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A Poesia da Evolução.

O que é evoluir?

A palavra evolução vem do Latim, evolutio, que significa ‘ato de desenrolar um livro’, que na época eram pergaminhos em rolos, sendo que evolutio vem de evolvere, que significa ‘desenrolar livros’, formado por ex-, que significa fora, junto de volvere, que significa enrolar.

É possível ver então como a evolução está intimamente relacionada à figura do livro, e sendo o livro relacionado à escrita e à fala, em suma, à leitura, que compreende ambas as funções, podendo também observar o fato de que a evolução está intimamente ligada ao se ser alfabetizado e aprender a ler e escrever, bem como a ouvir e a falar. É claro que a evolução não depende apenas da literalidade desses atos, mas passa pela literalidade ao caminhar até a metáfora.

Quando admitimos então que a evolução passa necessariamente pelo fim do analfabetismo, para que haja uma tomada de ciência, vemos que é um estar ciente (que é aprender) para então passar a ser ciente (que é apreender), dominando, aos poucos, a ciência da palavra.

Como vimos na Poesia do Coração, o aprendizado se dá pela via cerebral, enquanto a apreensão se dá pela via cardíaca, sendo que agora podemos também observar que o verbo ‘estar tem relação direta com o processo cerebral, e o verbo ‘ser tem relação direta com o processo cardíaco. Mais uma vez corroborando para nossa visão de que só se passa ao Ser de fato ao se purificar e conectar com o Coração, necessariamente.

Logo, primeiro, quando eu leio um livro, eu fico ciente de algo, ficar ciente ou estar ciente é um estado – eu estou ciente quando leio, porque estou aprendendo, e, caso eu apreenda o que ali é passado enquanto ensinamento, eu serei ciente, eu sou ciente, porque se eu pratico o que está escrito nos livros, eu saio de um decoreba e passo para uma internalização do conteúdo de fato. Então, é nessa possibilidade que devemos caminhar, ainda que ela, no mundo, muitas vezes esteja deturpada, fazendo com que a exigência de uma alfabetização seja necessária para ser de algum valor terreno, ou mesmo valor espiritual, havendo, assim, preconceitos contra analfabetos. Contudo, não me refiro aqui a ditos analfabetos que são astutos e sabem muito bem conhecer as entrelinhas e tirar vantagens delas, inclusive conseguindo cargos justo sob o paradigma do analfabetismo, mas falo sobre pessoas simples, inocentes, que na Poesia do Coração vimos ser os Filhos da Água, pessoas do Coração, que não entendem, mas que puramente, virginalmente, castamente sentem, e que muitas vezes são humilhadas e sofrem abusos dos mais diversos por não possuírem a ferramenta da escrita e da leitura, ou seja, ainda não terem uma conexão material com o inteligível, com o cérebro, pois, como diria Cristo: sede astutos ou prudentes como a serpente e inofensivos ou mansos como a Pomba, sendo que, caso se dê a separação da Serpente e da Pomba em nós, mais divino é ser manso como a Pomba, ainda que o mundo (astuto como a Serpente que ainda não se elevou, que não foi erguida tornando-se submissa à flauta, ao caniço, à doçura da cana que toca) tente o tempo todo engolir tal pessoa ou conseguir as coisas às custas dessas pessoas, por saber astutamente conquistar seus corações de pouco entendimento, fazendo delas (dos mansos) pontos de apoio para que consigam, enquanto serpentes que são (apenas), se manterem no poder, eis a lógica da exploração – não só física, mas também psicológica, emocional e, até mesmo, mental.

Ou seja, o que se pode ver é que as pessoas devem ser alfabetizadas para evoluirmos, sendo que evoluir, neste caso, atua como verbo, o que é diametralmente oposto ao fato de se classificar pessoas analfabetas como atrasadas ou involuídas, fazendo com que não seja o verbo atuando, mas sim o adjetivo. Pois uma coisa é evoluir, outra coisa é se achar evoluído. Ninguém é necessariamente mais evoluído por ser alfabetizado, mas uma pessoa que se alfabetizou necessariamente tem mais portas a se abrir, ela ganha a possibilidade de abrir mais passagem, para além de ficar olhando pelo buraco da fechadura (que é o Coração, como vimos em sua Poesia). É claro que isso não quer dizer que a pessoa necessariamente vá evoluir, porque ter portas não significa abrir as portas, mas é dar a possibilidade para que haja a passagem.

Contudo, saber da fechadura e ver do outro lado por ela, permite, por milagre, que o Amor nos conduza até lá, pois vimos que o Amor é a chave, mas, também como dito, o místico, os filhos da água, a pessoa cardíaca, mansa, os que são como a pomba, acabam não vendo a porta e não entendendo como passaram para o outro lado, e o batismo de fogo necessariamente passa pelo fato de, antes, precisarmos aprender e apreender o porquê dos acontecimentos se darem. Ou seja, tomar ciência de que há portas (Mente) e que elas devem ser usadas junto das fechaduras (Coração). As duas andam necessariamente juntas. Mas, diferente do mundo físico em que estão grudadas, no mundo espiritual elas estão, primeiro, separadas, podendo uma andar sem a outra, sendo necessário nosso esforço para uni-las junto da graça divina, sendo que a separação delas espiritualmente acaba causando anormalidades, porque o cérebro passa a abrir portas que são fáceis, e que muitas vezes sequer precisam do Amor para serem abertas de fato (que já vimos ser a chave-mestra na Poesia passada), enquanto o coração nos faz ir aonde o Amor quiser, mas não se evolui, não se aprende, por assim dizer, o alfabeto das passagens muitas, se sabe porque se foi levado – não porque se entende o caminho de fato. Bem como há passagens que só são abertas quando ambas, porta e fechadura, são penetradas, por milagre (ou seja, por união da vontade do homem e da vontade de Deus), pelo Amor. E aí somente Ele as abre.

Deus é Luz. Deus é Amor.

