O que significa Ser herói? E o que significa Ser vilão?

Se nós formos, por exemplo, analisar o cérebro usando a teoria do neurocientista Paul MacLean, e dividi-lo em três partes, nós teremos o cérebro reptiliano, o cérebro límbico e neocórtex, e iremos descobrir que há várias simbologias que podemos ver através de um bom entretenimento, de um Pã que toca uma flauta para nos divertir enquanto caminhamos reto, e ele que nos seguindo atrás, sempre atrás de nós, então, que atrás de nós ele toque sua flauta e nos entretenha por um momento.

Vejamos a questão dos heróis e dos vilões.

Vilão vem de vil e a palavra vil vem de algo que perdeu seu valor, que é baixo, e se nós tomamos a moeda como exemplo do que sai de circulação, ela se torna uma moeda vil, ela não vale mais, e aquilo que não vale se torna vil, então ela se torna a representação de um vilão. Tanto que se ela circular no meio das moedas correntes, é dinheiro falso, é um vilão propriamente, você não está recebendo o justo pela troca que está acontecendo. Isso sem entrar nos casos em que uma moeda antiga se torna raridade, portanto, uma relíquia.

Mas, a priori, a moeda é um excelente símbolo, apesar da gente deturpar tanto ele. E por que ela é um símbolo bom? Porque a moeda, a cara e a coroa, simboliza dois princípios fundantes, assim como o masculino e o feminino, a Lei da Lógica e da Analogia, assim como o positivo e o negativo, então podemos observar que, assim como uma moeda só tem valor e só é uma moeda de fato se a cara está fundida à coroa, e por isso moedas são de metal – porque precisa haver uma fundição de uma coisa na outra, um mar de moedas é um mar fundido, mar de fundição, que foi fundido -, então nós podemos observar que o masculino sem o feminino não tem valor, o negativo sem o positivo não tem valor, a analogia sem a lógica não tem valor, e por consequência todo o inverso é verdadeiro: a lógica sem analogia, o positivo sem o negativo, masculino sem feminino enfim…

Porque o que se revela é que esses dois, duas coisas que são polos, unidas, geram um eixo, e que sendo um eixo, esses que são dois se tornam um só, ou seja, nós teremos pela Lei da Lógica que 1+1 = 2 porque cara + coroa = cara e coroa, mas ao mesmo tempo pela Lei da Analogia nós teremos que 1 + 1 = 1 porque cara e coroa = moeda, e teremos também que 1 + 1 = 3, porque a moeda não é nem a cara nem a coroa, mas um terceiro elemento que se apresenta a partir daquele eixo: o que aquele eixo crea é a moeda, ou seja, a moeda é a criação de uma cara e uma coroa, porque a cara com qualquer outro princípio, por assim dizer, se houvesse algum outro, por exemplo, uma cara com outra cara, não forma eixo, coroa com coroa não forma eixo, no sentido de que não formam moeda, mas cara com coroa formam moedas, então chegamos ao fato de que se nós pegamos os 3 cérebros, como dito ao começo, e vemos que um é o reptiliano, outro o límbico e outro o neocórtex, nós podemos analogamente e logicamente, tomando sempre essa moeda como nossa moeda de valor – a analogia junto à lógica, podemos, com ela, observar o seguinte:

Se o primeiro cérebro é um réptil, algo que rasteja, o segundo nós poderíamos dizer que é algo que anda, que o límbico é um cérebro mamífero, e que o neocórtex é uma ave, pois ele está acima dos outros, pairando sobre os outros. Então nós temos três cérebros: um que é um réptil, um que é um mamífero e um que é uma ave. Em termos simbólicos.

Se nós observamos nas tradições, as caras e coroas, como no Egito, se olhamos as coroas que são os Faraós e seus reinos, e os deuses egípcios, e observamos suas caras, nós iremos ver que elas são representadas como animais, porque os animais mostravam em que grau de ação, de emoção e de ciência se estava, porque o reptiliano tem relação com a ação irracional, o límbico com a emoção e o neocórtex com a ciência, ou o racional. Então conseguimos ver pelos desenhos quem eram pessoas mais avançadas que eram representadas justamente com cabeças de mamíferos e até mesmo de aves, porque o desenvolvimento cerebral em cada um, a tomada dessa técnica, não se dá de maneira igualitária, ela se dá na mesma proporção de potencialidade, mas não de igualdade material, ou seja, nem todos têm o uso de um cérebro igual, ainda que todos tenham cérebro. Todos têm a potência de usar um cérebro, desenvolver um cérebro, mas nem todos desenvolveram ele materialmente da mesma maneira, tem pessoas que usam o neocórtex de maneira mais avançada do que outras. E por que isso, essa desigualdade material, por assim dizer? Ainda que todos tenham potência de atingir o mesmo grau de sabedoria… Porque eu nasço com um corpo como todo mundo, mas tem gente que… tem um Bolt que corre 45km por hora, e eu, por mais que eu treine essa minha vida inteira, eu não ire correr o mesmo que ele, ou seja, a capacidade corporal de cada um de usar o corpo para uma especialização, ou seja, a técnica de cada um, ou seja, técnico, em grego tékne, que o latim vai nos trazer até o português como Arte de cada um, a técnica de cada um, corporal, será de acordo com seu foco, não sendo igual para todo mundo: um tem foco em se desenvolver dentro das matérias com algo chamado corrida, e essa é a Arte daquela pessoa, e eu, por exemplo, procuro me desenvolver escrevendo, creando texto. São duas técnicas diferentes, mas ambos estão se especializando em algo, porque o mais importante não é a técnica em si mesma, não é a Arte em si mesma, porque não é a Ciência e o método científico, não é a Obra o que salva, mas sim a Fé! Como diz São Paulo.

