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Eu gostaria de conversar…  eu gostaria de caminhar e observar a Poesia do Relacionamento, sendo que, para isso, eu gostaria de observar junto dela a Poesia da Cura e a Poesia da Saúde. Trançar essas três enquanto vamos caminhando mentalmente…

Cura vem do Latim, cura, que significa ‘ato de curar, de vigiar’; já Saúde vem do Latim salvus, que significa ‘inteiro, a salvo, intacto’, que por sua vez vem do sânscrito sárvah, ‘inteiro’.

Isso nos revela que o estado de doença, que significa um estado de dor (dolens, dolentia), assim como enfermo, que revela um ser infirmus, ou seja, ‘sem firmeza, sem estabilidade’, são estados daqueles que não estão inteiros, não são inteiros, que não vigiaram e não se salvaram em se manter firmes, havendo portanto uma queda, um tombo, um entortamento dos atos, das emoções, da psique, do intelecto, enfim, algo em nós se desestabiliza, nos tornamos instáveis em alguma área.

E se já observamos que saúde tem relação com ser inteiro, é preciso nos vermos inteiros até na doença para que a cura seja uma possibilidade, ou seja, compreender que não é apenas uma área que está doente, mas todas as áreas a ela correspondentes: se eu cometo atos doentes isso mostra que tenho emoções doentes, desejos doentes, pensamentos doentes, em todos os níveis eu devo conseguir aprender a me ver cindido, partido, ao meio, para então conseguir ter a possibilidade de vislumbrar alguma cura, alguma estruturação nova da saúde em relação à antiga.

É preciso ver também que isso significa que o estado de doença e de saúde se relacionam diretamente com a nossa capacidade e o nosso grau de discernimento na ciência e na consciência, âmbitos nos quais somos muito falhos ainda em termos pleno domínio deles, se é que há qualquer aprendizado sobre eles de fato.

Hoje em dia, quando olhamos para nossa sociedade em geral, e as doenças mais pronunciadas, vemos que estamos numa polarização extremada envolvendo ideologias, ou seja, ideias pré-concebidas que são ofertadas através de um tratado, de um discurso dado, seja para o lado que for (ideo-logias, ou seja, ideias e logos). E se pegamos os fatores mais óbvios e atualmente debatidos dessa polarização, levando em conta o relacionamento para isso e qual é o preponderante perante as nossas relações humanas, encontraremos mulheres que denunciam o machismo, por exemplo, e homens que, em contrapartida, denominam as mulheres de histéricas, havendo até mesmo teoria freudiana sobre isso. Então usarei o machismo e a histeria como exemplos para trabalharmos essas Poesias.

O caso é que o machismo, que existe e é usado como base para muitos discursos que nada tem a ver com ele enquanto existência, é uma doença que acomete a sociedade, por doença temos aquilo que nos causa dor, e os homens têm causado dores às mulheres de diversas formas, e uma das suas engrenagens se relaciona à vaidade e à personalidade autocentrada de maneira egoísta, o que, em si mesma, também faz sofrer, principalmente, o homem, ainda que ele seja inconsciente disso ou não assuma, afinal, “homem não chora”. Assim como se dá com a histeria, seu oposto, formando uma dupla que age (na maioria dos casos) junta, tendo sua manifestação relacionada à personalidade que perde o centro de si mesma. Eles estão presos em si mesmos, elas estão presas no outro – estão fora de si mesmas. (E isso vale para casais homoafetivos, nos quais normalmente há duas pessoas que têm predominância distinta, tal qual homem e mulher, desses polos masculino e feminino enquanto forças atuantes).

Ambos estão doentes, ambos estão em dor, tanto o homem, que tem a tendência (ainda que não seja apenas do homem ser egoísta) em agir com grande egoísmo, mega centrado em si mesmo e nas suas necessidades, desejos, fantasias, pensamentos, gostos, ideias, o que seja… bem como a mulher, que tem a tendência (ainda que não seja apenas da mulher ser descentrada) em agir sem foco, de forma generalizadora, possuída por qualquer coisa que se apresenta fora dela mesma.

Assim, podemos ver que raramente uma doença anda sozinha. Mais raro ainda é ambos conseguirem admitir que estão em dor, ou seja, em pedaços (não inteiros, não saudáveis), frágeis, fracos, tropeçando, caindo, cambaleando, ambos instáveis.

