Qual é a Poesia do Coletivo e qual é a Poesia da Colheita?

Coletivo significa ‘colheita’, ‘colher junto’.

 

Uma colheita: imaginando um campo vasto, ele até pode ser colhido por uma pessoa, mas não faz sentido se a gente pode ter a ajuda de várias. Contudo, para se colher, para haver uma colheita, é preciso dividir o terreno – quem colhe cana, por exemplo, sabe que o trabalho é por metragem, é tendo divisões com medidas certas que se arranca, ou seja, não tem fórmula para o arrancar em si, mas há uma Forma para que seja feito por todos ao mesmo tempo, tendo cada um seu pedaço. Então esse coletivo é uma grande colheita, onde todos trabalham de alguma forma, cada um a seu tempo, cada um no que lhe compete enquanto missão.

Assim sendo, não é possível abrir mão da individualidade, porque é cada um trabalhando a sua metragem, sendo que o coletivo se baseia justo em seu oposto complementar: é preciso ser indivíduo e ter seu espaço privado para se colher junto, pois o ato de juntar está implícito também, o que demonstra que é preciso que cada um tenha o que apresentar enquanto resultado, enquanto frutos dessa colheita.

Então cada Ser, individualmente, é responsável por semear e colher em uma determinada parte. Se um não faz seu serviço direito, os outros serão, com o tempo, obviamente, sobrecarregados. Porque é preciso ter da colheita, ou seja, é preciso ter do coletivo, ninguém vive sozinho nesse mundo, por mais que a gente não tenha consciência do viver coletivo, portanto da colheita que está o tempo todo acontecendo – erguei os olhos e vede os campos, pois já estão brancos para a colheita… então o tempo todo a colheita está literalmente pronta para ser feita, ainda que não tenhamos consciência de como ela ocorra, não tenhamos olhos para ver ela acontecendo em termos de aparência, mas o tempo inteiro ela é feita. Claro que não de maneira ideal e perfeita, porque muitos não permitem que os outros colham, aliás matam aquele que vem cobrar satisfação sobre a colheita, ou matam aquele que está fazendo a colheita de maneira certa, cumprindo com sua missão, porque isso denuncia que os outros não estão, então claro que há toda uma problemática a respeito disso também, mas de toda forma, o tempo todo, isso já está se dando de toda maneira.

E mesmo que, sendo um espaço demarcado, outros não possam, digamos, colher no lugar de quem se recusa a fazer o trabalho, ainda assim, o terreno inteiro, das duas uma: ou tem um único dono, acima de todos, que estipulará quem colherá no lugar do folgado, ou é um terreno de todos, resultando na sobrecarga dos que já terminaram seus individuais trabalhos. É claro que na verdade sabemos que são ambos: há um Senhor do terreno, e nós, por Filhos, somos seus herdeiros, então ao mesmo tempo é de Um e é de Todos, então este Um, aos que não têm consciência, Ele estipula quem fará o trabalho, e os que vão herdando o reino podem começar a se candidatar, por assim dizer, pro sacrifício em prol daqueles que ainda não compreenderam sobre o que se trata.

Quando se fala de respeito para viver coletivamente, de fato, é importante respeitar-se.

Respeito vem de literalmente ter um segundo olhar sobre algo, etimologicamente falando. Logo, sim, ele é necessário para se viver em coletivo, inclusive para se ver uma segunda vez se o que o outro trouxe é trigo ou joio, ou mesmo para ver uma segunda vez “a cesta” do outro que, em um momento anterior, pode não ter trazido nada, voltando desta vez cheia. Nunca se sabe, o livre-arbítrio é dado. Então quem não trabalhou uma vez, de última hora pode fazer o trabalho e receber o mesmo salário. Então é preciso respeitar enquanto o tempo é dado. É preciso ter um segundo olhar, ter respeito, com aqueles que, num primeiro momento, se negam a lavrar, a semear, plantar, colher, enfim… ter das ações que fazem crescer de fato!

Contudo, respeito não inclui um terceiro olhar, é preciso se atentar que respeitar não inclui aceitar tudo por tempo indeterminado. Mas significa, sim, ser tolerante com quem faz algo diferente do esperado. Como dar uma segunda chance.

Viver em coletivo também significa que pode ser que o campo não seja dividido de maneira proporcional e igualitária, mas sim que a colheita, o Fruto, o alimento seja repartido entre todos, independentemente de quem colheu mais ou quem colheu menos. Até porque a divisão desse terreno, aos poucos que têm mesmo esse pouco será tirado, e aos que muito têm mais lhes será acrescentado, então quanto mais a gente ganha a capacidade e desenvolve também, por escolha do livre-arbítrio, a capacidade de trabalhar e gerar frutos, semear essa terra, ser o sal da terra e semear de fato, mais a gente tem a possibilidade de ser aquele que faz com que as coisas se multipliquem e chegue aos necessitados e como os apóstolos também, não mais apenas como discípulos mas apóstolos que se encarregam de saber distribuir as necessidades. Sabendo também, é claro, como comentado, que o alimento é repartido independente de quem colheu mais quem colheu menos, quem trabalhou mais quem trabalhou menos em termos de horário: o trabalhador da última hora recebe o mesmo da primeira hora, que está trabalhando de sol a sol o tempo inteiro. Assim como independente de gostos pessoais, por exemplo: eu gostar mais de abóbora ou gostar mais de milho – não importa, a divisão será de acordo com a união do que cada um tem para dar, não sendo possível gostar mais ou gostar menos do que o outro planta, mas sim tendo discernimento sobre o que se planta, sendo tanto a abóbora quanto o milho necessários para uma saúde plena; bem como quem gosta de plantar o que não serve para melhorar a saúde, como joio, como erva-daninha, não sendo conveniente, podendo ser cortado do coletivo também, com o tempo – claro que isso requer um agravamento espiritual muito grande para que se chegue a esse ponto, mas é porque a colheita é para que se possa comer, para que a gente possa se alimentar, e não se divertir, oba-oba ou plantar o que dá na telha – ‘vou fazer o que dá vontade aqui, vou vaidosamente ser epigenético, vou jogar fora meu mapa astrológico e vou fazer um mapa melhor do que o foi me dado pelas hierarquias que sabem mais do que eu, não é mesmo?’. Não é para isso.

