O que é Ser Artista? O que é um Artista, em Verdade?

Se sabemos que Arte vem de tékne, em grego, que significa literalmente técnica, temos pela Lei da Lógica que o Artista é aquele que tem consigo enquanto dom, dádiva, talento, graça celestes a capacidade técnica de produzir algo. Contudo, sabendo que o entretenimento, por exemplo, é também uma capacidade técnica de nos ter dentro de outro meio, se assemelhando à Arte, no que se refere ao espanto que o entretenimento causa em nós mesmos, devemos firmar uma crucial diferença entre ambos: Arte é o que, te espantando e com isso te tirando dos problemas do dia-a-dia, possibilita que você seja devolvido ao seu centro, ou seja, a Arte causa um centramento, a possibilidade de um centramento, e, por isso, após termos contato com uma Obra de Arte, saímos dela mais inteiros, mais íntegros. Já o entretenimento nos rapta e nos mantém dentro dele, ou seja, não nos devolve a nós mesmos, mas nos mantém nele como centro nosso, substituindo nosso centro verdadeiro.

Assim sendo, a Arte é o que abre a possibilidade de um milagre acontecer, pois estarmos centrados em nós mesmos é quando algo divino nos toca e nos presentificamos. Existem graus para essa consciência de si e cada um dará um nome para isso, mas basicamente é quando ouvimos nosso espírito e, consequentemente, Deus fala conosco. Não que nosso espírito seja Deus, mas através dele Deus fala conosco como Seus Verdadeiros Filhos.

A Arte, a Obra de Arte possibilita que uma ligação celeste desta aconteça, ou que, no mínimo, o caminho para que isso aconteça seja, aos poucos, limpo e aberto, não importando a religião daquele que ali se encontra frente a ela.

Então o Artista é aquele que lavra a terra pronta para receber as sementes a serem dadas para que os frutos sejam multiplicados, abrindo espaços para que sejam recebidas, bem como é aquele que ergue os olhos aos campos e vê que estão brancos para a colheita, e nisto, a Obra, a sua Arte enquanto Artífice, a sua técnica, sua ferramenta lapidada, é justo a lâmina que, além de lavrar, ceifa, abre a brecha, o rasgo possível para que, por milagre, por vontade da Fé de quem a Arte recebe, ou seja, seu espírito, e de Deus, a quem se sobe e Aquele que a nós, por misericórdia, desce, o milagre aconteça, que nada mais é do que um encontro superior, elevado, celeste.

Artista é aquele que lavra na terra que outros pisaram, bem como o que ceifa nos campos em que outros trabalharam. Ele que possibilita a multiplicação e a colheita, como um Saturno em Libra, exaltado, bem como em Capricórnio, a terra dele mesmo, em Capricórnio como multiplicação e em Libra como colheita. Mas não confundamos, porque, como diz São Paulo, não são as Obras que salvam, não são elas que fazem a real diferença, ou melhor, talvez a real diferença se dê através delas, mas não são elas que fazem a verdadeira diferença. A verdadeira diferença é a Fé de quem é tocado por elas.

De nada adianta campos secos, árvores que são secas estarem na presença de uma Obra de Arte, bem como de nada adianta reproduzir mil e uma obras de arte, ainda que aparente ser uma produção virginal, ou seja, nova, nunca feita, como uma música nunca tocada por outro alguém, se não há nela o principal conteúdo que é a Fé, se ela não é um sujeito por dádiva da doação de quem a concebe, não sendo um Tu que se apresenta, mas um vazio ou uma forma meio-cheia, sem vitalidade para continuar vivendo em si mesma. Ou seja, se ela não é uma faceta, ainda que mínima, infinitesimal, fractal, de quem, por ser Filho, imita o Pai que também trabalha, que também crea sua Obra espiritual na matéria.

É a Fé que possibilita que tudo aconteça, que seja vivo o processo. A Obra em si, a materialidade apenas, é como a terra que simplesmente emoldura as águas, a terra – a Obra – não é o principal, assim como a moldura de um quadro não é o principal, mas ela torna mais visível, ela exalta, ela justamente coroa, enquadra, foca, sinaliza, enfim, haveria diversos verbos para se expressar o que isso significa, mas é ela que aponta aquilo que é principal. Ou seja, a Obra não é o principal, mas ela se une àquilo que é principal para que o verdadeiro milagre aconteça. Para que a Verdadeira Obra, de uma matéria superior àquela matéria física que se apresenta, se manifeste através dela, e por isso ela é ponte. Por isso ela revela.