E isso mostra que depende do nosso fator divino, do nosso lado divino, em acreditar que aquilo me levará a algo mais longe. É como dizer que, um Bolt, para se tornar um Bolt, para correr 45 km/h, ele precisa se tornar aquilo que ele Ainda Não É, ou seja, Nietzsche, que nos falou para nos tornarmos aquilo que nós já somos, estava errado, porque não somos nada enquanto não nos tornamos o que devemos divinamente Ser. Um Bolt não nasce correndo 45 km/h, ele precisou acreditar que um dia ele iria correr 45 km/h. Talvez, aliás, um dia ele tenha acreditado que ele ia correr 30 km, 40 no máximo… e jamais tivesse passado pela cabeça dele ser o maior corredor do mundo, que já existiu, e aí, pelo tamanho do esforço, da entrega dele para aquele ato, para aquela lapidação, para a creação daquela moeda enquanto valor, ele se esforça enquanto homem e, tendo fé de que chegará mais longe do que onde ele está e do que aquilo que ele é, Deus concede a dádiva dele ir inclusive mais longe.

E aí vemos que a corrida é arte porque é gerado o espanto, e a Arte é a arte do espanto genuíno, e passamos a nos espantarmos com nós mesmos, no ‘opa, eu não esperava chegar aqui, eu não fiz tudo isso esperando chegar tão longe, não fiz esperando receber tudo isso em troca’. Por isso é muito, muito importante sempre fazer cada vez mais sem esperar nada em troca, porque eu duvido que um Bolt tenha começado a correr pensando: um dia serei o maior corredor do planeta.

Nós podemos ter esse sonho de forma narcísica, um bom narciso, para tomar ciência do que queremos na vida e assim nos tornamos cientes da nossa técnica, um cientista da corrida, e, tal qual a arte, pensarmos: nossa, eu sou bom mesmo nisso, vou continuar seguindo reto nesse caminho! Vou fazer só isso! E quem sabe se esmerar e querer estar ao lado dos melhores, chegar o mais longe possível. Mas não por vaidade em si mesmo, e sim porque passa horas ralando para vencer a Si próprio. Um esportista sabe que, de todos os competidores que estão ao lado dele, realmente o maior inimigo é ele mesmo. Aliás um artista de palco sabe disso também muito bem, porque se o cérebro dele, o pensamento dele levar ele pra outro lugar, quando o que ele tem é que estar de olho é no Agora, completamente presente, vivendo inteiramente, integralmente para aquele momento, porque ele treinou a vida inteira para que chegasse aquela hora, mas se o cérebro ou pensamento dele leva ele pra algum outro ponto, ele esquece a fala, dá branco, ele diminui a velocidade e sem querer, inconscientemente ele perde a corrida, ele perde o ato, ele erra o passo de dança porque ele foi prum outro lugar em fração de segundos, sem que ninguém precisasse passar na frente dele de propósito ou porque eram melhores de fato.

E isso nos mostra que todas as tradições, voltando ao Egito, trazem a referência da cabeça. A cabeça como um centro de consciência que vai sendo alterado, e vai se elevando.

Num terreiro de umbanda só o Pai ou Mãe de Santo pode tocar a cabeça de quem faz parte, ou seja, só o ser espiritualmente mais elevado pode tocar aquela mente, aquela consciência, o resto que é impuro não pode, que estão abaixo espiritualmente, não pode. Então começa a haver uma purificação daquilo que me toca.

