O que é o amadurecimento?

Qual é a poesia do verbo amadurecer? Qual a poesia do amadurecimento? Qual a poesia da maturidade?

Este verbo, amadurecer, é composto por ad-, do latim, que significa para, e maturare, também do latim, que significa ‘estar pronto para a colheita’, que se relaciona ainda com mane, referente a manhã, ao que é cedo.

Com isso podemos observar num primeiro momento como o amadurecimento tem relação com aquilo que está pronto para nos apresentar algo sob uma determinada luz, uma luz que esclarece, de uma manhã que traz às vistas novos significados e novos detalhes, possibilidades.

É muito pertinente observarmos, por exemplo, como que o ser humano, nós, vamos amadurecendo aos poucos, e como esse processo é possível de ser observado através da palavra. Os ensinamentos místicos são maravilhosos e sempre trazem o paradoxal que é: a letra é morta, enquanto a fé é viva e, ainda assim, quando estamos e somos Filhos do Deus Vivo tudo também ganha vida sob uma nova luz e, portanto, uma nova perspectiva. Porque nós amadurecemos, e isso significa que uma nova luz é lançada sobre aquilo que nós já julgávamos conhecer, saber e entender, e aí vemos que algo que sabemos, entendemos e que, quiçá, conhecemos varia de acordo com nosso grau de evolução e a luz que chega até nós, a medida em que nossos olhos se abrem também para aquilo que realmente se apresenta, e não os olhos abertos que temos hoje para aquilo que nós desejamos conhecer, entender e saber de maneira egoísta, vaidosa e enfadonha, inclusive, porque tudo vira repetição, tudo é vaidade, tudo é vazio.

E ainda assim, isso em si mesmo é uma grande sabedoria, não à toa é a sabedoria de Salomão, ainda que uma sabedoria temporária, porque cada vez que amadurecemos um pouco é uma nova aurora, uma nova luz que chega, um novo raio que ganha o nosso céu e as nossas estruturas e que nos revela novos detalhes, mostrando que aquilo que nós julgávamos ser tudo não era nada perto de um novo estado de abertura e revelação, e, portanto, inovação e evolução. Isso, caso nos permitamos ser obliterados e novamente paridos, porque se a vaidade é um vazio, é se permitir saber-se um nada para então se abrir ao nascimento divino.

Aqueles que se julgam maduros demais, que sabem demais, entende, conhecem profundamente de maneira que se arrogam a si o conhecimento enquanto raiz, e não a Deus, porque uma coisa é Deus fazer com que nós saibamos muitos de Seus mistérios, outra coisa é nós nos julgarmos conhecedores dos mistérios por nós próprios, estes são os que de maduro caem do pé e fermentam. Toda fruta que cai no chão alcooliza, entra num processo de fermentação e portanto acaba criando uma espécie de álcool, e o fermento e o álcool nos revelam o estado lucífero e satânico das coisas, são frutas que já não servem para alimento. E aí é claro, Deus em sua misericórdia faz com que sirvam de adubo para outros seres mais baixos do que nós, animais como insetos, os próprios fungos, não são propriamente animais, mas vidas em estágio muito inferior de desenvolvimento, muito primitivo. São elas próprias que acabam revelando esse estado de podridão daquela fruta, o que nos mostra que o estado de podridão também tem relação com nosso patamar de evolução e do amadurecimento geral de alguma forma, porque para aqueles seres aquilo serve enquanto alimento, aquilo que aos nossos olhos é podre, podre justamente porque está sendo alimento de outros seres muito inferiores – para eles aquilo não é podre, mas para nosso estágio de evolução e emancipação sim, porque é algo que foi justamente dominado por criaturas inferiores, e não criaturas que estão mais próximas de nós, que estão num contato mais aproximado de evolução.

Então, a medida em que vamos evoluindo e amadurecendo torna-se necessário novas leituras e novas compreensões do que antes já vimos, e passamos observar como que é imaturidade repetir ao longo dos anos certas sentenças e até mesmo palavras, enquanto descrições, enquanto possibilidades de vivência, como por exemplo algo que já citei e torno a citar, porque é um exemplo que a mim é muito caro e belo, e me serve de estudo e aprofundamento, que é chamar Jeová de um Deus ciumento. Isso, eu já cheguei a citar o Max Heindel, da Fraternidade Rosacruz, que deveria ter evitado passar para frente esse tipo de pensamento, mas não é dele que isso provém. A Bíblia em si mesma traz essa possibilidade de tradução, há Bíblias que trazem em Êxodo 20:5, a afirmação: eu sou um Deus ciumento.

Quando a gente para para observar de modo mais científico o ciúme, se usamos a astrologia para observarmos ele em sua pulsação até sua manifestação, sua vibração em todos os níveis, ficamos sabendo que o ciúme está relacionado muito com Escorpião, um dos signos que tem uma grande fama de ser ciumento, e Touro também, porque se relaciona com posse, e é o eixo, Escorpião trabalha com Touro, que são, na verdade, uma única coisa, a gente vai separando para melhor compreender e aprofundar para depois novamente unificar as coisas e ter uma capacidade de unificação mais verdadeira. Ou seja, a pessoa que não é capaz de lidar com a separatividade, a pessoa que não é capaz de separar as coisas para análise ela igualmente não tem capacidade de unificar as coisas, ela pode de maneira infantil ter discursos de unificação geral das coisas, de que existe o uno, o universo, somos todos um só, enfim, ter falas falaciosas a esse respeito, de uma aparência de grande beleza, porque essa unificação universal provém de Peixes, onde Vênus se exalta, onde o Amor ao próximo é levado à humanidade inteira após passar por Aquário, que é aquele que acabou de servir a humanidade inteira e pode dissolver e se ver parte não só como quem trabalha, mas também como quem faz parte desse todo, se reconhecendo nessa hierarquia celeste, enquanto um irmão – porque Aquário é a casa do amigo, mas antes servo, até porque é o eixo junto de Leão, o rei que serve ao povo, para depois se reconhecer como irmão, se revelar a hierarquia irmã que somos enquanto humanidade.

Então esse discurso de unificação de tudo é de aparência bonita por isso, porque remete a uma possibilidade de Vênus em Peixes, mas sem Vênus estar exaltado verdadeiramente sendo apenas uma euforia de Vênus em Peixes – porque as pessoas confundem, acham que só porque o planeta está num signo de exaltação ele exerce exaltação na vida da pessoa, mas não, toda ação, mesmo de um planeta, é marciana, principalmente de suas forças – que são os planetas, então a atuação sempre será um princípio ariano, e isso se relaciona com Lúcifer num primeiro momento, Marte, que precisa se submeter ao Cordeiro para se tornar o lar de exaltação do Sol… Então, isso significa que pessoas que têm planetas em suposta exaltação, mas não levam uma vida verdadeiramente exaltada interiormente junto às hierarquias e junto a Deus, que é a Fonte, fará com que o planeta terá uma atuação marciana eufórica no signo, cria a aparência de exaltação, a aparência de uma Vênus em Peixes, parece que a pessoa ama todo mundo, parece que ela está integrada à humanidade, parece que ela sente algo muito grande… parece… mas se formos observar a vida da pessoa em termos de obra e de fé, falta muito arroz com feijão, falta muita devoção, muita limpeza e purificação, falta muito discernimento, falta muito trabalho e muita oração para aquela força chegar realmente a se tornar um fogo que cria e não que puramente queima.

Então as pessoas que não são capazes de separação, de divisão, de separatividade, não são capazes de unificação. Por isso que Saturno é tido como um planeta temível e ao mesmo tempo um professor, lembrando que Mestre só Cristo! Sendo que, na verdade, nem professor ele é, mas apenas aquele que aplica a prova, porque aprendemos com o Mestre, mas ele, Saturno, Satanás, é quem nos testa através de provas – é o que entra em Judas e traz a cruz, sendo que sabemos que estamos num mundo que é saturnino e marciano, satânico e lucífero, então quando estamos e somos do mundo nós estamos na esfera obrigatoriamente de Saturno, Satanás, e Marte, Lúcifer, – da estruturação e do fazer reativo perante o mundo, o mundo me dá algo e eu reajo, e nisso estruturo inconscientemente o mundo. Então nossa atuação no mundo é em grande parte satânica e lucífera e, portanto, inconsciente, porque o inferno, a doença, o mal é a inconsciência do processo, o mal é sempre a ignorância, a negação, a cegueira (sejam elas no grau que for, porque é como, enquanto criatura, evitar que a Luz do Sol verdadeiro chegue em algum lugar, criando uma sombra – a sombra não provém do Sol, mas ao crescermos o próprio processo, a própria formação de nuvens, o próprio crescimento torto – para todos os lados – vai gerando sombras, sendo por isso necessário aprender a ter das podas, bem como fazer com que o galho, mesmo gerando sombra, dê frutos, para que o processo seja de fato justo, pois o mal não é a sombra, o mal não é a inconsciência em si existir, o mal em si existir enquanto efeito, mas passarmos a viver para ele. Quando se vive para a sombra, se deixa de viver para o Sol, e portanto se deixa de produzir frutos obrigatoriamente, porque sombra não alimenta. E os seres que decaíram, como nós e uns anjos específicos, caímos porque passamos a viver para essa sombra, e é preciso não lutar contra a sombra em si, mas contra os seres que nos levam a acreditar que viver para a sombra é a vida verdadeira e sairmos dessa cegueira, dessa ignorância, e vivermos para o Sol que está o tempo todo onipresente sobre nossas cabeças).