É preciso compreender que, havendo Amor, isso significa que necessariamente há a presença divina imperando para que dois outros sejam, como porta-fechadura, eu-tu, coração-mente, e se encontrem na sincronicidade anafórica do cronológico tempo, ou seja, numa espécie de coincidência que remete a um encontro anterior ao tempo cronológico do presente momento. A compreensão de que é preciso confiar, ter em Deus para que se viva a presença Viva dEle, é crucial para se entregar à graça em cada encontro, sendo que essa entrega nos purifica para que tudo se torne novo e genuíno, sendo possível, depois de toda a purificação necessária dada por essa graça (o batismo de água, vindo pela vivência da graça em uniões cada vez mais iluminadas), começarmos, quem sabe, a compreender como se gera um terceiro elemento a partir dos dois manifestados com a benção divina, ou seja, viver uma concepção imaculada.

Se eu uno o coração à mente, por exemplo, um terceiro se apresenta, como um filho de uma união de polos que se complementam. Eu comentei, por exemplo, já em Poesias anteriores, que a intuição é derivada da união do coração com a mente, sendo uma espécie de filha deles, porque, na verdade, ela é como uma quintessência que se apresenta a partir das relações (externas e internas) que cultivamos pelas vidas (passadas e presente). Certas literaturas, por exemplo, nos dirão que a intuição é derivada da união de duas glândulas: a pituitária e a pineal; sim, é certo, mas é preciso distinguir que me refiro a uma visão arquetípica do fenômeno, que pode ser poeticamente sintetizado como união. A união da mente com o coração é um passo anterior ao da pituitária e pineal, pois a pituitária e a pineal são a apresentação de tudo isso em creação, manifestação e evolução dentro um outro corpo: a mente.

Outra forma de ver isso é pelos astros, pois é como se o Sol, simbolizando o Logos, o Verbo, Cristo, fosse a Mente do sistema solar e como se a Terra, simbolizando aquela que recebe Cristo Jesus, Maria – a matéria virgem, purificada (sendo três as etapas de purificação dela, por isso três Marias, estando como prostituta ao começo (Maria Madalena) e terminando como mãe de Deus, aquela que deu nascimento a Deus, ou deuses), fosse o Coração do sistema solar. É preciso que haja a união de um com o outro, e isso quem nos ensina é Cristo… sabemos esotericamente que todo ano Ele vem à Terra e volta ao trono junto ao Pai, como quem faz um movimento de maneira a unir o Coração do sistema solar à Mente do sistema solar. E nós, enquanto indivíduos e coletivo, devemos vivificar esse Coração através dEle para que um dia voltemos de onde viemos: do Sol, pois tudo é Mental – como nos diz os princípios herméticos, contudo, isso não significa abrir mão do coração em si, mas nos revela que dois órgãos, tal qual coração e mente, estão sendo forjados dentro da própria mente, pois é como se, ao a mente se tornar de fato um corpo, não precisássemos de outros corpos, ainda que sendo necessário desenvolver dentro dela, assim como desenvolvemos nos outros corpos, órgãos semelhantes aos que me refiro como Coração e Mente, ou Coração e Cérebro. Ou seja, quem for capaz de viver a intuição superior, pelas glândulas, é porque provavelmente já terá alcançado uma maestria da intuição da mente com o coração. Ambas são a mesma intuição, mas em graus distintos, em momentos distintos, em situações e vivências distintas, assim como construir paredes é outra etapa do mesmo processo que construir teto, sendo ambos o construir de uma casa. Ou seja, é a lapidação gradual de um novo corpo, novo reino, nova Jerusalém, novo sistema solar, novo tudo…

Contudo, é preciso ter muito cuidado com tudo isso, pois muita coisa é dita e escrita sem o menor sentido de retidão, ou seja, de caminhar reto em direção a esse novo Lar como evolução gradual de tudo, e o que não nos faz andar reto, nos enrola, em todos os sentidos – é uma enrolação. É preciso se atentar porque tem muitas pessoas, por exemplo, que se pensam ocultistas, que julgam abrir muitas portas – as tais ditas portas da percepção etc., se autonomeando místicas, esotéricas, mas que não passam de abridores de cercadinhos. Torna-se importante também mostrar que as drogas, sejam lícitas ou ilícitas e seja da espécie que for – natural ou fabricada –, algumas delas agem de forma a esmurrar certas portas, a chutar outras, a derrubar na porrada, à força, sendo o passaporte para a loucura, esquizofrenia etc., outras agem de forma a nos fazer como que voar por cima desse labirinto de portas, nos dando a sensação de que estamos acima delas, mas, na verdade, é apenas um voo com asas de cera, tal qual Ícaro, que terminará por nos fazer morrer mais para frente. Outras ainda agem alterando nossa percepção em relação à porta, nos fazendo ficar parados admirando a porta ou batendo à porta em vez de sermos ativos e tentarmos abri-la por nós mesmos. Por fim, há ainda o tipo de droga que abre algumas poucas portas no lugar da nossa mão fazê-lo, ou seja, até podemos aprender algo com algum tipo de droga, mas elas em si jamais fazem o trabalho que devemos fazer quando sóbrios, e ficar recorrendo a elas por muito tempo é, no mínimo, causar fraqueza em si mesmo, quando não a própria loucura, prisão ou morte.

(Falo, não com julgamento mundano, mas com propriedade de quem já experimentou várias drogas).

Com isso podemos ver também como muitas coisas podem se revelar ser drogas sem necessariamente sê-lo na forma estética, no sentido de que uma religião pode ser uma droga se a pessoa fica na frente da porta gritando para Deus abrir essa porta que simplesmente a pessoa deveria trabalhar para abrir com o Amor que já foi dado como chave a nós, ou silenciar para que um milagre de fato acontecesse, podendo a droga estar em qualquer coisa do mundo material, como no trabalho e no estudo, dando a sensação de que estamos aprendendo muito, quando na verdade estamos apenas passando pelas portas que os outros querem que passemos, sem que no fundo tenhamos escolhas por nós próprios.

