a Poesia do Caminhar . : . [a edificar o Templo]

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Caminhar é preciso!

Isto sabiam os antigos, isso continuamos a redescobrir a cada momento.

Caminhar é ir de um ponto a outro, traçando uma linha, formando geometrias ao se deslocar pelo plano conhecendo as dimensões que se apresentam, observando e discernindo os passos que são dados no Presente.

Caminhar é a união da passividade e da atividade, pois um bom e belo caminhar pressupõe esquecer-se de si para ver o que nos rodeia. É ser menos egoísta, como quem, parado, puxa tudo para dentro, para se tornar mais centrado por estar no movimento de sair do interno para ir em direção a algo externo, criando poros nas bordas e com isso gerando a possibilidade de haver um movimento pendular entre quem e quem recebe.

O caminhar verdadeiro nos liberta, nos movimenta dos pés à cabeça, começando de baixo e indo para cima, como quem, conhecendo o inverso de si mesmo, faz novo tudo o que nos cerca. Até que em algum momento o ‘dar e receber‘ se torna apenas doação de si mesmo – que de volta nada espera, sendo aquele que segura o pêndulo, sabendo que o caminhar reto, para frente, é também a possibilidade de criar movimentos para um lado e outro, tal qual caranguejo, observando os polos que são criados a cada relação de um eu e um tu que se apresentam. Sim, porque além do eu e tu há um terceiro, e caminhar é aprender a se tornar o que se doa e se sacrifica para que haja a união desses outros membros.

É preciso discernir, contudo, que todo caminhar, inclusive os aqui poetizados, jamais deve pretender e nem mesmo intencionar ser todo o Caminho, ou ser grande parte do caminho, pois que são minúsculos os passos que damos, frações perto de tudo o que é possível andar (o caminhar nosso é uma coisa, o Caminho em si mesmo é outra, sabendo, no entanto, que só quem caminha movimenta a possibilidade de conhecer o Caminho em que se está a caminhar).

Então não tomem, por exemplo, o que eu digo como a única possibilidade ou sequer uma possibilidade fechada em si mesma e perfeita, eu sou tremendamente falha, todos somos falhos, por isso é preciso seguir sempre buscando, cada vez mais, exemplos elevados. No próprio caminho há pedras, buracos, diferenças de texturas, coisas que cada um que for fazendo o caminho irá notar, evitando colocar nisso juízos de valor, apenas vendo um detalhe a mais diferente do que outro notaria – enquanto alguém nota os odores, outro nota as cores, outro as texturas, ou barulhos, ruídos, silêncios que acompanham e compõem a paisagem ao se caminhar… E nisso vamos conhecendo ele como um todo dentro e fora de nós mesmos.

Ao caminhar, veremos árvores de todos os tipos, e é preciso ter em conta que o saber é como o sabor: os saberes que colhemos, e que aqui são ofertados, por exemplo, não são meus e de ninguém que já os tenha dito de outro modo alguma vez, existem autores, sim, porque cada um irá apresentar uma fórmula própria de como se observa o caminho e o que se discerne neste caminho frente ao seu pequenino olhar, mas o Caminho em si mesmo é único e comum a todos os que estão a caminhar.

O saber não reside em quem caminha com ele, assim como o sabor não está na boca que prova da fruta, mas na fruta em si mesma.

Então o saber aqui provado não é da boca, nem sequer do coração ou da mente de quem vos fala, e sim da fruta ou da água a qual apanho diretamente da Fonte para que possamos degustá-la.

É importante conhecer os pés por si próprio e caminhar por si mesmo. É claro que todos estamos aqui para nos ajudarmos e é importante, é crucial que nos ajudemos, contudo, é importante sabermos que deve haver uma independência um do outro ao mesmo tempo, e o justo equilíbrio disso é que possibilita termos acesso à água, aos frutos e seus sabores na hora em que precisamos deles durante a caminhada que fazemos.

Muitas pessoas ainda são como que carregadas no colo pelo caminho, porque quando vou observando aqui, por exemplo, as coisas que lhes apresento, quem não tem capacidade de observação por si mesmo é como se eu carregasse no colo por um momento, então a pessoa tem que tomar os meus passos como sendo os dela por não conseguir ainda dar passos próprios – e está tudo bem precisar disso, mas é importante que todos os exercícios que fazemos durante a vida nos levem a um emancipar-se, seja ao caminhar ao redor de uma quadra, seja ao passar por experiências dos sentidos e gostarmos ou desgostarmos de algo, termos preferências e nos emocionarmos, ou seja ao reproduzirmos pensamentos até chegarmos numa qualificação em que consigamos produzi-los por nós mesmos – o importante é sempre trilhar a senda da independência – sabendo que ela é parte integrante do Caminho que percorremos. A ajuda é mútua, mas ajuda não é dependência, ajuda é diametralmente oposta à dependência. Depender é pender apenas para um lado por estar preso, pendurado.

Por isso é importante que observemos essas poesias todas e caminhemos, mas não porque eu as mostro e reparto esses frutos com quem me lê ou ouve, o principal aqui não é sequer o repartir do fruto em si, mas sim propiciar que aprendamos atos – o ato de buscar o fruto, o ato de caminhar, o ato de pensar, o ato de observar, o ato de discernir, o ato de partir, repartir, compartilhar, o ato de se independer, se individualizar, são todas ações, Verbo, que em âmbitos mais densos ou mais sutis, precisam se concretizar de alguma forma para que tenhamos uma existência que Seja no mundo, para que nos tornemos Seres conscientes de fato do que fazemos, seja esse fazer em qual instância for – na mente (como pensamentos), no emocional (como sentimentos), no físico (como ações)…

Criarmos a capacidade de dramatizar a vida em todos os sentidos, eis o caminhar!

Drama significa ação, drama se produz com conflitos, atritos: o caminhar se faz ao riscar os pés na matéria de maneira reta e constante, e este riscar nos leva ao pulsar do coração no Amor e à concepção de pensamentos Puros, tal qual uma Vida sendo gestada na mente, parindo como novas todas as coisas ao compreender que é pertencendo a este verdadeiro caminho, seguindo o trajeto bondosamente desenhado, fluindo através dessa bela geometria ao dançar as formas como quem baila a justiça pela própria justeza dos passos – como o Sol e os planetas que O orbitam, que se Vive eternamente, indo reto por cima das águas, dos abismos, das flamas ardentes, acalmando furacões e tempestade que todos carregamos dentro e fora de nós mesmos.

