Amadas almas,

eu gostaria de caminhar em nosso jardim e falar do amor e do casamento e do celibato enquanto cuidamos, se Deus quiser, de algumas flores.

Quando nós caminhamos pela Poesia do Natal, antes de ser-me dada a Poesia do Amor, isso há um ano, bem no advento do Nascimento de Cristo, eu falei sobre Maria e José e seu casamento místico. Para se chegar ao Amor sempre é preciso passar por esses dois santíssimos. O sagrado matrimônio é assunto seríssimo, nós ainda não sabemos viver isso.

No Amor não nos damos em casamento. Quando amamos alguém é porque Deus se manifesta: seja diretamente, seja através de suas criaturas, anunciando, assim, que há um dever a ser cumprido e uma união a ser feita. O exemplo mais sublime e puro disso está em Maria e José.

Mais uma vez o Natal se aproxima e, apesar deu saber que Cristo Jesus pode nascer todo dia, sendo por isso inclusive inútil ficar tentando datar a parturição histórica do mesmo, é só perda de energia e tempo, ainda assim, claro que comemorarmos nesta época não é algo aleatório ou usurpado de outras culturas, como se alega, pois sabemos já que Cristo Jesus é a Luz que era, é e vem e o que nos foi dado no passado eram fagulhas, raios mínimos dessa Luz por chegar, por isso a impressão é de que os cristãos usaram datas pagãs para apagar e suprimir o que veio antes, mas isso é falso, o que veio antes, isso sim, é o prenúncio de Cristo Jesus o tempo todo, de maneira torta e sombreada, é certo, mas prenúncio e corroboração de como Ele de fato é nosso Salvador e Redentor.

Cristo Jesus e o cristianismo não são questão de cultura, não é algo do ocidente ou do oriente, de uma tribo ou nação, nem sequer de planeta, sistema solar ou galáxia, não, isso é bom de se crer quando no início de um estudo, mas é bom ter sempre no horizonte, ainda que seja difícil de ser vislumbrado e aceito, e eu sei o quanto é difícil, porque ver isso é uma questão de Deus querer, mas é preciso minimamente ter ciente na gente que Cristo Jesus é o Rei do Universo, e pedir para ver isso por si mesmo.

Por isso o ser humano é a obra mais gloriosa, pois fomos escolhidos dentre tudo o que foi criado para recebermos o próprio Deus, para Ele se tornar como nós. Além disso, é por isso que, ainda que em aparência tudo gire ao redor do Sol e ao redor dum buraco negro etc., em verdade a Terra sim é o centro, o core, o Coração do sistema solar e do Universo, não por si mesma, não porque o ser humano seja Deus ele mesmo, mas porque Deus se fez homem e habitou entre nós e trabalha conosco o tempo inteiro, então o Universo se volta para cá e gira em torno daqui porque Deus veio para cá Ele mesmo. É através do Homem que Deus aprimora suas outras criaturas inclusive, então assim como nós recebemos dos anjos, arcanjos e hierarquias acima dotes e dons que são próprios deles, assim como eles nos ajudam a construir um corpo, a evoluirmos espiritualmente etc., do mesmo modo o Homem é uma criatura que deve doar-se a todas as hierarquias para que possamos todos de fato continuar caminhando. Então saibam que todas as hierarquias angélicas, ou seja, todos os seres espirituais aprendem conosco e recebem de nós o fator humano que compõe também a evolução deles.

Cristo Jesus é Deus junto ao Pai e ao Espírito Santo, e isso não é questão de cultura ou apropriação de datas passadas, mas sim se trata da revelação da Luz Eterna que até então aparecia de modo velado, sombreado, por isso culturas antigas, como eu dizia, essas sim, ao ainda não terem capacidade de receber o Verbo em carne, pois é Deus quem capacita os escolhidos Seus, usando do rastro de Luz que vinha, que chegava, desde o futuro para iam delineando a sua realidade, e, portanto, assim foi delineado o passado – por isso Cristo Jesus é aquele que Era, aquele que É e aquele que Vem, porque desde o futuro Sua Luz continua sendo, sempre vindo ao nosso encontro, gerando esse efeito de sombra do qual falo por conta de sermos humanos, por pecado nosso, mas não erro divino, pois Deus não erra, não é a Luz em si mesma que gera sombra – é uma questão de lógica, não é uma questão de concordar ou discordar: ‘não, Deus erra sim, é a teoria na qual eu acredito’ – é mesmo? Quem diz isso e insiste em afirmar tal coisa está em profunda heresia, ela não sabe o que fala, não sabe o que faz, ela não tem mínima ideia de nada, porque ela não consegue ter raciocínio lógico, porque é questão de lógica que luz não gera sombra, a sombra é gerada por coisas opacas, que são as criaturas, obviamente pelas criaturas principalmente que decaíram. E mesmo criaturas supostamente não decaídas: ninguém é Deus! É como Michael, Michael significa ‘quem como Deus?’ ninguém! Então ninguém é como Deus, criatura alguma, por mais exaltada que seja.

E aproveito para testificar e atestar que a Rosacruz afirma e sabe que Deus é Perfeito em absolutamente tudo, não há erro da parte divina, mas das criaturas em si mesmas. Essa é justamente a bondade e misericórdia de Deus, permitir a Liberdade da aceitação e da negação, da doação e do egoísmo – claro que havendo sempre consequências para cada escolha, inevitável, e se algo foi feito com fórmulas em tempos equivocados, parecendo que Deus errou em algum momento, não soube o tempo apropriado, como há quem afirme isso por aí, é porque as criaturas erraram, não Deus.

Confundir criador com criatura é um erro imperdoável, pois é atentar contra o próprio Espírito Santo e colocar-se em equiparação com Deus. Nenhum ser humano jamais terá sabedoria suficiente, nenhuma criatura jamais terá sabedoria suficiente para sequer chegar perto de imaginar algo superior ao que fez, faz e fará Deus. Então, mais uma vez, a Rosacruz não corrobora com tais falas, ou seja, a Rosacruz nega falas de que Deus errou. Não importa quem diga isso, seja Max Heindel ou qualquer outra pessoa supostamente membro da fraternidade, isso é heresia, não importa quem seja. Agora, claro, a importância residirá no fato de dizer isso de maneira inocente e dizer isso de maneira ignorante. Deus não erra, quem erra são as criaturas, e as criaturas poderem errar é justo o que sabiamente revela a amorosidade absoluta de Deus. Quem tem olhos que veja. Isso é algo muito claro!

Aproveito para dizer também que assim como há os que dirão ‘Senhor, preguei em teu nome’, há os que dirão, em semelhança, ‘Rosacruz, preguei em teu nome’, sendo mentira. Muitos que se dizem, se pensam, se julgam rosacruzes não têm parte nem com a Fraternidade nem com a Ordem nem com escola de mistério alguma. Deixo dito também que Rosacruz Áurea, AMORC e derivados são deformações, fiquem longe disso. A única com autoridade de estudo é a Fraternidade Rosacruz dos Cristãos Místicos através dos escritos de Max Heindel e seu discipulado, o que não quer dizer que não haja, dentro dela, equívocos, tanto há que também mesmo quem a estuda e julga fazer obras em seu nome nem sempre quer dizer que o faça de fato – e o mesmo ocorre com o catolicismo e os homens que imperfeitamente o compõem. Isso não faz com que Maria seja maculada, assim como nenhuma Maria se torna maculada por conta daqueles que pensam segui-las. E se minhas palavras são duras, reclamem com Cristo Jesus e nosso Pai.

Há muitos que tacam pedras nos outros, para tudo quanto é lado, quando abrem a boca – esses estão em desvio e tentando desviar os demais –, eu não estou tacando pedra quando falo de maneira dura que as coisas precisam mudar, que alguém não está de fato a pregar etc., que uma escola, uma dita escola, não tem nada a ver com a Rosacruz e que dentro da própria instituição há problemas – tanto do Catolicismo quanto da Rosacruz, eu não estou tacando pedra quando afirmo coisas duras, o que estou fazendo é doando uma pedra para que quem ouça tenha onde assentar a sua casa, pois os que tacam pedra fazem com que elas, batendo, se fragmentem, e o tolo é o que assenta sua casa sobre essa areia, mas sobre a rocha está firmemente estabelecida a casa do sensato.

