoal, não que interesse, mas simplesmente porque me toca dizê-lo: eu mesma sou celibatária e eu não recomendo celibato para ninguém, eu sei por experiência própria que o celibato faz entrar em contato com demônios nossos inimagináveis, que a gente nem sonhava que tinha, e também demônios do mundo, como, por exemplo, a pedofilia – mal esse que vive açoitando a Igreja e que deveria ser nomeado para que as devidas medidas sejam tomadas para que se tenha força para realmente saber com o que se está lidando quando o assunto é celibatarismo. Porque eu sei que o demônio da pedofilia especificamente ataca celibatários, e obviamente nem todos são tentados pelos mesmos demônios, mas há sim um padrão, há uma tendência, há uma imensa probabilidade que em algum momento do caminho a pessoa vá se deparar com isso, por conta da questão da pureza, de Cristo Jesus menino etc., a criança, inocência, tem mil e uma questões do que se reflete ali e o que isso traz de inconsciência. E os padrões também serão diferentes em termos de gêneros, para as mulheres as provações e tentações são distintas em suas fórmulas das que ocorrem para os homens, porque o homem cai pela ação e a mulher pela imaginação, mas isso é assunto para outro momento.

De toda maneira, eu penso que o celibato deveria ser rigorosamente observado quando em ocorrência. Então é prudente não recomendá-lo, especialmente aos fracos, aqueles que precisam assumir que Deus não deu dons de força para isso, e ponto. Não tente, a queda é quase inevitável, então para quê? Se torna só questão de estilo de vida, de pura vaidade: eu quero porque eu quero, e não porque Deus me concedeu consegui-lo de fato. Então não vai levar a nada tentar, exceto a loucura e desespero, quando não a crimes horrendos cometidos na carne, e digo carne mas lembremos: pensar é pecar.

Quando o assunto é sexualidade fica muito claro como temos que lutar com deformações e sugestões mentais que temos; claro que isso imbrica com os desejos, como a Fraternidade Rosacruz fala da mente associada ao corpo de desejos, sim, sendo que a mente é de fato onde tudo começa, ainda que o desejo possa despertar algo inconsciente bem como nos induzir a aceitar deformidades tais que aos poucos passam a nos habitar e obsedar até. Então os desejos se tornam uma porta de entrada para demônios cada vez piores, ideias cada vez mais deformadas, assim como as deformações das ideias podem induzir a desejos inimagináveis…

Então é preciso lutar contra os pensamentos e os desejos todo o tempo. E certo é que no casamento isto, obviamente, também se dá, mas no celibato corre-se o risco de não termos coragem de nomear nossos demônios, principalmente a alguém e não termos alguém para nos ajudar a expulsá-los de fato. Porque pode se tornar uma falácia, não quer dizer que seja, mas pode se tornar uma falácia a tudo recorrer somente a Deus, sendo que nós precisamos uns dos outros, não é só ‘amai a Deus sobre todas as coisas’, mas ‘ao próximo como a ti mesmo’, nós precisamos uns dos outros, ainda que tenham pessoas que nasceram para a clausura completa, ok, mas muitas vezes seria prudente pedirmos ajuda uns aos outros e isso é algo dificílimo de ser feito, bom, eu tenho dificuldade de pedir ajuda, então para mim é algo dificílimo.

E eu não sei como as coisas se dão dentro das instituições, mas é historicamente afirmável que não anda sendo tratado da maneira como deveria – o celibato, coisa óbvia e lógica de ser dita, porque senão não daria tanto problema como nós vemos sempre em jornais, seja não só a pedofilia, mas abortos, estupros, abusos de todos os tipos – também entre mulheres, e não só sexuais, mas todos os tipos de deformidades torpes. Agora, também é certo que o casamento, quando não é milagre, pode se tornar justo o encontrar alguém que corrobore com a manutenção do inferno que me habita e no qual habito a diário. Então como sempre não tem fórmulas, não existem fórmulas prontas que garantam algo, mas cada fórmula apresenta ferramentas diferentes a serem usadas ou trabalhadas e precauções a serem tomadas.

Celibato e casamento se tornam perdição a quem não os vive em dom, em doação.

Se Deus não nos dá a capacidade para viver o celibato e a capacidade de viver um casamento, se não é ele quem nos dá em casamento e em celibato, a chance de perdição é imensa, ainda que Deus escreva certo por linhas tortas, sempre… mas, muitas vezes, essas linhas tortas nós nos apegamos a elas com afinco imenso, o que faz com que não importa o que Deus escreva nas linhas, nós não damos importância ao que está sendo escrito, mas sim às linhas em si mesmas, e aí é problemático!

Importante também ressaltar que nada disso é uma justificativa ou desculpa para existir males sexuais ou de quaisquer outros tipos no mundo, como quem diz: ‘ah, então os pedófilos são acometidos por demônios, não é culpa deles’. Isso é um equivoco, obviamente. Primeiro que nosso pecado maior é contraído, é um estado, não há como ter nascido sem ele, somos pecadores; segundo que somos responsáveis por o que decidimos aceitar que nos entre e que seja criado dentro da gente: não é porque eu vi um demônio que ele conseguiu me puxar para baixo, agora, claro, para você não cair na lábia de um demônio, ou para você conseguir ter dum bom combate é preciso rogar a Deus – não se vence demônios por conta própria! Acho que isso é muito óbvio. Então é nossa própria vaidade, é nossa própria incapacidade de humildade que faz com que caiamos, porque é preciso rogar a Deus para que Ele nos salve de nós mesmos, não é nem do demônio, é de nós mesmos! Para que Ele não permita, para que não caiamos em tentação, e que Ele nos livre do mal, porque nós não nos livraremos por nós mesmos. Então é preciso fé, é preciso humildade, é preciso reconhecer que aquilo é algo errado e que é preciso de uma ajuda maior para escolher o certo, porque não basta ter isso de maneira ciente: ‘ah, isto é errado, não vou fazer isso’… para realmente vencer é preciso Deus.

Então a minha fala sobre saber de certos demônios e ter visto alguns pessoalmente, através dos meus olhos e também de sentidos outros, não exime ninguém de responsabilidade quanto a seus pensamentos, desejos e atos. Que fique claro! Porque pelo contrário, o fato deu sabê-los faz com que cada um que caia seja ainda mais responsável, não porque eu acuso os outros, não estou aqui de acusadora, não é isso, mas é a velha história, quando um consegue fazer algo isso mostra que todo o resto não faz e precisa correr atrás, então a responsabilidade de um faz com que todos os outros devam se responsabilizar também, é inevitável. É por isso que Cristo Jesus veio e nós devemos nos tornar imagem e semelhança Dele ao máximo. Não é tomar o Seu lugar, mas ao máximo imitá-Lo dentro das nossas condições junto a Deus, porque a partir da hora que Deus vem e mostra como é feito, como superar o mal etc., todos nós nos tornamos responsáveis por vencer o mal. E não vencer o mal é não ter parte com Cristo e automaticamente negá-Lo: quem não junta com Ele, divide. E é preciso que haja escolhas claras…

Então, por eu saber pessoalmente de coisas assim e viver isso com certa tranquilidade, penso que o casamento talvez seja muito mais difícil que o celibato, não que haja uma competição entre as duas coisas, ambos são realmente, verdadeiramente vias admiráveis, mas o casamento chega a me dar temor, porque é isso, é uma revelação pessoal do Amor, e por mais que o celibato dê isso com pessoas várias, amigos etc., sempre penso que Cristo Jesus se casou com a humanidade, ele realmente se casou com Maria, Sua Mãe, e, por consequência com Maria Madalena – pois quem se casa com A Maria, se casa com as Marias. É como dizer que, ao Cristo Jesus vir para a Terra, Terra representando a Virgem Mãe, Ele consequentemente se casa com a Lua, e a Lua representa Maria Madalena.