Nós vemos que Cristo fala e Paulo confirma que pensar é pecar, que basta pensar para estar em adultério. Para pecar, ter a queda, não é preciso o ato. E o que isso nos revela? Revela que é mais do que alguém poder ou não tocar nossa cabeça, mas sim, inclusive, os pensamentos. No caso do Pai ou da Mãe de Santo, eles se tornam representantes para que eu tome ciência de que são os pensamentos também que não devem me tocar, só os temas da fé. Claro, sem me tornar cego nesse processo, para as coisas do mundo. Não é um processo às cegas, mas tendo ciência do que se escolhe passar, e aí é um processo lindo porque se torna arquetípico e sincrônico alguém não tocar minha cabeça porque somente coisas e seres elevados podem tocar minha cabeça, eu começo a tomar ciência do que isso significa no meu templo interno, para além do templo externo – ainda que seja prudente os dois templos caminharem juntos, ou seja, nem pessoas impuras nos tocarem e nem pensamentos impuros nos tocarem.

E tendo essa visão dos três cérebros, nós podemos ver como elas vêm de tradições, cada uma representando com seus animais próprios, porque esses animais também vão representar e revelar graus de ação, emoção, ciência e consciência dentro desses cérebros, porque não é igual para todo mundo. Então um macaco vai representar algo diferente de um elefante, diferente de um cachorro, lobo, assim como aves diferentes também representarão graus diferentes de ciência e de uso do neocórtex, como uma coruja e uma águia. Mas sempre tendo esses três grupos: réptil, mamíferos e aves como representantes simbólicos dos que estão num processo evolutivo (repteis representando as pessoas que trabalham o cérebro reptiliano, mamíferos representando as pessoas que trabalham o cérebro límbico e aves representando pessoas que trabalham o neocórtex, por assim dizer).

Se nós nos permitirmos dançar um pouco ao som da flauta de Pã, que atrás de nós caminha, podemos usar dessa diversão para ver um pouco sobre os heróis e os vilões. Voltando à moeda: a moeda que saiu de circulação é uma vilã, relevando que uma moeda que esteja sendo usada para troca, que esteja ativa no mercado, ela é, logicamente e analogamente, um herói! Então os filmes de herói e vilão, originalmente, foram feitos para nós tomarmos ciência disso, por isso são pertinentes para aqueles que são crianças ou pré-adolescentes, mas claro que hoje em dia tem se deturpado tudo, aí se coloca vilões como heróis, e heróis e heroínas hipersexualizados, se tornando praticamente vilões, e cada vez mais as crianças estão em processos precoces em termos de erotismo – dum mau erotismo, duma pornografia. Por que será né? Filmar vilões como heróis é pornografia simbólica. Não serve de nada.

Quem faz isso é profundamente ignorante: sendo uma pessoa estúpida ou , que são graus duma mesma coisa.

Mas como nada surge do nada, existe uma lógica que está sendo prostituída para se fazer isso, que é: todo herói se torna vilão um dia. Ainda que um vilão não volte a ser herói. E isso é importantíssimo de ser compreendido! Pois uma moeda pode sair de circulação, mas todos sabemos que é retrocesso voltar a usar as moedas antigas.

Então nem todo herói será tão herói assim com o passar dos anos, com o passar do tempo. Ou seja, todo herói é substituído, ainda que enquanto ele é herói, deva ser tratado como tal para que o próximo possa se tornar conhecido.

Se nós olhamos para o cérebro reptiliano, um cérebro irracional, que reage, nós podemos nos lembrar de uma personagem: o Coringa. Ele é um mistério, ninguém sabe sobre ele, o que esperar dele, ele não planeja nada, ele só reage. Você faz algo e ele irracionalmente reage. Se você perguntar o por quê, ele não sabe. É uma resposta irracional, inconsciente. Então usemos ele aqui enquanto uma moeda de relíquia, em sua originalidade, para mostrar o cérebro reptiliano em ação.

O Coringa é um homem que ri por qualquer coisa, reage quando é algo alegre, reage do mesmo jeito quando é algo triste, ele não age, ele não planeja, porque agir é ação ciente, é uma ação científica, ainda que não planejada, mas ciente de si mesma e dos fatos que a cercam, sendo a reação uma ação impensada, inconsciente, que apenas se reproduz – como os repteis, se reproduzem faz milhões de anos e continuam com o mesmo corpo de dinossauro, não evoluem, não se tornam cientes como cachorros que podem ser totalmente  adestrados. Ainda que isso esteja mudando muito lentamente, no caso dos animais. Mas os repteis são muito demorados, jurássicos.

Então o Coringa podemos ver que tudo ele ri, ele ri por rir, como um espasmo, como um choque que ele toma, mas não por compreender algo, e sim apenas como reação ao meio em que se encontra. Não como Buda, que ri como um ser iluminado. Ele só ri porque é a única coisa que ele aprendeu: rir, rir e rir, está feliz? Ri, está triste? Ri também, num eterno repetir! Numa roda, como uma serpente engolindo o rabo, girando e girando atrás de si mesma engolindo a si própria sem fazer mais nada. Então temos essa personagem existindo nesse mundo, essa existência que surge para fazer caos e trazer reações à tona.