O fato de existir sombra e de vivermos para ela e isso ser o verdadeiro significado de se levar uma vida lucífera e satânica causa desespero em muita gente, mas se vemos de maneira mais madura, e não de maneira podre ou imatura, mas ideal para que isso se torne alimento, conseguimos observar que isso é um passo necessário por ser a maneira como nós enquanto seres inconscientes, novos, enquanto seres incapazes, obscuros, naturalmente inimigos de Deus (porque naturalmente geramos sombras enquanto efeito), como uma criança que é naturalmente inimiga de seu pai e sua mãe, bem como irmãos, porque ela naturalmente traz problemas, naturalmente não compreende, naturalmente vai contra a natureza de um adulto, a maturidade de um adulto, aqui falando da criança em aparência, como que isso tudo, como eu ia dizendo, é necessário para crescermos. Aliás, por isso que a criança, como diz Santo Agostinho, é naturalmente má, ela vai sentir ódio e raiva do irmão sem compreender aquilo profundamente, então ela está entregue às forças mais baixas dos planetas, por ex., e dos signos, das hierarquias… Ela passa a acreditar nas criaturas de sombra e demoníacas.

É uma parte do processo, mas se deve vencer isso. É claro que na nossa sociedade, esse próprio culto que a gente tem da jovialidade falsa, porque juventude vem de Júpiter, Júpiter é uma sombra de Jesus, mas a juventude que se prega em aparência, do eternamente jovem na aparência, aí conseguimos ver o quanto é uma deformação, o quanto é uma problemática e isso é o mal em si mesmo porque é ficar querendo ser criança para sempre, inconsciente e ignorante para sempre e não assumir para si as responsabilidades. Porque quando a gente começa a assumir para si as responsabilidades, que é a adolescências e adultice, a gente começa a ter que lutar contra essas sombras e vencê-las preferencialmente, se possível, aquelas que Deus permite que nós vençamos pelo menos.

Um detalhe: o processo de manifestação da sombra e de inconsciência é um passo necessário, por isso feliz queda, porque de alguma forma ela traz a possibilidade de voltarmos para Deus conscientes, mas isso não é desculpa para culpar Deus pela queda de Lúcifer ou do Homem, e nem culpar Lúcifer pela queda do Homem, porque só cai quem quer, é uma escolha do livre-arbítrio, e não porque o divino criou seres maléficos, assombrados e assombrosos, nem que Lúcifer seja bonzinho por nos ter levado a cair. O que acontece é que ele catalisou o processo, assim como o fogo catalisa o processo de digestão do alimento e graças a isso demos um dos maiores, se não o maior salto evolutivo enquanto humanidade junto da manifestação da linguagem. São os dois maiores saltos, até onde eu saiba, a aquisição da linguagem, o desenvolvimento da linguagem e o cozimento dos alimentos através do fogo, o descobrimento do fogo, sendo que uma é uma ferramenta lucífera e a outra, jeovística, e foram os maiores saltos que a humanidade deu em termos evolutivos. Mas isso não significa que era o momento certo para essa catalisação acontecer, Lúcifer desobedeceu Deus, é um fato, ainda que o que ele tenha feito seja algo que estivesse dentro dos planos sagrados. A coisa toda é bem complicada, especialmente da forma como se deu, porque não foi de maneira altruísta como colocam muitas vezes de que Lúcifer queria ajudar a humanidade a evoluir, “foi um sacrifício que ele fez”, não, ele de fato queria nos fazer e ainda quer nos fazer crer que ele é o centro no lugar de nosso verdadeiro Rei. É preciso ter muito discernimento.

O fogo externo não é o fogo gerador, criador, assim como Lúcifer não é rei, e se quiser voltar à presença divina é sem seu trono, como também já comentei em outras Poesias, ele já perdeu seu posto, mas continua nos fazendo acreditar que ele tenha alguma importância no processo. Só que não. É só mais um na multidão, por assim dizer. Contudo, para se chegar a esse ponto, é preciso antes lidar com a realidade da ilusão da separatividade. Ou seja, é preciso encará-lo de frente enquanto nosso tentador. Para isso é preciso compreender também que, assim como devemos nos tornar Cristo Jesus, nós já nos tornamos Lúcifer e Satã ao cairmos, por isso vivemos nas sombras e vivemos de sombras… e por isso também é tudo um pouco assustador: nós os somos porque já nos tornamos nosso pior inimigo.

Então, voltando aos signos, Escorpião, numa criança, vai tender (pode ser que haja crianças que sejam exceções, mas para a maioria terá a tendência de) nascer sob um ciúme violento contra o irmão. Porque mesmo a criança que se toma como mãe do irmão, porque a psicologia revela muitas possibilidades de lidarmos com o nascimento de um novo irmão na família e há a possibilidade de lidarmos de maneira positiva, considerada mais afortunada, mesmo assim, isso revela de alguma forma tem um princípio de um fogo que queima e a criança maneja isso para algum lugar, e óbvio isso terá relação até com a graça de Deus a até com elementos de vidas anteriores etc., então para onde o fogo queima é também para onde ela tem seu carvão e sua madeira direcionados através também dos trabalhos em vidas anteriores, bem como de trabalhos nessa vida, com ajuda das hierarquias ao prepararem a vida dessa pessoa e darem determinada tendência a ela através de seu ambiente, do seu mapa, enfim, todos os elementos externos e internos que a ela lhe são dados. São vários fatores que levam uma criança a reagir duma forma, mas de toda maneira o processo se dá do mesmo modo, que é através desse primitivo, desse ter que lidar com o que é meu e o que é nosso, Touro o que é meu e Escorpião o que é nosso, ou deveria ser nosso – sendo que Escorpião, no caso de vibrar sua má possessividade, será pior que Touro, é em Escorpião que o maior egoísmo acontece, porque em Touro aquilo de fato de alguma forma (muito entre aspas) “me pertence”, mas em Escorpião deveria ser de todos, mas nos fechamos em nós mesmos, é o pior tipo de apego…

Nisso conseguimos observar que quando se tem uma tradução de que Deus é ciumento, ou Ele próprio, coloquemos na aparência e na literalidade, usa dessa palavra para que ouçamos e compreendamos, isso não revela sobre Deus, mas sobre o homem ter dificuldade em compreender as coisas, porque isso revela que a maneira como interpretamos e forma como as coisas nos são dadas, nesse patamar do caminho pelo menos, dizem muito mais a respeito de nós mesmo do que sobre Deus, revela muito mais se conseguimos ou não enxergar Deus, do que sobre Deus Ele mesmo. Deus se torna o nosso espelho.

O Antigo Testamento é uma pérola, ele é como os degraus específicos de uma escada, e o Novo Testamento é como os lances da escada, assim como os Arcanos Menores são os degraus da escada e os Maiores são os lances da escada, sendo a escada em sua totalidade a Bíblia toda, assim como os Arcanos, a imutabilidade em si mesma, não importando a ordem dos fatores. É como o caos ordenado, aos nossos olhos parece desordem, mas é a maior ordem que há, porque é a revelação da imutabilidade do divino.

Só que há um porém quanto à nossa evolução, que é: nós descemos toda a escada e chegamos ao “fim”, entre aspas, da escada em termos de último degrau, chegamos no nadir da materialidade, como costumam dizem, no ápice do fundo de onde devemos chegar, e aí é começar a volta, é quando voltamos, fazemos o caminho inverso, por isso é recomendável que se leia a bíblia do Apocalipse até Gênesis, numa retrospecção, não só revisitando o passado, mas inclusive sendo isso possível apenas pelo Leão de Judá, nosso amado Mestre, sendo ele quem acorda Lázaro, quem acorda todos nós enquanto espíritos de nosso profundo sono e mortificação perante Deus, sendo através do nosso Mestre, de Cristo, que nós fazemos a retrospecção inovando o que nos foi dado. Por isso é preciso Cristo se casar com Maria, irmã de Lázaro – o casamento almístico, das almas-gêmeas divinas!

Então a retrospecção não é um exercício passivo, várias vezes eu repito: conheçam o exercício de retrospecção que o Max Heindel deixou pela Fraternidade Rosacruz, é importantíssimo compreender que é um exercício, talvez o mais importante, de ser feito, fora o exercício da vida em si mesma – o próprio viver e deixar viver, senão não há matéria para fazer retrospecção, óbvio, mas ele é um dos exercícios mais importantes a ser feito na nossa vida terrena, sendo ele feito aliás o tempo inteiro, não só à noite, mas especialmente à noite. Ainda que, como dizem, seja insuportável fazer análise e ter consciência o tempo todo, todo mundo acha que é legal desligar o cérebro alguma hora… sendo que a retrospecção não é o que gera consciência ainda, lembremos: consciência depende do Mestre.