É claro que, hoje, nós ainda olhamos para a Lua como a Mãe, como a Virgem e há uma certa ocultação de Maria Madalena etc., mas em verdade, Maria, a Virgem, é o planeta Terra, é representada, num aspecto astrológico e astronômico, nessa analogia astral, como sendo o planeta Terra, por isso o Verbo encarna aqui – aqui representa a nossa Mãe, e por isso é preciso ter a marianificação da matéria. A Mãe não é a Lua, a Lua se torna mãe por conta da nossa própria incapacidade ainda de observação e de vivência. Por isso que toda mulher acaba se tornando a mãe de seu companheiro e por isso se fala de se casar com a mãe em relação à sua companheira etc.. Então seria essa a analogia. Até porque sabemos por estudos também da Rosacruz que a Lua é um pedaço que se soltou da Terra, e por isso que Maria Madalena é uma parte de Maria, a Virgem, e por isso que Maria Santíssima é a maior de todas, é a rainha.

Por isso que por mais que se diga, inclusive, ‘Cristo Jesus se casou com Maria Madalena’ obviamente eu não falo aqui da maneira deturpada e deformada como o mundo fala, com teorias querendo provar que Ele era um homem comum ou que foi um Deus que se aproveitou de Suas criaturas, por assim dizer… isso é um absurdo, é uma heresia. Tratar o casamento de Cristo Jesus com Maria Madalena como algo mundano, imundo, é uma heresia. Não é sobre isso que falo. Assim como Ele não foi incestuoso com Sua Mãe. Falar que Cristo Jesus se casou com Maria não é em relação a incesto, então o que eu digo não é porque fosse bígamo, tivesse um harém, porque tem as três Marias, ou fosse incestuoso, ou ainda um Deus que procria com uma criatura, não, de forma alguma, mas é porque ter vindo em carne é o casamento em si, habitando a mesma casa, pois casamento tem sua etimologia num terreno onde se habita uma mesma casa. Então ao Ele vir, Ele habitou a mesma casa que a Lua habita, é Maria inclusive quem faz a união entre Cristo Jesus e Maria Madalena, Ela está presente nessa união, porque Maria é Mãe de ambos.

Então nós falamos de toda essa genealogia prum viés poético, por assim dizer, porque nada disso tem a pretensão de ser uma teoria histórica, de aparências: é preciso submeter as aparências ao Livro da Vida, e requer dom para observar o Livro da Vida, assim como requer dom para observar as simbologias que permeiam tudo isso e os arquétipos que coordenam tudo isso, que ordenam tudo isso de alguma maneira, porque, mais uma vez: a literalidade é análoga ao Espírito Santo; a simbologia, a Cristo Jesus; e o arquétipo, ao Pai. Assim como nós podemos fazer também a analogia de o Corpo ser representado pelo Espírito Santo, a Alma, por Cristo Jesus, e o Espírito, pelo Pai. Então tudo se dá em triplicidade, inclusive por isso também as três Marias, ainda que Maria a Mãe, seja representante de toda e qualquer Maria, Ela contém as outras, assim como o Pai contém o Filho e o Espírito Santo, Ele está acima dos três em termos de ‘Ele é o criador’, Ele é o Deus Pai. Então sempre há arquetipicamente, simbolicamente e literalmente a possibilidade da gente observar através dessas ferramentas, e isso requer algo muito delicado da nossa parte porque não é olhar com um viés necessariamente histórico, ainda que Cristo Jesus tenha tido uma vida reta, retíssima a ponto de submeter as aparências realmente à Vontade do Pai. Então é por isso que: o que é o casamento Dele com a Virgem Santíssima? É Ela ter sido Sua discípula. Ela o tempo todo caminhava ao lado Dele, o tempo todo estava com Ele como uma verdadeira companheira. Assim como dizem que Maria Madalena também o fazia. Elas realmente eram companheiras Dele, nós é que não entendemos o que significa companheirismo, nós é que não entendemos o que significa casamento, nós é que não entendemos o que significa ser mãe, ser noiva, serva, somos nós os ignorantes. Então essas interpretações imundas sobre a vida de Cristo Jesus ter sido algo banal, ter se casado, tido filho etc., isso são deformações, e de maneira alguma eu corroboro com isso, pelo contrário: nego esse tipo de leitura, é abominação. Pessoas que fazem isso principalmente visando fama e dinheiro, venda de qualquer coisa que seja: likes, publicações etc., pior ainda… e não que eu julgue a pessoas, mas os seus atos eu tenho o dever de dizer que são abomináveis e, mais uma vez, afirmo que o que eu digo aqui é algo muito específico e delicado, e que não dá para sair por aí ‘ah, Cristo Jesus se casou!’, como se fosse um casamento como hoje nós dimensionamos as coisas, e por isso eu falo primeiro inclusive do casamento de Maria e José, que é um casamento grandíssimo, imenso, enorme, que também não conseguimos observar em toda sua grandeza, mas temos o dever de tentar. De toda maneira, não é de maneira banal, mundana, imunda, deformada que eu falo. Não falo sob o viés das aparências, mas sim submetendo as aparências à triplicidade que realmente ordena todas as coisas e que esteve aqui na Terra enquanto criador do nosso Universo, enquanto Aquele que estabelece todas essas coisas como Leis, Princípios através de todas as Suas criaturas, inclusive nós, que não enxergamos isso porque estamos decaídos. Mas graças a Deus nosso Senhor veio nos Salvar.

Então, basicamente seria como analogamente dizer, como eu falava do casamento de Cristo Jesus com Maria, Sua Mãe, e, portanto, com Maria Madalena, que é como se casar com o planeta Terra e com a Lua, porque ambas formam um único microssistema, por assim dizer, então o mesmo posso analogamente dizer do casamento que é o nascimento, o que é um fato: casamento entre espírito e matéria, espírito casa com a matéria para que nós sejamos seres espirituais e materiais, corporais.

E, amados, o nascimento é algo que apavora mais do que a morte. Até porque:
a morte não existe…

Aprender a morrer, ainda que seja o mais difícil para a aparente humanidade, parece que as pessoas têm dificuldade em aprender a morrer, mas para mim é algo muito simples, requer arrependimento sobretudo – muitas vezes não conseguimos ir embora porque ficamos presos no que não fizemos, no que fizemos, no que nos arrependemos seja por ter sido ou por não ter sido, e aí é o mal arrependimento, é a deformação do arrependimento: é quando nós não conseguimos apropriadamente realmente nos arrepender em termos de entregarmos na mão do Pai os nossos erros, reconhecendo nossos erros para poder entregá-los, e sabendo olhar também para as coisas boas que tivemos, porque a gente fica preso no arrependimento de ‘ai, eu não fiz isso, não fiz aquilo’, sendo que isso não existe. Então acaba criando desejos e aprisionamentos em relação à matéria de querer viver outras coisas que não nos foram dadas. Agora, claro, muitas vezes esse arrependimento também vem para que vejamos que ‘ah, eu deveria ter feito aquilo e eu não fiz, eu não ouvi o Pai, eu não ouvi o sussurro do Espírito Santo me dizendo para fazer, eu me neguei a isso’. Então é uma questão muito delicada, não é que o arrependimento seja fácil, não é fácil, mas de alguma forma ele é simples. É por isso que a Fraternidade Rosacruz, a Rosacruz recomenda fortemente que, de tudo o que se ensina, pratiquem o exercício de retrospecção.