Muitas são as coisas que nos dopam, começa pela droga física e pode chegar a drogas mentais, como ter os mesmos pensamentos todo dia, fazendo o mesmo percurso sempre. Se pensamos sempre do mesmo jeito, também estamos limitados apenas às portas que já conhecemos – também conhecido como síndrome de Gabriela: eu nasci assim e vou morrer assim, tendo apenas aberto uma porta a vida inteira, como quem só vai do quarto pra sala, da sala pro quarto, sem jamais sair sequer para o jardim, sem sequer cogitar essa possibilidade ou tendo preguiça, porque abrir uma passagem nova de fato não é nada fácil.

Abrir portas e fechaduras internas requer esforço, assim como na vida real externa: temos que sair de onde estamos (nossa zona de conforto), caminhar até a passagem, possuir a chave certa, mover os braços, enfiar a chave na fechadura, rodá-la, mover a maçaneta, empurrar a porta, caminhar – passando por ela… o que acontece é que tem portas, dentro de nós, espirituais, que são pesadas, imensas, e outras minúsculas, sendo preciso nos humilharmos, ou seja, nos tornarmos húmus, terra, pó para que passemos por ela. Há portas e passagens de todos os tipos, por isso é fácil se confundir e crer que abre portas quando se está a ir-e-vir dum cercadinho, ou ainda crer que viu e conheceu todas as portas fazendo uso de drogas (que pode ser chave para algumas poucas portas, mas definitivamente está longe de ser a chave para todas elas), bem como fácil se enganar quanto a aonde se está indo e aonde uma determinada porta irá nos levar, e é fraqueza e preguiça deixar de tentar sequer abrir – que é o pior que pode haver, se tornando cada vez mais morno, indiferente, ou sendo frio de forma violenta: atropelando o fato de que as portas e fechaduras precisam existir, e sair dinamitando tudo para abrir caminho, numa anarquia doentia, para não dizer com distúrbios de personalidade narcisista, ou ainda sócio ou psicopatia, tal qual uma personagem como o Coringa, ou mesmo na vida real um Nietzsche, por exemplo. E claro, por fim, mas não menos importante, tudo isso mostra o imenso perigo que é se deixar levar quando outros estão nos guiando, mesmo quando somos guiados de forma aparentemente mansa…

Por isso é preciso, é necessário, é inevitável aprender e apreender o alfabeto (desde o do mundo até o da Vida), estar e ser alfabetizado (externa e internamente), pois só assim se deixa de estar à mercê dos outros de forma cega, pois mesmo que se alegue ser obediência (quando quem nos guia é puramente manso) ainda assim só é obediência realmente quando entendemos qual a ordem que estão nos dando, qual serviço nos é exigido, qual ação nos é solicitada, qual missão nos é designada, e o entendimento passa pela concepção mental do que está sendo ansiado, e a alfabetização total nos protege principalmente de predadores, de pessoas que ainda estão num estado límbico ou reptiliano de vivência (e para mais a respeito do cérebro trino, sugiro a Poesia da Igualdade e a Poesia do Herói), ou mesmo pior: à mercê daquelas que, além disso, fazem um uso frio do néocortex.

Ou seja, precisamos de fato Ser astutos e prudentes como a serpente e inofensivos e mansos como a Pomba. É nessa união que se dá a verdadeira luta contra a astúcia maliciosa, da vaidade própria em se achar mais inteligente do que os outros, e contra a ingenuidade boba que cai no discurso de qualquer um que mexa com a água interna, ou seja, com as emoções internas da pessoa. Pois a água deve aprender a equilibrar a gota de óleo com o fogo nela mesma, já não podendo qualquer movimento levá-la aonde ele queira, bem como o fogo deve compreender que deve ser estreitado pela água para estupidamente não acabar inclusive sendo apagado caso ele se alastre sem o menor cuidado.

É como na história do filho pródigo [Lc 15:11-32]. O filho que fica em casa e que é manso, casto, virginal, puro, é quem nos referimos como sendo as pessoas cardíacas, os filhos da água, que agem com o Coração. O filho que pede sua parte na herança e sai da casa de maneira pródiga, rebelde, mercenária, astuta, inteligente, mundana, é a quem nos referimos como sendo as pessoas cerebrais, os filhos do fogo, que agem com a Mente. Quando o filho pródigo volta arrependido, quando finalmente o coração lhe bate e ele retorna, o filho místico, manso, fica com muita raiva, irado com o fato do Pai receber de volta um filho que agiu de forma tão leviana no começo da história, e não somente receber, aliás, mas proporcionar uma ceia para comemorar tal volta. Ou seja, o filho que era manso deixa de ser tão manso, o fogo finalmente lhe arde, seu cérebro desperta, ele entende o que aconteceu e apaixonadamente o sangue (nosso fogo interno) lhe ferve. Ele se torna, ainda que por um momento, um ser do mundo, se recusando a entrar novamente em casa; ele se rebela (ou seja, age com rebeldia) ao não aceitar o retorno do irmão, e inclusive sabe argumentar de maneira inteligente por que matar um cordeiro para a volta do irmão quando ele esteve lá o tempo todo e não houve, em sua homenagem, em seu nome, cabritos para festejar com os amigos

É como Caim e Abel. É necessário passar pelo assassínio até chegar na paz entre ambos para que finalmente haja o nascimento de um terceiro dentro de nós, Sete. Sete é, em verdade, o nascimento da união de Caim e Abel, que representam água e fogo, o filho santo e o filho pródigo, que queria fazer dum jeito próprio, mas completamente errôneo, sem coração, sem mansidão, sendo como uma serpente que engole a pomba – que é representado por Caim ao matar Abel. Iahweh, Jeová não tinha outra conduta senão ser Justo, justíssimo, ao não aceitar a oferta de Caim. Ele não é um Deus ciumento, como alegam filhos do fogo ainda ressentidos e feridos com sua Justiça, mas sim um Deus Justo, que fez o que era necessário para que ambos os irmãos aprendessem, com o tempo, a trabalhar juntos, havendo a possibilidade de nascer um terceiro a partir da separatividade e re-união dos dois primeiros. Se tudo ficasse bem, e ele aceitasse a oferta de Caim e de Abel, jamais teria sido possível nascer um Jesus para salvar a humanidade inteira. Jeová não podia aceitar o que não era justo que se aceitasse, é um Princípio que está e é acima Dele. Assim como vimos na Poesia da Inteligência, do Conhecimento e da Sabedoria que teria sido justo Salomão cortar em dois o bebê das prostitutas caso a mãe não houvesse se pronunciado e cumprido com sua missão, assim também é justo que se corte da fonte todos os que não cumprem sua missão.