A retrospecção dá ciência sobre os acontecimentos, consciência é na sincronicidade do acontecimento e não na retrospecção deles, então, em verdade, nós ainda não suportamos ter ciência o tempo todo, que dirá consciência, apesar de vivermos numa era materialista e científica na qual colocamos nossa fé toda nela, mas isso mostra como nossa fé materialista é vulgar, fingida, rasa, pura aparência, porque se fosse real nós não teríamos problema em ter ciência o tempo todo das coisas, nós iriamos buscar entendimento das coisas, mas fugimos disso, nós temos opinião para tudo hoje em dia, ciência, não, muita teoria, ciência, não. Ciência se baseia na média, na maioria, no mediano, no medíocre para o estabelecimento das coisas, sendo que nós não gostamos sequer de nos imaginarmos fazendo parte dessa média, que dirá usar ela para realmente evoluir ao pensar em algo, ao estabelecer algo para a massa. Por isso a humildade é a verdadeira virtude para tornar a ciência possível, porque é preciso se ver fazendo parte do coletivo. Lembrando que ser o coletivo (ser Cristo) não é o mesmo que pertencer ao coletivo (ser Jesus). Por isso é preciso tornar-se Cristo Jesus, ser e estar.

Nós não pensamos na maioria ao fazermos as coisas realmente, ao decidirmos as coisas realmente, isso é falso, é uma falsa sensação de maioria – usar do grupo para me decidir a respeito de algo. Ninguém está afim de literalmente morrer numa guerra em prol de uma causa, menos ainda em aparência. Ninguém. E quem quer, das duas uma: ou é homem bomba (que todos sabem ser uma absurda ignorância) ou quer morrer por uma causa só para ser tido como o mártir, o líder, o Foda. A maioria das pessoas quer baderna, quer destruir o mundo sem arcar com as consequências, quer fazer revolução via internet ou quer fama e reconhecimento dentro do grupo ao qual pertença.

Então é possível observar que a retrospecção revela a qualidade não só aparente, mas interpretativa das experiências. E aí ela altera a tradução que a gente faz do dia a dia, como eu falava da tradução das palavras na Bíblia, a retrospecção altera a tradução que a gente faz dos nossos acontecimentos, da nossa literatura da vida, ela vai nos revelando que certas transcrições e certas acomodações, certas escolhas, palavras que escolhemos, ou ainda termos, quando estamos mortos ou sonolentos, não são tão apropriados assim e que já podem ser alterados para nossa evolução pessoal e coletiva, para que nós tenhamos mais amadurecimento, para que possamos mostrar que uma nova luz chega, um novo raio já incidiu sobre a Terra, já incidiu sobre nós enquanto hierarquia celeste.

Só que isso não é feito de qualquer jeito, por isso precisa do Leão de Judá e requer muita humildade, por isso que a retrospecção primeiro é feita quase que vazia de sentido, de um real sentido, de real aprofundamento, mas é necessário que assim seja no começo também caso seja genuína nossa vontade de que em algum momento Cristo nos ajude, porque não adianta estar a esmo sem fazer nada porque ‘ uma hora Cristo chega, uma hora Ele me chama, aí quando Cristo quiser Ele me chama e eu começo a fazer a retrospecção direito’ – se formos esperar a hora perfeita pra fazer as coisas essa hora não vai chegar nunca, nós que precisamos começar a obrar, ainda que com uma fé totalmente em pecado, totalmente cega, de quem não sabe o que faz, mas tem que tentar de alguma forma, porque se não nos mostramos dispostos para o trabalho, o empregador não nos contrata, assim também é no reino celeste, se não nos dispomos a fazer como humanidade nosso dever básico, não o que dá na telha, na cabeça de fazer, não é achismo, mas o básico – como as Leis mosaicas, Cristo não vai trazer nosso dever pessoal, individual junto ao Paráclito, se a gente não cumpre o básico, como as Leis mosaicas. Então se deve fazer a retrospecção como for possível, sempre buscando sinceramente melhorar dentro de nós essa técnica.

Com a mão do Leão de Judá, com Cristo, Deus, o exercício de retrospecção passa a ser realmente um exercício de ressignificação das coisas que já estavam supostamente dadas. E uma maneira de observar isso em termos estruturais é como as coisas vão sendo realinhadas na matéria também, porque por mais que esse mundo, enquanto estamos dormindo e mortos, seja de Lúcifer e Satanás, quando vamos acordando, a matéria se torna reflexo do alto – assim como em cima, embaixo, e por isso as coisas se dão de maneira reta, e por isso Deus encarnou na Terra e a Bíblia é verdadeira, porque mesmo a tradução dela é de acordo com a nossa maturidade.

Então conseguimos observar como que uma tradução que traz ‘eu sou um Deus zeloso’ em vez de ‘eu sou um Deus ciumento’ é uma tradução mais madura, mais evoluída. Quem quer permanecer fiel aos tempos passados vai traduzir como ciumento, claro, quem quer fazer o trabalho de ver a sombra das hierarquias e ter o exercício da misericórdia de fazer espelho para nós nos vejamos, e Deus ter características humanas para que nós tomemos consciência, então vai olhar para isso como ciúme. Claro que isso é pertinente mesmo num estado maduro, porque uma pessoa madura com Escorpião proeminente no mapa sabe que a qualquer momento o risco de queda é sempre alto, aliás, quanto mais se sobe maior o risco de queda, então não é negar que Escorpião é o berço de que aquilo pelo qual ele zela, em termos de vício e virtude, é o ciúme e o zelo, saber disso também é questão de maturidade, mas depende de como se usa. A imaturidade se relaciona muito com usar de um adjetivo simplesmente para se desqualificar, por exemplo, uma das manifestações de Deus, para se rebaixar ou tratar como algo menor, como quem diz: eu não sou jeovístico, eu sou crístico, porque Jeová é ciumento… igrejinha, eu? Religião de raça? Eu? Imagina! Eu sou indivíduo, eu sou, não é mesmo? Sendo que isso é orgulho e vaidade num grau inimaginável.

E não digo que o Max Heindel tenha tido esse tipo de grau de baixeza em relação à trindade, mas a maneira como se traz as coisas para esse mundo corroboram para esse tipo de pensamento e fala. Porque somos responsável pela maneira como isso se propaga, e se ela se torna propícia para que se saia tendo um determinado discurso de rebaixamento do próximo, inclusive, e não só de Deus, passando a ter nojo e ranço de religiosos, ou Filhos da Água, Irmãos da Água, o nome que se dê, claro que é preciso tomar cuidado, porque me torno responsável por isso também, ainda que em muita medida isso se dê de forma inconsciente. Então por que que isso se dá? Por exemplo… um dos motivos é a maneira como lidamos com nosso pai biológico, de sangue, gera maior ou menor dificuldade de compreender Jeová enquanto figura em si mesmo. Eu não irei me relacionar bem com Jeová, por ex., se não fui capaz de chegar no mais alto grau de relação com meu pai de sangue, que representa, por um tempo, Jeová em minha vida de maneira aparente. Por isso a maioria da humanidade está ainda perdida em termos jeovísticos e isso precisa ser retomado, não há como evitá-lo, Jeová terá que ser vivido de maneira ciente – e por isso a ciência é jeovística, e por isso que mesmo a raça dourada, cientistas ocultos etc. são jeovísticos, obviamente havendo graus dentro dessa vivência… e por isso também vemos a sua deformação e, portanto, a propagação de tanto ódio dentro e fora das igrejas, das famílias, dos coletivos, seja vindo deles seja contra eles, porque o ponto central está na figura do pai dentro de casa, tudo começa dentro de casa, sendo preciso ter um pai dentro de uma família estruturada, e não significa ser uma família perfeita, e menos ainda condescendente, mas de pais ativos, presentes para seus filhos, atuando como a imagem do líder que impõe regras, leis, sendo o que zela pelo bem-estar dos filhos e lhes ensina os sacrifícios que devem ser feitos e os proíbe das ações que não condizem ainda com cada maturidade, com cada idade, em suma, com o tempo cronológico de cada um. E espiritual também, se é um pai desperto.

Assim como Jeová não passará a trabalhar, em nós, junto a Cristo, enquanto Maria não tiver também seu lugar. Ou seja, enquanto as mães não passarem a ser reflexo da Virgem Maria, sim, em toda a sua extensão e literalidade. Enquanto as mães forem prostitutas se torna radicalmente difícil nascer Cristo em nós – é um fato, e com isso não me refiro apenas ao ato de sexualmente se prostituir, mas às prostituições dos apetites, dos desejos, dos pensamentos… e não só da carne. Claro que para Deus nada é impossível e que quem faz o caminho torto também chegará em algum momento, mas aqui falo especificamente aos que buscam e querem um caminho reto, consciente cada vez mais. Os apegados às suas cegueiras, a achar que tudo bem ser prostituta, literal e metaforicamente, que tudo bem os pais abandonarem seus filhos, tudo bem criar filhos de qualquer jeito, esses continuarão nas mãos de Satanás e Lúcifer. É inevitável. E é uma escolha que eles fazem, pois muitos são chamados, mas poucos realmente se dispõem ao trabalho árduo, e por isso poucos são escolhidos. Por isso também é preciso fazer os exercícios, independente de conseguir ser perfeito ou não, porque não é sobre Eu conseguir fazer algo, Eu poder fazer do meu jeito e dar certo, mas sim sobre ter humildade de, fazendo sem nada esperar, vagar pelo deserto até que o Mestre venha nos encontrar quando o Pai assim designar. Se for a vontade do Pai, sendo sempre zeloso em fazer a vontade Dele no tempo Dele.