A retrospecção é essencial para uma vida mais reta em termos de morte, de aprendizado realmente de como passar por esse processo mais material de maneira a realmente viver algo salutar, reconhecermo-nos enquanto pecadores, enquanto filhos pródigos. A nossa oportunidade de elevação se dá aqui em nascimento encarnados, isso é um fato, é por isso que só há uma oportunidade, e por isso caminhem enquanto há Luz, e a Luz é Agora, não é na próxima vida, e não foi na vida anterior, é Agora. Porque enquanto se sabe que é preciso caminhar… olha o tanto de exercício, olha o tanto de vida que a gente gasta para chegar até essa ciência de que ‘ah, eu preciso me arrepender, preciso buscar me melhorar’ e compreender como se faz isso, porque não é no que a gente acha, e a gente fica acreditando em história, por exemplo, de que ‘ah, é meu eu superior, meu eu maior’, não é o seu eu maior, seu eu superior nem o seu espírito que vai te dizer como agir, é o Espírito Santo e o Espírito Santo é o Espírito de Deus. Então mesmo o nosso Espírito pode errar, pode se equivocar e não fazer a Vontade do Pai. Não é porque é Espírito que está tudo bonitinho e tudo certinho. E isso é algo complicadíssimo.

Por isso a queda é de Eva E Adão, é da Matéria e do Espírito. E por isso há quem diga que não havia problema em a Eva cair, problema foi o Adão cair. Esse foi o real problema, foi a pane no sistema, porque realmente o nosso Espírito se perdeu, o nosso Espírito decaiu, e isso é muito mais grave do que a gente consegue conceber. Então façam exercícios, busquem se arrepender pelas coisas certas, e deixar de se arrependerem por coisas banais que não tinham que acontecer, porque na verdade não são arrependimentos, mas desejos não realizados, são apegos: ‘ah, eu queria ter vivido isso, eu queria ter vivido aquilo, eu deveria ter feito isso, eu deveria ter feito aquilo’… muitas vezes são vaidades que a gente não colocou em prática. Se conformar mais com as nossas próprias escolhas também. Aceitar que eu fiz o meu melhor, e se não fiz: aí há um problema. Então por isso que é bom o exercício de Retrospecção. Não deixem para a última hora, que é o dia da morte, façam todo dia e na hora da morte isso vai ser simplificado verdadeiramente, como nos diz Max Heindel. Isso é verdadeiro. É um fato.

Agora, o nascimento… nascimento é Maria, é Jesus, é obediência, castidade e pobreza. Para nascer, meus caros, requer obediência, pobreza e castidade, requer estar conforme ao plano, requer fé, requer sobriedade, requer amor, requer dor de parto, requer chorar, requer ver morrer seu amado, requer ficar sozinho, requer se tornar quase inominável, de tantos nomes que tem Maria… e isso, nascer só pra matéria, da forma como falo, porque nascer do espírito, com Cristo, nossa… é nascer consciente da missão, é saber a Vontade do Pai, é fazer tudo para glória Dele de maneira consciente, e não apenas ciente, mas consciente – o que é um passo muito maior do que a maioria acha que sabe… é escolher as Palavras, é ser açoitado, crucificado, morto, sepultado, é descer ao Hades para buscar mortos por pura confiança plena no Pai, em saber que está consumado, desde o começo está consumado: só é preciso ser confirmado nas matérias todas, nos corpos, na carne.

Esse tipo de casamento permite que se faça de tudo, mas também faz com que nem tudo convenha, e cada vez mais menos coisas convém. Então é a possibilidade de viver Maria e José de maneira consciente do que está acontecendo, é a possibilidade de viver um celibato consciente do que está acontecendo, é deixar de ser refém da dúvida, da incerteza, vejam, refém, porque cair todos caímos o tempo todo, seja em celibato seja em casamento. E seja pelo motivo que for, não só sexual, que é o primeiro que se pensa quando se fala de celibato e casamento, mas há muitas outras quedas referentes a tudo isso, especialmente o orgulho: achar que só porque vive o celibato é mais puro que os outros, ledo engano! Por isso mesmo a mim me parece que o casamento é muito mais difícil e que quem está casado é muito mais santo. E a maior santa, Maria, nossa Mãe, foi casada, e há grandes santos que foram casados, casamento não é empecilho para a santificação. Santa Mônica, querida mãe de Santo Agostinho, aliás…

Então nós vemos que tudo é milagre sagrado. É uma redundância, todo milagre é sagrado, mas tudo é milagre e tudo é sagrado. E se nossos olhos e ouvidos são abertos e circuncidados é graças a Deus. Nosso dever é pedir para que se abram, rogar, insistir, bater… mas sem jamais cobrar, pois amor não é como moeda de troca de uma conta que se paga, como se eu merecesse viver algo que desejo, que peço e anseio.

Alguns têm o dom de viver para aprender a nascer – eis o casamento; outros têm o dom de viver para aprender a morrer – eis o celibato. Não há melhor ou pior, são só etapas. E mesmo que se diga ‘ah, morrer é mais importante porque o Gólgota é morte’, não, Gólgota é nascimento para a vida eterna, é casamento eterno, meus caros. Por isso a Nova Aliança é eterna, de um casamento eterno! Que Deus uniu e nada no Universo separa! A morte que Cristo vive é casamento porque inverte os polos. Então não há melhor ou pior.

Há ainda outros recebem ambos os dons, tanto de casamento quanto de celibato, obviamente não juntos e acumulados, mas numa mesma vida, como eu, por exemplo, hoje celibatária, vir a me casar um dia. Eu não sei, isso só Deus sabe. Até São Pedro foi casado. E é honroso poder viver ambos os votos em milagre. Cristo Jesus viveu ambos, por isso Nele a morte é nascimento e nascimento é morte. Ele viveu um casamento celibatário, por assim dizer, e um celibato em casório. É uma redundância, né, porque em Cristo tudo está em união permanente, a gente segrega para conseguir observar, Nele mente é coração, coração é mente, e tudo já está ligado, morte é nascimento e nascimento é morte, como disse e repito, porque isso é belíssimo, é quase inacreditável…

É realmente inacreditável. Não é nem inacreditável, é realmente incompreensível porque que todas as pessoas simplesmente não param e não começam a implorar para Deus mostrar essas coisas para elas, eu não consigo compreender… eu não consigo compreender como as pessoas acham que tem algo mais importante do que essas coisas todas das quais já foi falado, e eu aqui apenas refalo, eu não falo nada de novo, nada que já não tenha sido dito com outras palavras por grande sábios. E não que eu seja sábia. Se eu estou redizendo as coisas é porque… eu sou uma pessoa ordinária, creiam, mas é incompreensível por que as pessoas não param. Tem um livro que eu gravei, O Divino Amigo, é magnífico esse livro, e o padre que escreveu, Padre José, fala que se as pessoas soubessem que Cristo verdadeiramente se faz presente na hóstia, na Eucaristia, as pessoas invadiriam as Igrejas para pegar a hóstia, seria um caos completo. Bom, aí está a sabedoria de Deus, talvez as pessoas não passem por isso porque é a sabedoria de Deus que aos nossos olhos a gente fica olhando e pensando: é loucura, por que que não acontece logo? Como que as pessoas não estão atrás disso? E ele fala que se as pessoas soubessem como é maravilhoso viver com conventos, pulariam os muros… e de fato, se as pessoas…

Meus Amigos, orem todos os dias, peçam a Deus de todo coração, de toda mente, com toda a força, Espírito, Alma e Corpo, peçam pela manifestação dos dons, peçam para que Cristo venha com Seu Reino, peça para que o Espírito Santo vos habite fazendo de vós um templo. Peçais! Porque é realmente incompreensível, às vezes, por que a humanidade está entretida em outras coisas quando só importa isso, e só isso mesmo! Enfim… apenas um desabafo, me perdoem…