O Artista, o Artífice, ele nada mais é senão aquele que é capaz de devotamente e criativamente, unir tanto a obediência quanto o próprio fazer e vontade interna, ou seja, unir a obediência verdadeira, humilde, em se saber ignorante (como disse Sócrates: só sei que nada sei) e, ao mesmo tempo, paradoxalmente, ter a ousadia em usar as próprias mãos para crear algo junto a Deus, pondo em movimento seu livre-arbítrio junto à matéria que já foi dada por Deus de maneira perfeita ao torná-la ainda mais bela, mais bondosa e verdadeira.

Isso não significa que ela, a matéria, não seja tudo isso nela mesma, ela é por conta de instâncias superiores, instâncias espirituais superiores ao ser humano, mas o fato de existirmos e termos essa possibilidade de aprofundamento da lapidação, inclusive como um dever e desafio humano, faz com que seja possível embelezar e vivificar ainda mais a Obra dos Céus, revelando nossa essência divina!

É preciso saber para ser Artífice, Verdadeiro Artífice. Porque reproduzir qualquer coisa tecnicamente, ser um cientista eXotérico, cientista de coisas exteriores, cientista das coisas que se repetem, ou seja, das coisas físicas e químicas, porque a repetição na matéria física é imensa, toda aparência se repete, porque é como o corpo humano, todo dia eu acordo com a mesma aparência, com o mesmo físico, então ser um médico de corpo, do meu físico e aparência, um artista da parte química e física, fazer alterações na composição química dos elementos da natureza, isso muitos podem ser, assim como ser religioso devoto, ir na igreja ou mesmo na loja maçônica, por exemplo, como muitos também podem, por mais fechada que uma congregação ou um grupo seja. Mas ter a capacidade de união da devoção religiosa, de se saber num templo o tempo inteiro e junto disso se saber conhecedor e, portanto, responsável por fazer escolhas elevadas cada vez mais para lapidar esse conhecer e tornar assim uma Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal em uma Árvore da Vida, não por mérito próprio, não por um querer vaidoso e egoísta, mas como quem trabalha sem esperar receber salário em troca, isto sim é muito raro e é o que significa ser o Verdadeiro Artista, ou Artífice! Ainda mais hoje em dia em que a tendência, há exceções, mas a tendência é trabalhar apenas quando há valores, de status e monetário, envolvidos.

Começar a fazer esse movimento, no mínimo começá-lo, é o trabalho dos Verdadeiros Artistas, eles já não pegam em pedras brutas (como os maçons, que é um termo para o pedreiro espiritual) e já não precisam estar de joelhos (como devotos de igrejas), porque eles já podem estar de pé e observar que a pedra, que era bruta, foi lapidada, a pérola foi arduamente conquistada, transmutando o grão de areia dentro de cada vida fechada em si mesma, na fricção das experiências, unindo assim a pedra lapidada, tal qual diamante que é firme e nada quebra, numa devoção sem igual, junto à maleabilidade do metal, que ao passar pelo fogo e pela água, toma a forma desejada, formando verdadeiramente uma aliança de noivado e um colar de pérolas, bem como uma coroa com as pérolas, o metal e as pedras.

Não em rodas que giram entorno de si mesmas, como quem casa consigo e reina sob a própria vaidade, mas como quem realmente pega o rigor das leis, da moral, lapidada com o tempo, e, junto àquele metal que passa pelo fogo e pela água vida após vida para ganhar forma e àquela pérola que se transformou através das fricções nas experiências no mundo, faz com que se tornem joias verdadeiras, e, portanto, uma coisa só, e nisso, Artistas e Artífices que são, possam se tornar verdadeiros noivos e noivas de Cristo: usando a aliança em sinal de fidelidade e lealdade às leis (a pedra) junto das experiências necessárias do corpo (o metal), tendo no pescoço o colar de pérolas enfeitando a garganta apenas com as sabedorias que nos são dadas pela ação do tempo (o grão de areia dentro da ostra) e honrando nossa cabeça com a soma desses três fatores, em uma coroa, sendo preciso humildade pra recebê-la, pois que todo aquele que é coroado tem o dever de baixar a cabeça para apenas depois ter a honra de ver Aquele que nos coroa, face-a-face. Ou seja, não é possível colocar nem anéis, nem colares, nem coroas em si mesmo.