É preciso ter muita humildade, muita humildade para entender que as sementes que nos são dadas são aquelas que devemos semear primeiro e que, quem semeia e colhe, não necessariamente se alimenta daquilo que colhe, porque o amadurecimento vem do latim ad-, que significa para, e maturare, que vem de estar pronto para a colheita, sendo que maturare se relaciona também com mane, com manhã, ao que é cedo, então nós colhemos quando a gente tem maturidade para isso, é a maturidade que vai pontuar a hora da colheita, os cabelos brancos, o campo branco que determina a colheita, e quem tem maturidade, quem muito semeia e muito colhe, sabe, a gente vai compreendendo aos poucos, que antes de matar e saciar a própria fome é para o outro que eu semeio, então tudo o que me é dado não é meu, é para que o Outro se conheça, para que o Outro volte para Deus. É claro que isso não pode ser feito de maneira imatura, se eu começo a colheita de maneira imatura, eu vou doar algo que não tenho, que está verde, não serve como alimento; então é preciso amadurecer, é preciso dar tempo ao tempo, é preciso conhecer-se: “conhece-te a ti mesmo e conhecerás o mundo”, conhecer o mundo vem depois, mas neste processo a gente observa que, no fundo, o plantio é para o amadurecimento próprio, crescimento próprio porque eu cresço junto das sementes que planto, mas a colheita é para que eu me doe enquanto corpo, que é o princípio crístico. E quando eu me doo enquanto corpo eu percebo que todas aquelas sementes que me foram dadas não eram para mim de fato, eram para mim momentaneamente, enquanto meio, eu fui só um meio, mas Cristo é o fim e o começo, porque é a doação de Si que faz principiar e finalizar o processo, e não para si mesmo, esse eu pequeno.

É claro que Cristo vai falar dos 7 Eu Sou’s, então alguém pode dizer: se Cristo é o Eu Sou é para mim, só que não, porque este Eu Sou é o coletivo, não é o Eu Sou da individualidade enquanto uma espécie de solterice da humanidade, de eu me basto… É claro que não há como um raio do Sol achar que é sobre ele todo o fato de o Sol brilhar, arder e se doar e que era para ele se reconhecer enquanto raio e ter sua consciência de raio. O que é um raio? Nada. O verdadeiro Eu é o Sol, e não os raios que são emanados. Então por isso que todos devemos nos tornar Jesus Cristo, não só Cristo, mas Jesus Cristo, porque é preciso se tornar Centro e emanações do centro. O verdadeiro Eu Sou não é de um homem que recebeu um arcanjo e são os maiores iniciados do rolê todo, mas é o Centro que se sabe o Todo. Então toda a colheita não é para que eu me alimente, mas é para que tudo possa continuar sendo emanado eternamente. Então eu não vou plantar o que me dá na telha, eu não vou fazer um mapa astrológico que me dá na telha, porque é melhor, porque é legal, porque eu gosto ou porque vaidosamente convém para que eu me torne eu  mesmo, isso tudo é falso!

Mas se eu planto porque meu irmão precisa de abóbora, então vou plantar aqui uma semente de abóbora, e o outro precisa de milho, então plantarei milho, e o outro precisa de trigo, e eu plantarei trigo, e o outro precisa de um Saturno num determinado signo e numa determinada casa para que faça aspecto com o mapa dele e ele possa ser curado, eu vou me tornar aquele mapa que cura o mapa astrológico dele, e aí sim eu tenho autorização divina – claro que caso convenha curar quem se apresenta, o enfermo que se apresenta, porque curai os enfermos, mas obviamente não todos, mas aqueles que nos são dados e que querem ser curados, porque não depende só da vontade divina, mas também da vontade humana de cada um, enquanto individualidade, enquanto consciência separada, então, a partir daí com todos os elementos sincronizados, com a literalidade, o simbólico e o arquetípico na sincronicidade que faz com que a aparência manifeste aquilo de alguma forma aí sim eu posso forjar um mapa astrológico que cure o meu próximo. Essa é a única finalidade da alta magia ou que, em seu verdadeiro nome na verdade não é magia, mas milagre.

Porque por mais que se possa dizer que há uma forma científica e, portanto, dessa forma se deriva uma fórmula, que só se apresenta na sincronicidade para que seja verdadeira, ou seja, é uma aparência que só se dá na sincronicidade para ser verdadeira e não para ser a queda… mas por mais que eu possa colocar em uma fórmula por haver uma forma científica de fazer as coisas, e apresentar o milagre de forma científica e religiosa – porque esse é o verdadeiro milagre: a união da religião e da ciência, ainda que em nosso estado de consciência acabe predominando um ou outro, a balança acaba pesando mais prum lado do que pra outro, mas o milagre é sempre esses dois pesos da ciência junto da religiosidade, da espiritualidade, sendo que é a partir daí que consigo fazer com que uma cura se efetive. E a gente pode momentaneamente chamar de alta magia, falar sobre magias cerimoniais, magia branca, mas ainda assim esses não são nomes verdadeiramente apropriados, o verdadeiro nome de tudo isso é milagre porque a magia tende a ter a prerrogativa do homem como primazia, sendo que no milagre a prerrogativa é de Deus. O milagre não nega o lado científico do acontecimento, enquanto si mesmo, o milagre não deixa de ser milagre porque a gente consegue explicar cientificamente o que aconteceu, o milagre é caracterizado por acontecer porque é vontade de Deus, porque a primazia é de Deus.