De toda maneira, Cristo Jesus, como eu dizia, viveu um casamento celibatário, por assim dizer, Ele vive um casamento celibatário, e nós em imitação, não seguiremos tão reto como Ele, seria heresia pretender fazer o mesmo que Ele, pois só Ele nos salvou e nos salva todos os dias, mas viver um casamento casto, pobre e obediente, no qual o celibato esteja presente enquanto a nota-chave para que tudo seja feito, ou seja, por exemplo, realmente só transar se for para ter um filho, esse seria o ideal – que é pelo qual a Igreja Católica preza, e que ambos se exortassem a, juntos, viverem a pureza ao máximo, ainda que sem se cobrar a perfeição – pois cobrar perfeição dos homens é cair em erro grave. É claro, vai haver quedas? Vai. Mas até eu escolher as próprias quedas se torna um dom que nos é dado. Algumas são inevitáveis porque Deus não nos salva delas, porque precisamos aprender a ter humildade, porque nós não pedimos de maneira apropriada etc., seja pelo motivo que for… não que Deus queira que nós caiamos, mas Ele quer que sejamos humildes, que sejamos obedientes, pobres, castos, que aprendamos a ter do arrependimento e da contrição, porque é bom para nós mesmos também. Então feliz queda, porque aprenderemos algo, mas precisamos pedir e saber observar isso o tempo todo.

É saber que num combate você vai ser atingido, em algum momento vai ser atingido, é quase inevitável, mas se soubermos certas táticas… quem luta sabe disso, ter táticas de ataque, inclusive: deixar que o outro venha nos batendo e a gente só protege, protege, e o outro gasta toda energia, bate, bate, bate, acerta alguns golpes, a gente fraqueja, cai às vezes, mas é esperar o momento certo para o revide, aí em um único golpe vem o nocaute. Então é meio que isso… não que nós tenhamos controle ou consigamos planejar as quedas e os levantes, elevações e voos, não é isso, nada disso nos pertence, mas como somos, como nos tornamos cocriadores, começamos a observar quais as tendências, observar qual a Vontade de Deus, inclusive. Deus é como nosso treinador que fala ‘oh, deixa, baixa a guarda um pouco, segura, agora vai, vai, ataca’, então é saber escutar também. Ter do bom combate, aprender luta, inclusive física (eu já fiz luta), é maravilhoso, aprender artes em geral, exercícios em geral, a experiência da vida ajuda muito a criarmos essa facilidade com analogias.

Então voltando ao que estávamos observando… é preciso lembrar também uma outra coisa muito importante, que é: o celibato não se relaciona, seja no casamento (como eu falava dele como nota -chave), seja em si mesmo enquanto voto e escolha pessoal, ele não se relaciona apenas a atos – não é só deixar de transar, de se masturbar, de se tocar, de ter qualquer ato libidinoso, sexual etc., não, mas sobretudo o bom combate contra desejos e pensamentos que nos escravizam, entre outras coisas… que escravizam ao prazer imediato, e também a poderes imediatos etc.. Então não é só refrear atos, às vezes o ato em si pode não significar nada e a verdadeira queda ser o pensamento que levou àquele ato de fato, e a gente fica preso achando que é só o ato que é o pecado e não consegue chegar à raiz do problema que é o pensamento de fato, ou um desejo incontrolável, sei lá eu, enfim…

Aí é preciso estar atento, porque eu, por exemplo, ainda que tenha feito um voto não relacionado a uma autoridade institucional terrena, ainda assim, tendo sido este voto de coração, sério, e de foco da mente, eu sei hoje que eu não posso, não tenho autorização jamais pra quebrar esse voto para ficar ou mesmo namorar, porque isso de namorar – vai parecer duro isso, mas… namoro não existe, Maria não namorou José, Cristo Jesus não namorou, nem a humanidade nem Maria Madalena nem quem quer que seja, isso de namoro é uma falácia – por isso antigamente os casamentos eram arranjados, isso de arranjos de casamento feito pelas famílias é apenas uma sombra do que podemos viver no futuro, se assim quisermos, de maneira consciente, e Deus nos der o dom, acima de tudo, porque no passado era falso isso, ainda ocorre infelizmente ou felizmente, eu não sei – cada um está numa etapa e cada um precisa de uma coisa e só Deus sabe o que cada um precisa porque Ele é o médico, não eu, mas…

No passado muito disso era falso, e muitas vezes isso ainda o é por ser inconsciente, falso no sentido de sombra mesmo, não está ainda naquilo que é verdadeiro, não está em Cristo. Então acontecia de forma não amorosa, forçada, uma força dum rigor satânico, por isso dava errado e deve terminar isso de casamento arranjado por pais ou outros mais, contudo as fórmulas que eram usadas não são jogadas fora, altera-se a forma. Então a Forma é eterna, mas não a sua aplicação, então… mesmas fórmulas de castidade para a forma verdadeira do Amor em unidade por escolha individual de cada um em querer viver isso junto daquele outro que lhe é anunciado e revelado, dado pelo Pai, não pai carnal, mas celeste!

E mesmo quando a gente pensa em Maria, porque Ela e José foram dados em casamentos pelos seus pais, era um casamento arranjado, eles eram noivos quando ocorreu a anunciação do nascimento de Cristo, que Ela estaria grávida do Espírito Santo, ainda assim, não é igual, porque eles haviam ficado noivos pelos pais, através de seus pais carnais, suas famílias de carne, mas a partir da hora em que Maria recebe o anúncio de que Ela vai ter um Filho do Espírito Santo, Filho de Deus, e José inclusive pensa em deixá-La, pretende deixá-La etc., ainda que a gente veja que foi uma ação de Deus a união de ambos através da família também, não foi por acaso, então tudo já estava arranjado conforme Deus assim queria, mas depois que o Anjo aparece tanto para Maria quanto para José, os dois se casam por vontade deles próprios.

Então supera-se o fato de que eles tinham um casamento arranjado, e aí eles ficam juntos realmente porque ambos fazem a vontade do Pai. Tanto que José pretendia ir embora, deixá-La, porque as leis eram extremamente rigorosas, e ele tinha só duas opções: ou deixá-La em silêncio, sem fazer alarde, ou falar da gravidez dela e ela ser apedrejada, então ele, como era bom, resolve que a deixaria para que Ela não fosse apedrejada, não fosse morta, então ele não A acusaria, porém o Anjo aparece para ele e avisa que está tudo bem. Então a união dos dois passa tanto pelo inconsciente da família inconscientemente estar fazendo a vontade de Deus em uni-los, mas também passa pela ciência e consciência de que aquela união deve se dar enquanto missão, enquanto Vontade divina, e aí eles têm a oportunidade de, por eles mesmos, escolherem de fato realizar aquilo, de fato colocarem em prática aquilo, e isso é belíssimo!

Então um voto de celibato não deve ser quebrado para namorar, isso é ser inconsequente, insensato; um voto de celibato só pode ser rompido se Deus assim concede através de um casamento, aliás, sem nunca ambos terem se tocado, e não falo de aperto de mão, não é nenhum toque, vamos usar burca e fechar o corpo completamente sem se tocar ou algo relacionado, eu me refiro ao toque de cupidez. Um encontro e casamento sagrado não tem cupidez, não tem paquera, não tem flerte, Maria não flertou com José nem José com Maria, mas sim entrega sincera, assim como Cristo vem e se entrega para a humanidade inteira, é uma entrega absoluta, imersa em clareza, um saber colocar-se perante o outro sem ferir com sedução, com sexualização, sendo apenas um encontro em amorosa doação. É claro: não quer dizer que não haverá tentação… tentação em seduzir, tentação em flertar, tentação em usar da cupidez, tentação… tentação haverá. E aí é termos humildade para pedir que ‘não nos deixeis cair em tentação’, mas a relação em si do encontro e do casamento sagrado não fica totalmente imaculada porque um casamento imaculado é de Maria e José, mas segue as suas premissas e tem isso como base. Então, como sempre, não é exigindo absoluta perfeição, mas buscando-a sinceramente.