Aprendam a diferença de joio e de trigo em qualquer lugar que estejam, pois qualquer instituição é apenas uma aparência, uma aparência a se tornar 5 mil outras a qualquer momento, pois enquanto somos do mundo, são satânicas e lucíferas as estruturas e as aparências; abstenham-se de usar fermento alheio, mas apenas daquele que o Senhor vos dá e jamais caiam na besteira de hipnotizar as pessoas para crerem no que estão a pregar, acreditar, ver, ouvir, ler etc.. Deixe-as livre para que Deus faça Seu trabalho nelas. Hipnotizadores são raça de víboras, e assim como as igrejas em geral estão cheias deles, as escolas também. Sejam bons filhos, filhos firmes, e mantenham-se como exemplo daquele que aplica os ensinamentos crísticos verdadeiramente em sua e em outras vidas.

Deus fala de coisas duras, revoltantes, mas não cria revoltas nem alardeia, ao contrário, fala sobre como os tempos serão estreitos para que nos preparemos, e não para que nos culpemos, flagelemos, nos adoentemos mais, aumentando o peso da cruz alheia. Não vos desespereis. Aquele que causa desespero não sabe o que faz. Sempre busquem tornar o jugo leve e o fardo suave, isso não significa negá-lo, mas jamais pressioná-lo contra aqueles que sua cruz carregam, e mesmo os que não carregam sua cruz, jamais os obriguem a carregá-la, isso é um imenso erro. Um dos princípios da hipnose é tornar tudo mais pesado, tanto que até na hipnose dita médica, dita clínica, que também é um erro – hipnose em qualquer grau e manifestação é um erro gigantesco – ela fala sobre as pálpebras irem ficando pesadas, é clássico esse dito da hipnose, ainda que se possa hipnotizar uma pessoa sem dizer isso, claro. Mas, como eu ia dizendo, um dos princípios da hipnose é esse: de tornar algo ou tudo mais pesado, mais denso, dando importância à gravidade e não à sobriedade, pois o bêbado é aquele que se torna vítima do próprio peso. Esses se pensam magos por estarem embriagados, mas são apenas lunáticos, no pior sentido do termo.

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Deus é Amor. Amor é dom. Dom é doação – essas palavras [dom e doação] têm inclusive a mesma etimologia. Deus doa para nós a Vida Eterna, doou Seu Filho, doa o tempo todo de Si Mesmo para que possamos continuar sendo. Pois tudo é dom, tudo é doação divina, e nada, absolutamente nada criamos por nós mesmos, ainda que, sim, cocriadores nos tornemos. O ‘estar junto de’, o co- de cocriador e também de cognose, de que já falei em outros caminhares nossos, faz toda a diferença, é um abismo de diferença, e nos livra de uma queda grotesca. Então nos atentemos. São pequenos detalhes que fazem toda diferença.

Deus fez-se homem para que o homem possa ser feito deus. Há uma gigantesca distinção entre ser deus-homem e ser homem-deus.

O Amor… o casamento, como estávamos a caminhar e ver através de Maria e José… é milagre, é doação de Deus.

Maria, meus amores, nossa Mãe Santíssima, ela é poesia, é poema, Deus: o poeta, José aquele a quem foram doados olhos para que conseguisse ler a poesia mais perfeita. O casamento é como ser o único a ler e interpretar uma poesia específica no mundo inteiro, se tornar o único com acesso aos seus mistérios e interpretações profundas, estudos de maior densidade – o que não é fácil, obviamente. Por isso José foi um imenso privilegiado, a ele foi dado ler, em primeira mão, a poesia pura de Deus, ver a manifestação do Verbo através do movimento do Espírito Santo. Por isso São José é senhor cujos olhos e contrição frente ao que lhe foi dado serve de chave para entrar em qualquer mistério espiritual, seja da Rosacruz, seja da Santa Igreja. Ele é como as chaves nas mãos de São Pedro. São José, junto de Maria, a Santíssima Mãe, Senhora da Igreja, abrem e fecham as coisas no céu e na terra por meio de Pedro, irmão em imagem e semelhança de Cristo Jesus em seu trabalho perante o reino, não só humano, mas também celeste. José representa o Pai adotivo que é Deus para nós, assim como é ele aquele que foi pai adotivo de Deus, e também representa o Espírito Santo, pois ele é aquele que honradamente se apresenta em Seu lugar.

Deus-Pai e Espírito Santo estão contidos na figura de São José, assim como já comentei que, em analogia, não em afirmação de teoria, Deus-Pai é como o poeta que senta a fazer seu poema, sua poesia, estando ele com o Verbo desde sempre, sendo a Palavra junto dele desde o princípio, requerendo, para manifestação dela, que Ele se una ao Espírito Santo para que o movimento permita que o Verbo nasça. Isso não faz com que o Espírito Santo venha antes do Verbo em termos divinos, mas a maneira como nós recebemos esses ensinamentos é alterada, por isso Deus-Pai e o Espírito Santo estão em união para que nasça o Filho, ainda que o Filho seja aquele que “vem após mim, que é antes de mim”, como diz São João Batista, representante também do Espírito Santo.

Então a escolha de São José não é algo ínfimo, mas apenas ainda incompreensível, pois ele é o que testemunha o nascimento do Verbo – tal qual quem tem olhos para ver Deus trabalhando, escrevendo Sua Poesia todo o tempo, de forma incessante. Ele é a chave que vislumbra, pela fechadura, antes de todos, o outro lado. Obviamente, já falei na Poesia do Coração, que a chave-mestra é o Amor, é Deus, José não é uma chave-mestra, e sim como o molho próprio das portas, à semelhança da chave-mestra que abre qualquer porta.

São José, e este ano é dedicado a ele, querido São José, é a ciência celeste de aberturas e fechamentos. Por isso ele se liga também à ciência oculta que está sob o comando de Pedro no sentido que já comentei: da Santa Igreja ser e estar acima da Rosacruz, pois ela é a universalidade em si mesma. Por isso José é a contrição e arrependimento perfeitos, bem como a carpintaria perfeita, o bom artesão, o artífice de esmero, sendo um grande senhor perante a Rosacruz, sendo também aquele por quem se deve passar para entrar em qualquer estágio dela, sendo pai adotivo não só de Cristo Jesus, mas também de Maria Madalena, já que ambos são um só em milagroso casamento. E por isso é besteira ficar com distinções de algo ser do Espírito Santo, algo ser de Cristo Jesus e algo ser do Pai, pois o que é de um é também dos outros, em unidade, sempre, ainda que sim, a atuação de cada um, assim como são pessoas diferentes, sejam atuações diferentes, mas o que é de um é de todos os outros.

A José foi dado o maior dos privilégios: casar-se com Maria, a Poesia Imaculada, Pura e Perfeita. Eles não se deram em casamento, mas foram dados um ao outro por Deus, por revelação, anunciação e dons, porque Amor é mais perfeita doação de Deus a nós. Ali ocorreu a maior doação divina, pois Deus doou seu Filho, “parte Dele mesmo”, ao casal. Isso mostra que o Amor ali se fez presente realmente ao Seu Verbo testificá-lo. E isso é de uma pureza e grandeza tão absurdas que é inenarrável.

A beleza de Maria, por exemplo, é indescritível! Ela é a mulher mais bela que já pisou na Terra. Ela não é sequer comparável aos poemas já feitos, apesar dessa minha analogia, porque nós ainda não tivemos, de fato, decentes poetas. E de poesia literária eu entendo e sei. E apesar de amar muito meus amigos poetas, nós sabemos que… há muito o que ser feito. E Maria é realmente o sublime perfeito, o lirismo está contido nela de forma perfeita, sendo o lírico Cristo Jesus ele mesmo, pois todo Eu lírico é parido na poesia em si, ele próprio precisa dela, por isso Maria é realmente a mãe de Deus, e junto dela trabalha Deus em unidade através das três pessoas distintas que são o Espírito Santo, o Filho e o Pai.