E sabendo que tudo se dá para que se manifeste algo maior, ainda que não compreendamos, era preciso cortar e fazer podas, assim como analogamente fazemos com toda planta, para que se cresça ainda mais forte e melhor. Ou seja, para que algo superior se manifeste, conquiste a matéria, é preciso cortar vínculos com o que estamos acostumados, com aquilo que já se tornou repetição e não inaugura um novo ciclo. O que nos leva a ver que, para que Cristo se manifestasse, era preciso que Jeová fizesse as podas. Tudo no tempo preciso e exato para que estejamos e sejamos aqui, hoje, agora.

Nada está fora do Tempo, pelo Pai, determinado, que também ainda se manifestará. O que eu indico é que oremos e trabalhemos até lá, estudemos e nos amansemos, que nos esforcemos para que a união do fogo e da água em todas as oitavas se dê dentro de nós e em nosso Próximo, como em nós mesmos.

Agora, podemos nos perguntar: sendo o Pai Aquele que tem autoridade, por que não mandou seu filho ficar em casa? Por que não negou dar-lhe sua parte da herança? Por que permitiu que ele fosse embora? Oras, todo Pai Verdadeiro conhece o filho que tem, e conhecendo suas tendências, conhecendo seu Coração e sua Mente, sabe o que é melhor para o filho. Vendo que o filho pródigo era aquele que pendia mais para a Mente, permitiu que ele fosse para o mundo para provar do mundo, pois lembremos: a sabedoria está relacionada ao sabor, que se relaciona por sua vez com o provar, quando provamos algo estamos nos colocando em provas, e se entendemos que o sabor e o saber são relacionados com o Coração (por isso Salomão foi o homem mais puramente sábio, puramente místico, aquele que recebeu a revelação do Templo), observamos então como era necessário que o filho pródigo partisse para que ele mesmo fosse colocado em provações e, por provar, adquirisse a oportunidade de saber. Assim como era necessário que o filho manso ficasse em casa para que depois, na hora certa, em que só o Pai sabia quando seria, se rebelasse ao passar pela experiência do sangue fervendo por conta da ira, sendo que aí nos lembramos de como a experiência está relacionada com o Cérebro (por isso Hiram Abiff é aquele que representa o homem mais puramente entendido, puramente ocultista, aquele que era capaz de construir o Templo de Salomão).

Dizem que o encontro de Salomão com Hiram foi a oportunidade de se restaurar a humanidade, em termos de fazer as pazes simbolicamente entre Caim e Abel, e que um dos dois (ou uma das linhagens) não quiseram, mas devemos nos atentar que isso são as aparências. O que acontece é que precisava ser como foi, e dar errada a união desses dois porque essa união de fato se cumpriu como deveria, eles fizeram o Templo, contudo de forma externa. Era preciso uma nova queda para que, agora, todos possamos construir o Templo do outro lado: interno! Para que somente depois possamos viver a junção de ambos realmente, fora e dentro concomitantemente.

Uma outra oitava superior disso tudo é Jesus e Judas. Lúcifer é um anjo, contudo, por ter caído, é como se ele se equiparasse aos homens, e não mais aos anjos. Ele pode ser observado também na figura de Judas Iscariotes, a rebelde personalidade. Então é como se agora tivéssemos o dever de fazer nossa personalidade rebelde passar por provações, e fazer a nossa parte mansa ver o retorno dela à casa do Pai para que então passemos pela experiência de aprender a lidar com o ferver do sangue, sendo Cristo o cordeiro imolado que une todos à mesa e que finalmente une todos os filhos do Pai no Tempo designado por Ele. O cordeiro também é uma criatura do Pai, mas é como um terceiro filho velado, cujo sacrifício principal foi ter ficado desconhecido tanto tempo (ter aparentado estar morto), oculto em seu próprio reinado, e que, por puro Amor, ensina aos dois irmãos menores como unir aquilo que um dia, por necessidade divina, foi separado, sendo ressurreto no terceiro dia, pois no primeiro dia o filho sai de casa, no segundo ele retorna e o irmão se indigna, e no terceiro, após o indignado ter retornado à casa com a ceia de todos à mesa, o terceiro filho e irmão e amigo é desocultado, vivificado, coroado, pois ele era o que sabia do plano do Pai em permitir os irmãos menores Serem quem eles são para que o Reino seja verdadeiramente eternizado. E então todos os animais convivam entre si, sendo que jamais devorarão nem serão sacrificados.