Aí, o mero beijo, por exemplo, que vulgarmente chamamos de selinho, só o encostar dos lábios, não precisa nem ter língua no meio, não é à toa assim é chamado, pois de fato o beijo é um selo, ele sela a união divina. Se nós de fato vivêssemos dentro da doação de Deus, e não nos dando uns aos outros a nós mesmos, o primeiro beijo de um casal seria no altar, selando a união, porque teriam fé, sabedoria e inteligência para reconhecerem o encontro como vontade divina, assim como a Fé e Sabedoria perfeitas é Maria e a Inteligência perfeita é José, não havendo necessidade de confirmação anterior, como quem testa para ver se tem química e se Deus está certo. Isso não existe realmente, pois se assim fosse, não haveria divórcios depois de ir para a cama com alguém e ter um sexo maravilhoso. Mas sabemos que isso não acontece, aliás, é bem o oposto, quanto mais nos damos uns aos outros, mais a coisa tende (lembrando sempre que Deus escreve certo por linhas tortas aos que buscam sinceramente), mas mais a coisa tende a se tornar vazia de significado.

Por isso um verdadeiro casamento deve ter sempre em mente o exemplo de Maria e José, pois é preciso arrepender-se, ter da contrição, e ser sempre obediente, casto e pobre, ambos os que estão se casando, pois ainda que a mulher expresse Maria e o homem, José, já sabemos também que é preciso que ambos aprendam dentro de si essas coisas todas dentro do possível, não se tornando de outro gênero, não é que o homem vai virar Maria, nem tendo atitudes expressamente femininas ou masculinas, mas vendo tudo isso como exercícios mesmo, como prática divina, ainda que tendo uma predominância e tendência a ser cumprida.

Assim vemos que cumprir o papel do homem, por exemplo, na relação é, em si, ser obediente também, assim como é possível cumpri-lo e deve-se cumpri-lo de maneira casta e pobre, por exemplo, pobre ao lutar contra o abuso de poder, abuso de autoridade, de força etc., daquele que é rico ou cheio de si mesmo etc.. Na Poesia do Relacionamento já vimos como o homem tem tendência egoísta e a mulher tendência histérica, de centramento no outro, e nisso vemos como ser pobre significa ‘desfazer-se do exagero de suas próprias tendências doentias’ para que, santificados, curados, sanados, saibamos expressá-las de maneira a de fato complementarmos uns aos outros no dia a dia.

Então mais uma vez se torna um mantra do as fórmulas serão diferentes para ambos, mas a forma: do arrependimento, contrição, pobreza, castidade, obediência é a mesma, e deve ser aprendida por todos, independente do gênero, mas o gênero vai sim revelar a fórmula que deve ser aprendida. Um homem que não sabe ser pobre, casto e obediente, por exemplo, não é um homem para se casar verdadeiramente, assim como uma mulher que apenas culpa o homem de tudo, só reclama, e não sabe ter da contrição, do calar-se, do acatar, pedir perdão e centrar-se em si e nos seus deveres, essa também não serve como esposa, como governanta da casa, pois essas coisas são a base de qualquer relacionamento.

E é possível viver tudo isso de maneira mais ciente ao observarmos o quanto praticamos essas coisas todas, uma observação ativa mesmo: se somos capazes disso no dia a dia, através de nossas fórmulas pessoais: nós temos que manter a nossa chama individual ao lembrarmos que toda forma é universal sendo as fórmulas, ou a maneira como as coisas se manifestam em aparência, algo pessoal e intransferível. Por isso é impossível sequer exigir do marido ou da esposa que faça algo por nós mesmos, porque a responsabilidade é nossa, aquela fórmula é nossa, e é pessoal e intransferível, ainda que ambos sejam, e são de fato, unha e carne, inseparáveis aos olhos de Deus, ainda assim, sabemos que unha é unha e carne é carne, e cada qual serve a um propósito específico diferente, assim como sofrem coisas distintas, como uma unha ser cortada e a carne não. A forma em relação a ambos (unha e carne) é o cuidado, mas as fórmulas de cuidado para a carne são diferentes das de cuidado para a unha, por assim dizer. E por isso há diferença entre masculino e feminino, homem e mulher, e não adianta querer dizer que não existe, que existe um campo neutro ou o que seja porque se não se sabe lidar com isso, e a humanidade não sabe lidar com isso ainda, não é possível ultrapassar isso de maneira alguma, por mais que se queira. Vira uma pedra de tropeço. E vai tropeçar feio!

Então saibam, Amadas Almas: o Amor é doação, é morrer pelo outro, para o outro, em lugar do outro, é morrer em si para viver no outro… Amor é perdão, per doar, doar tudo o que se tem a quem nos é dado amar. Amor não existe sem perdão. E essa é a base de qualquer casamento em milagre, seja casamento com Cristo Jesus, em celibato, seja casamento com alguém que o Pai nos dá enquanto carne… o que também não quer dizer que não seja Cristo Jesus, porque quando é doado pelo Pai, Ele nasce.

Amar… Amor não é questão de cultivar, de fazer nascer por vontade própria, como quem, casando, fosse desenvolver Amor com o tempo, como antigamente tanto se acreditava: ‘ah, o Amor se constrói na convivência, se descobre no contato’, não, nada disso, Amor é anunciação, revelação. Amor é ou não é, não tem meio termo – de fato. Somente através do Amor nos tornamos mais imagem e semelhança de Deus, por isso a prática da caridade ser exortada nos evangelhos, pois já comentei na carta passada que caridade é a forma eterna do Amor.

E não que eu pretenda, aliás, definir o que é Amor, limitá-lo, ainda mais ao dizer o que o Amor não é, que é pequeno achar que Amor se constrói a diário, talvez seja isso também, mas Amor é milagre. Então não há vontade humana que faça o Amor nascer através de egoísmo e vaidade.

E o que é caridade hoje o foi ontem e o será amanhã, ainda que uma caridade expressa em fórmulas diferentes a cada momento: num dia através dum abraço, noutro dia através de um ‘não’, e em outro através ainda de comida e bens materiais, ou algo sutil como um olhar, um silêncio, ou um simples toque no coração… Por isso o Espírito Santo pode ser descrito, ainda que nada jamais descreva Deus em si mesmo, como o ‘perpétuo movimento’, perpétuo porque a Forma é eterna, movimento porque as fórmulas nos são dadas a cada tempo, e por isso também não devemos fazer planos nem nos preocuparmos com o que falaremos ou faremos quando formos acusados ou quando estivermos perante necessitados, pois Deus nos mostrará, assim como nos mostra desde já através da perpétua chama que acalenta.

Deus é perfeito. E quem Ama se une em perfeição com Ele, não porque nos tornamos perfeitos em nós mesmos, mas porque Ele nos santifica ao estarmos e sermos em Sua Santíssima presença.

É certo que nem todos terão os mesmos dons, e nem todos viverão as mesmas exaltações e graus de manifestação do plano celeste, mas é seguro afirmar que podemos pedir, rogar, orar, implorar para que tenhamos aquilo que nos corresponda, para que despertemos os dons já presentes e paremos de os enterrar, bem como, nos tornando multiplicadores desses dons, outros possam nos ser dados. Podemos pedir por dons específicos, é certo, mas jamais cobrá-los.

Deus dá a quem Ele quer, e tudo é graça.

Por isso a tudo dai graças!