Pois se é noivo à medida que se espera dentro do templo o tempo todo, quieto e paciente, em silêncio, atentamente, presente, pronto para A Hora, a grande hora em que as portas se abrirão para que a noiva entre. E ao mesmo tempo sendo noiva à medida que esse anel está em nosso dedo, nos lembrando o tempo inteiro do nosso compromisso com aquele que nos espera no verdadeiro templo. Sendo aquela também que carrega cada uma das pérolas, tal qual sabedoria, no pescoço, com a coroa em santíssima trindade segurando o véu para que apenas o noivo o erga e para que, mesmo depois de casados, já sem véu, ainda assim jamais se tire essa joia, tal qual também uma aliança sobre nossa cabeça a nos lembrar que nosso casamento não é apenas com o Filho à nossa frente dentro da igreja, mas também com o Pai, e todo o Seu vertical reino.

O Artista, o Verdadeiro Artífice, é aquele que crea essas possibilidades em si mesmo e, creando-as em si mesmo, ele pode ser escolhido para que se torne um exemplo do que acontece quando o casamento é verdadeiro, e, portanto, motive, movimente outros a se tornarem também forjadores de joias de máximo valor por sua lapidação, união e, principalmente, por sua pureza. Por isso que apesar de termos uma ideia romântica do artista ser só aquele que viveu de maneira mundana, como quem se entretém consigo mesmo, na verdade é todo o contrário, Artífice, Artista é aquele que é capaz do elevado.

E esse ato espiritual se reflete na matéria químico-física, claro. Por isso um Santo também escreve e deixa livros, que são Obras de Arte, ou seja, Santos também são Artífices em Verdade. Eles são noivos e noivas completos de Cristo, assim como também são Santos os Verdadeiros Artistas! É por isso que existe por exemplo uma Bíblia, um livro tão lindo, o mais poético de todos que já foi escrito! Não há livro que supere sua beleza, ainda que haja outros que cheguem próximos de tal beleza, porque são raios dela inclusive, são eles que se espelham nela, aquela que veio depois deles, mas é anterior a eles, como os livros de tradições que são mais antigos do que ela, mas não a superam em termos de Verdade, Bondade e Beleza!

O Artífice é aquele que tem a capacidade de manejar os quatro elementos para crear algo. A gente tem uma ideia piegas, muito tacanha e obtusa, muito pequena de que saber manejar os quatro elementos, água, fogo, ar e terra, seja para fazer entretenimento, ou seja, para entreter uma plateia, para crear algo de vontade própria, que a gente vaidosamente gostaria de mostrar que sabe fazer e, portanto, “produzir”.

Então a gente fica achando que não é possível um Santo ser um Artífice. Que um simples livro não é saber manejar quatro elementos, a gente fica achando que saber manejar os quatro elementos é eu dar ordem pras ondinas, ordem para fadas, silfos, duendes, gnomos e salamandras, quando na verdade o Verdadeiro Artífice é aquele que é servo dos que estão sob seu comando.

Por isso Cristo Jesus é o maior Servo e ao mesmo tempo Rei.

A nossa política deturpa tudo e a gente fica sem saber o que é um rei servir seus súditos, ou temos uma ideia piegas, romantizada, ideologizada e estereotipada do que seja isso. Mas Cristo é Rei e ao mesmo tempo Servo, o maior de todos os Reis e o maior de todos os Servos.

Por isso Arte é Cura. Assim como Cura é Arte, sendo Arte a Consciência, ou seja, con-sciência, que nada mais é que uma ciência conjunta! A cura é a capacidade de manejar os quatro elementos, de equilibrá-los em alguém que precisa e esteja preparado para tal feito, equilibrando-os em mim mesmo ao mesmo tempo, tal qual a Rosa, que é a flor cuja presença desses quatro elementos, água, fogo, ar e terra, é em perfeito equilíbrio e, portanto, pode substituir qualquer outra flor numa receita de espagíria, por exemplo!

Então se nós compreendermos esse Princípio, aquele que se apresenta como Príncipe, num primeiro momento – sendo ele futuro rei herdeiro do reino, nós veremos que ele opera através do Arquétipo, que etimologicamente significa ‘original (no sentido material)’, ou seja, ele opera através daquilo que é o molde original, o primeiro bater de martelo do Artífice que veio antes dele, trabalhando o tempo inteiro através do arquétipo, sendo ambos um só, nisso compreendemos porque a Arte cura, porque a Verdadeira Arte cura, porque ela, justamente por o Artífice saber mexer com os quatro elementos, com a matéria original, eles são reequilibrados em nós, ou seja, o Artífice equilibra os quatro elementos em nós, se tivermos olhos e ouvidos que nos permitam ver e ouvir isso acontecendo a cada momento. Sempre e Agora.