E depois podemos ver como que um outro vilão, um pouco superior a ele, também vai sendo forjado. Porque o Coringa, nós não sabemos a gênese dele, não sabemos de onde ele veio, a gente não sabe nada sobre o surgimento do cérebro reptiliano em nós também, nós não nos lembramos do tempo em que tínhamos apenas esse cérebro como possibilidade, ao menos não lembramos a princípio. Mas o Duas Caras nós conseguimos ver o surgimento…

E ele é aquele que funde a cara e a coroa, mas guarda aquela moeda de tal forma que ela se torna vil, ao invés dele usar como moeda de troca no seu valor realmente, ao invés de usá-la no tempo apropriado e da forma apropriada, que é com o outro, porque como é troca eu preciso do outro, ele perde o tempo dela e guarda por muito tempo com ele mesmo, de maneira egoísta, enterrando-a, por um conservadorismo exacerbado, inclusive – o conservadorismo representando ideologias de grupo, porque ele vai representar o cérebro límbico (o vilão apaixonado, político, que vai se casar, que quer ter uma família, o desejo dele!), então ele representa as ideologias que nos conservam em grupos, ideologias de ‘só’: só pode mulher, só pode homem, só pode hétero, só pode branco, só pode preto, só pode água, só pode fogo, só pode norte, só pode sul, só pode direita, só pode esquerda, ou seja: só pode quem faz parte das regras que são aceitas politicamente por aquele grupo, que é a polis, que nada mais é do que um grupo organizado com leis que regulam a ele próprio.

Ou seja, indivíduos opostos, porque ninguém no fundo é igual a ninguém, que encontram algo de valor similar entre eles e resolvem fundir esse valor para criar uma única coisa. Então eu sou Le Tícia e você é você, mas por termos um mesmo gênero (por ex. feminismo ou machismo), uma mesma cor (nazismo ou antifa), uma mesma religião (meu terreiro ou minha igreja), um mesmo país (patriotismo), ou mesmo por termos o mesmo grau de ciência, nós nos juntamos formando algo de valor: uma moeda, e então colocamos ela em circulação forçosamente como valor ou a tiramos de circulação, tratando como uma relíquia dentro dum grupo de pessoas selecionadas, sem ver que a relíquia também é, por consequência, um vilão mesmo que “apenas” em vigência interna de um grupo. Por isso é possível ver que um dia haverá uma só moeda para nós comprarmos qualquer coisa no mundo inteiro, por exemplo. Por isso um dia acabarão as nações, um dia acabarão os governos, as polis. É um processo muito lento, óbvio, mas é um processo de evolução daqueles que vão se tornando cientes de como as coisas devem caminhar se se tornam conscientes, ou seja, uma ciência conjunta de fato, que é fazer um caminho: retamente. Sem circular nada!

Então o Duas Caras é a representação de tudo isso: de dois diferentes que encontram algo em comum e forjam uma fundição para assim começarem algo único, como uma família, em que dois se somam para formá-la. Então todo conservadorismo é em relação a algo que foi fundido e entre nós acreditamos que tem valor, pois pros outros pode não importar minha mãe morrer, mas para mim importa porque fui fundida a ela, eu sou sangue dela e ela meu. Então temos a ideia de que todos aqueles com quem nos fundimos é nosso grupo, é o que tem valor, o que passa a ser nossa moeda. Agora, claro, devemos lembrar mais uma vez que: uma moeda vigente de fato, de verdade, ela tem valor em si mesma. Ou seja, se eu acredito que família é de quem eu nasço biologicamente, eu preciso viver isso enquanto valor. Se acredito que família é quem eu cientificamente, ou seja, com a ciência de um valor do outro, assim o escolho para ser minha família, eu preciso viver isso enquanto realidade, mas são graus da mesma coisa: viver em grupo, e querendo ou não o que me une àquele grupo, seja a hereditariedade, seja o fato de serem só mulheres, ou o fato de ser só trans, só brancos, só pretos, só só só, não nos enganemos, só meu grupinho político, só meu partido, então não nos enganemos: é uma moeda que logo perde o valor frente ao fato de que: família não é o que escolhemos, neste aspecto, porque, a princípio, eu não escolhi ser preta, não escolhi ser filha dos meus pais, não escolhi ser cis, não escolhi várias coisas que tem a ver com a minha materialidade aparente, então caso eu olhe pra tudo isso com uma visão materialista, puramente materialista no sentido científico de hoje em dia, eu não escolhi nada da minha vida.