Então toda a colheita passa a ser um milagre, o milagre da multiplicação porque é através de primazia de Deus nos mostrando o que devemos plantar, o que devemos colher, como devemos semear, aguardando o tempo – que é sempre do Pai, sempre estabelecido pelo Pai, ainda que a nós ele se apresente enquanto cronologia, enquanto algo crônico, ainda assim o tempo é sempre primazia do Pai –  a não ser que estejamos doentes, aí é uma outra conversa… Kronos, a etimologia de Kronos todo mundo liga ao cronológico, mas ao que já encontrei e me afirmaram e é possível encontrar é que na verdade o Kronos da mitologia se torna o guardião da Ilha dos Bem-Aventurados, não tem nada a ver com o Cronos cronológico; um é Kronos com K o outro é Cronos com C, e há uma grande diferença entre um K e um C, um se torna a doença e o outro se torna o senhor guardião da Ilha dos Bem-Aventurados. É importante encontrarmos essas preciosidades na mitologia, porque isso mostra que o tempo é uma primazia do Pai e o tempo bem aproveitado faz com que Kronos em sua originalidade seja aquele que toma conta da porta da Ilha dos Bem-Aventurados.

Então eu não planto o que eu quero, dá na telha ou o que eu gosto, mas o que o outro precisa que seja. Assim como eu passo a confiar que aquilo que eu preciso o Pai vai prover através de um outro irmão, através dos meios que o Pai vai estabelecer, e que se em algum momento eu precisar de melão e eu não tenho a menor ideia de onde encontrar melão é ter certeza, ter fé absoluta de que quando realmente houver necessidade deu comer melão vai surgir um melão, seja através de uma pessoa, seja caindo de algum lugar, seja porque vai brotar porque alguém passou mastigando melão e cuspiu a semente no chão, não importa, porque um passarinho cagou a semente do melão enquanto ele passava… vai surgir um melão quando eu tiver a divina necessidade de um melão e eu não preciso me preocupar com plantar melão porque pode ser que amanhã eu queria melão, ou precise de melão porque me falta tal vitamina que o melão dá.

Então o plantio, todo e qualquer plantio, seja das estrelas, seja da aparência dos alimentos de fato, seja do que for e em qualquer categoria que isso se dê, é a saúde que vai ter a primazia e vai ser o imperativo, não as opiniões e gostos pessoais imaturos e inconsequentes, completamente ignorantes. Assim, isto revela que, enquanto não se superar o próprio individualismo, e não é a individualidade, mas individualismo, egoísmo (o indivíduo doente em si mesmo, egoísta), não será possível haver coletivo.

E o ser humano está muito atrás nesse quesito, o que faz crer que qualquer tentativa de coletivo, por nós termos uma ideia romântica, idealizada, ou seja, na verdade não é uma ideia, é uma ideologia de coletivo (porque uma ideologia é sempre uma deformação das ideias), ou seja, por conta da ideia romântica, ideologizada que nós temos e, portanto, deformada do que é viver de fato essas palavras, toda tentativa de viver isso será ruim, pois como vemos, requer deixar de lado a passionalidade imatura de gostar ou não gostar de alguém ou de algum ato, de gostar ou não de alguma fruta, de algum legume: ah, eu não gosto de plantar árvore, eu quero plantar só trigo porque trigo é dourado, mas se você tem que plantar figueira, é figueira o que você tem que plantar! Por isso a ideia de livre-arbítrio é algo que a gente não sabe elaborar porque a gente tem o livre-arbítrio aqui de negar a Deus, mas a verdadeira liberdade não é arbitrária, ela não serve para você livremente arbitrariezar as coisas, relativizar as coisas e escolher lados, a gente tem que escolher lado porque aqui joio é joio e trigo é trigo, mas em termos de missões celestiais, espirituais, o que a gente tem que plantar já está dado, não tem o que escolher.

O que precisa é retornar a Deus para reconhecer o que nos foi dado, e só observar e ter discernimento quanto ao que simplesmente é necessário, doa a quem doer – e aliás, fazendo a dor parte do processo de colheita, pois só quem lavra, ara, semeia, rega, espera e colhe sabe o que é carregar o sol sobre a cabeça e ter do próprio suor pingando o sal na terra, literal, simbólica e arquetipicamente, e inclusive na aparência quando fazemos isso de fato sob o sol ardente, quando plantamos cana, colhemos cana e qualquer outra planta que não dê sombra; e mesmo as que dão sombra, porque colher algo na árvore é sim nos colocarmos ao sol, uma escada ao redor para colher aquele fruto. O processo de colheita não é algo agradável, é sacrificante, é estar sob as vistas do sol o tempo todo. O que na verdade é maravilhoso, a quem tem olhos e compreende que neste mundo, o que nos faz sofrer, é no mundo espiritual justamente o que nos provê toda a água para matar a nossa verdadeira sede. Então enquanto penamos sob o sol aqui, com sede e suando, estamos recebendo água da fonte nos meios celestiais, e isso vai ser exemplificado com o próprio sol sobre nossa cabeça, a onipotência, onisciência, onipresença de Deus sobre nós o tempo todo e nós sob o olhar de Deus o tempo inteiro. É lindo, é maravilhoso! Então é preciso ter muita maturidade, pois isso significa, acima de tudo, saber viver o Privado para só então não privar-se de compartilhar o que é solitariamente gerado.