Deus é sem gênero, por certo, como nos ensina o catecismo católico, contudo é muito especial a Bíblia se referir a Deus no masculino, pois isso não é machismo nem nada que o valha, mas sim para a própria exaltação do feminino enquanto Mãe, Mater, Matéria na qual a atividade divina, em triplicidade e em unidade, trabalha. Não é somente o Filho e o Espírito Santo que se manifestaram para Maria, mas também o Pai, pois que Deus é Amor e o Amor de Maria superou o dos anjos. E importante se faz lembrar que anjos é em referência aos seres angelicais, e não só a anjos enquanto hierarquia, ou seja, o Amor de Maria supera o Amor de todas as hierarquias, incluindo anjos, arcanjos, senhores, querubins, serafins e o nome que se dê às hierarquias a quem se interessar – potestades, dominações, principados enfim. Não importa, perante toda criatura espiritual celeste Maria é Mãe, Maria é Imaculada, Maria é Fé perfeita, Maria é Amor maior manifestado! E isso é um mistério grandíssimo de ser observado, caso Deus nos conceda.

Maria é a flor perfeita, cujo aroma nunca acaba. Flor que jamais fenece, e que dá frutos sem que precise sacrificar-se. É por isso que se marido se vai, seu filho morre e ela fica… ela é um mistério grandíssimo, cujo véu não é levantado ao apenas crermos que superamos a matéria, levantamos o tal véu de Ísis ou qualquer coisa que o valha, seja chamando de ilusão, seja de maya… tudo besteira, ou, com perdão, não exatamente besteira porque uma tradição não é besteira, mas é ínfimo perto daquilo que é verdadeiramente revelado já através de Maria, nós é que não temos acesso a isso porque não queremos ou porque Deus não quer que assim seja também, eu não sei, mas sei que tudo o que se fala da matéria é minúsculo perto de Maria e sua verdadeira pobreza, obediência e castidade.

Por isso há uma insistência sobre a marianificação da matéria, pois Maria, o nome Maria, se tornou um título concedido, assim como Cristo, sem deixar de ser nome próprio, é claro, porque o Cristo é o próprio Cristo e Maria é Maria, se tornando título apenas a quem, com eles, tem parte. Por isso digo que Madalena se torna filha adotiva passando a ser Maria Madalena. Marianificar a matéria é torná-la reta, torná-la manifestadora do Verbo, sendo casada por doação de Deus, pela revelação do Amor, impregnada do movimento perpétuo ao cumprir deveres. Por isso o trabalho é eterno, pois não só o Pai trabalha, mas a Mãe também, incessantemente, organizando a Sua casa e nutrindo os seus. Nossa Mãe trabalha todos os dias, saibam disso, assim como Deus Pai.

Se Deus é o médico que cura, que faz o remédio e a receita do que deve ser feito, quando, como e onde aplicá-lo, Maria é a sua enfermeira, aquela que mantém-se disposta a tudo fazer de acordo com o pedido daquele que tem o conhecimento que é passado a ela, confiado a ela.

Por isso a mulher deve obedecer ao homem, não em subserviência de escravidão, não falo sobre homens que, sem o espírito santíssimo, arrogam para si o poder apenas por terem um pênis no meio das pernas, de forma alguma é sobre isso. Mas falo sobre a mulher obedecer ao homem por compreender que a parceria entre ambos se dá de acordo com arquétipos celestes que são manifestados pelo próprio Deus e Sua Mãe, Esposa, Filha, Noiva, Serva, Amiga… por isso um casamento perante a Igreja é união celeste que jamais se separa verdadeiramente. Pois o que Deus quer unir e o homem confirma de livre vontade se torna milagre!

O casamento verdadeiro é milagre!

E, é claro, se casamos contra a vontade divina, nos dando em casamento em vez de sermos dados, aí é abominação, certamente se tornará escravidão – ainda que Deus possa sempre e a qualquer momento realizar um milagre caso nos abramos para ele, porque é isso, o casamento não é apenas um contrato, uma instituição qualquer de quem forma íntimos laços, não, casamento é milagre! É vontade divina com vontade do homem em manifestação nas aparências para vencê-la a longo prazo. Vencer as aparências é o mesmo que dizer vencer o diabo, e o único que vence o diabo é Cristo Jesus, por isso somente o casamento místico, verdadeiro, em milagre, doação celeste, é que torna possível vermos nascer Cristo Jesus no seio do lar familiar terreno e vencer as aparências do que se nos apresenta enquanto obstáculos.

Obviamente que não nasce Cristo Jesus em aparência, mas sim nasce Cristo Jesus em literalidade, em simbologia e em arquétipo, pois está no Livro da Vida (sendo literal para Deus), simboliza Seu nascimento já ocorrido ao vencer as deformidades espirituais e das matérias, e é o arquétipo em si do Filho do Homem, de qualquer verdadeiro Filho que nasça, seja em nós, de nós, através de nós, porque tudo o que fazemos é Dele, por Ele, para glória Dele, de Deus, em unidade e em tríplice manifestação, e para que Ele, nascendo novamente, mais uma vez, não em aparência, mas sim no livro divino, em símbolo e em arquétipo, seja mais uma contundente testificação de que Cristo Jesus vive, não só em si mesmo, mas também em nós assim como nós vivemos Nele.

O casamento é milagre, é dom, é anunciação, é revelação. Passar por algo assim é raro, raríssimo, se é que seja possível conscientemente testemunhar algo assim de fato. Eu tenho fé de que sim, ainda que eu deva admitir que não veja isso ocorrer com meus olhos de carne, quem sabe ainda, eu não sei, só Deus sabe. Mas é possível, e isto afirmo com convicção, é possível ver sim, que há casamentos em que as pessoas são dadas por Deus umas às outras, contudo elas próprias não sabem reconhecer isso, elas podem falar que é uma intuição etc., mas não há um reconhecimento do que está ocorrendo de fato, não têm a clareza necessária porque não tem o calibre espiritual, por assim dizer, para viver conscientemente escolhas que as tornem mais próximas de fato de Maria e José, para início do casório – porque o casamento é o início de todos os futuros milagres, a exemplo da Bíblia e os milagres de Cristo Jesus – que começam na boda, no casório e bodas de Canaã, e porque claro que casar-se, para além de se tornar Maria e José um do outro, para além de tornar-se testemunha da Poesia que é o outro, bem como tornar-se a própria Poesia perante o outro, é também aprofundar e tornar-se Verbo, tornar-se Igreja (comunidade, ao multiplicar-se pela família), é tornar-se apóstolo ao reconhecer o Verbo um no outro e trabalhar para Ele, e tornar-se, é claro, também traidores, negadores, e ter contato com o mais profundo inferno, tanto próprio quanto alheio.

E, é claro, as pessoas não têm calibre espiritual para viver isso de maneira consciente assim como mesmo pessoas que venham a tentar, como muitas tentam às vezes, viver isso de maneira ciente, a ciência é complicada porque é muito fácil virar estilo de vida, eu passo a acreditar que para ser como Maria eu tenho que agir assim ou assado, e eu deixo de ser eu mesma para me tornar uma ideia que eu criei a respeito de algo, em vez de me tornar una com aquele algo, com aquele ser, com aquele arquétipo, símbolo, literalidade enfim. Então é perigoso, porque mesmo quando a gente tenta corre-se o risco imenso de virar estilo de vida. Por isso que há tantas pessoas que têm estilo de vida religioso, mas não são religiosas de fato.

Casamento é difícil. Eu mesma chego a ter um certo medo, confesso. E tomo a liberdade de comentar algo pessoal, não que interesse, mas simplesmente porque me toca dizê-lo: eu mesma sou celibatária e eu não recomendo celibato para ninguém, eu sei por experiência própria que o celibato faz entrar em contato com demônios nossos inimagináveis, que a gente nem sonhava que tinha, e também demônios do mundo, como, por exemplo, a pedofilia – mal esse que vive açoitando a Igreja e que deveria ser nomeado para que as devidas medidas sejam tomadas para que se tenha força para realmente saber com o que se está lidando quando o assunto é celibatarismo. Porque eu sei que o demônio da pedofilia especificamente ataca celibatários, e obviamente nem todos são tentados pelos mesmos demônios, mas há sim um padrão, há uma tendência, há uma imensa probabilidade que em algum momento do caminho a pessoa vá se deparar com isso, por conta da questão da pureza, de Cristo Jesus menino etc., a criança, inocência, tem mil e uma questões do que se reflete ali e o que isso traz de inconsciência. E os padrões também serão diferentes em termos de gêneros, para as mulheres as provações e tentações são distintas em suas fórmulas das que ocorrem para os homens, porque o homem cai pela ação e a mulher pela imaginação, mas isso é assunto para outro momento.