A Poesia do Caminhar é o trabalho constante para frente e para o alto de quem labora e ora, labora ao dramatizar e aprender – eis o ato de plantar e colher, e ora ao falar e ensinar – eis o sacrifício ao doar, porque quem fala com D’us ensina o próximo a caminhar, e quem ensina o próximo a caminhar está a falar com D’us… eis o Laboratório e a Vida de quem caminha – o labor no oratório que, passo-a-passo, o Templo edifica.

E, de minha parte, desejo que te seja agradável o sabor de todas as Poesias que, ao longo do Caminho, colhemos e bebemos…

Então caminhemos, meus amados-amigos-irmãos, agora e sempre, eternamente, caminhemos!

Tua Rosa

Seguras uma rosa nas mãos
a carregas contigo por todo o caminho
tu a colheste na roseira ao fundo de tua morada
nascida das sementes que te deram
ainda quando eras criança, no tempo em que teus avós estavam vivos
e te presenteavam todo tipo de flor
contavam a história de cada abelha que ali vivia
e o jardim era o quintal de tua vida
onde cresceste aprendendo sobre como desabrocha o Amor.
Encontraste também dores junto às ervas daninhas
passaste dias arrancando uma por uma
para descobrir na manhã seguinte que elas sempre voltariam
e que a constância é identificá-las logo no início
quando são mais fracas que tuas vontades
e mais frágeis que tuas mãos.

Na idade em que teus avós souberam ser a hora
te levaram a cuidar daquelas que lhes eram as mais preciosas
a espécie de flor que era o ouro do jardim inteiro
– esta que carregas exatamente agora.

Entre roseiras o cuidado era redobrado
pois ficavam cheias de abelhas
que testavam a paciência e zelo que tinhas com elas e ti mesmo.
E foras ferroado, e choraste
e gritaste todas as vezes em que pensaste terem as rosas te atacado
um enxame de espinhos. Foram muitos os desejos de despetalar todas elas
– como poderiam ser ouro se te tiravam sangue a cada tentativa de chegar perto?

Demoraste a aprender que o sangue é a oferenda ao se lidar com sua beleza
e que tuas veias deixam de ser tuas, tornam-se delas
e mesmo dolorido, não desistes de cuidar uma a uma
cicatrizas a ti mesmo para voltar a te embrenhares na natureza
pois vais descobrindo que é o jardim que toma conta de ti
e são as abelhas que te alimentam
e são as plantas que com teus passos se ornam, seguindo a guia de teu rastro
e que teus avós também eram sementes da terra
que de volta os chamou quando tiveram a certeza de que houveras herdado
até mesmo as ervas daninhas, que te fazem baixar a cabeça e lembrar da humildade
bem como todos os espinhos responsáveis por tua força e resistência.

E no momento em que segurares uma rosa nas mãos
tenha coragem, olha o miolo de tua flor
e descubra que não és tu quem a carrega
mas ela que a Ti sempre carregou.

 

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a Poesia do Relacionamento . : . [através da Poesia da Saúde e da Cura]

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Eu gostaria de conversar… eu gostaria de caminhar e observar a Poesia do Relacionamento, sendo que, para isso, eu gostaria de observar junto dela a Poesia da Cura e a Poesia da Saúde. Trançar essas três enquanto vamos caminhando mentalmente…

Cura vem do Latim, cura, que significa ‘ato de curar, de vigiar’; já Saúde vem do Latim salvus, que significa ‘inteiro, a salvo, intacto’, que por sua vez vem do sânscrito sárvah, ‘inteiro’.

Isso nos revela que o estado de doença, que significa um estado de dor (dolens, dolentia), assim como enfermo, que revela um ser infirmus, ou seja, ‘sem firmeza, sem estabilidade’, são estados daqueles que não estão inteiros, não são inteiros, que não vigiaram e não se salvaram em se manter firmes, havendo portanto uma queda, um tombo, um entortamento dos atos, das emoções, da psique, do intelecto, enfim, algo em nós se desestabiliza, nos tornamos instáveis em alguma área.

E se já observamos que saúde tem relação com ser inteiro, é preciso nos vermos inteiros até na doença para que a cura seja uma possibilidade, ou seja, compreender que não é apenas uma área que está doente, mas todas as áreas a ela correspondentes: se eu cometo atos doentes isso mostra que tenho emoções doentes, desejos doentes, pensamentos doentes, em todos os níveis eu devo conseguir aprender a me ver cindido, partido, ao meio, para então conseguir ter a possibilidade de vislumbrar alguma cura, alguma estruturação nova da saúde em relação à antiga.

É preciso ver também que isso significa que o estado de doença e de saúde se relacionam diretamente com a nossa capacidade e o nosso grau de discernimento na ciência e na consciência, âmbitos nos quais somos muito falhos ainda em termos pleno domínio deles, se é que há qualquer aprendizado sobre eles de fato.

Hoje em dia, quando olhamos para nossa sociedade em geral, e as doenças mais pronunciadas, vemos que estamos numa polarização extremada envolvendo ideologias, ou seja, ideias pré-concebidas que são ofertadas através de um tratado, de um discurso dado, seja para o lado que for (ideo-logias, ou seja, ideias e logos). E se pegamos os fatores mais óbvios e atualmente debatidos dessa polarização, levando em conta o relacionamento para isso e qual é o preponderante perante as nossas relações humanas, encontraremos mulheres que denunciam o machismo, por exemplo, e homens que, em contrapartida, denominam as mulheres de histéricas, havendo até mesmo teoria freudiana sobre isso. Então usarei o machismo e a histeria como exemplos para trabalharmos essas Poesias.

O caso é que o machismo, que existe e é usado como base para muitos discursos que nada tem a ver com ele enquanto existência, é uma doença que acomete a sociedade, por doença temos aquilo que nos causa dor, e os homens têm causado dores às mulheres de diversas formas, e uma das suas engrenagens se relaciona à vaidade e à personalidade autocentrada de maneira egoísta, o que, em si mesma, também faz sofrer, principalmente, o homem, ainda que ele seja inconsciente disso ou não assuma, afinal, “homem não chora”. Assim como se dá com a histeria, seu oposto, formando uma dupla que age (na maioria dos casos) junta, tendo sua manifestação relacionada à personalidade que perde o centro de si mesma. Eles estão presos em si mesmos, elas estão presas no outro – estão fora de si mesmas. (E isso vale para casais homoafetivos, nos quais normalmente há duas pessoas que têm predominância distinta, tal qual homem e mulher, desses polos masculino e feminino enquanto forças atuantes).