Isso revela também que o Artista, já tendo, entre aspas e com toda a cautela com o que será dito, pois cada um tem seu grau, mas entre aspas o Artista é aquele que “já tendo minimamente aprendido a manusear esses quatro elementos de maneira técnica, começa a trabalhar outros elementos em si mesmo”, os quatro elementos, água, fogo, ar e terra, se externalizam, então ele consegue trabalhá-los numa tela, escultura, livro, música, enfim, e na área que for, seja como cozinheiro, como jardineiro, como engenheiro etc. não há fórmula, sendo inclusive “apenas” conversando, através da Palavra, e começa dentro dele uma outra batalha, que já não é mais desses elementos propriamente, ainda que eles continuem fazendo parte, claro. Mas já não é mais entre água e fogo, por exemplo, ou ar e terra e as combinações que sejam, o ponto focal a ser trabalhado, mas sim elementos superiores a esses.

Por isso são muito incompreendidos, porque estão numa batalha que realmente é diferente da maioria, da maioria que tem um outro tipo de foco. Porque mesmo os Santos nós não compreendemos, às vezes demoramos anos após a morte até dizermos que foram Santos mesmo.

E não significa de modo algum que ser incompreendido seja ser Artista, Artífice, porque o poder, o dinheiro, o sexo e a fama, bem como a ausência deles, enganam, enganam violentamente. Então não adianta pegar fórmulas já prontas e achar que é artista porque se força a passar por determinadas experiências, ou viver de um determinado jeito. Não adianta!

Artista pode ser alguém totalmente anônimo, ou alguém completamente conhecido, famoso e rico, com vários quadros sendo amplamente vendidos pode ser apenas alguém imerso em profunda ignorância, e eu, Le Tícia Conde, incluo a maldade (como magia negra) na ignorância, inclusive.

Para quem se eleva um pouco, a gente passa a compreender que o mal existe, a maldade existe, mas frente ao Bem, não passa de ignorância. Mesmo que na Árvore do Conhecimento o mal seja um de seus frutos, frente ao Bem, ele é ignorante, assim como frente ao fruto do último galho, que está no topo, todo o resto está abaixo, e mesmo os que caem ao chão, eles são frutos do Conhecimento também, frutos da mesma árvore, mas já não servem como alimento, são podres, começam a fermentar para que algo ali possa se renovar e ser aproveitado, como alimentos em si são mortos ou semi-mortos, já não convém tanto assim enquanto fonte de vitalidade. Então o mal, por fim, é ignorância também, ignorância se alimentar dum fruto desse, por mais que ele em si mesmo seja um fruto da Árvore do Conhecimento, entende?

O Artista, o Artífice, o Iniciado, o Mago Branco é aquele que faz, antes de tudo, da própria vida uma Obra de Arte. Hoje em dia as pessoas fazem de suas vidas um entretenimento, inclusive indo literalmente para a mídia, para o público, não doar algo de centramento, mas sim de roubo do Tempo, como sabermos que é, na maior parte das vezes, perder tempo ficar em Facebook por exemplo, onde as vidas são um entreter o outro, tirá-lo de seu centro. Isso não faz com que o veículo em si seja bom ou mau, mas sim o uso que se faz dele.

Artífice é aquele que cura os meios e os torna pontes que ligam o fim ao começo e nisso haja a possibilidade de, sob a ponte que se ergue, um abismo se abra e a sombra de baixo se manifeste, bem como a luz de cima se revele, ou seja, o milagre aconteça, sendo de responsabilidade de cada um descobrir o que fazer depois de chegar ali. Uns deverão repetir o encontro muitas vezes, outros deverão aprender a ter devoção frente a um encontro desses, outros ainda silenciosamente observarão, até que um dia se tenha discernimento de ouvir e ver para qual lado ir.

Artista é aquele que Crea a ponte porque Conhece o Princípio e o Fim.

Artista é aquele que Vive para o Princípio e para o Fim.

O que resta é o livre-arbítrio do Eu
que recebe esse Tu
que se apresenta na Obra de Arte
desenvolver o Desejo e Vontade
de seguir O Caminho
que o Artista fez para chegar
até Aqui
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