É claro que o privado é algo ilusório? Sim, como falei, o crescimento da semente, o meio, é o que menos importa, o que importa é o fim e o começo, e o fim e o começo são coletivos, mas isso nada tem a ver com ideias deformadas, ideologizadas em viver isso em aparência na Terra, porque, como falei na Poesia anterior, aparência é diferente de literalidade. É claro que, a partir da hora em que se vive verdadeiramente uma coletividade celeste e espiritual, ela vai se confirmar na aparência de alguma maneira, mas não da maneira lógica como a gente pensa e como a gente espera, que vai ser o paraíso na Terra, não necessariamente, aliás pode ser, pode ser – não digo que seja, mas pode ser muito pelo contrário, que quanto mais sejamos coletivos espiritualmente maior o inferno se faça aqui na Terra, em termos de individualidade, em termos de viver o privado, de cada um cuidar da sua vida, talvez isso simbolize e leve a outras questões que nós não conseguimos enxergar como elas estão se dando. Mas claro que não pode usar da aparência para determinar o que ocorre no alto: ‘ah, somos todos egoístas, então quer dizer que no espiritual somos todos coletivistas…’ não, obviamente não é assim que as coisas se dão, mas sim uma coletividade espiritual pode significar uma pessoa que leva uma vida muito individualizada, muito privada, inclusive em isolamento, por exemplo. É porque quando falamos de coletivo e privado na nossa sociedade isso está atrelado a demônios muito grandes, a ideias bestiais do que isso significa, está deformado, então é claro que os extremos disso na aparência são bestialidades.

A besta não é só aqueles que querem um  processo individualista a qualquer custo, de privatização das coisas a qualquer custo, a besta é especialmente aqueles que querem o coletivismo enquanto meio, sendo que o coletivo é o fim e o começo para que o Eu se dê de fato, para que o Eu seja. Então é bem complicado… mas basicamente só se chega no coletivo, ou só se chega a Cristo Jesus, ao centro emanador, passando pelo privado. Por isso Deus encarnou, esteve em carne osso, cabelo, sangue, unhas aqui na Terra entre nós, porque é a perfeita maneira e a forma mais reta de se exemplificar isso – daquilo que é centro e emana tudo de si mesmo se fazer um único raio, mas em si não era um raio, era o próprio centro.

Nenhuma gravidez se dá em dois úteros, mas qualquer filho é criado para o mundo.

Então é claro que o fruto precisa do privado e da individualidade para acontecer, mas uma vez que tenha acontecido, aquela individualidade, aquela taça era apenas um meio, e não o fim e nem o começo.
É preciso ter o Si mesmo em primeiro lugar, não por egoísmo, mas por Espírito, Espírito Santo!, que encontra seu Centro independente do caos alheio.

Ainda vai demorar para colhermos, bom… eu digo isso, mas ao mesmo tempo é apenas uma limitação minha dizer isso porque, como já dito, eu não sei do tempo, do tempo só o Pai sabe, pode ser que amanhã aconteça o que eu digo que aqui ainda vai demorar. Mas sob a perspectiva humana parece que é sempre improvável que seja tão rápido, então dentro da nossa visão humana limitada, absolutamente falha e sem fé de que possa realmente ser num fechar e abrir de olhos que tudo aconteça, sejamos prudentes, porque é prudente se privar e ser solitário, é prudente aprender a trabalhar com o privado, fazer do privado um meio para se gerar os frutos nesta Terra – não quer dizer o individualismo e o egoísmo, mas aquilo que se torna próprio, do qual a gente se apropria e torna privado para que o fruto cresça. Porque sem frutos não há colheita, e hoje o que há muito são reuniões de pessoas que não produziram nada, mas que ficam falando ideologicamente sobre ‘como vamos dividir cada quadrado e privatizar tudo’ ou ideologizando como que ‘nossa, vamos plantar todas as sementes, vamos plantar de tudo e a aí a gente vai colher de tudo, e aí a gente dá de tudo pra tudo, e vai ser lindo, todo mundo junto’… como se colheita fosse plantar floresta. Floresta serve pra colheita dos bichos, dos animais irracionais. Seres humanos não são animais, aliás. Porque assim como plantas não são animais que não andam, seres humanos não são animais que pensam, há uma grande diferença… É preciso deixar claro: assim como plantas não são pedras que crescem, e assim como animais não são plantas que andam e sentem, o ser humano não é um animal que pensa. Pedra é pedra, planta é planta, animal é animal, ser humano é ser humano.

E, aliás, aproveito para fazer um adendo aos pais que é: deem plantas de estimação aos seus filhos, antes de darem os animais. Ensinem primeiro: deem pedras a seus filhos, ensinem-os a amarem as pedras, e não a tacarem pedras, ensinem-os a ver como as pedras são preciosas e guardá-las tal qual como joias, por sua beleza, por aquilo que emanam enquanto durabilidade, enquanto pureza. E depois deem plantas de estimação, ensinando quando e quanto deixar no sol, quando e quanto dar de água, vendo as mudanças, e depois deem animais a seus filhos – que tenham contato com animais de alguma forma, não precisa ser cachorro, gato, mas no mínimo um hamster – que vive um ano ou dois -, um animal que não requeira um cuidado tão a longo prazo. Mas que nossas crianças tenham contato com os 4 reinos, e claro, que tenham amiguinhos, seres humanos ao redor.