Mas se eu olho espiritualmente, verei que sim, eu escolho o grupo a que vou pertencer, como o grupo da família, o grupo da cor, o grupo do gênero, mas daí algo para além se apresenta no olhar espiritual, que é: a principal escolha que fiz não é do gênero, nem da cor, e nem da família, mas sim o fato de que eu escolhi nascer, assim como todos os outros que estão aqui.

Nós todos somos uma moeda única, porque frente ao espiritual, todos nós escolhemos estar aqui, juntos, no mesmo planeta, passando pelo mesmo espaço-tempo, ou seja, experiências. E isso se chama humanidade.

Nós humanizamos verdadeiramente quando passamos a enxergar no outro o fato de que ele está aqui porque eu também estou, e eu estou aqui porque ele também está.

E isso muda radicalmente a maneira como a gente enxerga hoje a realidade.

Porque a gente passa a se perguntar por que alguém escolheu nascer agora, junto de nós, ao invés de pressupor que ter nascido em um país diferente, de cor diferente, de religião diferente, enfim, numa prática diferente gerando uma teoria diferente. Então se eu escolhi ser brasileira a teoria é de que eu sou atrasada diferente dos que estão na América do Norte que são muito avançados, quer dizer, teorias diferentes, como assim?

Mas não, a teoria e a prática são as mesmas para todos, ainda que se revelem de forma fragmentada, fractalizada, fracionada. Ou seja, eu posso estar aqui para evoluir uma determinada característica minha, e o outro pode estar aqui para evoluir um outro grau de ciência e característica dele. Mas não nos faz diferentes em termos de escolha. Porque o cerne dela é de que estamos aqui para mudar em nós alguma coisa.

Quem acredita que existem diferentes teorias e diferentes práticas, acaba se fechando em grupos, se fechando em si mesmos, tal qual o Duas Caras, e passa a agir somente de acordo com o lado emocional, ou seja, o cérebro límbico. Ele queria ser político, ele queria casar, ele sentia muitas coisas apaixonadas pela cidade, pela noiva dele, ele era apaixonado pelos grupos ao qual ele fazia parte ou queria pertencer, mas nós sabemos que o cérebro límbico atua junto ao cérebro reptiliano, que é o Coringa. E às vezes o Coringa nos dá uma paulada.

É curioso vermos como Iscariotes, o sobrenome de Judas na Bíblia, vem do hebraico Ish-Qeriyoth, “habitante de Kerioth”, sendo que em hebraico “qeriyoth” significa “cidades”, plural de “qiryah” (“cidade”). Ou seja, nós podemos ver como ser um político, alguém da polis, é ser Iscariotes. Nisso vemos também que Platão deve ser superado, como constatou Nietzsche, mas não nos tornando o que já somos, como ele alegou falsamente, porque Nietzsche se perdeu a tal grau dentro do conservadorismo que voltou para os tempos persas – Zaratustra , julgando que regredir seria ultrapassar o Cristianismo, quando não, ultrapassar o Cristianismo enquanto grupo, enquanto instituição, requer ir para o indivíduo que significa se tornar aquilo que não se é, porque enquanto se pertence a um grupo, seja persa seja católico, não se é indivíduo de fato, ainda que o despertar do indivíduo seja dentro do grupo, para depois, como fez Cristo Jesus, sair do grupo e andar sozinho, ou seja, ir para o deserto.

Uma criança não é o adulto, mas o adulto é aquilo que a criança, não sendo, se torna. Essa seria a fórmula para a cura para Nietzsche, se tornar adulto sendo criança, como ele vislumbrou, em alguns de seus aforismos, mas, por fim, a própria vida dele nos mostra que ele não logrou.

Voltando ao Duas Caras e ao Coringa…

Nós vemos que os cérebros reptiliano e límbico estão conectados, e o encontro de ambos revela como se dá a união deles e como as emoções límbicas nos conectam às reações, tal qual uma moeda, e o Duas Caras, ao invés de escolher como irá agir, ele já não reage como o Coringa, não é só reptiliano, mas ele também não usa o neocórtex, que seria a escolha por si mesmo, mas deixa a moeda escolher por ele, então se dá cara eu faço X se der coroa eu faço Y. Ele deixa que a moeda escolha por ele, ou seja, ele deixa que o valor do grupo escolha por ele, e internamente isso significa também que, uma pessoa dessas mesmo fora de um grupo, ela deixa que os cérebros ajam aleatoriamente decidindo a vez de quem que é, se eu reajo emocionalmente chorando, rindo, me  enfurecendo, irando, ficando eufórica etc. ou se reajo com uma reação dando porrada, por exemplo. Ele já não é o que reage em termos de ação apenas, mas também de emoção: sentindo ira, raiva, ódio, fúria mesmo sem mover um centímetro dele próprio. Ou seja, a moeda escolhe para ele se ele vai reagir – agir novamente através de uma ação já conhecida, ou se vai ser um ressentido – vai sentir novamente alguma emoção já conhecida.