Ambos estão doentes, ambos estão em dor, tanto o homem, que tem a tendência (ainda que não seja apenas do homem ser egoísta) em agir com grande egoísmo, mega centrado em si mesmo e nas suas necessidades, desejos, fantasias, pensamentos, gostos, ideias, o que seja… bem como a mulher, que tem a tendência (ainda que não seja apenas da mulher ser descentrada) em agir sem foco, de forma generalizadora, possuída por qualquer coisa que se apresenta fora dela mesma.

Assim, podemos ver que raramente uma doença anda sozinha. Mais raro ainda é ambos conseguirem admitir que estão em dor, ou seja, em pedaços (não inteiros, não saudáveis), frágeis, fracos, tropeçando, caindo, cambaleando, ambos instáveis.

O ser humano tem a tendência a esperar que o outro se cure primeiro para que “eu” possa me curar depois, sempre tendemos a reclamar e ver com maus olhos o fato de sermos os mais fortes e que buscam ajuda enquanto o outro não é capaz de fazer o mesmo esforço por nós. Isso pode acontecer, por exemplo, na relação entre pais e filhos também, ao os filhos precisarem e serem forçados a se tornar mais maduros que os próprios pais para que possam resolver conflitos das dores desses pais. Muitas vezes esses filhos se sentem machucados e desgastados, podendo cultivar mágoa em terem que fazer papel de pais dos próprios pais, quando poderíamos começar a, quem sabe, ver a beleza em simplesmente termos a oportunidade de crescer e poder ajudar uma outra pessoa, seja familiar ou não, aliás, pois isso significa que eu estou um pouco mais saudável.

Contudo, o próprio ajudar o outro só é efetivo se sou capaz de assumir antes meus próprios problemas e defeitos, dores e angústias, o que significa: se olhar nu no espelho.

O machismo só irá ser curado em cada homem, o egoísmo preponderante do masculino só será sano quando formos capazes de admitir que a histeria das mulheres não é aleatória, pois todos passamos por certas intuições ou sugestões (que, ainda que possam ser maliciosas, ou seja, com intenções maléficas, espiritualmente falando, não deixam de ter sua realidade em algum aspecto), nos mostrando, por exemplo, que o físico, o desejo, ou mesmo que apenas o pensamento do nosso companheiro está junto de outra (podendo ser inclusive uma outra coisa) que não nós mesmas. Ou seja, ele está centrado, e o centro dele não passa a ser dessa outra coisa, mas essa outra coisa alimenta o centro vaidoso dele, e por isso tem seu foco. E ainda que se admita, como muitos buscam fazer hoje em dia, que ‘sim, eu penso em outra, eu desejo outra, eu quero estar ao lado de outra’, mesmo que sem sexo, mas havendo uma atração de alguma maneira, é preciso ver que essa atração não é sublime, ela é por vaidade, por querer suprir uma necessidade do momento, por algo muitas vezes ideológico (uma ideia dentro de um discurso que eu copio e colo) porque eu acredito vaidosamente que estar com outra pessoa vai me trazer algo que eu não tenho, ou seja, acaba por se tornar a repulsão àquela que escolhi efetivamente como companheira, porque me sinto incompleto com ela – que não tem centro -, e cheio de mim mesmo, me achando capaz de ser inteiro em qualquer relação que apareça, sendo um conhecer raso sobre si, porque alguém verdadeiramente pleno, centrado de maneira equilibrada, mantém ativo o discernimento de que o que ocorre fora é apenas por dever maior que ele mesmo, por creação e milagre, e não por semelhança de pensamentos, desejos e atos, ou seja, a vida para alguém que vive o centro real de si reside além da personalidade, além do que eu gosto, ou de com quem eu me identifico etc., porque o que eu penso, desejo e como eu ajo são todas formas determinadas pela personalidade enquanto não sou capaz de viver uma vida conectada ao espírito, este sim que vive por creação e milagre, ou seja, conectado ao Eu superior de fato.

É claro que há casos de pessoas que vivem isso, a necessidade espiritual de certas vivências, pois tem de tudo nessa vida, mas a grande maioria é apenas egoísmo acreditar que está do lado de fora o que eu não tenho dentro – seja dentro de si, seja dentro do relacionamento, o princípio é o mesmo. Tudo o que buscamos está dentro de nós, assim como analogamente tudo o que se busca num relacionar-se está dentro de um casamento.

E a histeria da mulher só será curada, toda a dor que a mulher passa com os homens só será curada quando aprendermos a ter um centro, termos foco, confiarmos mais que já nos escolheram e que essa escolha está para além de desejos e pensamentos aleatórios. É preciso superar a dúvida, ver que a dúvida é como uma cobra, e pisar em sua cabeça por vontade própria e não permitir que pisemos nessa cobra por tropeço nosso, porque ela sorrateiramente ali se coloca. Assim como os homens precisam aprender a soltar a certeza racionalista que têm de si mesmos, especialmente quanto aos sentimentos, numa vaidade de quem se julga grande domador de cobras, só porque tem uma flauta, quando a grande maioria toca flauta ‘porque a cobra quer dançar’, não o contrário, mas a vaidade impede que vejam que são eles os encantados, os hipnotizados.

A grande questão é:
quantos relacionamentos efetivamente têm base para se chegar a uma cura efetiva
do egoísmo masculino e da histeria feminina?
Poucos.

Se tomamos à risca, toda relação começa na personalidade: porque eu gosto de algo no outro, algo superficial, uma ideia que eu crio do outro – de que é bonito, de que é inteligente, de que é elegante, de que é tranquilo, de que é animado, de que é aventureiro… é a personalidade que me leva a gostar do outro, bem como a personalidade do outro que me atrai, porque alguém inteligente pode ser inocente ou mesmo ignorante dentro de uma relação, assim como podemos criar uma fantasia de que alguém vá ser perfeito para a convivência e por fim, ao conviver, vermos que é muito difícil lidar com aquela pessoa de fato, seja pelo motivo que for. Basta os dois terem um ritmo evolutivo diferente, por exemplo. Ou seja, toda relação começa dentro de uma superficialidade de nós mesmos, a priori.