De toda maneira, eu penso que o celibato deveria ser rigorosamente observado quando em ocorrência. Então é prudente não recomendá-lo, especialmente aos fracos, aqueles que precisam assumir que Deus não deu dons de força para isso, e ponto. Não tente, a queda é quase inevitável, então para quê? Se torna só questão de estilo de vida, de pura vaidade: eu quero porque eu quero, e não porque Deus me concedeu consegui-lo de fato. Então não vai levar a nada tentar, exceto a loucura e desespero, quando não a crimes horrendos cometidos na carne, e digo carne mas lembremos: pensar é pecar.

Quando o assunto é sexualidade fica muito claro como temos que lutar com deformações e sugestões mentais que temos; claro que isso imbrica com os desejos, como a Fraternidade Rosacruz fala da mente associada ao corpo de desejos, sim, sendo que a mente é de fato onde tudo começa, ainda que o desejo possa despertar algo inconsciente bem como nos induzir a aceitar deformidades tais que aos poucos passam a nos habitar e obsedar até. Então os desejos se tornam uma porta de entrada para demônios cada vez piores, ideias cada vez mais deformadas, assim como as deformações das ideias podem induzir a desejos inimagináveis…

Então é preciso lutar contra os pensamentos e os desejos todo o tempo. E certo é que no casamento isto, obviamente, também se dá, mas no celibato corre-se o risco de não termos coragem de nomear nossos demônios, principalmente a alguém e não termos alguém para nos ajudar a expulsá-los de fato. Porque pode se tornar uma falácia, não quer dizer que seja, mas pode se tornar uma falácia a tudo recorrer somente a Deus, sendo que nós precisamos uns dos outros, não é só ‘amai a Deus sobre todas as coisas’, mas ‘ao próximo como a ti mesmo’, nós precisamos uns dos outros, ainda que tenham pessoas que nasceram para a clausura completa, ok, mas muitas vezes seria prudente pedirmos ajuda uns aos outros e isso é algo dificílimo de ser feito, bom, eu tenho dificuldade de pedir ajuda, então para mim é algo dificílimo.

E eu não sei como as coisas se dão dentro das instituições, mas é historicamente afirmável que não anda sendo tratado da maneira como deveria – o celibato, coisa óbvia e lógica de ser dita, porque senão não daria tanto problema como nós vemos sempre em jornais, seja não só a pedofilia, mas abortos, estupros, abusos de todos os tipos – também entre mulheres, e não só sexuais, mas todos os tipos de deformidades torpes. Agora, também é certo que o casamento, quando não é milagre, pode se tornar justo o encontrar alguém que corrobore com a manutenção do inferno que me habita e no qual habito a diário. Então como sempre não tem fórmulas, não existem fórmulas prontas que garantam algo, mas cada fórmula apresenta ferramentas diferentes a serem usadas ou trabalhadas e precauções a serem tomadas.

Celibato e casamento se tornam perdição a quem não os vive em dom, em doação.

Se Deus não nos dá a capacidade para viver o celibato e a capacidade de viver um casamento, se não é ele quem nos dá em casamento e em celibato, a chance de perdição é imensa, ainda que Deus escreva certo por linhas tortas, sempre… mas, muitas vezes, essas linhas tortas nós nos apegamos a elas com afinco imenso, o que faz com que não importa o que Deus escreva nas linhas, nós não damos importância ao que está sendo escrito, mas sim às linhas em si mesmas, e aí é problemático!

Importante também ressaltar que nada disso é uma justificativa ou desculpa para existir males sexuais ou de quaisquer outros tipos no mundo, como quem diz: ‘ah, então os pedófilos são acometidos por demônios, não é culpa deles’. Isso é um equivoco, obviamente. Primeiro que nosso pecado maior é contraído, é um estado, não há como ter nascido sem ele, somos pecadores; segundo que somos responsáveis por o que decidimos aceitar que nos entre e que seja criado dentro da gente: não é porque eu vi um demônio que ele conseguiu me puxar para baixo, agora, claro, para você não cair na lábia de um demônio, ou para você conseguir ter dum bom combate é preciso rogar a Deus – não se vence demônios por conta própria! Acho que isso é muito óbvio. Então é nossa própria vaidade, é nossa própria incapacidade de humildade que faz com que caiamos, porque é preciso rogar a Deus para que Ele nos salve de nós mesmos, não é nem do demônio, é de nós mesmos! Para que Ele não permita, para que não caiamos em tentação, e que Ele nos livre do mal, porque nós não nos livraremos por nós mesmos. Então é preciso fé, é preciso humildade, é preciso reconhecer que aquilo é algo errado e que é preciso de uma ajuda maior para escolher o certo, porque não basta ter isso de maneira ciente: ‘ah, isto é errado, não vou fazer isso’… para realmente vencer é preciso Deus.

Então a minha fala sobre saber de certos demônios e ter visto alguns pessoalmente, através dos meus olhos e também de sentidos outros, não exime ninguém de responsabilidade quanto a seus pensamentos, desejos e atos. Que fique claro! Porque pelo contrário, o fato deu sabê-los faz com que cada um que caia seja ainda mais responsável, não porque eu acuso os outros, não estou aqui de acusadora, não é isso, mas é a velha história, quando um consegue fazer algo isso mostra que todo o resto não faz e precisa correr atrás, então a responsabilidade de um faz com que todos os outros devam se responsabilizar também, é inevitável. É por isso que Cristo Jesus veio e nós devemos nos tornar imagem e semelhança Dele ao máximo. Não é tomar o Seu lugar, mas ao máximo imitá-Lo dentro das nossas condições junto a Deus, porque a partir da hora que Deus vem e mostra como é feito, como superar o mal etc., todos nós nos tornamos responsáveis por vencer o mal. E não vencer o mal é não ter parte com Cristo e automaticamente negá-Lo: quem não junta com Ele, divide. E é preciso que haja escolhas claras…

Então, por eu saber pessoalmente de coisas assim e viver isso com certa tranquilidade, penso que o casamento talvez seja muito mais difícil que o celibato, não que haja uma competição entre as duas coisas, ambos são realmente, verdadeiramente vias admiráveis, mas o casamento chega a me dar temor, porque é isso, é uma revelação pessoal do Amor, e por mais que o celibato dê isso com pessoas várias, amigos etc., sempre penso que Cristo Jesus se casou com a humanidade, ele realmente se casou com Maria, Sua Mãe, e, por consequência com Maria Madalena – pois quem se casa com A Maria, se casa com as Marias. É como dizer que, ao Cristo Jesus vir para a Terra, Terra representando a Virgem Mãe, Ele consequentemente se casa com a Lua, e a Lua representa Maria Madalena.

É claro que, hoje, nós ainda olhamos para a Lua como a Mãe, como a Virgem e há uma certa ocultação de Maria Madalena etc., mas em verdade, Maria, a Virgem, é o planeta Terra, é representada, num aspecto astrológico e astronômico, nessa analogia astral, como sendo o planeta Terra, por isso o Verbo encarna aqui – aqui representa a nossa Mãe, e por isso é preciso ter a marianificação da matéria. A Mãe não é a Lua, a Lua se torna mãe por conta da nossa própria incapacidade ainda de observação e de vivência. Por isso que toda mulher acaba se tornando a mãe de seu companheiro e por isso se fala de se casar com a mãe em relação à sua companheira etc.. Então seria essa a analogia. Até porque sabemos por estudos também da Rosacruz que a Lua é um pedaço que se soltou da Terra, e por isso que Maria Madalena é uma parte de Maria, a Virgem, e por isso que Maria Santíssima é a maior de todas, é a rainha.