O ser humano tem a tendência a esperar que o outro se cure primeiro para que “eu” possa me curar depois, sempre tendemos a reclamar e ver com maus olhos o fato de sermos os mais fortes e que buscam ajuda enquanto o outro não é capaz de fazer o mesmo esforço por nós. Isso pode acontecer, por exemplo, na relação entre pais e filhos também, ao os filhos precisarem e serem forçados a se tornar mais maduros que os próprios pais para que possam resolver conflitos das dores desses pais. Muitas vezes esses filhos se sentem machucados e desgastados, podendo cultivar mágoa em terem que fazer papel de pais dos próprios pais, quando poderíamos começar a, quem sabe, ver a beleza em simplesmente termos a oportunidade de crescer e poder ajudar uma outra pessoa, seja familiar ou não, aliás, pois isso significa que eu estou um pouco mais saudável.

Contudo, o próprio ajudar o outro só é efetivo se sou capaz de assumir antes meus próprios problemas e defeitos, dores e angústias, o que significa: se olhar nu no espelho.

O machismo só irá ser curado em cada homem, o egoísmo preponderante do masculino só será sano quando formos capazes de admitir que a histeria das mulheres não é aleatória, pois todos passamos por certas intuições ou sugestões (que, ainda que possam ser maliciosas, ou seja, com intenções maléficas, espiritualmente falando, não deixam de ter sua realidade em algum aspecto), nos mostrando, por exemplo, que o físico, o desejo, ou mesmo que apenas o pensamento do nosso companheiro está junto de outra (podendo ser inclusive uma outra coisa) que não nós mesmas. Ou seja, ele está centrado, e o centro dele não passa a ser dessa outra coisa, mas essa outra coisa alimenta o centro vaidoso dele, e por isso tem seu foco. E ainda que se admita, como muitos buscam fazer hoje em dia, que ‘sim, eu penso em outra, eu desejo outra, eu quero estar ao lado de outra’, mesmo que sem sexo, mas havendo uma atração de alguma maneira, é preciso ver que essa atração não é sublime, ela é por vaidade, por querer suprir uma necessidade do momento, por algo muitas vezes ideológico (uma ideia dentro de um discurso que eu copio e colo) porque eu acredito vaidosamente que estar com outra pessoa vai me trazer algo que eu não tenho, ou seja, acaba por se tornar a repulsão àquela que escolhi efetivamente como companheira, porque me sinto incompleto com ela – que não tem centro -, e cheio de mim mesmo, me achando capaz de ser inteiro em qualquer relação que apareça, sendo um conhecer raso sobre si, porque alguém verdadeiramente pleno, centrado de maneira equilibrada, mantém ativo o discernimento de que o que ocorre fora é apenas por dever maior que ele mesmo, por creação e milagre, e não por semelhança de pensamentos, desejos e atos, ou seja, a vida para alguém que vive o centro real de si reside além da personalidade, além do que eu gosto, ou de com quem eu me identifico etc., porque o que eu penso, desejo e como eu ajo são todas formas determinadas pela personalidade enquanto não sou capaz de viver uma vida conectada ao espírito, este sim que vive por creação e milagre, ou seja, conectado ao Eu superior de fato.

É claro que há casos de pessoas que vivem isso, a necessidade espiritual de certas vivências, pois tem de tudo nessa vida, mas a grande maioria é apenas egoísmo acreditar que está do lado de fora o que eu não tenho dentro – seja dentro de si, seja dentro do relacionamento, o princípio é o mesmo. Tudo o que buscamos está dentro de nós, assim como analogamente tudo o que se busca num relacionar-se está dentro de um casamento.

E a histeria da mulher só será curada, toda a dor que a mulher passa com os homens só será curada quando aprendermos a ter um centro, termos foco, confiarmos mais que já nos escolheram e que essa escolha está para além de desejos e pensamentos aleatórios. É preciso superar a dúvida, ver que a dúvida é como uma cobra, e pisar em sua cabeça por vontade própria e não permitir que pisemos nessa cobra por tropeço nosso, porque ela sorrateiramente ali se coloca. Assim como os homens precisam aprender a soltar a certeza racionalista que têm de si mesmos, especialmente quanto aos sentimentos, numa vaidade de quem se julga grande domador de cobras, só porque tem uma flauta, quando a grande maioria toca flauta ‘porque a cobra quer dançar’, não o contrário, mas a vaidade impede que vejam que são eles os encantados, os hipnotizados.

A grande questão é:
quantos relacionamentos efetivamente têm base para se chegar a uma cura efetiva
do egoísmo masculino e da histeria feminina?
Poucos.