Eu rogo ao Pai em nome de Cristo Jesus para que vocês sejam agraciados com o Amor, seja no grau que for, de maneira a terem os olhos abertos para o quão Amar é um ato de milagre. E os exorto: amem, meus Amados, amem a Deus sobre todas as coisas e amem uns aos outros como a si mesmos, pois todo milagre é a união da Vontade Divina com a Vontade do Homem, então é preciso que nós façamos nossa parte. Queiram, desejem, peçam, tenham vontade, anseiem, esperem com calma, diligência e paciência, tendo a Luz da Esperança como guia acesa por sobre o telhado para que todos vejam que aí há um Lar, uma Casa habitada num terreno, um Casamento que, acaso não viva o Amor plenamente, no mínimo espera recebê-lo e para isso se prepara. Pois ser exemplo uns para os outros não é só de quem já recebeu o Amor, mas também de quem se mantém com óleo para reconhecer o noivo, de quem se mantém acordado para que não seja pego de surpresa de madrugada, de quem mantém seu fogo aceso, sendo Luz no mundo anunciando a vinda daquele que prometeu que viria, que veio e que vem, eu tenho fé e certeza disso: a vinda do Amor, a vinda do Verbo, a vinda da Luz, a vinda de Deus, a vinda de Cristo Jesus é um fato.

Então casem-se, meus Amados, na Santa Igreja se possível, sendo bons celibatários unidos a ela ou bons maridos e esposas unidos por ela. Mas mesmo sem o véu da Santa Igreja, casem-se. Sejam amantes sinceros, buscadores sinceros, e Deus escreverá certo nas linhas que entortarem.

Casem-se em casamento celibatário, não perfeito como Cristo Jesus, mas no mínimo obediente, pobre e casto, de diário arrependimento e de contrição verdadeira em casa passo.

Minha vida é uma imensa linha torta. Então rogo para Deus que eu jamais julgue alguém, especialmente alguém que tenha uma devoção sincera ao que é escrito em seu Livro da Vida, a quem tem foco nas palavras, no Verbo, e não nas linhas, porque eu preciso ser firme quanto a pessoas que se apegam às linhas, essas ignorando a importância das palavras, do Verbo, da Poesia… sendo que as palavras, o Verbo, a Poesia, o lirismo ali expresso são, no fundo, a única coisa que importa, as linhas: se apagam, as linhas, quando estamos lendo profundamente algo, somem para que as letras ganhem um contorno maior, quase como um realce. Testem, acontece de verdade. Façam isso: desenhem linhas tortas numa folha e escrevam reto, mas escrevam com vontade e vejam se as linhas não se tornam meros… coisas que se apagam e que passam, que perdem a importância frente ao que é escrito, quando o que é escrito é feito por mãos do nosso Verdadeiro Poeta, nosso Deus, Aquele que realmente é o único que tem o dom da Palavra porque é Ele próprio o Verbo e tem o Verbo como Filho em Si mesmo.

É mais importante o aroma da flor do que seu formato, é mais importante observar a flor do que o que há ao redor enquanto monte íngreme ou selvagem mato.

Então tenham foco.

O Amor está no que o resto esconde.

Quem fala das árvores, dos matos, das montanhas, das pedras fala de tudo, menos dos frutos, das sementes e das flores.

Amem, meus Amores, seja em casamento ou celibato, ambos são uma só coisa, amem como quem, inebriado pelo aroma que o vento traz da flor que se esconde, voassem e estivessem a um passo de encontrar o Amor face a face, sem saber nem quando, nem como, nem onde…

Mas sempre, sempre buscando o Amor nesse aroma que vos leva a voar de flor em flor.

eu vos amo

eu te amo

eu amo

amo

que o Amor de Deus seja conosco!

Um grande abraço.

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Carta aos Filhos adotivos de João

Almas minhas,

filhos queridos, peço perdão por qualquer erro cometido que com o tempo se apresente. Sou limitada e não pretendo escrever algo que seja eterno, ainda que a eternidade se manifeste em tudo o que revela aquilo que é verdadeiro. Se erro é por inocência, não por ignorância. Então me perdoem, pois escrevo com a mesma confiança que a de uma criança.

Então, de terço nas mãos, de joelho vos falo, de joelhos leio, de joelhos gravo, de joelhos vos peço licença… aos filhos pródigos, dados a João, rogo que me escutem com paciência. E aos filhos passivos dados a Pedro, é prudente que me escutem com igual atenção, pois que tudo isso diz respeito também a vós mesmos.

Filhinhos pródigos, dados a João, escutem, é preciso submeter-se à água.

Vós sois como o óleo que carrega o fogo sobre a água: para que se torne vertical é preciso que a água o cerque e o faça ter da contrição perfeita para que a chama alcance elevadas alturas, assim como o pavio também é cercado pela sólida, mas que se torna líquida, cera. Porque todo fogo precisa dum meio que o mantenha em vertical obediência.

É preciso ouvir Pedro, assim como João o obedeceu na santíssima ceia quando ele pediu para que o amado pergunte a nosso senhor quem o trairia. O coração é quem faz a pergunta para a cabeça, por isso a boca fala do que o coração está cheio, por isso já os exortei a fazer a circuncisão dos ouvidos e do coração, como fala nosso irmão Paulo.

Eu sei que se tem dito sobre a Rosacruz enquanto Fraternidade, sei que muitos afirmam que o fogo tem caminho distinto do da água, sei e reconheço que Max Heindel foi e é um fiel amigo e um grande mensageiro, fez o que era possível e necessário para que o trabalho de agora e futuro pudesse ser feito, mas a Fraternidade é realmente algo muito distante do que é de fato verdadeiro, assim como as igrejas autorizadas por Cristo Jesus estão longe de ser a Católica, nossa santíssima casa verdadeira.

Os degraus de uma escada são necessários enquanto parâmetros, assim como para sair da caverna é preciso de luz artificial antes, ou mesmo que não artificial de todo, porque não é uma mentira o que foi sendo deixado ao longo dos anos, mas uma luz elemental, um fogo que não é do sol, não é diretamente da fonte.

A fonte queima no alto, buscai, filhinhos, a chama que arde além da tocha em vossas mãos e que está além dos vossos olhos.

Mesmo a Fraternidade ainda está, como muitas religiões, impregnada do que é gnose. Eu já disse e repito, a gnose é falsa, é uma pedra de tropeço. A Fraternidade Rosacruz está impregnada, ainda, com ela, mas a Rosacruz em si mesma Não é gnose, e que ninguém jamais ouse dizer que o seja. A gnose não é e jamais será verdadeira, a co-gnose dada, doada, porque o conhecimento é dom, jamais é uma pedra alcançável por si mesmo, mas doada pela Luz de nosso Senhor, então, a cognose é algo completamente distinto do que se repercute como gnose, e não debaterei mais sobre isso – algo que já falei sobre exaustivamente.

Aos que é dado ver, que veja a imensa diferença entre um diamante feito em laboratório em condições humanas vaidosas, de outro que pode ser sim catalisado, mas sempre feito em natureza! Por isso a alquimia é verdadeira dentro de sua tradição, ainda que não seja senhora, pois assim como toda igreja autorizada responde à única Igreja Santíssima e verdadeira, a Católica, Universal por Vontade Divina, da mesma forma toda e qualquer tradição de escola é governada pela Rosacruz, pois acima dela não há nada além da Igreja em si mesma, a quem obedecemos e por quem lutamos e prezamos como a joia mais pura e verdadeira.

Assim como na Rosacruz e escolas há graus, as ditas iniciações, na Igreja e suas ramificações também há graus de santificações. Os santos não são todos iguais em glória, mas saibam e tenham certeza de que todo santo católico Doutor da Igreja, todos eles, como Santo Agostinho, São João da Cruz e Santa Teresa, todos têm primazia sobre os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, e seus trabalhos são conjuntos, havendo sempre hierarquia e ordenação, ainda que independência em termos de identidade do que é feito e do que cada um deve efetivar no mundo material e espiritual, cada qual com seu campo de atuação e suas diferenças.