E como aprofundar? Só é possível amarmos algo mais profundamente do que a personalidade de quem escolhemos para conviver se somos capazes de, aos poucos, ver seu espírito.

Mas nós ainda não sabemos exatamente como se chega a isso, porque espiritualmente, a priori, somos todos passíveis de convívio, então o que vai distinguir é o quanto nossa evolução espiritual e a dos demais se tornam mais possíveis se nos relacionamos com certos espíritos com quem temos mais afinidades do que com outros, pois é como um diapasão, é preciso ter harmonia espiritual no fim das contas. Uma forma mais mundana de ver isso é pelo caráter, que está acima dos pensamentos, pois o que eu penso, o que eu desejo e como eu ajo revelam o que dita meu caráter, por exemplo, já que ainda não temos capacidade de efetivamente vermos o lado espiritual de cada um que conhecemos. O caráter é um caminho mais seguro do que por exemplo ficar com alguém porque a pessoa é bonita, ou simplesmente inteligente, ou uma pessoa tranquila, enfim, observar o outro em suas virtudes, em sua prática moral do dia-a-dia, não no que ele diz ou aparenta, mas o que ele efetivamente é nas outras relações ajuda muito a sanar os relacionamentos. É como quando se diz em dito popular ‘como um homem trata sua mãe, assim ele tratará sua mulher’. Se observamos o caráter do outro nas relações práticas que ele já tem, conseguimos observar a probabilidade de como aquela pessoa agirá conosco.

Sendo que muitas vezes é preciso viver uma vida inteira juntos para vermos os harmônicos que foram sendo produzidos com a relação apenas ao fim de tudo, depois de muitos e muitos anos, então se torna raro a cura entre casais porque é preciso ficar junto muito tempo até que todas as camadas da personalidade passem pela sucessiva morte e consequente aprofundamento no cerne espiritual de si e do outro.

É preciso especialmente ver e viver como uma só carne, compreender que a doença do outro é a nossa doença, só que em polos que tornam tudo aparentemente separado. Parece que é obsessão do outro ser histérico, parece que é insensibilidade do outro ser vaidoso, egoísta, e tudo isso é uma realidade, mas não é a verdadeira e única face do relacionamento.

É preciso dar a outra face para conseguir ver que o que há no outro é, inclusive, o que falta em nós mesmos.

Se a mulher tende a ser descentrada, é saudável que o homem aprenda a ser mais descentrado de si mesmo com ela, assim como se o homem tende a ser egoísta e vaidoso, é saudável que a mulher aprenda a ser mais centrada em si mesma com ele.

Ela não é capaz de se ver, enquanto que ele vê apenas ele mesmo
e o mais difícil: nenhum, normalmente, consegue admitir isso.

Admitir que há um centramento doente ou um descentramento doentio significa ver as próprias rachaduras no espelho, significa dar a outra face, ver o polo oposto dentro de si e buscar colar ambos os lados para se tornar um rosto com identidade. Dar um lado só para ser batido o tempo inteiro é não sentir o outro lado, não sentir a dor do outro, não se permitir ser tocado num ponto que aparentemente não está presente – pois a não manifestação do feminino no homem é apenas aparente, assim como a não manifestação do masculino na mulher também é apenas aparente, e por isso teremos cada vez mais as fronteiras dessas doenças misturadas, homens se tornando carentes e histéricos e mulheres se tornando feministas vaidosas e egoístas.

Relacionamento, relação vem de relatus, que traz como significados o ‘trazer consigo, portar, levar, e contar novamente’, sendo que o verbo relatar tem a mesma origem, ou seja, quando nos relacionamos estamos, de alguma forma, relatando algo, é o que escolhemos para carregar conosco, para portar e levar a todo lugar que formos, bem como aquilo ao qual eu me refiro sempre que abro a boca – sempre estou fazendo referência a como eu me relaciono quando relato algo, por mais banal que seja, assim como o relacionamento relata sobre quem eu sou, conta sobre quem eu sou. Por isso o casamento é um testemunho que damos um do outro, por isso também é verdadeiro quando se diz que em casamento ambos são uma só carne, pois se até mesmo o antigo dito ‘me diga com quem andas e te direi quem és’ é verdadeiro, com quem nos casamos, com quem escolhemos viver longamente o suficiente para viver o despir da personalidade e tentar mergulhar no conhecimento do espírito, este ser então com certeza é reflexo direto de nós mesmos, ainda que em graus separados, pois são correspondentes, mas não idênticos.

Aos poucos se torna possível ver que se relacionar é a arte de se tornar um com o outro, a se chegar num ponto tal que é possível ver e constatar que a doença do outro é minha também, e a minha doença também é do outro. Se torna crucial nos curarmos, sermos saudáveis, e passamos a ver que posso ter os exames em dia, isso nada significa se as pessoas com quem me relaciono estão em dor, seja meu marido, esposa, filhos, amigos e, inclusive, desconhecidos. Eu uso o casamento como principal expressão disso, do se relacionar, porque dentro dele tem o marido, a esposa, os filhos e todos, supostamente, são amigos – todas as formas de relacionamento supostamente deveriam poder ser vividas dentro de um casamento, e, para além das pessoas que conhecemos, como citado, também os desconhecidos… porque: enquanto a humanidade estiver doente, eu estarei em calamitosa dor. E passamos a ver que a única cura é nos tornarmos melhores do que somos, sendo exemplos, nos despindo na frente do espelho, nos despindo na frente do outro, e buscando uma relação espiritual na qual somos capazes de admitir que falhamos, miseravelmente falhamos ao tropeçar em pedras e cobras, ao ficar centrado demasiadamente em querer hipnotizar a cobra, quase como quem instintivamente sabe que no momento em que parar de tocar, será mordido – a canção de alguém que sabe da iminência do bote se torna uma violência aos ouvidos, pois há um desespero nas notas, ou até mesmo um gozar em estar dominando e fazendo aquilo, vaidosamente. A vaidade tem muitas formas, assim como o descentramento da mulher também nos leva a pisar em todo tipo de cobra, a achar que está matando monstros quando são eles que estão apenas nos fazendo perder o foco do caminho que escolhemos em nosso âmago, já não sabendo mais como voltar para nós mesmas, nos deixando doentiamente perdidas, apenas preocupadas com essas ameaças externas.