Se tomamos à risca, toda relação começa na personalidade: porque eu gosto de algo no outro, algo superficial, uma ideia que eu crio do outro – de que é bonito, de que é inteligente, de que é elegante, de que é tranquilo, de que é animado, de que é aventureiro… é a personalidade que me leva a gostar do outro, bem como a personalidade do outro que me atrai, porque alguém inteligente pode ser inocente ou mesmo ignorante dentro de uma relação, assim como podemos criar uma fantasia de que alguém vá ser perfeito para a convivência e por fim, ao conviver, vermos que é muito difícil lidar com aquela pessoa de fato, seja pelo motivo que for. Basta os dois terem um ritmo evolutivo diferente, por exemplo. Ou seja, toda relação começa dentro de uma superficialidade de nós mesmos, a priori.

E como aprofundar? Só é possível amarmos algo mais profundamente do que a personalidade de quem escolhemos para conviver se somos capazes de, aos poucos, ver seu espírito.

Mas nós ainda não sabemos exatamente como se chega a isso, porque espiritualmente, a priori, somos todos passíveis de convívio, então o que vai distinguir é o quanto nossa evolução espiritual e a dos demais se tornam mais possíveis se nos relacionamos com certos espíritos com quem temos mais afinidades do que com outros, pois é como um diapasão, é preciso ter harmonia espiritual no fim das contas. Uma forma mais mundana de ver isso é pelo caráter, que está acima dos pensamentos, pois o que eu penso, o que eu desejo e como eu ajo revelam o que dita meu caráter, por exemplo, já que ainda não temos capacidade de efetivamente vermos o lado espiritual de cada um que conhecemos. O caráter é um caminho mais seguro do que por exemplo ficar com alguém porque a pessoa é bonita, ou simplesmente inteligente, ou uma pessoa tranquila, enfim, observar o outro em suas virtudes, em sua prática moral do dia-a-dia, não no que ele diz ou aparenta, mas o que ele efetivamente é nas outras relações ajuda muito a sanar os relacionamentos. É como quando se diz em dito popular ‘como um homem trata sua mãe, assim ele tratará sua mulher’. Se observamos o caráter do outro nas relações práticas que ele já tem, conseguimos observar a probabilidade de como aquela pessoa agirá conosco.

Sendo que muitas vezes é preciso viver uma vida inteira juntos para vermos os harmônicos que foram sendo produzidos com a relação apenas ao fim de tudo, depois de muitos e muitos anos, então se torna raro a cura entre casais porque é preciso ficar junto muito tempo até que todas as camadas da personalidade passem pela sucessiva morte e consequente aprofundamento no cerne espiritual de si e do outro.

É preciso especialmente ver e viver como uma só carne, compreender que a doença do outro é a nossa doença, só que em polos que tornam tudo aparentemente separado. Parece que é obsessão do outro ser histérico, parece que é insensibilidade do outro ser vaidoso, egoísta, e tudo isso é uma realidade, mas não é a verdadeira e única face do relacionamento.

É preciso dar a outra face para conseguir ver que o que há no outro é, inclusive, o que falta em nós mesmos.

Se a mulher tende a ser descentrada, é saudável que o homem aprenda a ser mais descentrado de si mesmo com ela, assim como se o homem tende a ser egoísta e vaidoso, é saudável que a mulher aprenda a ser mais centrada em si mesma com ele.

Ela não é capaz de se ver, enquanto que ele vê apenas ele mesmo
e o mais difícil: nenhum, normalmente, consegue admitir isso.

Admitir que há um centramento doente ou um descentramento doentio significa ver as próprias rachaduras no espelho, significa dar a outra face, ver o polo oposto dentro de si e buscar colar ambos os lados para se tornar um rosto com identidade. Dar um lado só para ser batido o tempo inteiro é não sentir o outro lado, não sentir a dor do outro, não se permitir ser tocado num ponto que aparentemente não está presente – pois a não manifestação do feminino no homem é apenas aparente, assim como a não manifestação do masculino na mulher também é apenas aparente, e por isso teremos cada vez mais as fronteiras dessas doenças misturadas, homens se tornando carentes e histéricos e mulheres se tornando feministas vaidosas e egoístas.