E nisso ele se torna um vilão porque depois desses dois surge uma outra figura, que é o Batman! E é muito pertinente olhar para o Batman porque frente aos dois o Batman é o herói, e realmente, frente aos dois, ele é um herói. Pois, vejam, ele é um morcego.

Se nós voltamos a olhar os cérebros e os animais veremos mais uma vez que são representados: o reptiliano por um réptil, o límbico por mamíferos e o neocórtex por aves. Nós vemos então que o Batman, sendo um morcego, é um mamífero que voa, ou seja, esse cara ainda não tem ciência do uso do neocórtex, tanto que morcegos voam à noite, ou seja, é inconsciente o uso que se faz do neocórtex, é noturno. E o morcego, além de voar, é mamífero, revelando um neocórtex que submete o límbico a ele. Ou seja, é quando eu uso os dois superiores para combater os dois inferiores, seja o límbico com o reptiliano, seja apenas o reptiliano.

Como o Coringa e o Duas Caras são vilões cientes de si mesmos, ou seja, humanos, eles personificam sujeitos sociopatas, no caso do Duas Caras – aquele sujeito cujas escolhas não são mais baseadas nele mesmo enquanto indivíduo, mas nas paixões, nas reações e ressentimentos relacionados ao grupo, e psicopatas, o Coringa – aquele sujeito cujas escolhas não são baseadas em ninguém além dele mesmo enquanto uma psique que, sem Eros (amante dela mitologicamente na Grécia), se torna, sem o Eros, apaixonada por si mesma, numa espécie de “alto grau de psicose”, entre aspas, por assim dizer. Sendo que ambos nada mais são do que pessoas que têm problemas nesses dois cérebros – os sociopatas e os psicopatas são pessoas que têm problemas no cérebro reptiliano e límbico, como suspeitava e chegou a confirmar o autor da teoria dos três cérebros, o neurocientista já citado, Paul MacLean.

Então nós vemos como os sociopatas são os que baseiam suas paixões no social e o psicopata é o que se apaixona pela própria psique. Ou seja, o Coringa não é um sujeito que se relaciona com Eros inconscientemente, mas sim sem Eros, ele não tem amor, porque Eros é amor, ele é baseado só na própria cabeça, ou seja, na sua psique, sem se conectar com o externo, sendo como um Narciso, mas de espelho quebrado, Narciso ruim, de águas turbulentas, que ao invés de mostrar uma imagem unificada e cristalina, pura, ele acaba por ver só a si mesmo multiplicado infinitamente e de forma impura, bem como o amor erótico do Duas Caras morre, porque o Coringa, irracionalmente, mata a noiva dele, sendo que ambos representam essa natureza decaída de quem, ao invés de escolher se tornar aquilo que não são: o Batman, se tornam hierarquicamente os inimigos dele, porque hierarquicamente o neocórtex é o cérebro que está acima, em todos os sentidos, literalmente. Ou seja, a hierarquia, que nos dá a raiz arché-, vai nos revelar que eles, o Coringa e o Duas Caras, são arqui-inimigos do Batman.

Nisso podemos ver que o Batman também vai sendo contestado como herói porque temos chegado num tempo em que não usamos o neocórtex de forma obscura, mas sim de maneira um pouquinho mais clara, mais lúcida, somos um pouquinho mais racionais. Sendo que também já é possível termos uma maturidade tal que nos tornamos cada vez mais capazes de usá-lo separadamente do límbico, ou seja, a representação do animal muda, já não é um morcego, mas se torna uma ave diurna. Ainda que, claro, não é matar o cérebro reptiliano nem o límbico literalmente, mas mantê-los sob nossa vontade, nossas escolhas, nosso querer, para isso lapidando nosso livre-arbítrio, aprendendo a fazer escolhas cada vez mais cientes das consequências, dos efeitos que terão ao eu me tornar herói ou vilão.

E é muito lindo se pararmos pra pensar em quem vem depois do Batman – no caso de alguém que consegue, por esforço próprio, desenvolver a ciência do neocórtex, porque a sua sucessora seria a Mulher Maravilha. Ela é a melhor expressão do que seria essa ave virgem, nascida do barro pelo esforço técnico de sua mãe, Hipolyta, em lapidá-la. E claro que, por ser entretenimento (e entretenimento querendo ou não se se prolonga se torna ainda mais raso e nos deixa estúpidos), ele visa dinheiro e fama, status, então assim como usá-lo como referência por tempo demais nos torna estúpidos, estúpido ter apenas entretenimentos como referência, é estupidez ficar criando mil e uma personagens como o fazem, podendo dizer que há a Batgirl. Realmente, se poderia criar diversas personagens baseadas nessas lógicas cerebrais e analogias com os diversos graus de ciência de nós mesmos enquanto criaturas e seres.