Aqui tomo a liberdade de dizer: a fórmula como cada qual se apresenta é diferença, mas a forma é a mesma. A forma do Amor é única, imutável, permanente, pois a forma do Amor é a própria amorosidade ou a caridade. Amorosidade e caridade é uma única forma independentemente do espaço e do tempo: o que é amoroso no início dos tempos o é e continua sendo no fim do mesmo. A fórmula como a caridade e amorosidade se apresenta é mutável e inconstante e impermanente, ela sim apresenta um movimento de mudança em relação à aparência.

A amorosidade, a caridade é literalmente a mesma do início ao fim, é um mesmo movimento perpétuo, contudo, as fórmulas, em aparência, são distintas e, portanto, a caridade não pode ser resumida, por exemplo, em dar comida aos pobres, porque nem sempre isso será caridade verdadeiramente, nem sempre isso se apresentará como amorosidade verdadeiramente. Assim como dizer ‘não’, apresentar rigor, leis, apresentar limitações pode ser uma fórmula da caridade. As fórmulas mudam, e as fórmulas dependem do Espírito Santo para que nós saibamos reconhecer sua literalidade, para além das aparências. E, portanto, fórmula é diferente de forma, a forma é eterna, as fórmulas são mutáveis.

E como eu ia dizendo, tomo a liberdade de dizer: eu tenho autoridade para afirmar sem quem tenha autoridade contrária para me calar, e não falo por mim nem para minha glória, mas digo o que se confirmará nos anjos que guardarão esta mensagem até que chegue a hora, assim como o deixo gravado e escrito para testemunho, para testificar daquele que nos Salva da morte e Seu Pai, Aquele que nos doa a todos a Verdadeira Vida através de Seu Amado e Primogênito Filho, que a Rosacruz enquanto tal, enquanto Ordem Sacra, Casa de Maria Madalena, filha adotiva de Maria, a Virgem Santíssima, Rosa nascida aos pés da cruz, aquela que primeiro vê a Santíssima Igreja porque é a primeira a testificar do corpo vivo de Cristo Jesus, sim, Maria Madalena, serva, amiga, noiva, irmã e esposa espiritual de Cristo Jesus, assim como Sua Santíssima Mãe, Maria Madalena: senhora Santa da Ordem sobre a qual falo, não em meu nome, mas em nome dela, minha senhora, para a qual trabalho noite e dia, discípula fidelíssima de Nosso Senhor, governanta da casa a qual tenho a honra de habitar junto a meus irmãos, onde tanto tão incansavelmente trabalhamos juntos para a glória de nosso único e verdadeiro Senhor, como dizia, tenho autoridade para dizer e afirmar e testificar que a Rosacruz enquanto Ordem instituída por Cristo Jesus, Ele mesmo, por Vontade do Seu Pai, ela em tudo, absolutamente tudo, corrobora, antes de mais nada, a Igreja Católica.

Deixo claro que os homens cometem erros de interpretações quanto a ideias e textos, por causa de nossa própria limitação, inerente à nossa condição espiritual e material, inevitavelmente, o que faz com que haja coisas na Igreja enquanto instituição que são falhas, como já houve o caso de Inquisição e tanta incapacidade de lidar com o próprio satanismo que a habita, assim como Satanás sempre estava com Pedro, dizendo nosso Senhor tantas repetidas vezes a ele o tal ‘vade retro’, e por isso afirmo, como já afirmei antes: não há nada mais satânico na face desta Terra do que a instituição católica, assim como nada mais santo, mas nada mais satânico na face desta Terra do que a instituição católica e muitos de seus praticantes, sejam leigos ou clero.

Não há nova ordem mundial, queridos, saibam que toda, toda, absolutamente toda teoria de conspiração, para qualquer lado que seja, é sempre demônio que vos habita e sujeita a deformadas ideias, que se tornam, por sua deformação, ideologias, Satã-Lúcifer fala cinco mil línguas, e a ordem dita nova é a mesma e velha de sempre, que desde a negação de Deus corrompeu a obra divina. Ela é a mesma, não há nada de novo sob o sol a quem sabe ver. Por isso é trabalho inútil e alienador crer e propagar teorias de conspiração, ainda que devamos sim ter olhos e nos avisar, ver e nomear os demônios, mas tendo o cuidado com teorias de conspiração, porque se passa a acreditar num mal secular, quando o mal é uma mácula que há para além do secular que estamos, hoje, a habitar.

E o único que venceu, vence e vencerá sempre isso é Nosso Senhor Jesus Cristo, pois somente Ele, na Unidade do Espírito Santo, é capaz de nos doar a Vida Eterna, na qual a Sua perfeição reina, sendo Seu reinado Eterno. Não há nada que vença a velha e nova ordem mundial senão a hierarquia divina em si mesma. E para isso requer pobreza, castidade e obediência, além de diário arrependimento, buscando, através de São José, o bom marido e pai adotivo, a contrição perfeita, gerando a mais elevada carpintaria em nossos corpos de matéria, especialmente neste de madeira.

Portanto, ainda que a Igreja esteja sob a guarda do nosso amado santo Pedro, aquele que negou a Cristo Jesus três vezes, sofrendo com isso uma dor que fez com que se tornasse pura, branca, branquíssima sua pedra, tendo nela gravado seu nome verdadeiro, tornando-se fundação, não só duma aparente igreja, mas sendo o representante da humanidade, a coroa da criação na qual está fundamentada o universo inteiro, coroa esta que é posta sobre a cabeça de Maria, sendo ele o Papa eterno, representante da vontade do Pai entre os Filhos adotivos Dele, além de, obviamente, em primeiro lugar representá-Lo, ao Pai, Seu Filho consubstancial e primogênito, sendo ambos, Pedro e Cristo Jesus, irmãos por Vontade Daquele que ambos representam, então, ainda que a Igreja, tal qual Pedro, erre em aparência, por estar sob a guarda também duma humanidade coxa, que nega Cristo e que dorme enquanto Ele sofre, ainda assim, por ser a Igreja, em verdade, o Corpo de Cristo Jesus, Lar, Morada e manifestação de sua própria Santíssima Mãe, nossa Amada Virgem Maria, Senhora de tudo o que há em manifestação no universo que nos rodeia, para além até mesmo de nossa galáxia, pois é ela sim a senhora de todas as infinitas estrelas, posto que Maria Mãe é Matéria imaculada de tudo o que há enquanto manifestação, sendo este um mistério ainda incompreensível à mente humana, ainda que já dada como mãe à mente dos que ouvem ao coração, e cujo coração é dado ao mental superior, sendo coração nascido do espírito, tal qual vapor embalado em meio à vontade superior do vento, é impossível, impossível macular a Santíssima Igreja e, portanto, é impossível que a Igreja Sagrada seja ou esteja errada em sua face divina, a verdadeira.