É claro que tudo isso requer discernimentos na hora de lidar, e por isso muitos fogem dessa responsabilidade, porque olhar para a cobra sem a flauta é correr o risco de ser efetivamente picado e ter que pedir ajuda, ter que aprender a ter humildade. Assim como parar de pisar nas cobras de maneira aleatória significa compreender que há uma cobra certa a ser pisada, uma que cresce e que sutilmente toma conta de nós enquanto histericamente queremos matar tudo o que nos é uma ameaça – difícil assumir que a maior ameaça vem da cobra que está na nossa cabeça, e pisar na cabeça própria, e não do outro – que humilhamos e pisamos de maneira tão fácil com fofocas, com cancelamentos e difamações de todo tipo, com invenções e calúnias das mais variadas, não importando se são ou não fundamentadas.

É dificílimo assumirmos que somos inimigos de nós mesmos e, assim sendo, também é nosso inimigo o Outro que se nos apresenta, somos todos inimigos, ainda que, paradoxalmente, seja apenas dentro de Si em relação com o Outro que se dá a saúde verdadeira, revelando que somos todos amigos em verdade verdadeira. Há quem consiga viver isso com a humanidade, sabendo que enquanto houver um só doente entre nós, todos estaremos doentes e então este um trabalha para sanar a todos que for possível. Os que não chegaram nesse patamar ainda – em suma, a grande maioria – precisa dia-a-dia passar pela situação de ter famílias doentes, amigos doentes, pessoas queridas doentes para perceber que é preciso curar a si primeiro, dentro do possível enquanto indivíduo, mas que isso nada significa num deserto, isolado, sozinho, porque a única saúde, a única inteireza que há é a das duas faces completas, quando somos capazes de tomar sobre nós a responsabilidade de sanarmos todos os que conhecemos, mesmo que isso signifique padecermos por completo, pois, como dito ao começo, uma doença nunca é apenas em uma parte, mas em partes correlacionadas entre níveis que nosso corpo tem, ou, para quem tem clarividência e já sabe, para os corpos que temos. Ou seja, nos permitirmos ficar doentes por inteiro… estarmos doídos, em dor e sem firmeza, por inteiro…

Uma das sensações de se tomar um tapa de cada lado da face é a de dor por completo no rosto, é vermos que nossa espiritual identidade está atrelada à dor, tanto para crescimento e ciência e posterior consciência dela mesma, quanto para compreensão e apreensão do fato de que essa dor é também de todos, especialmente porque a maioria de nós ainda não consegue dar a outra face, e a dor se torna ainda maior por vivermos apenas um pedaço, estarmos realmente doentes no despedaçamento da nossa verdadeira identidade. Pois a identidade verdadeiramente inteira não sente dor apenas numa parte, mas é completa em todo e em cada relacionar-se dela.

Os relacionamentos que temos relatam aquilo que carregamos.

A cura é a vigilância constante quanto ao centro – nem aferrado apenas ao dentro, nem perdido apenas no fora.

A saúde é a inteireza com que vivo esses processos todos, inclusive de doença, sendo que sim, é possível ser saudável mesmo estando doente, pois um ser, uma essência, é superior a um estado. Ser é o sentarmos no centro de nós mesmos, isso não evita que as parte ao redor continuem a ser descascadas e mortas e transformadas. Para isso, seremos partidos em pedaços, ou seja, deixaremos de ter saúde muitas vezes. Até que algum dia, talvez, já não seja necessário conhecer a doença como aqui conhecemos, e ela também se transmute a um outro tipo de estado, um outro tipo de vivência.

E se é apenas a relação que relata o que carrego enquanto centro, é possível ver que esse centro também se alterará conforme muda a relação, sendo sempre o mesmo ao se tornar mais si mesmo através da mudança da luz que irradia até as novas sombras que constantemente surgirão para que tudo se revele de imenso brilho por saber que, um dia, todos os centros se iluminarão.

Nos relacionemos e tenhamos coragem de ser inteiros. Não uma inteireza desértica, apenas em e de si mesmo, mas em relação com o outro, seja a família ou a humanidade inteira.

Quem vigia logo aprende a estar acordado, seja noite ou seja dia. Essa é a cura. Então que acordemos e encontremos nosso centro. Quem não consegue manter seu centro com uma pessoa, não consegue manter seu centro com muitos mais, por isso é preciso estar atento, vigiando, para aprender os harmônicos espirituais que facilitarão o processo todo. Porque em meio a um mundo lotado de gente, também não é com qualquer um que nós escolhemos estar e passar por um processo evolutivo juntamente. Se estivermos acordados, vigiando, atentos, caminhando, buscando o nosso centro, iremos encontrar, naqueles que já escolhemos, a forma de, juntos, trabalharmos esse encontro de si mesmo, tão raro, tão justo, tão belo, tão bom e tão verdadeiro.

Que cultivemos cada vez mais relacionamentos longos e profundos para aprender a ver a graça que é compartilhar, encontrar a luz e a sombra de si junto a quem também busca, mesmo que inconsciente, fazendo com que o despertar para o encontro possa se tornar uma vertical realidade em algum momento.

Curemos nossas enfermidades, vigiemos nossas instabilidades.

Nos relacionemos. Se relacionar é o próprio caminhar.

Então: Caminhemos…

a Poesia do Mapa Astrológico . : . [a estreita e única passagem]

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Eu gostaria de caminhar por um breve momento e observar a poesia do mapa astrológico. Preciso dizer primeiro que eu não intenciono fazer ninguém acreditar em astrologia, se você está ouvindo e não acredita que os corpos celestes nos influenciam de muitas maneiras, por favor, pode descontinuar essa leitura.