Porque ser humano não substitui animal, planta e pedra. Assim como pedra não substitui planta, planta não substitui animal e pedra, animal não substitui relações humanas. Eles podem ser muito fofinhos, eu tenho dois, a gente ama realmente, mas não substitui ser humano. Quem tem relação com animal e acha que isso é uma relação maior ou melhor do que a que se tem com o ser humano, essa pessoa precisa muito amorosamente compreender que é provável que ela esteja doente, porque a maior e melhor relação que se pode ter na face dessa Terra é com seres humanos e, óbvio, para além da face da Terra, com as hierarquias dos anjos para cima. Mas ainda assim, os anjos não substituem o ser humano, os homens. É preciso que tenhamos relações com todos esses reinos. Não precisa ser amigo de todo mundo, não é oba-oba, mas tenha poucos e bons amigos, tenha poucas e boas pessoas, isso é crucial na vida, porque animal nenhum vai racionalizar as coisas e palpabilizá-las junto da gente. E é mais fácil a gente passar a agir e se tornar muito mais bichinho do que eles darem um salto evolutivo e passarem a compreender as necessidades nossas, é uma falácia, os animais não compreendem as nossas necessidades; quando eles aparentam compreender necessidades nossas de carência etc. é o nosso lado mais animalesco que se corresponde mais com eles, o nosso lado mais baixo. Eles não deveriam se identificar conosco em termos emocionais, porque isso significa que a gente está num emocional muito baixo. O que deveria é nós ensinarmos eles a evoluírem, como passarem do instinto e do emocional desregrado para algo um pouco mais civilizado, por assim dizer, mais ordenado, eles que deveriam aprender conosco, e não suprir nossas carências e necessidades. Fazer do animal nosso terapeuta diário é crueldade. Ainda que óbvio, eles nos ajudem. Assim como as plantas e pedras também nos ajudam, tanto que são medicinais. Mas nós temos uma necessidade racional, intelectual, intuitiva, inspiracional de nos curarmos e estarmos em contato, e isso os animais não podem oferecer, nem devem ainda, bem como as plantas e pedras também não, é exigir algo que não está no tempo evolutivo deles, e é regredir ou frear nossa própria evolução.

Então é saudável e altamente recomendável, …aproveitando a colheita…, é saudável estar o tempo todo em contato com os quatro reinos, é saudável ter contatos humanos, animalescos, vegetativos e pedregulhentos. É saudável. Busquem isso. Não é preciso ter um grande significado: aquela pedra X que significa e emana tal coisa… é bom conhecer as coisas, mas não precisa ser racionalmente escolhida dessa forma, tenham um contato simplesmente, abram-se pras relações dentro do possível. E se não for mais possível, ensinem as nossas crianças a terem disso, porque é saudável aprendermos a nos relacionarmos com os que estão embaixo e por quem somos responsáveis, assim como com aqueles que são nossos irmãos e estão conosco no meio, e, claro, tão importante quanto é se relacionar com os mais elevados: anjos, arcanjos, querubins, serafins e todos os senhores que nos governam e nos ajudam também, pois assim como nós auxiliamos estes outros reinos inferiores a nós, somos pelos mais elevados ajudados e direcionados também e por isso devemos ter muito respeito ao trabalho que é feito, muito respeito!

E compreendermos que eles não querem nos machucar. Se pode dizer que há seres que têm essa prerrogativa, mas eles não são exatamente mais elevados, e estou falando aqui dos elevados, dos que estão evoluindo de fato. Esses não querem nosso mal, nem têm a prerrogativa de nos condenar. Mas é preciso compreender o trabalho que é feito. Então quando a gente quer jogar fora um mapa, quando a gente ignora nosso mapa ou acha que rege as estrelas, ou tem uma missão clara no nosso mapa e a gente resolve ignorar “porque eu sinto que é de outro jeito”, é uma cegueira que está sendo escolhida, e é perigoso isso. É claro que a gente tem o livre-arbítrio de arbitrar e dizer ‘não, eu vou dar a isso uma determinada aparência’, mas é preciso compreender que não se foge daquilo, é preciso então encontrar uma fórmula para viver aquela forma… não precisa ser a fórmula mais óbvia, então ter um animal de estimação – não precisa ser o mais óbvio, como comprar ou adotar um gato, cachorro, um papagaio que vive 40 anos, ou um pato que vive também pra caramba. Pode ser o trato com as borboletas, com as abelhas, as formigas… não precisa prender em algum lugar ou ter uma rotina muito específica, mas precisa ter seriedade ao lidar com os animais e de alguma forma encontrar algum meio de interagir com eles. Claro que com um gato e cachorro a interação ganha uma qualidade outra, mas não que os outros animais não possibilitem isso, mesmo uma lagartixa é possível criar laços e interações, é que elas não se dão da mesma forma com todos os animais, então a aparência muda de acordo com cada um.