Sem chegar no mais alto grau de relacionamento com a família, com o clã pessoal, sanguíneo, de nada adianta ter um processo lucífero excelente, ter bom ferro etc., de se emancipar e abandonar pai e mãe. A escada é subida e descida várias vezes, espiral dentro de espiral, todo processo se dá em graus, então, ok, é preciso abandonar pai e mãe ao vermos que não somos eles, como adolescentes, mas é preciso honrá-los e, portanto, se unir ao pai e à mãe para conseguir então abandonar em verdade, não como quem não se reconhece neles, como quem tem ranço, raiva, repulsão deles, mas como quem é grato por ser composto por eles também, e conviver sim, mas ampliando para sua família além do sangue, e aliás, se possível, levando a própria família de sangue em comunhão com a família espiritual divina (porque temos uma família espiritual específica).

É a história de unir fogo e água, que a priori está representado na Lua e no Marte, Jeová e Lúcifer, que vai passando para patamares mais sublimes a posteriori. Quem abandona a família indo embora só com Marte, só com Lúcifer, só com fogo, está indo embora só com a ferramenta de trabalho externa a si, porque não foi capaz de levar o próprio corpo, que é a água, por isso a Igreja é o corpo de Cristo. E devemos nos atentar em discernir o que é o fogo creador, o fogo do calor divino, deste fogo enquanto ferramenta de que falo. São fogos distintos, ou melhor, um é fogo como a chama, o outro é invisível, o fogo secreto que não pode ser humanamente concebido. Sendo que ir embora de maneira rebelde e impulsiva pode ser uma ferramenta, como dito, mas é apenas isso, sendo necessário o abandono como Áries Cordeiro, Sol exaltado, que simplesmente sabe que sua família horizontal deve ser colocada em lugar de honra mas não sendo dela a primazia, porque é espiritual a nossa família verdadeira.

Tudo isso revela a importância crucial em se evoluir, em se amadurecer para aprender a discernir todas as coisas que nos são apresentadas pela vida aqui na Terra, e mesmo após a Morte, porque esse discernimento e separação do joio e do trigo não é um processo só daqui do plano denso. Até porque todos temos nossas camadas ainda sem terem sido iluminadas, bem como outras que são tão iluminadas que podem parecer obscuras a quem nos lê, nos ouve, sendo necessário igualmente filtrá-las. Então filtrem, inclusive, o que eu mesma falo, porque, sendo todos nós uma árvore, temos também nossos frutos maduros, imaturos (verdes) e podres, é quase que inevitável, ao menos nesta etapa do trabalho. Não se atinge a perfeição, perfeito é Deus, e mesmo que se fale que Deus não é perfeito porque há Deus acima de Deus, e há o Absoluto então nosso Deus também é imperfeito, e se abre uma fresta pra chamar Deus de autista, de retardado, ainda assim não temos capacidade de compreender o que seja a não absolutez do nosso Deus (porque tem pessoas que estão numa inconsciência tão grave que a pessoa não tem a mínima capacidade de raciocínio e compreensão de que ainda que nosso Deus não seja perfeito, no extremo do que chamamos perfeição – sendo só o Absoluto perfeito, por exemplo, ainda assim, nós não temos a menor capacidade de compreensão do que é a imperfeição do nosso Deus, então todos os xingamentos, qualificações e adjetivações que usamos para qualificar Deus revelam apenas o quanto quem diz aquilo está falando de si mesmo e não de Deus, mas apenas de si, o que é crucial para vermos como que a voz é realmente reflexo da alma, como disse Pitágoras, e que as palavras revelam o grau da nossa doença ou saúde, e não o grau do divino enquanto revelação por quem fala, ainda que isso exista e seja raro, porque é algo silencioso e está muito mais nos detalhes, nas pausas, nos respiros, e em como a pessoa expira para nos inspirar… ou seja, quem não nos inspira está a morrer e a nos matar).

Então assim como um cachorro, um gato, uma formiga, uma barata, uma árvore, uma parede não têm a capacidade de dizer quais são os meus defeitos enquanto “senhor deles”, dona, mais evoluída que eles, o que seja, eu igualmente não tenho capacidade de expressar de forma adequada o que significaria Deus ter defeitos, por isso a loucura divina é sabedoria, e a sabedoria do homem é loucura, e essa loucura sim é retardada, autista – no sentido de realmente estar desconectada com o todo, completamente num estado esquizofrênico, doentio. Porque uma pessoa que acha que sabe dos defeitos de Deus é uma pessoa altamente doente.

Agora é claro, Deus qualifica a si mesmo para que nós possamos nos ver, é diferente. Então Deus, ele em si mesmo dizer-se ciumento e nós termos a maturidade de observarmos uma posterior leitura e tradução de que uma melhor qualificação seria Deus zeloso, e que tanto ciúme quanto zelo tem a mesma origem em termos de ciência, fazendo sentido ser tanto zelo quanto ciúmes, aí sim conseguimos ver que isso é para que nós tenhamos a capacidade de observar algo. Então é por misericórdia que se faz isso, é por misericórdia que se fragmenta as coisas, que se dá a separatividade das coisas, para que então possamos ir unificando dentro da nossa capacidade de vivência e de evolução. Tem a eternidade para isso (uma eternidade sem fim)? Toda religião fala que tem que correr atrás, tem que trabalhar, porque não vai cair no colo, e não tem uma eternidade sem fim para deixar para depois e procrastinar para sempre, até porque o inferno também é eterno (eu já falei um pouco sobre isso na Poesia da Literalidade)… mas tem a eternidade celeste para quem trabalha, para quem está afim de fazer, e se a pessoa só é capaz de dar um passo por vez, de amadurecer um passo por vez porque ela equivale à tartaruga ou à lesma, ótimo, são animais espetaculares, que serão respeitados em seus tempos; é diferente de uma pessoa que está dentro da preguiça, porque a tartaruga não é preguiçosa, é apenas o ritmo que Deus lhe deu, é completamente diferente, mas a preguiça é eu me recusar a ir no tempo que me foi dado por Deus, e que eu aliás escolhi junto a Ele. E a vaidade é, além de me recusar, eu impor um ritmo a mim mesmo tirado de mim, como uma tartaruga que fica gritando consigo para ir rápido, mas inevitavelmente é lenta: ela deixa de estar presente, e apenas produz demônios ao se forçar, induzindo algo maléfico a ela mesma. Ela não consegue ter uma vivência santa, uma vivência reta, plena de si mesma, porque a vivência santa é a vivência reta – não de ir pra celibato, igreja, mosteiro – santo é quem vive no ritmo dado por Deus no tempo e espaço pertinentes pra agora, para a evolução de agora. Qualquer pessoa que esteja dentro do tempo e espaço que lhe foi dado por Deus é santa, que é o abandono à providência divina, nos deixado pelo Padre Caussade, por exemplo.

Por isso a sombra dos santos cura, porque um santo, mesmo quando erra, mesmo sua sombra, seu lado lucífero e satânico, por assim dizer, é reto, porque são erros e obscuridades que lhe pertencem genuinamente. Então um Jó vai ensinar, a tentação, a sombra de Jó, a impaciência e toda a ruminação dele se tornam um ensinamento para nós. A negação de Pedro se torna ensinamento para nós. Então quer dizer, a sombra de uma pessoa santa se torna uma pedra de fundamento, e Satanás, Saturno, Capricórnio, nada mais é do que pedra, nós sabemos, e aí se torna pedra de fundamento, se torna o que me move enquanto direcionamento, enquanto joelhos, aquilo que se torna minha articulação enquanto melhoria de mim mesma, porque daí tenho uma sincera observação de minha sombra, porque pode ser que eu leve três vezes um tombo, negando Cristo, para acordar para o que estou fazendo, e usar isso como um direcionamento – assumindo que é preciso endireitar as veredas, parar de desviar tanto do reto, porque Satã se relaciona com oposição e também com desvio em hebraico, parando de me opor e de me desviar tanto, ainda que seja inevitável (pois a retidão perfeita, só Cristo Jesus, graças a Deus, por isso Ele é Deus e Mestre, único Mestre).

Por isso a sombra dos santos cura, e por isso Saturno, Satanás, vai ser também um aplicador de provas – isso não é comparar ao bem e colocar em grau de Mestre, Mestre só o Cristo – SÓ! Mas a maestria de Cristo Jesus não é a anulação da necessidade dos outros seres, pelo contrário, é a exaltação de todas as existências, porque Ele inova e ressignifica todas as coisas.