Por isso que por mais que se diga, inclusive, ‘Cristo Jesus se casou com Maria Madalena’ obviamente eu não falo aqui da maneira deturpada e deformada como o mundo fala, com teorias querendo provar que Ele era um homem comum ou que foi um Deus que se aproveitou de Suas criaturas, por assim dizer… isso é um absurdo, é uma heresia. Tratar o casamento de Cristo Jesus com Maria Madalena como algo mundano, imundo, é uma heresia. Não é sobre isso que falo. Assim como Ele não foi incestuoso com Sua Mãe. Falar que Cristo Jesus se casou com Maria não é em relação a incesto, então o que eu digo não é porque fosse bígamo, tivesse um harém, porque tem as três Marias, ou fosse incestuoso, ou ainda um Deus que procria com uma criatura, não, de forma alguma, mas é porque ter vindo em carne é o casamento em si, habitando a mesma casa, pois casamento tem sua etimologia num terreno onde se habita uma mesma casa. Então ao Ele vir, Ele habitou a mesma casa que a Lua habita, é Maria inclusive quem faz a união entre Cristo Jesus e Maria Madalena, Ela está presente nessa união, porque Maria é Mãe de ambos.

Então nós falamos de toda essa genealogia prum viés poético, por assim dizer, porque nada disso tem a pretensão de ser uma teoria histórica, de aparências: é preciso submeter as aparências ao Livro da Vida, e requer dom para observar o Livro da Vida, assim como requer dom para observar as simbologias que permeiam tudo isso e os arquétipos que coordenam tudo isso, que ordenam tudo isso de alguma maneira, porque, mais uma vez: a literalidade é análoga ao Espírito Santo; a simbologia, a Cristo Jesus; e o arquétipo, ao Pai. Assim como nós podemos fazer também a analogia de o Corpo ser representado pelo Espírito Santo, a Alma, por Cristo Jesus, e o Espírito, pelo Pai. Então tudo se dá em triplicidade, inclusive por isso também as três Marias, ainda que Maria a Mãe, seja representante de toda e qualquer Maria, Ela contém as outras, assim como o Pai contém o Filho e o Espírito Santo, Ele está acima dos três em termos de ‘Ele é o criador’, Ele é o Deus Pai. Então sempre há arquetipicamente, simbolicamente e literalmente a possibilidade da gente observar através dessas ferramentas, e isso requer algo muito delicado da nossa parte porque não é olhar com um viés necessariamente histórico, ainda que Cristo Jesus tenha tido uma vida reta, retíssima a ponto de submeter as aparências realmente à Vontade do Pai. Então é por isso que: o que é o casamento Dele com a Virgem Santíssima? É Ela ter sido Sua discípula. Ela o tempo todo caminhava ao lado Dele, o tempo todo estava com Ele como uma verdadeira companheira. Assim como dizem que Maria Madalena também o fazia. Elas realmente eram companheiras Dele, nós é que não entendemos o que significa companheirismo, nós é que não entendemos o que significa casamento, nós é que não entendemos o que significa ser mãe, ser noiva, serva, somos nós os ignorantes. Então essas interpretações imundas sobre a vida de Cristo Jesus ter sido algo banal, ter se casado, tido filho etc., isso são deformações, e de maneira alguma eu corroboro com isso, pelo contrário: nego esse tipo de leitura, é abominação. Pessoas que fazem isso principalmente visando fama e dinheiro, venda de qualquer coisa que seja: likes, publicações etc., pior ainda… e não que eu julgue a pessoas, mas os seus atos eu tenho o dever de dizer que são abomináveis e, mais uma vez, afirmo que o que eu digo aqui é algo muito específico e delicado, e que não dá para sair por aí ‘ah, Cristo Jesus se casou!’, como se fosse um casamento como hoje nós dimensionamos as coisas, e por isso eu falo primeiro inclusive do casamento de Maria e José, que é um casamento grandíssimo, imenso, enorme, que também não conseguimos observar em toda sua grandeza, mas temos o dever de tentar. De toda maneira, não é de maneira banal, mundana, imunda, deformada que eu falo. Não falo sob o viés das aparências, mas sim submetendo as aparências à triplicidade que realmente ordena todas as coisas e que esteve aqui na Terra enquanto criador do nosso Universo, enquanto Aquele que estabelece todas essas coisas como Leis, Princípios através de todas as Suas criaturas, inclusive nós, que não enxergamos isso porque estamos decaídos. Mas graças a Deus nosso Senhor veio nos Salvar.

Então, basicamente seria como analogamente dizer, como eu falava do casamento de Cristo Jesus com Maria, Sua Mãe, e, portanto, com Maria Madalena, que é como se casar com o planeta Terra e com a Lua, porque ambas formam um único microssistema, por assim dizer, então o mesmo posso analogamente dizer do casamento que é o nascimento, o que é um fato: casamento entre espírito e matéria, espírito casa com a matéria para que nós sejamos seres espirituais e materiais, corporais.

E, amados, o nascimento é algo que apavora mais do que a morte. Até porque:
a morte não existe…

Aprender a morrer, ainda que seja o mais difícil para a aparente humanidade, parece que as pessoas têm dificuldade em aprender a morrer, mas para mim é algo muito simples, requer arrependimento sobretudo – muitas vezes não conseguimos ir embora porque ficamos presos no que não fizemos, no que fizemos, no que nos arrependemos seja por ter sido ou por não ter sido, e aí é o mal arrependimento, é a deformação do arrependimento: é quando nós não conseguimos apropriadamente realmente nos arrepender em termos de entregarmos na mão do Pai os nossos erros, reconhecendo nossos erros para poder entregá-los, e sabendo olhar também para as coisas boas que tivemos, porque a gente fica preso no arrependimento de ‘ai, eu não fiz isso, não fiz aquilo’, sendo que isso não existe. Então acaba criando desejos e aprisionamentos em relação à matéria de querer viver outras coisas que não nos foram dadas. Agora, claro, muitas vezes esse arrependimento também vem para que vejamos que ‘ah, eu deveria ter feito aquilo e eu não fiz, eu não ouvi o Pai, eu não ouvi o sussurro do Espírito Santo me dizendo para fazer, eu me neguei a isso’. Então é uma questão muito delicada, não é que o arrependimento seja fácil, não é fácil, mas de alguma forma ele é simples. É por isso que a Fraternidade Rosacruz, a Rosacruz recomenda fortemente que, de tudo o que se ensina, pratiquem o exercício de retrospecção.

A retrospecção é essencial para uma vida mais reta em termos de morte, de aprendizado realmente de como passar por esse processo mais material de maneira a realmente viver algo salutar, reconhecermo-nos enquanto pecadores, enquanto filhos pródigos. A nossa oportunidade de elevação se dá aqui em nascimento encarnados, isso é um fato, é por isso que só há uma oportunidade, e por isso caminhem enquanto há Luz, e a Luz é Agora, não é na próxima vida, e não foi na vida anterior, é Agora. Porque enquanto se sabe que é preciso caminhar… olha o tanto de exercício, olha o tanto de vida que a gente gasta para chegar até essa ciência de que ‘ah, eu preciso me arrepender, preciso buscar me melhorar’ e compreender como se faz isso, porque não é no que a gente acha, e a gente fica acreditando em história, por exemplo, de que ‘ah, é meu eu superior, meu eu maior’, não é o seu eu maior, seu eu superior nem o seu espírito que vai te dizer como agir, é o Espírito Santo e o Espírito Santo é o Espírito de Deus. Então mesmo o nosso Espírito pode errar, pode se equivocar e não fazer a Vontade do Pai. Não é porque é Espírito que está tudo bonitinho e tudo certinho. E isso é algo complicadíssimo.

Por isso a queda é de Eva E Adão, é da Matéria e do Espírito. E por isso há quem diga que não havia problema em a Eva cair, problema foi o Adão cair. Esse foi o real problema, foi a pane no sistema, porque realmente o nosso Espírito se perdeu, o nosso Espírito decaiu, e isso é muito mais grave do que a gente consegue conceber. Então façam exercícios, busquem se arrepender pelas coisas certas, e deixar de se arrependerem por coisas banais que não tinham que acontecer, porque na verdade não são arrependimentos, mas desejos não realizados, são apegos: ‘ah, eu queria ter vivido isso, eu queria ter vivido aquilo, eu deveria ter feito isso, eu deveria ter feito aquilo’… muitas vezes são vaidades que a gente não colocou em prática. Se conformar mais com as nossas próprias escolhas também. Aceitar que eu fiz o meu melhor, e se não fiz: aí há um problema. Então por isso que é bom o exercício de Retrospecção. Não deixem para a última hora, que é o dia da morte, façam todo dia e na hora da morte isso vai ser simplificado verdadeiramente, como nos diz Max Heindel. Isso é verdadeiro. É um fato.