O que eu sei é que sim, tudo nos afeta, assim como basta entrar uma pequena barata dentro de casa para nos afetar, ou um pernilongo, ou ainda um pássaro, uma borboleta (lembrando que claro, há quem seja indiferente à vida ao redor, não falo de quem seja indiferente aos acontecimentos rotineiros ou extraordinários), mas mesmo uma pedra que entre pela janela, um tiro, uma flor, uma serenata, enfim, mesmo que seja uma coisa o que entre em nossa casa, aquilo nos afeta. Assim também se uma visita tocar nossa campainha, se um desconhecido entrar pela janela…

Logo, seguindo esses passos tão simples de serem observados, se torna evidente que planetas nos afetam. É claro que aí se entraria num embate de estarem distantes demais para isso ou quanto à posição, porque o planeta não está entrando na Terra (como nos exemplos citados)… então a primeira pergunta que surge é por que se restringir a planetas do nosso sistema? E de fato, tem como usar estrelas fixas, por exemplo, olhando o mapa também. Mas essas falas, que normalmente são movidas a sarcasmos e incredulidades, servem apenas para nos impulsionar a fazer um outro questionamento: ter um mapa pontuado por planetas, signos, casas terrestres, aspectos entre eles, enfim… será válido? O que eu recomendo é: teste. Estude você mesmo a sério. Não entregue o mapa na mão de alguém, seja você o próprio leitor dos planetas “pessoais”, teus – de como eles vêm impressos no seu mapa, com seu local de nascimento e hora de nascimento.

Do mais, para quem já sabe que um planeta nos afeta (assim como um professor nos afeta mais em termos de aprendizado e estudo do que uma sala cheia de alunos, ainda que os amigos nos ajudem, e isso responde à pergunta do por quê nos restringirmos aos planetas do nosso sistema apenas, ou mesmo asteroides, mas aí já seria entrando analogamente em participações como por exemplo, estagiários, professores temporários, tendo uma carga reduzida de atuação, ou não necessariamente reduzida, mas muito mais pontual, uma promessa de atuação muito mais específica, sendo necessário antes aprender o que o professor ensina – para que lá se chegue, ou seja, para ter acesso a certos aspectos e certos componentes do mapa, é preciso antes percorrer os planetas que são o básico, tendo tudo isso em mente), observemos a poesia de um mapa astrológico, um mapa vindo das estrelas…

Para isso, eu não observarei a astrologia em si mesma, mas sendo um mapa algo que nos possibilita tomarmos decisões de direcionamentos quando estamos na rua ou na estrada, um mapa astrológico é uma ferramenta que nos possibilita decidirmos mais claramente sobre direções na Vida aqui, em carne, direções essas que se dão moralmente na consciência (como conhecer o bom, o belo e o verdadeiro) para então se tornarem desejos (desejar o que é bom, belo e verdadeiro) e, por fim, agir (tendo atos bons, belos e verdadeiros), sendo vias que tomamos em todos os níveis, procurando unir cada vez mais a mente, os desejos e as ações, tendo um coração que faça o fardo de tornar leve e o jugo, suave.

E aí pode surgir a pergunta: será sempre melhor seguir o mapa astrológico que temos na vida presente, em vez de, por exemplo, refutá-lo? A resposta é: sim, é melhor seguir o mapa em vez de inventar um por nós mesmos. É aconselhável sempre seguir o mapa que nos é dado, não de maneira estática, mas de maneira astrodinâmica, pois na própria analogia dele com um mapa de papel ou um GPS, essa analogia nos permite ver que ter um GPS ou um mapa das antigas para viajar é muito melhor do que ir sem saber nada do caminho. Contudo, há uma diferença entre um GPS e um mapa, e ela é importantíssima: pois o mapa mostra as formas já abertas de se chegar lá, e Você faz as escolhas de ‘por quais vias’ se chegará ou se desviará – aquela história da gente ver que tem um lugar legal pra fazer uma parada, um lugar bonito para se conhecer e que é pertinho, um amigo a se visitar no meio do caminho, um atalho a se tomar, e isso pode inclusive se tornar um atraso, ou nos levar a esquecermos aonde íamos. O GPS te fornece uma via já pronta sem que você saiba por onde irá passar efetivamente, claro que se pode mudar a rota, olhar num todo esse mapa tecnológico, mas, a priori, ele é uma escolha absolutamente reducionista e fria – o que é um risco confiar numa máquina, ainda que, caso erre, ela tem a facilidade de recalcular o caminho, mas sendo sempre uma resposta forçada, escolhida por uma máquina, não por Si mesmo, de forma quente e expansiva, assim como responsável.

Por isso é importante estudar por si mesmo, você é o método das antigas para se chegar nas vias de fato, ou se pode ter um ‘copia e cola’ do Google, vai e dá um Google sobre o que significa cada coisa e sair por aí reproduzindo o que uma máquina me informou, um livro me informou, mas eu não aprendi e não apreendi por mim mesmo, por mais que alguém me explique e me ensine eu preciso aprender por mim, compreender essas relações por mim mesmo, ter uma bússola interna para que, quando eu veja qualquer mapa, eu não precise mais pesquisar no Google o que aquilo significa, e vá aprendendo aos poucos, ainda que, claro, ler livros, buscar informações é o primeiro passo, ter um GPS pode ser uma boa ferramenta se bem utilizada.

Enfim, muitas analogias e lógicas podem ser traçadas com essa imagem do mapa, qualquer um que viaja sabe como é isso. Ou mesmo bastando andar de carro em São Paulo, é fácil também se perder ou passar a saída sem querer por estar distraído e ter que fazer um retorno horrível ou uma volta gigantesca pra chegar ao ponto ao qual se ia, por exemplo. Por isso é importante estar e ser presente, atento, sendo que nosso mapa também traz certos eventos que nós aceitamos e escolhemos com hora marcada, ou seja, se Maomé não estiver perto da montanha, a montanha vai se materializar perto de Maomé, e isso pode significar soterrar pessoas, ou mesmo materializar em cima do nosso pé, porque não estávamos atentos. A culpa não é da montanha nem de quem moveu ela para lá, mas sim nossa a responsabilidade por nos comprometermos com aquilo desde antes.

Ou seja, o mapa é uma forma, senão A forma, hoje, mais segura de se saber como chegar onde se tem que chegar. O problema, ou solução, é que: ele não é um gerador de fórmulas, ele apenas aponta que se você fizer de um determinado jeito, terá tal resultado, e se fizer de outro, um outro resultado, ou mesmo que ‘não é possível fazer de determinado jeito’, ou vai requerer muito esforço que seja feito de um outro jeito – tudo como possibilidade, sendo impossível prever totalmente o futuro, ainda que se possa e se deva observar as Probabilidades.