Vejam, as existências em si não são a sombra, Lúcifer e Satanás em si, em essência, não são o mal, porque o mal é um efeito, um efeito real enquanto estamos vivendo esta vida, mas efeito apenas, e eles são criaturas que vivem para esse efeito, e não para a causa, por isso não existem dois caminhos, por isso a dualidade ela é um aprendizado momentâneo, crucial para se passar para outro nível, crucial para amadurecermos, ela faz parte do amadurecimento, sim, mas não sendo a bifurcação uma realidade verdadeira, não há caminho negro ou de esquerda, o único caminho é Cristo, o caminho do meio, por isso nenhuma criatura em si é o mal, porque o mal em si não é um deus ou uma criatura em si mesmo, mas há criaturas que escolhem sim viver para a sombra e não para o Sol, contudo, a própria sombra é consequência possível por existir o Sol, sem o Sol não há sombra, pois a sombra não é autônoma como a gente tende a pensar, como se o Sol apagando restasse só escuridão, não, nem a própria escuridão restaria, porque o Sol não surge por haver a necessidade de se extinguir a sombra, mas o contrário, a sombra se faz temporariamente presente para que o Sol se torne conhecido por todos, pra que o busquemos! A busca é necessária! A Cabalá nos ensina tudo isso muito bem. E os seres que vivem para a escuridão cometem um equívoco grande, porque é a escolha pela ignorância: ignorar e até mesmo negar que o Sol é o único e verdadeiro Senhor. Mas para quem amadurece e quer dar frutos, lidar com a sombra será um teste, porque todo galho onde se produz vida a sombra lhe será, temporariamente, inerente. Claro que podemos falar sobre quando nasce o segundo Sol, o Sol da meia-noite que faz com que toda sombra seja dissipada, porque aí haverá um sol de meio-dia e um de meia-noite, mas antes disso é preciso passar pelo fato de que a sombra precisará ser encarada como uma realidade, mesmo que saibamos ser uma ilusão em termos macros. Naquele momento ela é real! E precisa ser tratada como tal. Faz parte do processo de madurez. E falarei mais sobre isso na Poesia do Contraste.

Mas basicamente é por isso que o retorno de Saturno tem a fama de: se você aprendeu e fez as lições que te eram destinadas, quando ele vier para dar a prova, para te provar, você vai tirar de letra – por assim dizer. Não quer dizer que vá ser fácil, obviamente passar pelo que Jó passou não é fácil, assim como passar pela dor de afundar ao caminhar nas águas não é fácil, bem como difícil se dar conta de que se nega a Cristo, e mais difícil ainda ter Satanás trazendo sua cruz tal qual Cristo Jesus. Mas se eu não for capaz de me formar no fundamental e no ginásio, eu não vou pro mestrado, não vou para o Mestre, é meio que isso. Quer dizer, ginásio e fundamental é Lúcifer, Saturno é pra quem já está na graduação… ainda que todas essas coisas, eis o paradoxo, aconteçam ao mesmo tempo, cada uma em seu grau de possibilidade, uma alterando a outra, consequentemente, porque não deixamos de passar pelo retorno de Saturno, mas alteram-se as configurações, então as pessoas mais imaturas estarão imersas muito mais num processo lucífero, então mesmo apanhando de Saturno, isso vai se manifestar muito mais na Lua e Marte baixos, ou seja, pode se refletir, por exemplo, em situações de grande imobilidade externa mas tremenda ansiedade interna, com ações contra si mesmo ou contra os outros, por exemplo depressão acompanhada de mutilação ou mesmo de suicídio, e não a depressão que apenas definha, é diferente, são características diferentes de expressão, bem como extrema carência, fome de algo que não se sabe explicar, sem conseguir ter controle apropriado da mente, podendo Saturno usar de sombras do passado, da memória (Lua) para imobilizar. Só a título de exemplo e diferenciação, se fosse alguém aparentemente mais maduro, que já tem mais domínio da Lua e de Marte e está passando por Saturno, mas cai na arrogância de achar que tem tudo controlado, tem certeza de que vai tirar 10 na prova porque estudou pra caramba (ou seja, tem um Marte exaltado e organizado), bom, então Marte, Lúcifer, atuará com arrogância na presença de Saturno (isso se mostra especialmente em mapa com Marte próximo ao meio do céu, juntos ou em aspectos específicos com Saturno ou com Marte em Capricórnio, supostamente exaltado), sendo refletido como vaidade, orgulho, prepotência, e a Lua descalibrada será usada pra criar memórias falsas e para gerar más interpretações das coisas que acontecem, então quanto mais a pessoa achar que sabe e que está certa no seu ponto de vista, mais Saturno irá restringir sua vida, ainda que não restrinja suas ações em si por Marte estar predominante, mas Saturno pode restringir os recursos da casa e signo onde se encontrar, por exemplo – e de nada adianta ter mãos para obrar e não ter matéria-prima. Marte poderá dominá-la também pela ira, caso a matéria se apresente. Mas sabemos que o orgulho em si já é o maior pecado, o resto é só ladeira abaixo. Claro que a Lua, nesses dois exemplos, está sendo usada de maneira muito baixa, deformada, destituída de sua beleza, de sua reflexão apropriada, é o que chamamos de lado obscuro da Lua que está sendo ativado, por assim dizer, ele não reflete e nos faz imponderados, entregues aos instintos femininos, especialmente, e inconscientes. O que é uma lástima, por isso se diz que os anjos choram quando não sabemos trabalhar com eles, sendo que toda Lua é lar angélico, e deveríamos buscar aprender a verdadeiramente e humildemente destiná-la a uma relação digna e até mesmo exaltada.

Por isso a retrospecção ajuda, ela nos mostra quando estamos repetindo de série, quando estamos no fundamental há tempo demais, quando estamos no ginásio há tempo demais, e pior, quando estamos matando aula, quando não sabemos nem onde estamos, mornos, tanto faz como tanto fez… eu tenho dificuldade de compreender como as pessoas podem simplesmente não se importar com a vida espiritual. E não entro nem em mérito de certo e errado, se aquela religião vai atrasar ou não, só vá atrás de algo espiritual, porque senão não anda nada, então ande para trás, vai buscar algo que regrida ou evolua, tanto faz, mas ande, porque antes isso do que não fazer nada, do que se conformar com um ateísmo morno, ou ficar esperando cair do céu, não se esforçar, não buscar um significado para as coisas: ah, é só isso mesmo, acabou. Como se conformar com isso?! É assim e acabou… Como fazer do nada uma forma?! É o absurdo do absurdo! Essa é a Besta em sua falsa glória, fazer-se crer um ser com autonomia de existência e possibilidade de vivência.

Uma coisa é o Nada com n maiúsculo enquanto inapreensibilidade da grandeza e obscurecimento da Luz por sua onipresença, onipotência, onisciência. O Aïn Sof, o Aïn da Cabalá. Isso nós chamamos de Nada porque é um Tudo incompreensível, que está para além da concepção de tudo o que conseguimos abarcar enquanto totalidade. É a absolutez inalcançável para nosso estado, ao menos. Mas o nada bestial, o nada do vazio, o nada caótico da anarquia, o nada com n minúsculo, ele não tem forma, é justo a negação da forma, mas a pessoa que o afirma não vê que é a própria absurdez o que ela afirma, e que sequer tem lógica racional – apesar do ateísmo, por ex., ser pautado justo na racionalidade da matéria. Mas falsa né, porque basta pensar um pouco, um pouquinho, pra entender racionalmente que o nada não tem forma, então que o nada jamais poderia produzir, ou seja, ser o Ser ou a Causa de uma Forma, ainda que esta forma seja ilusória e temporária, não importa. É só da forma fixa e imutável de Deus que provém as outras. O nada não pode ser base, não tem como ser base para a criação de qualquer materialidade que seja. Então é preciso que o cerne de tudo seja o Tudo, Deus. O nada é efeito, é consequência, é necessidade temporária de contraste. E claro, muitos chamam Deus de um grande Nada também, como citado, mas é diferente, porque o Nada aqui representa o inapreensível, e, portanto, nada que se possa definir intelectualmente, como dito. Nisso Deus é o Nada, justo porque é Deus. Ele é o Nada por comportar todas as possibilidades, toda a potencialidade, sendo Ele a própria Potência e, portanto, Senhor de todas as formas e de tudo o que se manifesta, seja como efeito seja como causa.

O próprio movimento histórico materialista é a prova de que algo está acontecendo, que tem algo maior acontecendo todo o tempo, todas as coisas estando conectadas, os eventos históricos não são jogos de dados (como quiseram colocar alguns falsos profetas/poetas – que Deus joga dados), aos nossos olhos pode ser casualidade, mas quando vemos o primeiro homem da caverna que fez o primeiro risco na parede, e hoje fazermos riscos num papel e nos comunicarmos minimamente, e haver internet e expressarmos desejos, preocupações, medos, alegrias, gozos, euforias, tudo – de demônios a anjos sendo expressados, ainda que não haja palavras para descrever de fato o inferno e o céu, ainda assim, tantas obras magníficas, na Arte especialmente, e coloco na Arte tanto obras de santos, assim como teorias científicas, que são Arte quando nos fazem evoluir, quando são inegavelmente boas e belas; sendo a própria história materialista a prova cabal inegável de que tudo tem significado, efeito e causa, e que basta pensar que: o homem rupestre é como uma criança que rabisca a parede, e a gente fica pau da vida, mas ao mesmo tempo entende que isso é um primeiro indício de que mais tarde esse ser estará se comunicando, se expressando mais plenamente… ou seja, é um efeito que tem como causa um final específico, ou um devir específico…

O erro da fé materialista é pensar sempre: chegou, é aqui que dava pra chegar, e chegou. Porque a pessoa é tão empoderada, acha que ela é a raiz de todo o poder, que ela é o suprassumo do poder e o estado em que se encontra, o ápice da expressão da evolução, que ela acha que o agora é o máximo que pode haver, não tem amanhã, não tem nada depois de mim, depois desse estado de coisas e de organização, aí coloca todo mundo uniformizado igualzinho, com mesmo salário, mesmas casinhas, mesma forma de família (porque nisso ninguém pensa, ninguém no Brasil, ao menos, assume que comunismo não aceita família gay, isso é deformação dos princípios comunistas. É que o comunismo político virou revolução cultural e nisso houve uma reformulação deformadora das bases para ele continuar existindo, mas ninguém assume isso). Então quer dizer, o estado uniformiza e padroniza o seu estilo de vida, não só seu dinheiro mas também a sua cultura, e pronto, é o máximo que dá pra fazer, eis o céu… só pode ser brincadeira, né?! Isso não faz sentido em lugar nenhum do mundo, não faz sentido racional, porque é acreditar que se chega numa evolução humana final, ou no controle da evolução humana material, sendo que os homens da caverna jamais teriam sido capazes de controlar as consequências de um risco na parede, assim como é risível que o ser humano de hoje ache que ele é capaz de controlar a consequência coletiva de um novo feito humano no campo material. Acreditar nisso é risível, para dizer o mínimo.