Alguém com um mapa astrológico com uma casa 12 pesada, essa pessoa pode voluntariamente aceitar que ela precisa viver isolada, pelo menos por um período, para compreender que internamente ela vai estar isolada dos outros, ela não vai conseguir compartilhar o interno dela com os outros, a mente espiritual principalmente, mas que isso pode se dar na aparência de uma prisão, uma hospitalização, uma exclusão porque a pessoa não fez de bom grado. É como o cachorro que a gente leva pra passear e fala: do lado, junto! Mas ele quer sair correndo, mordendo as pessoas, dando um rolê, aí a gente vai pôr a coleira, até que põe focinheira, depois uma jaula, até chegar num extremo… E a gente não vê que nós somos esse animal desregrado. E se a gente não vai cumprir as casas que foram postas para que se cumpra, e o nodo norte para que se cumpra, e todas as coisas que estão dadas, enquanto aspectos principalmente, ok, quer ir contra? Ótimo, temos esses livre-arbítrio, podemos arbitrar esse jogo, mas coleiras serão postas, membros que nos escandalizam serão arrancados de nós, ficaram adoentados. Coisas acontecerão que acabarão nos levando e nos obrigando a vivenciar aquilo através de uma outra aparência, e quanto mais a gente se nega a enxergar a sincronicidade dos acontecimentos superiores que nos dão a possibilidade de viver aquilo de forma elevada, mais Lúcifer e os inferiores, nossos demônios, Satanás, mais eles aparecerão e nos farão viver aquilo numa aparência grotesca, de grotta, de caverna, então passaremos por aquilo de maneira inconsciente e caótica, porque a gente dispensou a sincronicidade, claro. Então é complicado.

A pessoa que não tem contato, que se recusa a ter contato com um dos quatro reinos em algum momento ela vai ser obrigada a entrar em contato e isso pode revelar sombras muito profundas, escolhas não muito saudáveis inclusive, porque ela não foi educada para compreender as relações, então toda vez que uma relação aparecer ela vai destruir aquilo, ela vai tratar de maneira sombria cada vez mais. Tem os que vão realmente prum limite do aceitável enquanto sombra, até que sejam separados da humanidade, da colheita, sendo retirados do campo, e tem aqueles que em algum momento vai cair a ficha e vai começar a aprender: ‘ah, tá, tem algo para aprender aqui, ok, vamos aprender.”. E a gente escolhe como aprende, é a velha história, se não vai por bem, vai por mal. Porque no fundo é sobre aprender, como a Fraternidade Rosacruz diz: a vida é uma escola, e de fato, é uma escola. Para quem vai aprendendo e se graduando, vai se tornando uma obra de arte, um laboratório, como citei na última Poesia, vai se tornando o trançar do labor, que é a ciência, e do oratório, que é o orar – a religião.

 

Viver a colheita (o coletivo) não é algo possível sem Ser um indivíduo individualizado.
E isso é ainda raro.

E não falo sobre quem está passando pela individuação, ou quem está passando pelo crescimento da semeadura, estou falando já da colheita. Para viver a colheita precisa já ter crescido, ter amadurecido; como comentei também, o amadurecer tem a ver com o para a colheita, para maturare. O que não quer dizer também que devamos nos isolar, num niilismo trágico, não é isso, mas sim fazer parte do movimento do mundo sabendo o tempo todo que o que chamam de coletivo não é coletivo de fato, é preciso estar acordado e não acreditar na mentira que nos contam o tempo inteiro, essa falácia ideologizada, e, acima de tudo, se saber independente (ou seja, não depender de ninguém, em termos de sobrecarregar um outro ser – especialmente emocional e espiritualmente). Então é se curar da carência de ‘ai eu preciso que o outro me ame, eu preciso que o outro fale comigo, preciso que o outro me veja, me curta, compartilhe, eu preciso, eu preciso, eu preciso…’. Todas as necessidades, a única coisa que elas precisam é cair por terra e nós nos sabermos independentes do grupo em que se faça, temporariamente, parte. E grupo não falo coletivo, porque coletivo aqui está sendo posto como algo superior, como elevado, espiritual, mas falo grupo no sentido do grupal, tribal. Independente da tribo que eu faça parte, eu preciso saber que eu sou independente daquilo. ‘Ah, eu sou mulher, eu faço parte do grupo das mulheres’, é, mas não posso depender das mulheres para me emancipar, para me tornar mulher, e me tornar, principalmente, mais do que um gênero: um indivíduo, um Homem, um Humano de fato. Eu preciso saber dizer ‘não’ para o grupo, para a tribo. E essa é uma grande problemática hoje em dia, porque a gente é carente e quer pertencer aos grupinhos: o grupinho das minorias, o grupinho das maiorias, o grupinho da esquerda, o grupinho da direita, o grupinho… o grupo. E ficamos buscando a atenção e aceitação do grupo, e não podemos depender disso jamais.