E Judas é aquele que se enforca após ver como o que fez foi condenar ao irmão, sendo que era contra seu próprio irmão que ele tramava, achando entender algo, julgando ter entendimento e intelecto sobre o que se passava – como alguns dizem que, sabendo que era preciso sacrificar Jesus, ele apressa os acontecimentos e fatos, assim como também se diz que Lúcifer supostamente tentou apressar a entrega do fruto para Adão e Eva, indo ambos, Judas e Lúcifer, contra o Tempo pelo Pai designado aparentemente, pois em verdade vemos que eles foram apenas usados para que tudo se cumprisse de forma perfeita, e com consentimento manso do irmão maior na ceia, o próprio Cordeiro, Cristo; por isso chegava a hora em que o príncipe do mundo teria seu reinado arrebatado, pois seria erguido o Filho do Homem; Judas se achava um irmão mais velho que Jesus, afinal, a personalidade está habitando este mundo sem sua respectiva espiritualização cronologicamente há muito mais tempo (por isso a união de Marte com Saturno, de Judas com Satanás, ou seja, Lúcifer e Satanás na ceia ao Cristo entregar-lhe o pão), bem como representa Lúcifer vaidosamente se julgando muito acima dos anjos mansos de Jeová, bem como os filhos do fogo se achando mais velhacos do que os filhos da água, quando na verdade é todo o contrário. Sendo que o Cordeiro em si ainda seria morto para a verdadeira panaceia, ou seja, Judas só passaria do entendimento e ciência de seu erro para a apreensão da ciência, e até mesmo compreensão de seu erro brutal – por conta de seu vaidoso intelecto – ao ver o Cordeiro ser condenado à morte, tal qual irmão mais novo que ao ver o mais velho (que ficou quieto todo o tempo para que ele pudesse ter feito tudo o que fez e provado de tudo o que provou) de repente tem seu Coração, por milagre, tocado, jogando as moedas no chão e indo se enforcar, tendo relação com a carta do Tarô, o Enforcado, que se amarra pelos pés (também símbolo de Cristo, ou seja, de quem se submete ao Cristo, um Arcanjo, um irmão maior dos Anjos e dos Humanos), vendo tudo ao contrário, ou seja, vendo que a causa é final e tudo antes era efeito dela, como se todo o passado viesse dum futuro pelo Pai e pelo Filho Primogênito, mais velho que todos, constituído, planejado e vivificado, realizado, para que se desse o milagre de todas as coisas. Sim, porque tudo se dá de frente para trás em verdade, não é causa e efeito, mas efeitos para a revelação da causa primeira e última, a causa vem sempre depois, ainda que ela também seja o que principia o começo. Por isso é importantíssimo fazer o exercício de Retrospecção deixado pelo irmão Max Heindel, da Fraternidade Rosacruz, encontrando-se mais a respeito em sua conferência de número 11 (http://www.fraternidaderosacruz.org/mh_cr_conferencia11.pdf).

É como o rei de Midas que ao ganhar orelhas de burro por crer que a flauta de Pã fosse melhor que a Lira de Apolo, pede então para que Pã inverta a flauta… ao fazê-lo, todos veem que aí estava o instrumento de maior beleza, ganhando então de Apolo. O que nos mostra que ser capaz de escrever prosas como as da Bíblia é mais grandioso do que fazer poemas em versos, que seria a Lira. Como dito na Poesia do Coração, ainda seremos como Apolo e tocaremos Lira, faremos os mais belos versos, contudo, é preciso antes vencê-lo, pois é na força de escrever o lírico em prosa que está o verdadeiro alimento anímico que precisamos cronologicamente para agora. E é por isso, amados-amigos-irmãos, que lhes digo, é preciso que aprendamos e apreendamos o que significa ler e escrever… essa é a única Evolução! Então aprendamos primeiro a prosa, a tocar a flauta em seu sentido aparente para depois aprendermos, em algum momento, por milagre também de poder carregar um rei de Midas interno, a tocá-la de maneira invertida. Só depois de obtermos conquista em relação ao próprio Sol é que poderemos nos liberar da tarefa de sermos tão mortais planetas e, por fim, nos tornarmos verdadeiramente, tal qual como Apolo, uma estrela.

Por fim, pela Fraternidade Rosacruz podemos estudar que Judas se relaciona com a personalidade e, também, com o signo de Leão, pois esse é o desafio que esse signo nos traz: a vaidade da personalidade e individualidade, estando Judas também relacionado com Lúcifer, com quem aprende toda a astúcia maliciosa e mercenária. Se nos lembramos que Lúcifer guerreou com Miguel, conseguimos ver então a figura do leão alado e da águia que se enfrentam, sendo a águia também símbolo do Escorpião elevado, do apóstolo João, o Amado, sendo ele o símbolo do hermetismo místico, do maçom místico, da união do fogo e da água justo porque é o que ouve o Coração de Cristo, sendo Miguel quem acompanha Cristo muitas vezes nos combates, revelando como é importantíssimo passar pela Morte para Leão e Escorpião se tornarem realmente seres alados elevados, e estando aqui uma das chaves para a dissolução da quadratura entre esses dois signos, dificílima de ser conquistada. Sendo que podemos ver também como que, ao Cristo dar a Judas (à personalidade lucífera, também representada pelo sangue que ferve pelas coisas do mundo) o pão com molho para que lhe entre Satanás, sabendo que Satanás tem relação simbólica direta com Saturno (que rege os ossos e a pele), vemos aí o pão que é símbolo do corpo sendo dado para que o sangue (personalidade lucífera) e o osso (onde o sangue nasce, ao qual será submisso) possam trabalhar para que a cruz seja erguida com o Filho do Homem e o Pai seja glorificado. A relação de Judas com as cartas do Tarô Enforcado e Morte são imensas, e aí recomendo fortemente a leitura do livro Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô ou que se ouça o audiobook dele (https://www.youtube.com/playlist?list=PLayK4qtDN79UiFwhfIkPJ2fu66UyVowG0), que, para quem já leu o Enforcado, há também outra chave…: o autor Anônimo do livro comenta sobre o número Um ser o “do Eu que pensa, sente e quer”; sendo que Judas é, em muitos momentos, referenciado como ‘um dos doze’.

Ou seja, para se compreender a Bíblia, é preciso saber ler letras, imagens, astros e símbolos.

Por isso, estar e ser alfabetizado é algo lindo, e deve ser incentivado. Ninguém deveria se orgulhar de ser analfabeto, ainda que também não se deva ter vergonha por não saber lidar com letras nesta vida, porque analfabetos podem ser pessoas com uma riqueza interior muito mais elevada em outros termos. E importante se faz lembrar que existe um analfabetismo funcional, e este é amplo, envolvendo ainda outros aspectos.