A própria história materialista é a afirmação das diferenças no decorrer do tempo no espaço, e não a estabilização da igualdade, nunca foi, nunca será, o marxismo é a própria deformação de sua ferramenta, e por isso muita gente que se acha marxista nem sabe do que fala, marxismo em si não existe, porque ele é a manutenção do que seria a igualdade celestial feita pelo homem, com a primazia nas mãos do homem – que é magia negra, em suma, que já foi falado na Poesia anterior: milagre tem a primazia de Deus, magia negra a primazia está na mão do homem; mas o que há hoje é uma bestialidade que se reveste por este nome, é diferente, porque esta besta, através das diferenças, quer impor o relativismo absoluto, o caos anárquico, ou seja, é como se se acabasse inclusive com a magia, e só fica o negra, é só a escuridão que fica, porque a primazia já não é sequer do homem, mas da besta que ele se torna, já não mais podendo ser chamado de homem, mas estando entregue aos demônios. É como querer beber álcool como se fosse água, ou pior, beber um copo vazio afirmando que a transparência do nada que “há” ali é igual a transparência da água e do álcool.

A matéria, por mais que ela seja deformada e deturpada aos nossos olhos em aparência, ela é inegavelmente o reflexo do alto, então inegavelmente ela é a evolução, ainda que através de uma involução espiritual, indo para o zenit da materialidade que equivale ao nadir da espiritualidade, ou seja, o ponto mais alto da materialidade é equivalente ao ponto mais baixo da espiritualidade. Então antes beber álcool do que beber o nada.

Para um bom entendedor, ainda assim, a involução espiritual no micro é evolução espiritual no macro, mas claro, não dá para aceitar os erros de agora – de uma regressão e involução proposital – e ficar falando: tá fazendo merda, mas está evoluindo, faz parte fazer merda – involuir é necessário, mas ficar de maneira astuta e sabidamente repetitiva, isso que não dá: usar da necessidade de involução para justificar a nossa permanência numa regressão e não passar a evoluir, a melhorar o estado das coisas desde o espiritual a partir da hora em que somos chamados para isso, para que assim seja – pois cada um terá seu tempo de chamada, mas todos devemos continuar caminhando sem parar, pois muitos são chamados, poucos são escolhidos, isso é o que devemos buscar, e não aquilo – não a negação das coisas todas. Então isso não é um movimento geral, mas individual, contudo é preciso correr atrás, como nos exorta São Paulo: Cristo, que é Deus, caminha, mas nós, que somos homens: corramos!!! porque estamos muito atrás, e porque por mais que façamos, não fazemos nada, todo o nosso trabalho é pó, porque tudo o que fazemos só nos mostra que somos servos inúteis quando finalizamos algo… assim como no Oriente se constrói mandalas e as destrói depois, é o mesmo princípio, servo inútil porque o nosso trabalho não é fixo, só a fé o deveria ser, em termos de que o trabalho muda, a ciência muda, mas a fé é a mesma do começo ao fim… agora, a diferença entre o Oriente e o Ocidente é que no Oriente Deus destruirá tudo, porque a figura equivalente ao Pai é um destruidor, sendo essa é uma visão Saturnina de Aquário, que vem destruir o que Capricórnio construiu, vem novamente fazer da pedra sobre pedra pó, assim como também no Oriente essa visão se liga ao Nodo Norte da Lua (conhecido também como Cabeça do Dragão que tem seu domicílio em Aquário junto a Saturno na astrologia védica), sendo que no Ocidente o Pai não destrói, mas Urano aparece em seu trono Real, e o Nodo Norte ganha outra dimensão, deixa de ser karma ou dharma futuro para se tornar missão (de sofrimento E de júbilo, ambos andando juntos), missão essa para a glória do Pai, e Ele inova tudo através do Filho, para que nada seja perdido. Como em outros momentos já disse e repito: Tudo se crea para que nada se perca, eternamente se inova.

Então em termo coletivo só o Pai sabe quando essa evolução se tornará observável, por enquanto ela é apenas vislumbrada individualmente, e de maneira que a maioria é cega, então não adianta apontar, é preciso ter fé para conhecer o fato de que o bem, se não em termos de quantidade, em termos de qualidade, supera e muito o mal, a ignorância, por isso continuamos evoluindo como um todo. E por isso os campos estão brancos o tempo todo, prontos para a colheita, porque em cada grau de maturidade se tem um tipo de colheita, e o tempo todo a maioria está amadurecendo e tem o que colher, e por isso também é perigoso ficar disseminando crença de que ‘somos bostas, somos todos uma merda, estamos no fundo do poço’, aí começa a propagar ideias de que nos suicidaremos, de que nasceremos deformados, começa a incutir medo como se o medo nos fizesse caminhar, quando o que ele faz é gerar paralisia, e quando dá algum passo é para trás, como pessoas que disseminam o fim do mundo pra ontem e junto a isso ideias de suicídio coletivo. O medo, derivado de Saturno, nos testa, é diferente de crer que ele nos faz caminhar. É claro que devemos falar de nossas sombras, não é oprimir nem reprimir, porque isso é tão ruim quanto, mas fazer marketing delas ou colocá-las de maneira a gerar pânico, ou mesmo eufórica como colocamos, como os jornais fazem, e mesmo pessoas que se dizem espirituais, mas que são claramente perturbadas, que claramente abrem a boca e só cospem pedras, só vomitam coisas pobres, só disseminam ideias mortas… fazer essas coisas como a mídia e algumas pessoas individualmente fazem, especialmente usando da espiritualidade alheia para vampirizar e hipnotizar, é um estado de ignorância que prefiro nem comentar. É um grau grave de doença.

Meus queridos, meus amigos, tudo e todos que fazem terror psicológico e emocional contigo, tome cuidado, porque uma coisa é se preocupar, ter um senso crítico de que a sociedade não está indo por um bom caminho e tentar endireitar, tentar apontar a Luz para, quem sabe, individualmente escolhermos o melhor e assim, aos poucos, a sociedade mudar. Mas aquele ou aquilo que te deixa em estado de alerta, de tensão, de ansiedade ou depressão, quem te dá banho quente ou banho frio, te escaldando e arrancando tua pele para usar como prêmio, seja o prêmio em forma de likes, em forma de audiência, em forma de alunos, em forma de clientes, em forma seguidores, em forma de discípulos, em forma de pacientes, seja na forma que for, te deixando inclusive dependente daquele meio ou daquele humano, porque sem ele você não sabe nada, porque as explicações dele são as mais fodas, porque é o único jornal, a única pessoa que diz a verdade doa a quem doer, e esse tipo de coisa, sem que você aprenda em nenhum momento a se tornar um ser independente de fato, que sabe ver as coisas e interpretar por si próprio, cuidado! Porque esses são realmente perigosos, aqueles que nos mantêm dormindo mesmo quando aparentam saber muito, mas no fundo nada sabem e não possuem nenhuma informação de fato profunda e relevante, só uma coisa e outra, porque a maior parte é podre. São criaturas que te querem imaturo, que não anseiam pela maturidade alheia, porque eles próprios são podres e não querem que saibamos disso, mas, ao contrário, quer que nos tornemos como eles. Então é preciso estar atento. E por isso é importantíssimo desenvolver o discernimento e sempre caminhar para que nos tornemos capazes de ver o espiritual e a matéria por nós mesmos. Não adianta repetir o que um autor fala ou faz, de nada adianta ouvir o que eu aqui digo se isso não ganha alguma aplicabilidade na vida de fato, se não te faz refletir, se não te faz alguém melhor em atos, em vontade. Então é preciso estar atento, e por isso é importantíssimo desenvolver o discernimento e sempre caminhar para que nos tornemos capazes de ver o espiritual e a matéria por nós mesmos, repetindo. Vejam com seus próprios olhos, peçam por isso, roguem por isso. Busquem meios e pessoas que incentivem tua emancipação, teu amadurecimento, para que amanheça, para que haja uma manhã dentro de ti mesmo, pessoas que busquem uma relação de independência, que não precisem de você e nem você delas, mas que por verdadeira escolha permaneçam uma ao lado da outra, seja como família, como amigos, como casal, como professor e aluno, médico e paciente, o que seja, porque só assim se chega de fato ao Amor: Escolhendo! Como falei na Poesia do Amor.

Por que Deus nos fez? Ele precisava de nós? Não. Ele dependia de nós? Não.
E por que nos escolher então, por que escolher nos fazer, nos crear?

Por Amor.