Não importa o quanto cuspam em Maria, o quanto flagelem Jesus e o preguem na cruz, não importa sequer que estuprem a ambos e os matem, seja na cruz ou de dor em luto constante, o mal jamais conseguirá tocar ambos, assim como ambos mantêm vivos Seus filhos e irmãos, sua família verdadeira, sendo, por isso, eterna também a Ordem Rosacruz, não em si mesma, mas por vontade daquele a quem obedecemos todos, sendo que, como dito, a Ordem Rosacruz em tudo corrobora e afirma o mesmo que a Igreja, pois Maria Madalena é confirmação de Maria Virgem enquanto manifestação, havendo sim distinção entre ambas, obviamente, sendo assim ensinados estudos diferentes para os que são Rosacruzes, não importando o grau de iniciação ou se de Fraternidade ou Ordem ou qualquer manifestação que seja, assim como aos filhos da Igreja também se distingue os que comem carne dos que tomam leite. Mas que fique claro, os ensinamentos rosacruzes de forma alguma visam combater, destruir, contrapor ou se sobrepor aos ensinamentos católicos, ao contrário, seu fim primeiro e último é a confirmação daqueles que lhe são superiores em tudo, tanto prática quanto inteligência, sendo os doutores Santos irmãos maiores tanto quanto os da Ordem o são. A distinção entre Catolicismo e Rosacruz é para o bem da própria humanidade, assim como as sombras permitidas e manifestações e cultos a luzes elementais acabam sendo inevitáveis por a própria humanidade não aguentar a Luz em si mesma diretamente, bem como não rogarem para que essa Luz se apresente, pois aquele que pede recebe, e se não recebemos é porque também não pedimos com determinada veemência, e também porque vaidosamente queremos controlar o tempo que é do Pai por criação e excelência, então, por esses motivos e muitos outros, é preciso haver ramificações e aguentarmos, ainda, os graus de manifestação do contraste entre as coisas que são verdadeiras com as que estão deformadas.

O dever sagrado da Igreja é prezar pelo caminho reto, retíssimo, devendo ela jamais aceitar o que é pecado, sendo dever sagrado afirmar o que ela afirma, ainda que isso muitas vezes leve ao erro dos homens inclusive irem contra os irmãos Rosacruzes, contra o que os Rosacruzes falam. Eu mesma afirmo que sem problema algum queimaria numa fogueira, e gosto ao menos de imaginar, pode ser vaidade minha, mas gosto de imaginar que morreria sim com um sorriso em meu rosto, sabendo que meus irmãos católicos cumpriram com seu dever de prezar pelo que é reto, assim como eu cumpri o meu dever de prezar por mostrar que Deus escreve sim certo por linhas tortas apesar de todos os pesares, e que a ciência oculta é um fato inegável, que o renascimento existe, por exemplo, ainda que a Igreja esteja certa ao negá-lo, pois que em verdade verdadeira só existe uma única vida, a nossa Eterna Vida Ressurreta em Cristo Jesus, em quem tudo o que estava perdido e decaído é erguido novamente, havendo, Nele, a única e verdadeira confirmação, sendo tudo isso completamente inútil de se saber em si mesmo como fim último: ciência oculta é útil só como meio, pois que quem eu fui na vida anterior de nada me adianta saber, nem me cura de doença alguma, posto que só Deus é verdadeiro médico e doutor, assim como saber quem serei é quimera, demônio que me obseda quando penso nele, pois que todo e qualquer plano, seja para daqui um segundo, daqui um ano, uma era ou um nascimento novo pertence somente ao Pai, pois tudo é feito sob a Vontade Dele. Portanto é um fato que de nada realmente adianta afirmar o passado, estátua de sal que nos tornamos, assim como de nada adianta vislumbrar o futuro, usurpadores e controladores que nos revelamos.

A vida presente é a única que realmente existe, importa e contém todas as outras que já foram e que serão, sendo ela o princípio e o fim, o fruto e a semente, alimento único, e resposta única a todo e qualquer questionamento.

Portanto, o estudo da ciência oculta enquanto meio é pertinente, mas jamais comparável à santificação realmente. Não à toa se sabe muito bem que o primeiro iniciado da Ordem Rosacruz, assim como o primeiro Bispo de Roma, por assim dizer o primeiro bispo rosacruciano é São João, à semelhança de Pedro, um Santo, Santíssimo, sim, Santo em primeiro lugar antes de ser iniciado ou Irmão Maior em si mesmo, pois o título de Santo é daquele que foi curado e ganha autoridade de curar outros que lhe sejam dados por vontade celeste. Assim como o Pai adotou a humanidade, Pedro e João têm, cada qual, os filhos adotivos pelos quais são responsáveis, sendo ambos representantes do que se diz ser a Água e o Fogo, respectivamente, ou Coração e Mente, tendo, ambos, Cristo Jesus como Seu Senhor, Pastor, Porta, Caminho, Vida, Ressurreição, Videira, único digno de ser chamado Mestre realmente, Rei do Mundo, Deus do Universo junto ao Pai na Unidade do Espírito Santo Agora e Sempre. Amém.

Então, filhinhos dados a João, eu os exorto e peço, ouçam a Pedro. Vão à Igreja, busquem o catolicismo. Pratiquem e explorem as narrativas e ciências dadas através de vários servidores, sim, mensageiros dedicados, sejam homens ou mulheres, isso não faz menor diferença, tenham eles deixado suas obras anônimas ou assinadas, isso também não gera valor em si mesmo, sendo mais importante observar a vida que legaram enquanto verdadeiro exemplo, sendo pessoas de caráter, que buscaram firmemente seguir um ideal sublime para além da vaidade que tinham dentro, porque todos nós temos. Então, explorem, busquem as ciências ocultas, mas lembrem-se sempre, ao estudá-los e lê-los, caso queiram de fato ir além do leite que lhes é ofertado, que a carne ressurreta é Pedro, a Senhora dela é a Católica Igreja e Sua Senhora é a Virgem Santa, Mãe, não só nossa, mas do próprio Deus.

Então ouçam a Pedro, porque mesmo sem admitir conscientemente, vossas bocas não mentem, as pedras que tacam e cospem ao falar contra Pedro e seus filhos apenas atingem a vós mesmos, assim como essas pedras apenas revelam o congelamento do cerne cardíaco de vós dentro. É uma vergonha que passam frente aos que os ouvem e veem realmente.

Então, Amados Filhos, tenham da observação e do discernimento, mas acima de tudo, tenham da devoção, porque sem a devoção a observação se torna parcialidade e o discernimento se torna análise e segregação.

Quem é filho dado a João tende, é uma tendência, mas uma tendência existente, de sempre, sempre a estar muito mais morto que qualquer filho dado a Pedro, ainda que eles sejam satânicos e rochas que afundam mesmo frente ao Mestre. Ainda assim, vós vos tornais o sangue traidor que corrompe o coração cuja mente carrega em seu verdadeiro seio. E não há negação de Pedro que seja pior do que a traição de cruz que cometem vós mesmos.

Então tenham humildade, sempre.

E quando quiserem saber onde fica a mente, o lar verdadeiro do que vos move desde dentro, saibais: a mente fica no coração, assim como a cardíaca vibração e pulsação fica no cérebro. Mas isso são ainda futuros mistérios.

Busquem desenvolver um corpo são, um nobre coração e uma mente pura, buscando sempre a lapidação, a devoção, a observação e o discernimento, tendo como mantra diário resultante da força da concentração o arrependimento, para que vejais que no fundo Maria Madalena é como Virgem Maria, sua adotiva Mãe, aquela que lhe deu o título por ordem de Seu Amado Filho, sendo ela discípula especialmente da obediência, da pobreza e da castidade, amando, em morte e vida, em nascimento de carne e ressurreição para a eternidade de nossa matéria e espírito, a Cristo Jesus, seu Amado servo, noivo, esposo, amigo, seu, todo seu, porque são unha e carne, aceitando que, assim como Deus os une, não há, no universo, o que os separe.

Que seja bendito todo casamento sagrado!

Saúdo a São Pedro e seus filhos, irmãos tão amados!

Saúdo a Virgem Maria e São José, rogai por nós, santíssimos eleitos!

Saúdo a Nosso Mestre, o Filho Perfeito, tende piedade de nós, Amado Cordeiro; a Deus-Pai, Aquele que é Poeta soberano, inenarrável criador do universo; e ao Espírito Santo, a Forma eterna da caridade manifestada em todos os planos, por todas as eras e milênios, por todo o espaço e todo o tempo, em eterno movimento!

E saúdo a vós: que Deus vos guie e vos guarde agora e sempre.

Amém.

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