Agora, o nascimento… nascimento é Maria, é Jesus, é obediência, castidade e pobreza. Para nascer, meus caros, requer obediência, pobreza e castidade, requer estar conforme ao plano, requer fé, requer sobriedade, requer amor, requer dor de parto, requer chorar, requer ver morrer seu amado, requer ficar sozinho, requer se tornar quase inominável, de tantos nomes que tem Maria… e isso, nascer só pra matéria, da forma como falo, porque nascer do espírito, com Cristo, nossa… é nascer consciente da missão, é saber a Vontade do Pai, é fazer tudo para glória Dele de maneira consciente, e não apenas ciente, mas consciente – o que é um passo muito maior do que a maioria acha que sabe… é escolher as Palavras, é ser açoitado, crucificado, morto, sepultado, é descer ao Hades para buscar mortos por pura confiança plena no Pai, em saber que está consumado, desde o começo está consumado: só é preciso ser confirmado nas matérias todas, nos corpos, na carne.

Esse tipo de casamento permite que se faça de tudo, mas também faz com que nem tudo convenha, e cada vez mais menos coisas convém. Então é a possibilidade de viver Maria e José de maneira consciente do que está acontecendo, é a possibilidade de viver um celibato consciente do que está acontecendo, é deixar de ser refém da dúvida, da incerteza, vejam, refém, porque cair todos caímos o tempo todo, seja em celibato seja em casamento. E seja pelo motivo que for, não só sexual, que é o primeiro que se pensa quando se fala de celibato e casamento, mas há muitas outras quedas referentes a tudo isso, especialmente o orgulho: achar que só porque vive o celibato é mais puro que os outros, ledo engano! Por isso mesmo a mim me parece que o casamento é muito mais difícil e que quem está casado é muito mais santo. E a maior santa, Maria, nossa Mãe, foi casada, e há grandes santos que foram casados, casamento não é empecilho para a santificação. Santa Mônica, querida mãe de Santo Agostinho, aliás…

Então nós vemos que tudo é milagre sagrado. É uma redundância, todo milagre é sagrado, mas tudo é milagre e tudo é sagrado. E se nossos olhos e ouvidos são abertos e circuncidados é graças a Deus. Nosso dever é pedir para que se abram, rogar, insistir, bater… mas sem jamais cobrar, pois amor não é como moeda de troca de uma conta que se paga, como se eu merecesse viver algo que desejo, que peço e anseio.

Alguns têm o dom de viver para aprender a nascer – eis o casamento; outros têm o dom de viver para aprender a morrer – eis o celibato. Não há melhor ou pior, são só etapas. E mesmo que se diga ‘ah, morrer é mais importante porque o Gólgota é morte’, não, Gólgota é nascimento para a vida eterna, é casamento eterno, meus caros. Por isso a Nova Aliança é eterna, de um casamento eterno! Que Deus uniu e nada no Universo separa! A morte que Cristo vive é casamento porque inverte os polos. Então não há melhor ou pior.

Há ainda outros recebem ambos os dons, tanto de casamento quanto de celibato, obviamente não juntos e acumulados, mas numa mesma vida, como eu, por exemplo, hoje celibatária, vir a me casar um dia. Eu não sei, isso só Deus sabe. Até São Pedro foi casado. E é honroso poder viver ambos os votos em milagre. Cristo Jesus viveu ambos, por isso Nele a morte é nascimento e nascimento é morte. Ele viveu um casamento celibatário, por assim dizer, e um celibato em casório. É uma redundância, né, porque em Cristo tudo está em união permanente, a gente segrega para conseguir observar, Nele mente é coração, coração é mente, e tudo já está ligado, morte é nascimento e nascimento é morte, como disse e repito, porque isso é belíssimo, é quase inacreditável…

É realmente inacreditável. Não é nem inacreditável, é realmente incompreensível porque que todas as pessoas simplesmente não param e não começam a implorar para Deus mostrar essas coisas para elas, eu não consigo compreender… eu não consigo compreender como as pessoas acham que tem algo mais importante do que essas coisas todas das quais já foi falado, e eu aqui apenas refalo, eu não falo nada de novo, nada que já não tenha sido dito com outras palavras por grande sábios. E não que eu seja sábia. Se eu estou redizendo as coisas é porque… eu sou uma pessoa ordinária, creiam, mas é incompreensível por que as pessoas não param. Tem um livro que eu gravei, O Divino Amigo, é magnífico esse livro, e o padre que escreveu, Padre José, fala que se as pessoas soubessem que Cristo verdadeiramente se faz presente na hóstia, na Eucaristia, as pessoas invadiriam as Igrejas para pegar a hóstia, seria um caos completo. Bom, aí está a sabedoria de Deus, talvez as pessoas não passem por isso porque é a sabedoria de Deus que aos nossos olhos a gente fica olhando e pensando: é loucura, por que que não acontece logo? Como que as pessoas não estão atrás disso? E ele fala que se as pessoas soubessem como é maravilhoso viver com conventos, pulariam os muros… e de fato, se as pessoas…

Meus Amigos, orem todos os dias, peçam a Deus de todo coração, de toda mente, com toda a força, Espírito, Alma e Corpo, peçam pela manifestação dos dons, peçam para que Cristo venha com Seu Reino, peça para que o Espírito Santo vos habite fazendo de vós um templo. Peçais! Porque é realmente incompreensível, às vezes, por que a humanidade está entretida em outras coisas quando só importa isso, e só isso mesmo! Enfim… apenas um desabafo, me perdoem…

De toda maneira, Cristo Jesus, como eu dizia, viveu um casamento celibatário, por assim dizer, Ele vive um casamento celibatário, e nós em imitação, não seguiremos tão reto como Ele, seria heresia pretender fazer o mesmo que Ele, pois só Ele nos salvou e nos salva todos os dias, mas viver um casamento casto, pobre e obediente, no qual o celibato esteja presente enquanto a nota-chave para que tudo seja feito, ou seja, por exemplo, realmente só transar se for para ter um filho, esse seria o ideal – que é pelo qual a Igreja Católica preza, e que ambos se exortassem a, juntos, viverem a pureza ao máximo, ainda que sem se cobrar a perfeição – pois cobrar perfeição dos homens é cair em erro grave. É claro, vai haver quedas? Vai. Mas até eu escolher as próprias quedas se torna um dom que nos é dado. Algumas são inevitáveis porque Deus não nos salva delas, porque precisamos aprender a ter humildade, porque nós não pedimos de maneira apropriada etc., seja pelo motivo que for… não que Deus queira que nós caiamos, mas Ele quer que sejamos humildes, que sejamos obedientes, pobres, castos, que aprendamos a ter do arrependimento e da contrição, porque é bom para nós mesmos também. Então feliz queda, porque aprenderemos algo, mas precisamos pedir e saber observar isso o tempo todo.

É saber que num combate você vai ser atingido, em algum momento vai ser atingido, é quase inevitável, mas se soubermos certas táticas… quem luta sabe disso, ter táticas de ataque, inclusive: deixar que o outro venha nos batendo e a gente só protege, protege, e o outro gasta toda energia, bate, bate, bate, acerta alguns golpes, a gente fraqueja, cai às vezes, mas é esperar o momento certo para o revide, aí em um único golpe vem o nocaute. Então é meio que isso… não que nós tenhamos controle ou consigamos planejar as quedas e os levantes, elevações e voos, não é isso, nada disso nos pertence, mas como somos, como nos tornamos cocriadores, começamos a observar quais as tendências, observar qual a Vontade de Deus, inclusive. Deus é como nosso treinador que fala ‘oh, deixa, baixa a guarda um pouco, segura, agora vai, vai, ataca’, então é saber escutar também. Ter do bom combate, aprender luta, inclusive física (eu já fiz luta), é maravilhoso, aprender artes em geral, exercícios em geral, a experiência da vida ajuda muito a criarmos essa facilidade com analogias.