E essa não é uma resposta intelectualizada como quem busca uma resposta em si, pois quando eu digo Amor eu também não sei do que falo, porque nós não temos dimensão do que seja o Amor divino de fato. Ele só É, e a gente ainda não tem capacidade de apreensão do que significa só Ser. E não compreendemos uma escolha que é escolha pura, cuja essência é a doação, sem jamais esperar nada em troca. Por isso Deus não é um Deus de premiação e punição, como muitos colocam. Isso somos nós, criaturas, que fazemos uns com os outros. Deus não premia nem pune ninguém, Ele só escolhe se doar independentemente do que aconteça. Por isso se diz: dê os frutos para os Outros conforme a necessidade, mas não olhe para julgar quem come ou não dele, ou o que fazem com ele, apenas doe o que foi semeado, tendo o cuidado para não jogar pérolas aos porcos, sim, para não dar pães inteiros aos cachorros, quiçá as migalhas, mas doando o que lhes for de necessidade, sabendo que há muitos cuja necessidade é inclusive receber um ‘não’ como resposta, inclusive. Porque Amar e se Doar não é dizer sim a tudo o tempo todo. Sem meu não, o meu sim é nada.

É difícil ter discernimento? Muito difícil. Mas há que buscá-lo.

E há uma queda de diferença entre o fruto que está maduro, o fruto que ainda está verde e o fruto que está no chão, apodrecendo. Porque se eu sou imaturo e estou na árvore, e não tenho capacidade de movimentação e de real conexão com a árvore num todo, conexão com meus irmãos, não vou conseguir observar que a qualidade dos frutos que estão na árvore é muito superior do que os que são vistos no chão. E se torna fácil ficar gritando que é tudo podre, que a árvore inclusive está louca, ‘ela é a culpada, ela está podre, morta, porque olha os frutos que ela produziu, olha que merda tudo apodrecendo no chão, cheio de fungo, se tornando álcool, fermentando’ etc..

Só que o problema não está na árvore, mas sim na pessoa cega. Então normalmente ou é uma pessoa imatura e fala tudo isso na inocência – sendo que normalmente, normalmente, quando ela faz marketing do ‘a gente é uma merda’ ela meio que se desespera, há um quê de preocupação real, só que ainda é imatura então ela vai propagar a merda, não vê que essa ansiedade dela é de um Áries infantil, por isso Áries é tida como a criança dos signos, ela está a mercê dum Marte infantilizado. Ou se propaga que a gente é uma merda porque se é um fruto podre, que caiu da árvore e só consegue ver o que está ao redor, no chão também, ou pior ainda se for alguém que caiu, vê a árvore e xinga por inveja, por querer que os outros frutos, que estão maduros, não sejam colhidos, não alimentem o resto, por querer que os frutos pereçam… e conseguir discernir essa ignorância até seu grau máximo da maldade em si requer muita paz e tranquilidade, porque o fruto maduro sabe que não adianta se desesperar com nada, nem com quem está no chão propagando maldades, porque se o fruto maduro se mexer muito por se alterar com aquilo, ele também cai.

Então um fruto maduro não deve permitir que o bando de fruto podre que grita que a árvore e seus frutos são uma merda o afete enquanto tormento, porque o outro está fazendo o papel de merda, então ele se identificou com a merda e se tornou merda, ou seja, adubo, e por astúcia e maldade reflete sua identidade no resto, ainda que em última análise qualquer um que escolha isso não saiba o que está fazendo, então seja apenas ignorância num grau extremo.

É preciso muita tranquilidade para não se deixar levar e acabar caindo também. E mesmo muita tranquilidade para não se achar imaturo e deixar de alimentar quando convém, não se permitir ser colhido na hora certa, porque fica achando que colheita é queda, porque colheita também se relaciona com Saturno, é a foice de Saturno que colhe a fruta na hora certa, especialmente em Libra – que é sua exaltação, sobre a qual já falei em outras Poesias.

Então, uma das formas dessa colheita vem, aproximadamente, de 30 em 30 anos para ver os que atingiram uma maturidade do espiritual junto à matéria, seja no grau em que se estiver, para que os frutos maduros, ou a maturidade da pessoa seja colhida e se torne alimento para os outros. Não é que Saturno, Satanás alimente os outros – quem alimenta é o Espírito Santo, o Filho e o Pai, Deus em sua trindade, a Árvore da Vida, mas aquele que colhe neste mundo tem a sua função: que é colher apenas. Então o ceifador é necessário, ainda, ao menos, mas é completamente diferente de uma pessoa que fica crendo que Saturno é só o que passa a foice arrancando todos os frutos, fazendo-os cair da árvore. E abismalmente diferente daqueles que tomam para si esse cargo, porque é preciso que o Filho do Homem seja sacrificado, mas ai daquele que for o responsável!

Então começamos a observar que a maldade faz uso duma ferramenta satânica, assim como uso de ferramentas lucíferas, mas essas figuras em essência têm sua função, portanto são parte da hierarquia, porque tudo é trabalho, como já falei na Poesia passada; a eternidade, seja no inferno, seja no céu, é trabalho e oração, e quem quer trabalhar para o mal também ora, pois orar é conversar com as hierarquias dentro da verticalidade, seja para cima seja para baixo. Por isso, se a gente caiu e pode tornar a elevar-se, anjos caídos também podem tornar a elevar-se. É claro que há quem discorde, há Filhos da Água que negarão essa possibilidade, e há autores maravilhosos que não abrem qualquer redenção aos que caem. Mas acredito que seja preciso ver que a misericórdia divina abarca o abismo e, ainda que seja improvável, é possível que um anjo caído se arrependa e retorne ao cimo. Eu, ao menos, acredito verdadeiramente nisso.

Existem princípios e funções que são criadas para serem executadas a partir de um determinado tipo de existência, já que caíram, porque ninguém fica de pernas pro ar – por assim dizer. Então o mal se torna escravo do bem, mas é preciso ver que, obviamente, o rei da sombra sofre dos 7 pecados capitais, sendo preguiçoso e orgulhoso, querendo ser servido pelos que anseiam por sua majestade. O que prova que é estupidez nossa querer servi-lo, claro. Os do mal nos fazem escravos, porque repetem e reproduzem a sua própria condição inevitável, não porque Deus os force a algo, mas porque é como a gravidade, o trabalho é algo inescapável, é uma força divina maior do que querer ou não, não requer que a física mande alguém cair para que a gravidade se dê, assim como Deus não precisa obrigar ninguém a trabalhar para que o trabalho se dê.

Agora é claro, assim como na gravidade nós podemos caminhar, nós podemos cair e nós podemos morrer de um tombo, de uma queda muito alta, enfim, e assim como podemos criar naves e voar, máquinas que voam, o trabalho também tem diversas fórmulas pelas quais ele pode acontecer, uma delas é pela obrigatoriedade compulsória, a escravidão, no caso.

E ser ceifado na hora certa é diferente da frutinha que cai e fica gritando que tudo é merda. É muito diferente. Por isso não adianta culpar Satanás ou Lúcifer, só se cai porque se permite tal queda! A responsabilidade é de cada um, não adianta querer culpar o inferno, o inferno é feito pelas nossas escolhas pessoais em escolher o tormento que leva à queda, à dúvida que leva a ficar balançando prum lado e pro outro, entre lados opostos, entre respostas diversas, num relativismo absoluto que não cabe ao homem, porque ele deve ser firme em Deus. Mas é claro, o rigor excessivo, da dura cerviz, também leva à queda, leva ao satânico empedramento do fio que nos conecta à árvore e pelo qual ela nos alimenta. Então é preciso ter do movimento, mas do movimento se relaciona ao Espírito Santo, por isso é preciso que o Fogo seja contristado pela Água, é inevitável. E, aliás, é profundamente belo! Por isso é possível usar do Fogo para catalisar o processo, é possível usar da ferramenta lucífera para cozinhar o alimento espiritual e evoluir mais rápido do que seria apenas comendo alimentos crus, inconsciente do movimento de queima dentro. Mas só é possível seu verdadeiro uso em submissão ao Espírito Santo, ou seja, passando por missões menores, sub-missões, para somente no designo de Deus receber uma missão realmente.

A queda de Lúcifer foi ansiar por uma missão que não era sua, crer que podia almejar a missão principal, ou mesmo crer que seu Fogo poderia substituir a Água eternamente, sendo que seu Fogo sequer é seu, mas lhe foi dado e pode ser tirado, assim como já lhe foi tirado, porque Cristo Jesus o venceu na Cruz. Sendo que pelo alimento cru começamos e a ele retornaremos, aparente e literalmente, porque isso aumenta nossa consciência do fogo interno. E por isso creio piamente em meu coração que seja possível a redenção dos anjos que caíram, contudo não é possível voltarem sendo senhores desse Fogo, por isso já comentei também em outra Poesia que um lucífero pode voltar, mas tendo seu posto destituído, perde sua importância, não há mais trono onde se sentar nem reino a governar caso queira voltar de fato à presença do Altíssimo. Talvez seja algo improvável de se ver acontecer, mas sim possível.

Tudo isso para dizer que: só com uma profunda compreensão de toda a separatividade, ou seja, sempre lançando novos raios acerca desse assunto e sobre este assunto, sobre toda a ceifa, todo o trabalho, é que se chega à compreensão das exaltações, da maturidade que observa um sol nascente, do coletivo espiritual exaltado, inclusive observável nos planetas – sendo um planeta em queda ou exaltado diferente do que costumamos analisar e dizer astrologicamente por aí, com possibilidades mais refinadas de se olhar para isso –, o planeta em queda faz um trabalho de tomada de consciência junto da separatividade, enquanto o exaltado é o trabalho de tomada de consciência junto da unidade. A Queda só existe em contraste com a Exaltação, ainda que a Exaltação tenha uma existência em si mesma, mas, neste período em que estamos, só seja observada e apreendida se em contraste com a queda em si mesma.