Porque quando se faz parte do coletivo de fato – do coletivo quando se faz parte realmente da humanidade, falando em termos espirituais, ou da Ordem Rosacruz ou do Catolicismo, por exemplo, não se tem uma necessidade de aprovação do grupo. Quanto mais a gente busca ser aprovado pelo grupo, mesmo espiritual, mais a gente cai, porque a gente começa a criar fórmulas, então não adianta querer: ‘ah, eu quero ser um Rosacruz, seja da Fraternidade da Ordem, o grau que seja, quero! Vou fazer a cartilha.’. O que tem que fazer é ter e se arrepender. Como faz para ter fé? Sendo obediente, casto e pobre. Eu já falei sobre isso não ser necessariamente a aparência: não adianta jogar tudo pela janela, isso é uma fórmula que cabia a São Francisco qualquer outro que imitar, pode ser uma boa imitação, tanto que tem o livro a Imitação de Cristo… claro que há figuras que, quando a gente não sabe o que fazer, é prudente que se imite aquele que soube o que fazer, mas isso significa que naquela vida nós não estamos nos encontrando de fato porque há uma fórmula que foi feita própria para nós, desde as hierarquias, então a minha fórmula para viver a pobreza não é catando as coisas e jogando pela janela. É claro que as fórmulas coincidem, então pode coincidir de ter várias pessoas que precisam jogar as coisas pelas janelas, porque simplesmente precisam abrir janelas e porta e jogar tudo para fora, mas não é uma imitação vazia, barata, mas sim porque elas fazem parte daquela fórmula enquanto vivência, elas são uma taça, por assim dizer, de um material parecido umas com as outras, então vão se assemelhar nas aparências, lindo! Mas mesmo entre elas as coisas serão diferentes, haverá diferenças na forma de se fazer isso, talvez umas joguem tudo mesmo pela janela, outras só as roupas, outras só os sapatos, outras as suas joias, enfim, são só exemplos. Então sempre em escala menor são fórmulas diferentes, são detalhes cada vez mais individualizantes. Por isso que um mapa astrológico, não importa duas pessoas terem nascido no mesmo dia ou terem um mapa próximo, como aquilo vai se dar de fato são fórmulas completamente diferentes, inclusive para duas pessoas gêmeas, univitelinas. Vai ser diferente, ainda que parecido, ainda que possa se parecer na aparência, ter uma similitude em vários aspectos e graus.

Mas é preciso se saber independente do grupo, mesmo duma Fraternidade Branca, duma Ordem o que seja… Até porque às vezes a Lei fala: não matarás, e Deus vai te sussurrar, murmurar e falar assim: ‘meu filho, pegue teu filho, suba ao monte e mate-o’. Não tem o que pensar, é catar Isaac pela mão e falar: ‘vamos subir o monte porque hoje eu vou te matar’. ‘Ah, mas a Lei diz para não matar o próximo, a Lei…’ ‘Mas o que eu posso fazer?!’ ‘Mas você faz parte da Lei, como assim você vai matar seu próprio filho que você tanto esperou e como um dom te foi dado, e bem quando a gente jamais esperava que fosse nascer algo.’. E às vezes é isso, a gente faz parte de um grupo, e mesmo de um coletivo, porque fazemos parte de uma hierarquia, e Deus pode falar: vá contra tudo o que você acredita. Mate. É claro que sabemos a história de Isaac, era um teste, era uma provação. É uma porta, um degrau, enfim, pode-se dar vários nomes, mas é algo muito específico que está acontecendo, e sabemos que aí a aparência não se torna real, então não é como se um assassino pudesse dizer: ‘então foi Deus que me pediu para matar todo mundo…’ como muitos falsos profetas fazem, aliás. Não é isso. Não é esse o caso aqui, Por isso a linha é muito tênue e é preciso muito discernimento, muito discernimento! E por isso há formas que nós devemos buscar porque essas formas geram fórmulas que nos ajudam a compreender mais a nós mesmo e a Deus, consequentemente. Formas excelente que foram dadas para a humanidade: repetição, devoção, observação e discernimento, Fraternidade Rosacruz, Max Heindel, foi passado isso, foi deixado. Desenvolvam a repetição, o devocional, desenvolvam a observação e o discernimento. Como isso é feito, a fórmula, cada um precisa encontrar a sua.

Retrospecção: é voltando, deitar à noite ou a qualquer momento do dia, à noite é crucial mas a todo momento podemos fazer a retrospecção, e ir retornando os acontecimentos desde o momento mais presente até o iniciar do nosso dia, de maneira contrária como quem rebobina uma fita, e ir observando quais as necessidades de mudança no nosso comportamento, nos nossos atos, sentimentos e pensamentos. Retrospecção não é só para os atos, começa nos atos: o que fiz ou deixei de fazer de maneira cardíaca, mas também o que senti ou deixei de sentir e também o que pensei ou deixei de pensar. Agora imagina o que é ter uma retrospecção dos pensamentos, de cada pensamento que se tem ao dia… É preciso desenvolver um grande discernimento quanto ao que se pensa antes disso, senão é um caos, são muitos os pensamentos que temos durante o dia, como fazer uma retrospecção de pensamento? Só a partir da hora em que se acalma o pensamento, em que não se pensa qualquer besteira a todo momento, e aí começamos a prestar atenção que ‘esse pensamento eu não quero mais ter’, e aí se arrepende, tem a contrição, fica triste! Tem que pesar, ser pesado, porque se não dói não está extraindo o azeite, o óleo, porque toda fruta ou toda planta para se extrair o óleo ela é prensada, fervida, ela é de alguma forma passada por processo de contrição dela, de aperto e dor, para que o óleo saia. Não tem como se arrepender: ‘ai, desculpa, Deus, foi mal, vou fazer melhor da próxima vez.’. Isso pode servir como uma nota de rodapé para se lembrar mais tarde, mas em algum momento é preciso que doa, como se o sangue saísse pelos poros – é esse o grau de dor que a retrospecção e o arrependimento têm que trazer. Como Cristo ao pé das Oliveiras, no pé do Monte das Oliveiras. E claro, usar dessa seiva para fertilizar a obediência, pobreza e castidade (como comentei na última Poesia), que é a fé. A Fé! Se este óleo não for posto na água que é a fé de nada adiantará, é o óleo da água que queima o fogo apropriado, que faz com que o fogo exista de fato, como diz o Jacob Boehme: quando o óleo da água acaba, o fogo se extingue.