É preciso sempre ter cuidado e ser cuidadoso, é preciso observar muito bem, ter um excelente discernimento e compreender que, na verdade, devemos almejar a alfabetização e alfabetização funcional, porque é muito fácil (se eu sou analfabeto funcional), por exemplo, confundir Religião e idolatria, porque existe Religião, com ‘R’ maiúsculo, e idolatria, que seriam as falsas religiões, com ‘r’ minúsculo; existe Ciência, de se ter ciência de algo interno, seja interno a um processo químico, seja interno a um processo emocional, espiritual etc., e academicismo, que é quando se inventa terminologias para estudos que servem apenas ao externo em desconexão com o interno, ou seja, servem àquilo que é aparente – é quando o homem toma o lugar de Deus, do Verbo, e, em vez de nomear com Palavras, cria termos, sendo que termo seria o arqui-inimigo da palavra, o arquétipo contrário; e assim também existe Arte e entretenimento (sobre os quais já falei na Poesia da Arte, na Poesia do Artista e na Poesia do Herói).

O analfabetismo funcional é mais complexo, ele abarca grande parte do academicismo, aliás é o que mais há entre nós, mesmo entre os que sabem ler um livro de cabo a rabo. Porque se eu não sei no meu dia-a-dia, no intrínseco da vivência viva, a diferença entre arte e entretenimento, entre religião e idolatria, entre ciência e academicismo, entre palavra e terminologia, entre vivências e aparências, entre coisas vivas e mortas, por assim dizer, se eu não sei essas diferenças, eu sou um analfabeto funcional. Em suma: o analfabetismo funcional é devido a não ter a prática do Verbo, não conhecer a Palavra em seu íntimo, vivê-la no interno, seja eu consciente ou inconsciente disso. Ainda que sabendo e entendendo que quanto mais ciente e consciente, melhor.

Tudo isso vai simbolizar ter e viver o psíquico, ou seja, o mental, os desejos/emoções e o físico conectados ao espiritual (psíquico, Psiquê, e espiritual, Eros), e por isso é preciso erradicar o analfabetismo no mundo, para que todas as etapas estejam minimamente caminhando juntas – pois todas elas se expressam também no meio físico, todas elas ganham forma e se cristalizam de alguma maneira, porque a gente sabe que as nossas emoções e sentimentos se materializam em atos, e que o que chamamos vulgarmente de psíquico pode inclusive somatizar doenças, ou seja, quanto mais integradas essas áreas todas estiverem, mais clareza eu terei em relação à Vida, e Vida aqui me refiro para além de nascimento e morte.

Voltando à evolução, evoluir é o ato de abrir um pergaminho, de abrir um livro, desenrolar uma história: a leitura factual dessa história, o saber da existência deste livro é a Religião – o ato em si de abertura do livro é análogo ao ato Religioso, externo muitas vezes, ato ritualístico em abrir um pergaminho, um livro, sempre feito da mesma maneira; já o ato de ler o livro, ler o pergaminho, ter este dom, essa capacidade de observar as letras, é análogo à tomada de Ciência daquilo que ocorre dentro dessa história que está sendo aberta e vivida; e poucos, aqueles que ultrapassam a ciência e, por graça, chegam à consciência, e podem passar a escrever o livro, o ato de ilustrarem esse livro, pontuarem o livro, crearem, de qualquer maneira, meios para a construção contínua da história que há neste livro, é análogo ao campo da Arte. Por isso verdadeiros religiosos são raros, verdadeiros cientistas são ainda mais raros, e verdadeiros artistas são raríssimos, mas há, eles estão entre nós e habitam este mundo, como nós, e nós podemos ser religiosos, cientistas e artistas, mas é preciso evoluir verdadeiramente para tal possibilidade se efetuar, até porque viver na igreja não faz de ninguém um religioso necessariamente, nem entender algo faz de nós cientistas, e menos ainda fazer artesanatos (escultura, pintura, literatura, teatro etc.) nos torna verdadeiros artistas. Então, como podemos ver, a evolução abarca, de maneira muito profunda, essas três instâncias através da imagem do pergaminho que é aberto.

Se tomamos a Bíblia como exemplo numa citação quanto a pergaminho, há uma passagem em que Isaías (34:4) diz que, em um dado momento, todo os céus serão enrolados como um pergaminho antigo ou como um livro – dependendo da tradução que se use –, e em Apocalipse (6:14) essa menção e imagem é novamente retomada ao João nos revelar que ele viu o céu ser afastado “como um livro que é enrolado”, havendo traduções também com pergaminho. Ou seja, por essa simples imagem vemos que: quando chegarmos num estado de evolução – para o qual fomos creados para chegar, nesta etapa de existência -, esse livro se fechará, esse pergaminho se enrolará novamente. Mas não porque involuiremos ao início já conhecido ou porque será destruído, como algumas religiões e culturas pregam, como no Oriente – lá eles trabalham uma roda fechada, então esse sair da roda significa a destruição dela pela figura análoga ao Pai – o Poder, seja pela sua negação ao ser humano alcançar a iluminação, seja no fim dos tempos ao fechar dos olhos da Entidade suprema, enquanto que no Ocidente, o Pai é aquele que permite a abertura dela e a continuação e elevação dessa realidade agora experienciada, não por destruir ou jogar fora o livro, mas por uma inovação do seu conteúdo através do Filho – o Verbo, como se todas as suas folhas se tornassem novas – não se muda o livro em si, o reino é o mesmo, o que se inova é o que floresce nele enquanto conteúdo e também sua inovada forma. Inovação porque o Pai, astrologicamente, é apresentado por Urano, a força da inovação em nós. Quem crê que o Pai é destruidor, é provável que esteja em duas categorias: ou O está confundindo com Saturno como pai, tendo ainda ele como força reguladora de Aquário, ou está numa baixíssima frequência de Urano, ao reproduzir falas ordinárias como, por exemplo, ele ser anárquico e caótico (sem sentido). Em ambos os casos as pessoas não entendem nem sabem quem é o Pai e são até mesmo cegas para Seu Filho, por mais que possam falar dEle e serem tidas, inclusive, como pessoas espirituais.