Por exemplo, Netuno no Ascendente pode ser traço antigo de uma rota para a mediunidade – uma rua no mapa que se apresenta aberta, sabendo disso, eu posso evitar pegar essa rua que já está dada no mapa, e usar o mapa para abrir uma nova vereda, podendo fazer isso conscientemente para transformar essa facilidade mediúnica em uso positivo dos corpos, ou seja, ter o descolamento dos éteres a serviço junto de seres elevados, e não de espíritos aleatórios, sabe-se lá com quais intenções e até maldades – a ferramenta, o ponto de partida, é a mesma: Netuno no Ascendente, mas ao invés deu pegar a rua fácil, já pronta e feita, que seria a mediunidade, eu vou trabalhar dobrado pra ampliar o horizonte prum outro lado – como, por exemplo, para a clarividência: se eu já asfaltei a quadra da esquerda, vou asfaltar a da direta, por assim dizer, porque é essa a possibilidade que se me aparece.

Ou seja, o mapa em si mesmo não faz como o GPS que busca uma fórmula de “vire à direita, depois ande tantos quilômetros, depois vire à esquerda” e assim vai, pegando a rota mais fácil e rápida, com parâmetros rasos para escolher por quais experiências passar na vida; essa futilidade e frieza somos nós que fazemos com o mapa quando não o conhecemos, nós vamos chegar onde temos que chegar (caso não causemos antes um acidente, claro, imprevistos acontecem, pois nada nos tira o livre-arbítrio, inclusive de fazer merda), mas será de uma forma inconsciente que se chegará lá, sem a dita Liberdade… ou com uma liberdade reduzida, porque eu escolhi usar o GPS, então pode-se dizer que é uma liberdade de escolha que pode ter graus: ela pode ser desde uma ignorância – aquilo que eu ignoro: eu sei que tem uma forma melhor para lidar, mas eu ignoro -, a até ser algo inocente, como realmente não ter ferramentas para aprender a ler um mapa, então uso um GPS, ou sequer sei que mapa existe, assim como por pura preguiça, por pura lassidão de caráter e de comprometimento consigo mesmo.

Por isso é lindo e maravilhoso estudar astrologia e conhecer a dinâmica dos astros, pois assim você irá traçar a tua própria viagem seguindo o mapa, mas podendo ter a paisagem que faça com que se torne leve a carga, e surpreendente, porque será a primeira vez conhecendo aquela vista, aquele terreno….

Muitas vezes o destino de um mapa é quando o ponto, onde se chegaria, se torna uma linha… ou seja, ele é alcançado não por termos finalizado algo, mas por termos percorrido por livre-arbítrio todo o caminho. É simples, não é fácil.

Ou seja, em um mapa analógico, de papel, eu traço a linha e vejo o percurso, escolho o percurso que irei fazer por livre e espontânea vontade para chegar naquele ponto, então o percurso se torna muito mais cativante de ser feito, muito mais surpreendente, eu tenho as rédeas dele na mão de fato. O GPS não, eu ponho um local onde quero chegar e ele me leva àquele ponto e, por assim dizer, eu ignoro tudo o que há no meio do caminho, eu não me atento a tudo o que há no meio do caminho, eu não procuro conhecer tudo o que há no meio do caminho.

O mapa é um dos grandes e divinos auxílios que temos. Ele não determina, ele aponta pontos para que você mesmo aprenda a fazer deles linhas. E isso estou falando apenas de idealmente dois planos, duas dimensões, sem entrar em detalhes da terceira e até mesmo quarta, quinta, sexta e, enfim, tantas possíveis dimensões a serem trabalhadas enquanto vivemos nosso mapa.

E nos atentemos:
quando alguém diz para você forjar um mapa novo ou inventar algo no mapa atual, presente, esta pessoa está sugerindo que você deva fazer sozinho um trabalho que você já fez com a ajuda de seres superiores, porque eles, ainda que nós não vejamos nem sintamos com nossos cinco sentidos, estão fazendo todo esse caminho conosco o tempo todo, creiam!

Quando inventamos algo de nós mesmos, sozinhos, estamos criando um anticaminho do que foi feito fraternalmente anteriormente (antes de nascermos). Porque sim, nós escolhemos quando vamos nascer, onde, que horas, nós já sabemos isso tudo previamente, nossa vida previamente em pontos específicos, não os detalhes, mas pontos específicos que são justamente os pontos que nos são dados, os detalhes – o que haverá dentro dessa linha, de que cor será essa linha que você irá fiar, que cumprimento ela terá, enfim, esses são os detalhes que nós devemos ousar fiar. Mas, ao criar um anticaminho, ao forjar ou inventar um mapa depois de nascido, é como trair o grupo, não porque se trai aos homens – humanos que somos -, mas a seres ainda mais elevados, e divinos.

Olha a responsabilidade de se conhecer o caminho!

Porque todo o mapa é forjado junto a seres que estão em outras esferas, em outras dimensões, em outros mundos. Então fazer sozinho seu mapa depois de nascido é como se rebelar contra tudo o que já foi planejado espiritualmente, com você sabendo, ainda que agora não se lembre.

Para isso nos é dado um mapa, pois nossa liberdade em trilhar e conhecer novas rotas não é tirada, ao contrário, é esse o presente, e nós que vivemos a repetir a mesma rua e mesmo caminho das vidas passadas de maneira reprodutiva, ressentida e reativa, nos tornando, assim, reféns das estrelas, achando que estamos sendo punidos, acreditando em coisas terríveis, ainda que o mal exista, mas sendo preciso ter uma visão mais madura sobre o que é tudo isso, todo esse paradoxo e dualidade e o que eles representam e como efetivamente se escolhe que caminho seguir conscientemente, ou, no mínimo, com ciência.

Claro que para saber se estamos vivendo algo legítimo ou algo repetido, só se conhecendo: conhece-te a ti mesmo – a fundo e muito sinceramente, humildemente, pedindo ajuda celeste, justamente.