Mas um planeta em queda pode ser algo magnífico em termos de se conhecer enquanto indivíduo, mas se mal vivido, atentemos à gravidade, vira disforia, vira vulgaridade, promiscuidade, esquizofrenia… eu citei a Vênus em Peixes anteriormente e sua falsa exaltação, agora observemos sua queda: uma Vênus em Virgem estará trabalhando a vulgaridade dela mesma na tendência a estar entregue às aparências preconceituosas, mas se compreendermos o propósito essencial do porquê dela necessitar passar pela queda veremos que é para aprender algo sobre a separatividade. Não é para se apegar à separatividade, tendência da Vênus em Virgem será de apego às aparências materiais, à discriminação, ao próprio separar e analisar tudo, mas em usar disso enquanto ferramenta catalisadora de sua emancipação. Por exemplo, conseguir observar o seu grau de evolução. Então uma Vênus que saiba olhar para o próximo, ver sua doença e amá-lo, sem ficar esperando ou exigindo que se seja perfeito e se seja saudável, essa pessoa pode ajudar muito na cura, pode descobrir em si uma capacidade de curar maravilhosa. É um grande desafio? Sim, claro, mas é uma possibilidade, possibilidade da pessoa que vê o mundo doente e em vez de discriminar esse mundo, se prontifica a amá-lo para que seja curado, para isso ela tem que estar curado, então o saber-se saudável ou mais saudável do que os com quem eu lido não é mais para discriminar e preconceituosamente não se misturar ou fazer exigências absurdas ao próximo, mas sim para que eu me sabendo saudável, curado no ponto específico em que os outros que se me apresentam estão doentes, aí posso ajudá-los, ou então, outra possibilidade, eu descobrir e saber que o meu feminino está doente e o mundo vai ser um espelho disso, eu vou achar que os outros que estão doentes, mas na verdade é um espelho, eu vou ter nesta vida a possibilidade de me curar disso, de curar o meu feminino, de sabê-lo doente, adoentado, e poder ir atrás de uma cura.

Assim como o domicílio e exílio: um planeta domiciliado serve à unificação de si, porque a exaltação é unificação de Si no Todo, e o domicílio é a unificação de si em Si, dum eu menor com o Eu maior. Então pode ser algo maravilhoso o exílio, que é separar-se de si e se observar, desde que a pessoa consiga se observar, usar isso a seu favor enquanto ferramenta de melhora de si mesmo, pode ser a chave que falta cair para que a pessoa esteja plena de fato em si mesma, e não precisa que uma pessoa com Vênus em Virgem, Escorpião ou Áries espere uma próxima vida para vir com Vênus em Peixes, Touro ou Libra para daí viver a unificação, não, se nessa vida a pessoa aprende a se observar – é claro que cada exílio, em Escorpião e em Áries terá uma lição diferente –, mas, basicamente, ela pode viver nessa vida a libertação dessa Vênus em termos de uma força que aprende apenas naquele signo.

Isso não é forjar um novo mapa, pois é viver seu mapa no máximo dos graus possíveis que ele te ensina, que aí sim você poderá viver os mapas que estão prometidos em vidas futuras, as lições de vidas futuras. Não é que se forja um novo mapa, as próprias hierarquias darão novas lições de maneiras sublimadas, então não se terá um mapa em que Vênus estará em aparência em outro signo, mas se poderá viver isso de maneira manifestada para quem tem olhos de ver acima da matéria da carne. Assim como a única forma de, de fato, se forjar um mapa é uma única ocasião: para curar os enfermos. Somente este caso permite que usemos de uma força que não temos e acessemos uma determinada configuração específica para um determinado evento. Só. O resto do que se diz de ‘forjar um mapa’ é magia negra, pois mesmo o curar a si mesmo se dá pelo crescimento das sementes que as hierarquias nos deram e nós, junto delas, aceitamos e escolhemos.

O mapa é para trabalharmos nossas sombras e vigiarmos nossa claridade, trabalhar para que as sombras se dissipem, vigiar para que, tal qual uma casa, nossa claridade não seja perdida, obscurecida, invadida, usurpada, roubada. Para isso que serve a ciência, para ajudar a vigiar, porque se sei que tenho uma tendência, então estarei atento a isso para que isso não me tome de assalto, não fique obsedado por criaturas em busca disso, nem possuído por ideias que comunguem com isso. Vou me purificar, me limpar, ainda que podendo ser uma tentação que me acompanhe a vida inteira, e sabendo que haverá momentos de vivenciar isso, mas de maneira verdadeira.

Fazer merda de verdade é dificílimo, porque requer grau de santificação, que é quando a sombra cura os enfermos, quando até meu erro se torna ensinamento para os outros que estão piores. Assim como há fezes que servem de esterco, sendo específico de vaca, galinha, cavalo, minhoca… tem fezes que é só cocô, não é esterco, não passa pelo processo de secagem ao sol, porque mesmo as fezes que se tornam adubo não é de qualquer jeito, tem um tratamento… a diferença é que o santo faz esse tratamento, é alguém mais cientes, mais desperto, sendo o médico que cura a si mesmo, porque todo médico deveria ser santo. Todo médico de verdade é santo, médicos em aparência são falsos médicos, não são santos. Assim como curar a si mesmo não se bastando, mas sendo exemplo de quem se entrega verdadeiramente à providência divina e à missão nessa vida, seja a missão curar os enfermos através de remédios, seja curar os enfermos através da imposição das mãos etc.. o principal é seguir o Mestre e, portanto, estar no Caminho.

Lembrando que não é a profissão aparente que diz respeito à santificação, seja médico seja padre, não significa que sejam santos, mas quem está na santificação busca maneiras aparentes, literais, simbólicas e arquetípicas de curar a humanidade. Ambos curam, cada um na sua via, mas ambos buscam o mesmo princípio, ainda que nem todos os que buscam profissões relacionadas à saúde do povo estejam de fato em Cristo. Que é o problema da aparência, que já tratei na Poesia da Literalidade: aparência não pode determinar a literalidade, o simbólico e o arquetípico.

É claro que a graça de curar nossos irmãos é vinda do alto e só e possível a recebermos se buscamos nos purificar de alguma forma, não quer dizer que logremos essa purificação, mas tendo o genuíno anseio, genuína vontade e desejo de nos purificarmos, porque isso não ocorre por si mesmo, os vícios não nos deixam porque nós queremos ou os vencemos, mas porque Deus os afasta de nós, Ele que nos faz fortes, nós devemos ter a vontade e o desejo verdadeiros de que isso aconteça, do contrário até é possível que algo mude, porque para Deus tudo é possível, mas é improvável.

Amadurecer é querer, ansiar, desejar, ter vontade de que uma Luz seja lançada sobre nossa sombra, que nossa imaturidade verde e inconsciente se torne colorida, cheia de vida, de ciência, e depois cheia de consciência, de abundância para a colheita – colheita que se relaciona também com coletivo, sendo quando nossa individualidade se torna capacitada para de fato se unir à coletividade, que é o caso de passar do domicílio dos planetas às suas exaltações, como comentado, tendo sido tratado sobre Colheita e Coletivo na Poesia passada.

Então a Poesia do Amadurecimento, do verbo Amadurecer, talvez seja isso: quando vamos observando as coisas através de uma nova Luz, um novo raio que surge a cada vez, nessa aurora que desponta, nesse Sol que surge triunfante, e aí, num determinado momento vai ser útil e conveniente observar Deus como um espelho para nossos ciúmes e, inclusive, impotências, e outras vezes será útil e conveniente observá-lO como um ser zeloso e potente. A real maturidade talvez não esteja no que eu vejo de fato, se ciumento ou zeloso no fim das contas, mas em como eu uso os adjetivos enquanto ferramentas para que a humanidade se veja e, um dia, sem adjetivos, possa ver Deus face a face.

Então quando formos criticar ou elogiar, usar adjetivos para qualificar alguma coisa ou alguém na nossa vida, lembremos: aquilo fala muito mais sobre nós do que sobre o que qualificamos em si mesmo. E se queremos crescer, amadurecer em relação ao que nos vai sendo dado e ao que já temos, que encontremos formas mais criativas e poéticas de se lidar com essas qualificações. Não usando para desqualificar, numa disforia ou numa euforia, em vez de uma exaltação e uma queda que verdadeiramente nos ensinam. E ensinam mais sobre nós enquanto humanidade, do que sobre Deus em si mesmo. E, paradoxalmente, quanto mais aprendemos sobre a humanidade, mais aprendemos sobre Deus em si mesmo. Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o mundo. Conhece-te a ti mesmo e conhecerás Deus um dia.

Eu tenho fé de que assim seja, porque sei, em mim, que é isso o que todas as hierarquias cantam o tempo inteiro para que nos lembremos: glória a Deus para que um dia à nossa verdadeira casa nós voltemos. Amadureçamos… Olhai, os campos estão brancos para a colheita.

Caminhemos…

Que Deus seja convosco!

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