Mas a Mulher Maravilha, pra finalizar, é muito apropriada por seu símbolo ser inclusive a águia dourada, e ela possui uma tiara na cabeça com uma estrela vermelha, cor do sangue, mas elevado e em forma de estrela – simbolizando também um cérebro irrigado, voltado para coisas celestes. Como dito, claro que essas coisas todas são feitas para vender, e, portanto, não são as moedas mais valorosas de se usar de fato, ainda que hoje em dia, de algo valem, ainda – se os filmes e HQs possuírem seus símbolos originais, sem deturparem e deformarem a interpretação, como se faz hodiernamente. Pois a Mulher Maravilha, por exemplo, era simbolizada pela águia – a sabedoria, uma mulher amazona, filha de mãe virgem, é aquela que sai de entre as mulheres puras, da Ilha do Paraíso, para curar a ‘terra dos homens’. Ou seja, não eram mulheres apaixonadas, não eram impuras, não eram sexualizadas, e tudo o mais que acontece hoje, porque a Mulher Maravilha está hipersexualizada e agora, além de homem querê-la, mulher também, ou seja, a gente já não tem o desejo de Ser a Mulher Maravilha, nascida do barro, vivida de forma pura, casta, numa Ilha do Paraíso, não, a gente quer possuir sexualmente essa mulher, que simbolicamente é prostituição do símbolo.

Assim como um filme do Coringa, com o Joaquin Phoenix – porque o com Batman ainda, é válido, mas o do Coringa, ele é praticamente posto como herói da garotada, imaginem, um psicopata herói, era só o que faltava! Se essas coisas de perversão do símbolo não são pura estupidez, a única palavra que sobra é maldade!

Então, se nós pedimos para Pã parar de tocar sua flauta, parar de nos entreter nesse caminho que fazemos, e olharmos novamente para o início e o fim desse caminho em si mesmo, nós conseguimos observar que Maria, mãe de Jesus, mãe de Deus, ela possui uma oração que começa e que se dá assim:

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco

Bendita sois vós entre as mulheres, bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.

Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores

Agora e na hora de nossa morte.

Amém.

– Gostaria de deixar claro, antes de continuar que:
Eu Sei que Maria foi e É um Ser verdadeiro,
que tudo o que nos tenha a aparência de mitologia É real,
ela, Maria – pessoa , existe. –

E aí nós podemos ver, tomando a existência deste ser, como a vida dela nos serviu para ver e ouvir a ave, porque Maria começa sendo ave: Ave Maria, é uma ave pura. Maria – cuja etimologia remete a muitos significados, entre eles: a primeira entre as mulheres, a exaltada, forte, senhora soberana, pura, aquela que tem contumácia, ou ainda, aquela que tem amargura. E aí podemos notar os diversos graus de ciência que um ser humano pode ter no seu neocórtex, que é simbolizado pela ave, sabendo que esse terceiro cérebro é o que menos nós sabemos usar de fato, podendo gerar desde a ciência da amargura que é tentar dominar a si mesmo, ser uma pessoa sábia realmente e o quanto isso é dificílimo, amarguíssimo de se aprender, a até a exaltação e soberania que aguarda aqueles que se esforçam e o logram paulatinamente.

Ou seja, viver a Ave Maria é termos ciência de que somos homens, que somos húmus, feitos do barro – seres da terra junto à água, da lágrima que salga a terra ao mesmo tempo em que nos lava, que santifica Maria, ou seja, purifica o pensamento.

E então vemos que o Senhor é convosco porque ela, o tempo todo, está lá sendo cuidada desde de esse alto, pois quanto maior a altitude, quanto mais alto o ar que eu respiro, mais elevado eu me torno, mais próximo de Deus eu sou e fico. Então o senhor está com ela o tempo todo porque ela, enquanto ave, respira esse ar altivo, e é bendita dentre todas as mulheres porque, dentre todas as partes do nosso cérebro, aquele que é a bendição é o neocórtex, sendo necessário ela rogar por nós na hora de nossa morte porque é preciso realmente, efetivamente, morrer para nossa natureza inferior (sem, contudo, matar os desejos e ações próprias, por isso é dificílimo! Não é se livrar do cérebro, é aprender a usá-lo enquanto mente, enquanto pensamentos, desejos, escolhas de forma elevada)… e bendito o fruto do ventre porque, ao desenvolvermos o neocórtex de forma virgem, nós desenvolvemos também, como semente, um quarto cérebro.