Porque alguém pode ajudar a ver isso, mas só será realmente visto, ouvido, apreendido quando você mesmo quiser verdadeiramente ver – e dói, dói muito, porque vemos o quanto andamos em círculos a maior parte do tempo, pior do que muitos animais que correm atrás do rabo. Aliás, é muito gozado porque, não sei se já repararam, os animais (pelo menos os meus gatos, pelo que tenho de experiência – pode ser que seja diferente com outros animais, mas a minha experiência me mostrou algo muito engraçado de se observar), eles correm atrás do rabo quando o rabo passa a ter movimentos e espasmos que eles não querem que tenha, quando eles perdem o controle, por assim dizer, do próprio corpo, então começam a correr atrás do próprio rabo como se fosse um ente diferente deles querendo que obedeça de alguma forma, segurando aquele rabo como que para manter quieto, e muitas vezes nós, na vida, com a nossa obsessão, com nossos sentimentos mais baixos, nossas emoções mais baixas, nossos desejos mais baixos queremos o controle de coisas que nós não vamos ter o controle, controle dos outros inclusive, e ficamos a correr em círculos, sendo que igualmente corremos em círculos quando perdemos demais o controle também dos nossos corpos, dos nossos atos, pensamentos, vontades, porque analogamente o ser humano não consegue ignorar que uma parte dele mesmo está agindo de maneira desnorteada, como é o caso de doenças – ou seja, são dois excessos relacionados ao controle ou falta dele. E dói nos vermos verdadeiramente como somos porque é assumir a diferença entre controle e escolha, entre culpa e responsabilidade, porque eu posso “não controlar meu rabo, perder o controle dele ou manter ele num controle rígido entre os dentes, sendo segurado com as patas”, mas eu tenho a escolha de assumir essa escolha de fazer algo efetivo a esse respeito (porque não vou poder morder o rabo para sempre, nem ficar desnorteado a vida inteira), bem como arcar com a responsabilidade em ter escolhido fazer algo ou, ainda, a responsabilidade em não fazer nada em relação a um descontrole meu, seja de forma consciente ou não, porque doenças também são derivadas de descontroles ou controles rigorosos que impomos a nós e aos que nos cercam.

Estudar o mapa astrológico, estudar astrologia é um excelente meio, uma excelente ferramenta, como eu disse talvez a melhor, que nos é dada para começarmos a aprender, a medir esses passos, a percorrermos o caminho. É claro que em algum momento é preciso que haja uma bússola interna, não depender mais de uma folha astrológica, assim como não se depende mais de um mapa literal de papel para se caminhar, porque já se conhece a si mesmo – não em termos de personalidade apenas, mas em termos, principalmente, de espírito, sendo então possível se libertar desses mapas.

É claro que também irá surgir uma outra problemática, problemática em termos de que isso é solução, na verdade, um desafio apenas, que é: ser capaz de se tornar os astros que o Outro precisa naquele momento para curar o mapa que ele mesmo carrega, então alguém que já tenha o mapa, o céu internalizado, alguém que já se solarizou, alguém que já faz o caminho, que sabe o caminho, que está no caminho, que é o caminho, seguindo os passos de Cristo Jesus, nosso único e grande mestre, essa pessoa se torna capaz, assim como Ele “foi” capaz, de realizar esses milagres de encontrar alguém e não fazer uso do seu mapa enquanto algo estático, mas sim de forjar um mapa – não para si, mas para o Outro, que naquele momento que corresponda a aspectos que vão ajudar a sanar o outro que está doente ali na minha frente.

Então estudemos com afinco dentro de nossa capacidade o mapa astrológico e a astrologia como uma ferramenta, não ao nos identificarmos com uma linha que alguém traça para que nós caminhemos (porque aceitar isso é aceitar um processo de mecanização do mapa, como quando alguém diz: “faça isso, não faça aquilo”, que é como dizer “vire à esquerda e ande tantos quilômetros”, é voltar ao GPS. Pode ser útil? Sim. Devemos pedir ajuda? Com certeza, mas sabendo que aquilo é para estudo para que se apreenda e não para que se dependa, é preciso evitar a dependência de um outro que me diga como e o que ver no meu mapa).

É preciso aprender por nós mesmos, vendo com nossos olhos o caminho sendo feito… Não importando se aprender significa ir de ‘A a B’ ou de ‘A a Z’. Cristo é o começo e o fim e nos acompanha todo o tempo durante o meio. Não nos preocupemos com a quantidade de passos e letrinhas, mas sim em sairmos da inércia! Eis um passo importantíssimo, lembrando que sair da inércia não é dar um ou dois passos e parar, porque acha que já foi longe demais, já chegou: “já cheguei onde vaidosamente eu queria”, mas é estar em movimento perpétuo, ainda que como asas que balançam mesmo com a borboleta em pouso – se a gente reparar, a borboleta sempre fica mexendo a asa, mesmo quando parada… Ou seja, não é preciso estar o tempo todo em voo para mexê-las, não precisa ser o tempo todo um bater de asas frenético, assim como dormir também é agir, mas em outros mundos, em outras esferas, o que é preciso é ter consciência de continuar a se mover, ou seja, muitas analogias poderiam ser traçadas para finalmente se chegar ao cerne que é: nos afastemos da ideia apenas aparente ou mesmo lógica e/ou mecânica do que seja movimento, mas sabendo que ele é contínuo externamente & internamente, como um pulso. A intermitência de um movimento externo deve ser o acordar para um movimento interno, assim como o movimento interno e sua intermitência deve ser também em benefício de um movimento externo, sabendo que um não vive separado do outro, porque o grande movimento é o todo, não é só dentro nem só fora, mas ambos.

Amem seus mapas astrológicos, estudem, aprendam por si mesmos a ler aquilo que vocês, junto a outros seres de hierarquias mais elevadas, forjaram, porque, por fim, a poesia contida nele é como pontos que abrem a possibilidade de uma estreita e única passagem. Caminhemos por ela, em cada uma das vidas que nos forem fornecidas para que um dia nos libertemos e não precisemos mais estar aqui em carne…

Que nos voltemos às estrelas e aprendamos a caminhar um pouco mais reto através dos astros refletidos em nosso mapa.

Se me perguntas. . .

Se me perguntas, não digo que sei teu nome
Mas afirmo saber de tua flama, brilhando forte, altiva
Quando o mundo te chama e respondes com teu silêncio
A língua de todos os Anjos, porque silenciando
Todos os homens falam para além de si mesmos.

E quando te calas te vejo em fogo
Ardes, e não sabes; iluminas, e não sabes;
Queimas, e não sabes; teu espírito sobe aos céus feito fumaça
E não sabes, porque dormes
E esperas que eu te chame pelo nome para que acordes.

 

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