Então voltando ao que estávamos observando… é preciso lembrar também uma outra coisa muito importante, que é: o celibato não se relaciona, seja no casamento (como eu falava dele como nota -chave), seja em si mesmo enquanto voto e escolha pessoal, ele não se relaciona apenas a atos – não é só deixar de transar, de se masturbar, de se tocar, de ter qualquer ato libidinoso, sexual etc., não, mas sobretudo o bom combate contra desejos e pensamentos que nos escravizam, entre outras coisas… que escravizam ao prazer imediato, e também a poderes imediatos etc.. Então não é só refrear atos, às vezes o ato em si pode não significar nada e a verdadeira queda ser o pensamento que levou àquele ato de fato, e a gente fica preso achando que é só o ato que é o pecado e não consegue chegar à raiz do problema que é o pensamento de fato, ou um desejo incontrolável, sei lá eu, enfim…

Aí é preciso estar atento, porque eu, por exemplo, ainda que tenha feito um voto não relacionado a uma autoridade institucional terrena, ainda assim, tendo sido este voto de coração, sério, e de foco da mente, eu sei hoje que eu não posso, não tenho autorização jamais pra quebrar esse voto para ficar ou mesmo namorar, porque isso de namorar – vai parecer duro isso, mas… namoro não existe, Maria não namorou José, Cristo Jesus não namorou, nem a humanidade nem Maria Madalena nem quem quer que seja, isso de namoro é uma falácia – por isso antigamente os casamentos eram arranjados, isso de arranjos de casamento feito pelas famílias é apenas uma sombra do que podemos viver no futuro, se assim quisermos, de maneira consciente, e Deus nos der o dom, acima de tudo, porque no passado era falso isso, ainda ocorre infelizmente ou felizmente, eu não sei – cada um está numa etapa e cada um precisa de uma coisa e só Deus sabe o que cada um precisa porque Ele é o médico, não eu, mas…

No passado muito disso era falso, e muitas vezes isso ainda o é por ser inconsciente, falso no sentido de sombra mesmo, não está ainda naquilo que é verdadeiro, não está em Cristo. Então acontecia de forma não amorosa, forçada, uma força dum rigor satânico, por isso dava errado e deve terminar isso de casamento arranjado por pais ou outros mais, contudo as fórmulas que eram usadas não são jogadas fora, altera-se a forma. Então a Forma é eterna, mas não a sua aplicação, então… mesmas fórmulas de castidade para a forma verdadeira do Amor em unidade por escolha individual de cada um em querer viver isso junto daquele outro que lhe é anunciado e revelado, dado pelo Pai, não pai carnal, mas celeste!

E mesmo quando a gente pensa em Maria, porque Ela e José foram dados em casamentos pelos seus pais, era um casamento arranjado, eles eram noivos quando ocorreu a anunciação do nascimento de Cristo, que Ela estaria grávida do Espírito Santo, ainda assim, não é igual, porque eles haviam ficado noivos pelos pais, através de seus pais carnais, suas famílias de carne, mas a partir da hora em que Maria recebe o anúncio de que Ela vai ter um Filho do Espírito Santo, Filho de Deus, e José inclusive pensa em deixá-La, pretende deixá-La etc., ainda que a gente veja que foi uma ação de Deus a união de ambos através da família também, não foi por acaso, então tudo já estava arranjado conforme Deus assim queria, mas depois que o Anjo aparece tanto para Maria quanto para José, os dois se casam por vontade deles próprios.

Então supera-se o fato de que eles tinham um casamento arranjado, e aí eles ficam juntos realmente porque ambos fazem a vontade do Pai. Tanto que José pretendia ir embora, deixá-La, porque as leis eram extremamente rigorosas, e ele tinha só duas opções: ou deixá-La em silêncio, sem fazer alarde, ou falar da gravidez dela e ela ser apedrejada, então ele, como era bom, resolve que a deixaria para que Ela não fosse apedrejada, não fosse morta, então ele não A acusaria, porém o Anjo aparece para ele e avisa que está tudo bem. Então a união dos dois passa tanto pelo inconsciente da família inconscientemente estar fazendo a vontade de Deus em uni-los, mas também passa pela ciência e consciência de que aquela união deve se dar enquanto missão, enquanto Vontade divina, e aí eles têm a oportunidade de, por eles mesmos, escolherem de fato realizar aquilo, de fato colocarem em prática aquilo, e isso é belíssimo!

Então um voto de celibato não deve ser quebrado para namorar, isso é ser inconsequente, insensato; um voto de celibato só pode ser rompido se Deus assim concede através de um casamento, aliás, sem nunca ambos terem se tocado, e não falo de aperto de mão, não é nenhum toque, vamos usar burca e fechar o corpo completamente sem se tocar ou algo relacionado, eu me refiro ao toque de cupidez. Um encontro e casamento sagrado não tem cupidez, não tem paquera, não tem flerte, Maria não flertou com José nem José com Maria, mas sim entrega sincera, assim como Cristo vem e se entrega para a humanidade inteira, é uma entrega absoluta, imersa em clareza, um saber colocar-se perante o outro sem ferir com sedução, com sexualização, sendo apenas um encontro em amorosa doação. É claro: não quer dizer que não haverá tentação… tentação em seduzir, tentação em flertar, tentação em usar da cupidez, tentação… tentação haverá. E aí é termos humildade para pedir que ‘não nos deixeis cair em tentação’, mas a relação em si do encontro e do casamento sagrado não fica totalmente imaculada porque um casamento imaculado é de Maria e José, mas segue as suas premissas e tem isso como base. Então, como sempre, não é exigindo absoluta perfeição, mas buscando-a sinceramente.

Aí, o mero beijo, por exemplo, que vulgarmente chamamos de selinho, só o encostar dos lábios, não precisa nem ter língua no meio, não é à toa assim é chamado, pois de fato o beijo é um selo, ele sela a união divina. Se nós de fato vivêssemos dentro da doação de Deus, e não nos dando uns aos outros a nós mesmos, o primeiro beijo de um casal seria no altar, selando a união, porque teriam fé, sabedoria e inteligência para reconhecerem o encontro como vontade divina, assim como a Fé e Sabedoria perfeitas é Maria e a Inteligência perfeita é José, não havendo necessidade de confirmação anterior, como quem testa para ver se tem química e se Deus está certo. Isso não existe realmente, pois se assim fosse, não haveria divórcios depois de ir para a cama com alguém e ter um sexo maravilhoso. Mas sabemos que isso não acontece, aliás, é bem o oposto, quanto mais nos damos uns aos outros, mais a coisa tende (lembrando sempre que Deus escreve certo por linhas tortas aos que buscam sinceramente), mas mais a coisa tende a se tornar vazia de significado.

Por isso um verdadeiro casamento deve ter sempre em mente o exemplo de Maria e José, pois é preciso arrepender-se, ter da contrição, e ser sempre obediente, casto e pobre, ambos os que estão se casando, pois ainda que a mulher expresse Maria e o homem, José, já sabemos também que é preciso que ambos aprendam dentro de si essas coisas todas dentro do possível, não se tornando de outro gênero, não é que o homem vai virar Maria, nem tendo atitudes expressamente femininas ou masculinas, mas vendo tudo isso como exercícios mesmo, como prática divina, ainda que tendo uma predominância e tendência a ser cumprida.

Assim vemos que cumprir o papel do homem, por exemplo, na relação é, em si, ser obediente também, assim como é possível cumpri-lo e deve-se cumpri-lo de maneira casta e pobre, por exemplo, pobre ao lutar contra o abuso de poder, abuso de autoridade, de força etc., daquele que é rico ou cheio de si mesmo etc.. Na Poesia do Relacionamento já vimos como o homem tem tendência egoísta e a mulher tendência histérica, de centramento no outro, e nisso vemos como ser pobre significa ‘desfazer-se do exagero de suas próprias tendências doentias’ para que, santificados, curados, sanados, saibamos expressá-las de maneira a de fato complementarmos uns aos outros no dia a dia.

Então mais uma vez se torna um mantra do as fórmulas serão diferentes para ambos, mas a forma: do arrependimento, contrição, pobreza, castidade, obediência é a mesma, e deve ser aprendida por todos, independente do gênero, mas o gênero vai sim revelar a fórmula que deve ser aprendida. Um homem que não sabe ser pobre, casto e obediente, por exemplo, não é um homem para se casar verdadeiramente, assim como uma mulher que apenas culpa o homem de tudo, só reclama, e não sabe ter da contrição, do calar-se, do acatar, pedir perdão e centrar-se em si e nos seus deveres, essa também não serve como esposa, como governanta da casa, pois essas coisas são a base de qualquer relacionamento.