Esse quarto cérebro é representado por Jesus.

Maria se torna santa porque, para conseguirmos fazer com que Jesus nasça em nós, fazer com que esse quarto cérebro se desenvolva em nós, é preciso se tornar santo, e santo de casto, de puro, de virginal. E aí seremos mãe de Deus, porque esse quarto cérebro é o cérebro etérico, de funções etéricas, cérebro dos anjos, de luz. Por isso os santos são pintados com auréolas, e para além de auréolas, com aquela aura amarela ao redor da cabeça. Por isso no cristianismo as representações já não são mais de animais, fora a ave Maria, mas sim da luz, da cabeça de luz porque é a representação desse cérebro que está acima das aves, um cérebro angélico, sendo que os anjos não voam na horizontal como as aves, mas na vertical: para além do nosso tempo e do nosso espaço.

E isso se dá porque começa a ser ativado o que a gente popularmente chama de terceiro olho, esse seria como quarto cérebro nosso, mas não apenas a pineal sozinha enquanto quarto cérebro. A pineal, dentro do quarto cérebro, trabalha junto da pituitária.

Lembrando que, se há pessoas que usam apenas o cérebro reptiliano e límbico, e muitas ainda estão inconscientes desenvolvendo o neocórtex, ao modelo do Batman, isso significa que ainda demora um pouco para chegar no desenvolvimento pleno desse quarto cérebro, e inclusive do nascimento dele de fato, porque o nascimento do quarto cérebro, quer queira quer não, é fazer com que Jesus nasça em nós, é levar uma vida tal qual Maria. Muitas pessoas começam a ativar a glândula pineal sem terem real estrutura cerebral e espiritual para aguentar o tranco. Então melhor seria caminhar um passo de cada vez do que correr e acabar enlouquecendo, caindo pelo precipício ou batendo num poste. Mas claro, caminhando sempre. Se planeja andar uma milha, ande duas três, se planeja caminhar 6 quilômetros, ande 7, 8, 9, 10.

Para compreender o mistério das glândulas em si, a fundo, eu recomendo e os convido para que se estude a ciência da Fraternidade Rosacruz dos Cristãos Místicos. Esta Rosacruz especificamente, nenhuma outra. Isso sem proselitismo, apenas um convite para quem queira se aprofundar no assunto. Eu coloquei links no final do texto. E deixo dito que a Fraternidade tem a capacidade de trazer a ciência a respeito do que tudo isso representa, aos poucos. Nada é da noite pro dia!

Porque na vida é preciso estudar, se esforçar. Um Bolt não seria um Bolt se não tivesse treinado horas e mais horas e dedicado uma vida inteira para isso. Tem uma passagem do Heitor Villa-Lobos em que um rapaz fala para ele: nossa eu daria minha vida para tocar como você toca, no que o Heitor responde: pois é, eu dei a minha vida. Ou seja, ninguém conquista algo sem o próprio sacrifício. Ninguém. Ainda que, lembremos, sem barganhas vaidosas, sem esperar recompensas, mas se esforçando porque na natureza nós sabemos que tudo é movimento, é algo simplesmente necessário de ser feito, ainda que, inevitavelmente, as coisas vão caminhar, mesmo que por regressão devido a preguiça e inércia. Quem para no meio da corrida não fica no meio da corrida simplesmente, porque o resto continua indo para frente, ou seja, quem para de caminhar fica de fora como um todo, porque não chega na linha final, mesmo que em último lugar. Por isso o pior não é quem fica em último, mas chega, e sim aquele que nem começa ou desiste de tentar.

E nisso nós podemos ver como precisamos vencer os vilões, tratando-os pelo que são: vilões, e evoluirmos ao não nos contentarmos em sermos 1 herói, em ser Batman apenas, e ficar preso nesse processo, mas sempre estar almejando o próximo passo, o próximo símbolo que me unirá a um conhecimento maior, a uma águia, e, quem sabe, um dia, ao quarto cérebro nascido, e aos poucos lapidado. Que é se unir a Jesus, e depois a Cristo, e consequentemente ao Pai.

Que sigamos em frente, reto, ouvindo a flauta de Pã – caso convenha, mas tendo ouvidos principalmente para a Lira de Apolo, o Sol, e sabendo, por fim, que é a Cristo Jesus que se está seguindo e dando nascimento, do princípio ao fim, o tempo inteiro.

Caminhemos!…

 

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz!

Fraternidade Rosacruz:
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Fontes quanto à etimologia de Iscariotes, acesso em 23 de junho de 2020:

https://origemdapalavra.com.br/palavras/iscariotes/

https://igrejaplenaclimabom.webnode.com.br/products/chamados-e-escolhidos/

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