No Ocidente, quando toda a Tradição que se inicia no Oriente chega aqui como cristianismo (sendo dividida em várias tradições culturais ao longo dos tempos, podendo ser encontradas como mitologias, religiões, ou mesmo ciências em escolas de mistérios etc.), nós encontraremos um Pai que restaura tudo através do Filho e faz novas todas as coisas, em vez de destruí-las, como havia sido acreditado e promulgado muitas vezes até então. Mesmo o Apocalipse e o julgamento são apenas momentos, como ferramentas para que esse florescimento se dê, assim como o inverno antes da primavera – o inverno em si não é a destruição de todas as estações, nem a destruição do tempo, clima ou mesmo calor, mas apenas um período de observação da escassez frente a se ter ou não aprendido a lidar com a abundância anterior e apreensão de recursos para que tempos aparentemente sombrios possam servir para a vindoura luz, caso saibamos como nos preparar para ela. Ou seja, um inverno só é rigoroso com quem não soube trabalhar o equilíbrio e o comedimento.

Com isso vemos que passar o inverno sequer é uma questão de acumular muita comida como as formigas, ou de não acumular nada, como a cigarra, mas sim de minimamente evitar comer em excesso tudo o que se produziu durante as estações anteriores. Acumular um monte é desnecessário, basta que o que eu ganho não seja gasto no mesmo dia – ou seja, que o olho não seja maior do que a boca, e permaneça necessariamente menor do que a barriga todos os dias, para que não haja a tentação de fazer um banquete para si mesmo – o que é diferente de dividir com os outros sua comida quando for o momento, dando a cada um a porção que este necessita, sendo um banquete pela união, e não pela gula e fartura de cada membro. Se vivemos apenas pela necessidade nossa de cada dia, repartiremos os peixes e os pães, e ainda sobrarão cestas cheias deles para a geração da próxima estação.

O acúmulo em si é insensato, mas o comedimento baseado na individual necessidade, a frugalidade frente a abundância traz permanente abastecimento, e a lógica do acúmulo pode ser abandonada porque os recursos passam a sobrar naturalmente. E é justo da sobra que usamos no inverno que podemos fazer com que a primavera chegue mais rápido ao multiplicá-la!

Assim, vemos que a destruição ou julgamento severo se tornam inoperantes caso aprendamos o equilíbrio e necessidade da nossa própria condição espiritual e mundana. Claro que, para aqueles que não aprendem, em qualquer uma das tradições e religiões é sabido que haverá duras consequências quanto às Leis naturais – isso não é coisa só do cristianismo, todas as tradições trazem referências a isso, desde o Oriente até o Ocidente -, porque a insensatez traz prejuízos, não de um Deus punitivo, mas de si mesmo em relação com o mundo, porque decisões profundamente desequilibradas obviamente só atrairão confusão interior em toda tradição verdadeira.

Sair da ignorância, do estado de descompasso com o ritmo cósmico, é um pressuposto de todas as perenes sabedorias e tradições.

Então não significa que vá ser destruída a creação, pelo contrário, tudo o que foi creado é inovado, porque assim como no plano da matéria há a lei física: ‘nada se cria, nada se perde, tudo se transforma’, no campo espiritual há sua contraparte: ‘tudo se crea para que nada se perca, eternamente se inova’.

Então podemos ver que a evolução é muito mais difícil, ainda que simples, do que o ordinário uso da palavra nos mostra. E por isso não é possível haver uma re-evolução, porque quem defende revolução defende, ainda que inconscientemente, que o pergaminho que está sendo aberto, lido e escrito seja posto de lado, seja ignorado de alguma forma, e pego uma outra história para se começar, um outro livro, com outras palavras, outras ilustrações, e isso não é sequer possível espiritualmente e materialmente falando, ainda que se tente com armas, ideologias e magia negra; o que é preciso acontecer materialmente e espiritualmente, porque ambos necessitam andar juntos, é haver a evolução eterna. E nisso podemos ver que assim é possível enfim progredir em relação ao conservadorismo que nos aliena.

E digo que ambos devem andar juntos, matéria e espírito, porque, sendo dois polos que se apresentam, se um vai para um lugar, por exemplo o espiritual vai para Deus, e o outro, material, re-evoluciona, isso significa que eles andam por vias separadas, acontecendo uma castração – que pode ser necessária, como a própria mitologia nos mostra que já foi como um ponto de partida, mas é preciso conhecer que o princípio hoje é outro.

E mesmo usando como argumento o fractal de uma imagem dentro da outra, do espelho de frente para outro espelho, alegando ser necessário haver a castração para sempre haver outro e outro e outro começo, isso se diferencia da evolução em espiral, pois se intenciona multiplicar círculos, criando várias Ouroboros, ciclos que são diferentes na aparência, aparentemente sendo confundíveis com a espiralação, mas sem inovação de fato, sendo idênticos em termos de eterna permanência do interno estado

É preciso ver que em algum momento é preciso ultrapassar tudo isso, ir para além da aparência de Marte e de Saturno, é preciso passar, no mínimo, para Júpiter, se tornando urgente e necessário que ações jupiterianas sejam nossa via de progresso, nosso respaldo para ações e desejos, anseios, vontades, pensamentos... Júpiter tendo seu correspondente em Jesus, que nos ensina a honrar pai e mãe e ao mesmo tempo abandonar pai e mãe, como Júpiter bem o fez ao abandonar Saturno como pai e seguir o Sol como a verdadeira Luz do nosso sistema, Sol esse apresentado em Cristo. Por isso devemos nos tornar como Cristo Jesus, como Sol e Júpiter, pois são de fato os que nos ampliam, nos expandem em nós mesmos, assim como o Sol nos leva ao Pai, Urano, formando finalmente um sistema solar interno completo ao aprendermos a crear nossos próprios planetas na hora que for designado para que assim seja.

Se nós olhamos para essas mitologias todas, desde oriente até ocidente, podemos ver que uma é a transformação da outra, e por fim, podemos observar que, assim como a tradição persa tem sua continuação na egípcia, que continua na grega até chegar na romana, ao vir para o ocidente a mitologia romana chega como cristianismo, como o ápice de todas elas e aquela que reúne todas em torno de si.

Ou seja, o cristianismo esotérico, o Cristo cósmico, é o centro de tudo o mais que já vivemos, como um Sol que se desoculta aos poucos para evitar que nos ceguemos.