E é possível viver tudo isso de maneira mais ciente ao observarmos o quanto praticamos essas coisas todas, uma observação ativa mesmo: se somos capazes disso no dia a dia, através de nossas fórmulas pessoais: nós temos que manter a nossa chama individual ao lembrarmos que toda forma é universal sendo as fórmulas, ou a maneira como as coisas se manifestam em aparência, algo pessoal e intransferível. Por isso é impossível sequer exigir do marido ou da esposa que faça algo por nós mesmos, porque a responsabilidade é nossa, aquela fórmula é nossa, e é pessoal e intransferível, ainda que ambos sejam, e são de fato, unha e carne, inseparáveis aos olhos de Deus, ainda assim, sabemos que unha é unha e carne é carne, e cada qual serve a um propósito específico diferente, assim como sofrem coisas distintas, como uma unha ser cortada e a carne não. A forma em relação a ambos (unha e carne) é o cuidado, mas as fórmulas de cuidado para a carne são diferentes das de cuidado para a unha, por assim dizer. E por isso há diferença entre masculino e feminino, homem e mulher, e não adianta querer dizer que não existe, que existe um campo neutro ou o que seja porque se não se sabe lidar com isso, e a humanidade não sabe lidar com isso ainda, não é possível ultrapassar isso de maneira alguma, por mais que se queira. Vira uma pedra de tropeço. E vai tropeçar feio!

Então saibam, Amadas Almas: o Amor é doação, é morrer pelo outro, para o outro, em lugar do outro, é morrer em si para viver no outro… Amor é perdão, per doar, doar tudo o que se tem a quem nos é dado amar. Amor não existe sem perdão. E essa é a base de qualquer casamento em milagre, seja casamento com Cristo Jesus, em celibato, seja casamento com alguém que o Pai nos dá enquanto carne… o que também não quer dizer que não seja Cristo Jesus, porque quando é doado pelo Pai, Ele nasce.

Amar… Amor não é questão de cultivar, de fazer nascer por vontade própria, como quem, casando, fosse desenvolver Amor com o tempo, como antigamente tanto se acreditava: ‘ah, o Amor se constrói na convivência, se descobre no contato’, não, nada disso, Amor é anunciação, revelação. Amor é ou não é, não tem meio termo – de fato. Somente através do Amor nos tornamos mais imagem e semelhança de Deus, por isso a prática da caridade ser exortada nos evangelhos, pois já comentei na carta passada que caridade é a forma eterna do Amor.

E não que eu pretenda, aliás, definir o que é Amor, limitá-lo, ainda mais ao dizer o que o Amor não é, que é pequeno achar que Amor se constrói a diário, talvez seja isso também, mas Amor é milagre. Então não há vontade humana que faça o Amor nascer através de egoísmo e vaidade.

E o que é caridade hoje o foi ontem e o será amanhã, ainda que uma caridade expressa em fórmulas diferentes a cada momento: num dia através dum abraço, noutro dia através de um ‘não’, e em outro através ainda de comida e bens materiais, ou algo sutil como um olhar, um silêncio, ou um simples toque no coração… Por isso o Espírito Santo pode ser descrito, ainda que nada jamais descreva Deus em si mesmo, como o ‘perpétuo movimento’, perpétuo porque a Forma é eterna, movimento porque as fórmulas nos são dadas a cada tempo, e por isso também não devemos fazer planos nem nos preocuparmos com o que falaremos ou faremos quando formos acusados ou quando estivermos perante necessitados, pois Deus nos mostrará, assim como nos mostra desde já através da perpétua chama que acalenta.

Deus é perfeito. E quem Ama se une em perfeição com Ele, não porque nos tornamos perfeitos em nós mesmos, mas porque Ele nos santifica ao estarmos e sermos em Sua Santíssima presença.

É certo que nem todos terão os mesmos dons, e nem todos viverão as mesmas exaltações e graus de manifestação do plano celeste, mas é seguro afirmar que podemos pedir, rogar, orar, implorar para que tenhamos aquilo que nos corresponda, para que despertemos os dons já presentes e paremos de os enterrar, bem como, nos tornando multiplicadores desses dons, outros possam nos ser dados. Podemos pedir por dons específicos, é certo, mas jamais cobrá-los.

Deus dá a quem Ele quer, e tudo é graça.

Por isso a tudo dai graças!

Eu rogo ao Pai em nome de Cristo Jesus para que vocês sejam agraciados com o Amor, seja no grau que for, de maneira a terem os olhos abertos para o quão Amar é um ato de milagre. E os exorto: amem, meus Amados, amem a Deus sobre todas as coisas e amem uns aos outros como a si mesmos, pois todo milagre é a união da Vontade Divina com a Vontade do Homem, então é preciso que nós façamos nossa parte. Queiram, desejem, peçam, tenham vontade, anseiem, esperem com calma, diligência e paciência, tendo a Luz da Esperança como guia acesa por sobre o telhado para que todos vejam que aí há um Lar, uma Casa habitada num terreno, um Casamento que, acaso não viva o Amor plenamente, no mínimo espera recebê-lo e para isso se prepara. Pois ser exemplo uns para os outros não é só de quem já recebeu o Amor, mas também de quem se mantém com óleo para reconhecer o noivo, de quem se mantém acordado para que não seja pego de surpresa de madrugada, de quem mantém seu fogo aceso, sendo Luz no mundo anunciando a vinda daquele que prometeu que viria, que veio e que vem, eu tenho fé e certeza disso: a vinda do Amor, a vinda do Verbo, a vinda da Luz, a vinda de Deus, a vinda de Cristo Jesus é um fato.

Então casem-se, meus Amados, na Santa Igreja se possível, sendo bons celibatários unidos a ela ou bons maridos e esposas unidos por ela. Mas mesmo sem o véu da Santa Igreja, casem-se. Sejam amantes sinceros, buscadores sinceros, e Deus escreverá certo nas linhas que entortarem.

Casem-se em casamento celibatário, não perfeito como Cristo Jesus, mas no mínimo obediente, pobre e casto, de diário arrependimento e de contrição verdadeira em casa passo.

Minha vida é uma imensa linha torta. Então rogo para Deus que eu jamais julgue alguém, especialmente alguém que tenha uma devoção sincera ao que é escrito em seu Livro da Vida, a quem tem foco nas palavras, no Verbo, e não nas linhas, porque eu preciso ser firme quanto a pessoas que se apegam às linhas, essas ignorando a importância das palavras, do Verbo, da Poesia… sendo que as palavras, o Verbo, a Poesia, o lirismo ali expresso são, no fundo, a única coisa que importa, as linhas: se apagam, as linhas, quando estamos lendo profundamente algo, somem para que as letras ganhem um contorno maior, quase como um realce. Testem, acontece de verdade. Façam isso: desenhem linhas tortas numa folha e escrevam reto, mas escrevam com vontade e vejam se as linhas não se tornam meros… coisas que se apagam e que passam, que perdem a importância frente ao que é escrito, quando o que é escrito é feito por mãos do nosso Verdadeiro Poeta, nosso Deus, Aquele que realmente é o único que tem o dom da Palavra porque é Ele próprio o Verbo e tem o Verbo como Filho em Si mesmo.

É mais importante o aroma da flor do que seu formato, é mais importante observar a flor do que o que há ao redor enquanto monte íngreme ou selvagem mato.

Então tenham foco.

O Amor está no que o resto esconde.

Quem fala das árvores, dos matos, das montanhas, das pedras fala de tudo, menos dos frutos, das sementes e das flores.

Amem, meus Amores, seja em casamento ou celibato, ambos são uma só coisa, amem como quem, inebriado pelo aroma que o vento traz da flor que se esconde, voassem e estivessem a um passo de encontrar o Amor face a face, sem saber nem quando, nem como, nem onde…

Mas sempre, sempre buscando o Amor nesse aroma que vos leva a voar de flor em flor.

eu vos amo

eu te amo

eu amo

amo

que o Amor de Deus seja conosco!

Um grande abraço.

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