É preciso ter muito discernimento para ouvir as coisas que são tentações e o que são testes celestes. Porque é claro que Deus não ia permitir que Isaac fosse morto efetivamente. Mas Deus é sábio o suficiente para nos pedir que mate Isaac, a gente pode chamar isso de loucura, mas é uma sabedoria divina, e devemos estar o tempo todo prontos para ir contra as Leis divinas inclusive caso Deus nos fale. Como dito, não se vai chegar a efetivamente ferir as Leis, pelo menos eu não acredito nisso, mas nós iremos lutar com o anjo… E mais ainda, chegamos a lutar com Deus, é uma luta o tempo todo maravilhosa com o próprio Deus. O anjo nos fere na perna como a Jacó, e nós devemos lutar com Deus o tempo inteiro porque é Ele que nos livra de nós mesmos, e esse é o paradoxo: devemos lutar a ponto de vencê-lO para que Ele nos mate. Para que Ele nos faça o ferimento crucial para nos libertarmos! Pelo qual jorra nosso sangue e a nossa água. E é por isso que Deus está acima de toda e qualquer hierarquia, e nenhuma criatura de hierarquia alguma é Deus enquanto singularidade. A aparência pode revelar um ser que é centro e que é Deus, mas Deus não é uma criatura, porque quando nós pertencemos às criaturas nós fazemos parte do coletivo e Deus pode, a qualquer momento, nos pedir para que ajamos de uma maneira outra dentro desse coletivo de uma forma que nem compreendemos, como indo contra as Leis que pertencemos, a Ordem que fazemos parte, enfim, o que seja… E por isso só Deus é nosso verdadeiro Mestre e ninguém, de Ordem nenhuma e de hierarquia nenhuma pode nos dizer o que fazer senão Deus (por intermédio ou não delas). Nós somos só um meio.

Não se confunde a taça com a água que há nela.

Assim como não devemos nos julgar mais do coletivo do que de Deus. E uma das formas de aprender isso é sabendo que fazemos parte de tribos, de grupos, nomenclaturas sociais, mas não nos atermos a isso. Até porque a palavra grupos tem como significado um ‘amontoado’, e uma coisa que se amontoa logo será desfeita, logo se taca fogo e vira cinza, ou se distribui e deixa de ser um grupo e depois a gente nem lembra de que fez parte daquilo que se amontoou de qualquer jeito, porque um amontoado é questão de circunstância, a colheita não, ela é uma questão de crescimento, e não de circunstância, são coisas diferentes.

Não devemos permitir que o que a gente chama de “coletivo” hoje em dia e ideologias coletivistas ditem as fórmulas de como cada Eu deve Ser e como cada Eu deve agir – pois a única forma de ser é semeando e multiplicando e a única forma de agir é colhendo os frutos e os doando, sendo que essa vida e os grupos devem nos ajudar nisso: a criar momentos em que fazer parte de algo maior nos permita expandir a nós mesmos enquanto lavradores do nosso pedaço de campo. Lembrando sempre que: há uma forma para o todo, mas as fórmulas são pessoais e intransferíveis.

As fórmulas são pessoais e intransferíveis!

Ou seja, pertençamos, façamos as coisas porque somos seres sociais, nos encontremos, nos abracemos, semeemos e colhamos. É claro que há momento em que é semeadura, há momentos em que é solitário, é o crescimento, o trabalho sozinho debaixo do Sol, mas saibamos também reconhecer quando tudo estiver colhido, de nos juntarmos ao redor da mesa para multiplicarmos, para doarmos aquilo que cresceu individualmente. Que saibamos que nós somos um Ser verdadeiramente à parte, mas que isso é uma etapa, porque nosso único caminho, único fim e começo é Jesus Cristo. Então que aprendamos a receber, semear e colher com Ele. Crescer com Ele para que possamos amadurecer, para que uma nova manhã, uma nova aurora possa verdadeiramente acontecer…
Um bom trabalho a todos.
E que sejam fartas também as orações.
Um abraço meus Amados-Amigos-Irmãos!
Que Deus vos abençoe agora e sempre,
Amém!
Kronos:

 

“(…)os gregos nunca tiveram um deus do tempo, e a associação acima não passa de etimologia popular. Existia, sim, o deus Kronos, filho do Céu e da Terra, portanto pertencente à primeira geração de deuses.

Simplificando muito: ele matou o seu pai, que temia ser destronado por um dos filhos. Depois casou com Réia e se tornou pior ainda do que o pai, tratando também de destruir os filhos (pudera, com um modelo desses!). Um deles, Zeus, conseguiu dominá-lo
e passou a comandar o Olimpo.

Depois pai e filho se acertaram e Kronos acabou reinando sobre a Ilha dos Bem-Aventurados, onde se mostrou bom e justo. Às vezes as brigas dentro de uma família dão certo, se as partes se mostrarem maduras.

A única ligação de Kronos com o tempo é que, por ter reinado em passado muito, muito distante, dizer “no tempo de Kronos” significava um tempo enorme atrás.

Mas então por que a confusão? Porque em Grego, Chronos era a palavra usada para “tempo”, e nada tinha a ver com o nome do deus. A palavra começava com a letra chi, que tem um som semelhante ao CH alemão, ao passo que o nome do deus começava com a letra kappa. O som da letra chi não existe na maioria dos idiomas derivados do Latim, e não há como representá-lo adequadamente nessas línguas. Havendo diferença apenas na letra inicial, instalou-se toda uma história inverídica a respeito desta etimologia.”

Fonte: https://origemdapalavra.com.br/artigo/os-deuses-antigos-na-nossa-vida/

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