E aí temos duas possibilidades, mínimas: um passo com um pé, ao compreender que a realidade cristã é a continuação da mitologia romana, porque uma tradição leva à outra; bem como dois passos, com os dois pés, e observar como ela é o ápice e centro de todas as tradições, o que significa que o ápice da evolução esteve aqui na Terra. Porque o ápice de abrir este livro, e ler este livro e escrever este livro esteve na Terra, porque a própria essência daquilo que fez possível haver o livro esteve aqui na Terra… por isso Ele é o centro de tudo, e assim como a tradição pulsa em Cristo, Cristo faz com que todas as tradições pulsem, com Ele oculto em tudo até que, por vontade nossa e de Deus, tiremos os véus que evitam, hoje, que o vejamos face-a-face sem estarmos preparados, ou seja, véus esses que evitam que nos queimemos.

Tudo está na evolução todo o tempo, porque tudo faz parte deste livro, tudo está neste livro, porque a Luz apreende as trevas e as faz servas, mas nem tudo é evolução, o que significa que sim, é possível involuir, regredir, é possível, em vez de desenrolar o livro, haver um enrolamento dele, então há coisas que são opostas à evolução, mas que fazem parte e estão na evolução.

O que é evoluir, então? É aprender cada vez mais a lidar com este abrir de pergaminho, com este abrir de livro. É preciso aprender a ser alfabetizado para poder se tornar um mensageiro, ler o livro, poder carregar fragmentos desse pergaminho em nome do Rei.

É preciso estar alfabetizado para, quando lermos ou ouvirmos a mensagem que é constantemente escrita neste pergaminho, entendamos o que ela está a nos dizer.

É preciso ser alfabetizado para, quando ouvirmos os mensageiros, sabermos o que estão a dizer. Isto é ser alfabetizado funcionalmente, porque sei apreender o que é lido nele.

É preciso ser e estar alfabetizado para, quando for a hora, que o Rei, Ele mesmo, possa nos falar e possamos responder com toda a honra, glória e pureza, toda obediência, pobreza e castidade que tal oportunidade suscita em nosso Verdadeiro Ser. E também para que saibamos diferenciar cada vez mais quem carrega a mensagem verdadeira, quem é e vive de fato a mensagem do Vivificado e Ressurreto Rei.

E ter cada vez mais um coração desejoso de realmente ser digno de ter olhos para ver este pergaminho, porque é fácil dizer que a gente vê a evolução porque estamos existindo, porque nascemos e estamos andando sobre este planeta chamado Terra, quando isso significa uma fração mínima do divino livro. Antes e depois disso, é preciso dar outros passos e compreender que só se vê o pergaminho realmente quando se é devoto a ele, quando faço meus votos, dou meus votos (devoto) a ele.

É quando tudo o que se faz é para que a Religião brote nos homens, não porque se idolatra rituais e fórmulas, ainda que eles possam convir em determinadas vidas e momentos, mas porque se compreende principalmente que essa Religião é os rituais que tenho com a egrégora que me sustenta, com o Anjo, Arcanjo, com o Pai, com os Senhores que me sustentam, que me protegem, que me iluminam e vitalizam, que me atraem para coisas tão benéficas e justas, fazendo com que o próprio pergaminho da minha vida desenrole na minha frente para que Eu me conheça. Conhece-te a ti mesmo e conhecerás todo o universo e os deuses, porque se o que procuras não achares primeiro dentro de ti mesmo, não acharás em lugar algum… eis a frase do Templo de Delfos, tão inovadoramente atual quanto eternamente verdadeira. E os rituais, tão usados para nos conectar aos imortais, servem tanto mais para nos conhecermos. Por isso a repetição de algo por vontade própria é crucial no processo evolucional ao crescermos, sendo preciso ser devoto ao processo em si mesmo.

E é também quando tudo o que se faz é para que a Ciência brote nos homens, não porque se é um academicista cheio de teses, teorias para tudo, ainda que elas possam convir para demonstrar determinados acontecimentos temporais, mas porque se compreende principalmente que essa Ciência é a retrospecção, observação, constatação e discernimento dos acontecimentos que nos compõem enquanto imortais, enquanto seres espirituais residindo na matéria.

Assim como também é quando tudo o que se faz é para que a Arte brote nos homens, não porque se quer entreter alguém, ainda que possa convir para termos um primeiro contato através das aparências, mas porque se compreende principalmente que essa Arte é a concentração, contemplação e adoração da essência que nos permeia, nos penetra, nos ama e nos liberta da prisão de estarmos aqui vendo, em tudo, espelhos, mas nos tornando um espelho consciente, ou seja, espelho não da matéria minha ou do outro, mas da centelha divina que nos habita para que o Outro tenha a oportunidade de atravessar a ponte que este espelho se torna e ver a Deus por si próprio, com seus olhos internos.

Então que evoluamos, que caminhemos, não só com os pés, mas também com as mãos, porque ao desenrolar esses pergaminhos, os nossos dedos são aqueles que caminham. Que pés e mãos possam caminhar em união. Que sejamos capazes de abrir o livro como o fez Jesus no Apocalipse, que sejamos capazes de engolir o livrinho, como João também o fez e igualmente nos disse. Que incorporemos a evolução em nós, por mais que seja amargo seu sabor no estômago num primeiro momento. Para isso é preciso ser grande a condição de fome, e, como já vimos na Poesia do Pensamento e do Coração, é preciso querer visceralmente.

Que o analfabetismo diminua, literal e metaforicamente.

Que o mundo evolua. Pois evoluir é voltarmos ao Reino, agora inovado por Deus, por todas as hierarquias e por nós mesmos.

E que a mensagem seja cada vez mais regada com Água Viva, cristalina, vítrea, vinda de mãos celestiais e constituída de pés materiais para que o milagre seja pronunciado a todos os povos de todas as línguas:

o Rei e todos em seu reino, com Amor, esperam o nosso retorno…

Então, amados-amigos-irmãos, voltemos!

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