Relacionamento, relação vem de relatus, que traz como significados o ‘trazer consigo, portar, levar, e contar novamente’, sendo que o verbo relatar tem a mesma origem, ou seja, quando nos relacionamos estamos, de alguma forma, relatando algo, é o que escolhemos para carregar conosco, para portar e levar a todo lugar que formos, bem como aquilo ao qual eu me refiro sempre que abro a boca – sempre estou fazendo referência a como eu me relaciono quando relato algo, por mais banal que seja, assim como o relacionamento relata sobre quem eu sou, conta sobre quem eu sou. Por isso o casamento é um testemunho que damos um do outro, por isso também é verdadeiro quando se diz que em casamento ambos são uma só carne, pois se até mesmo o antigo dito ‘me diga com quem andas e te direi quem és’ é verdadeiro, com quem nos casamos, com quem escolhemos viver longamente o suficiente para viver o despir da personalidade e tentar mergulhar no conhecimento do espírito, este ser então com certeza é reflexo direto de nós mesmos, ainda que em graus separados, pois são correspondentes, mas não idênticos.

Aos poucos se torna possível ver que se relacionar é a arte de se tornar um com o outro, a se chegar num ponto tal que é possível ver e constatar que a doença do outro é minha também, e a minha doença também é do outro. Se torna crucial nos curarmos, sermos saudáveis, e passamos a ver que posso ter os exames em dia, isso nada significa se as pessoas com quem me relaciono estão em dor, seja meu marido, esposa, filhos, amigos e, inclusive, desconhecidos. Eu uso o casamento como principal expressão disso, do se relacionar, porque dentro dele tem o marido, a esposa, os filhos e todos, supostamente, são amigos – todas as formas de relacionamento supostamente deveriam poder ser vividas dentro de um casamento, e, para além das pessoas que conhecemos, como citado, também os desconhecidos… porque: enquanto a humanidade estiver doente, eu estarei em calamitosa dor. E passamos a ver que a única cura é nos tornarmos melhores do que somos, sendo exemplos, nos despindo na frente do espelho, nos despindo na frente do outro, e buscando uma relação espiritual na qual somos capazes de admitir que falhamos, miseravelmente falhamos ao tropeçar em pedras e cobras, ao ficar centrado demasiadamente em querer hipnotizar a cobra, quase como quem instintivamente sabe que no momento em que parar de tocar, será mordido – a canção de alguém que sabe da iminência do bote se torna uma violência aos ouvidos, pois há um desespero nas notas, ou até mesmo um gozar em estar dominando e fazendo aquilo, vaidosamente. A vaidade tem muitas formas, assim como o descentramento da mulher também nos leva a pisar em todo tipo de cobra, a achar que está matando monstros quando são eles que estão apenas nos fazendo perder o foco do caminho que escolhemos em nosso âmago, já não sabendo mais como voltar para nós mesmas, nos deixando doentiamente perdidas, apenas preocupadas com essas ameaças externas.

É claro que tudo isso requer discernimentos na hora de lidar, e por isso muitos fogem dessa responsabilidade, porque olhar para a cobra sem a flauta é correr o risco de ser efetivamente picado e ter que pedir ajuda, ter que aprender a ter humildade. Assim como parar de pisar nas cobras de maneira aleatória significa compreender que há uma cobra certa a ser pisada, uma que cresce e que sutilmente toma conta de nós enquanto histericamente queremos matar tudo o que nos é uma ameaça – difícil assumir que a maior ameaça vem da cobra que está na nossa cabeça, e pisar na cabeça própria, e não do outro – que humilhamos e pisamos de maneira tão fácil com fofocas, com cancelamentos e difamações de todo tipo, com invenções e calúnias das mais variadas, não importando se são ou não fundamentadas.

É dificílimo assumirmos que somos inimigos de nós mesmos e, assim sendo, também é nosso inimigo o Outro que se nos apresenta, somos todos inimigos, ainda que, paradoxalmente, seja apenas dentro de Si em relação com o Outro que se dá a saúde verdadeira, revelando que somos todos amigos em verdade verdadeira. Há quem consiga viver isso com a humanidade, sabendo que enquanto houver um só doente entre nós, todos estaremos doentes e então este um trabalha para sanar a todos que for possível. Os que não chegaram nesse patamar ainda – em suma, a grande maioria – precisa dia-a-dia passar pela situação de ter famílias doentes, amigos doentes, pessoas queridas doentes para perceber que é preciso curar a si primeiro, dentro do possível enquanto indivíduo, mas que isso nada significa num deserto, isolado, sozinho, porque a única saúde, a única inteireza que há é a das duas faces completas, quando somos capazes de tomar sobre nós a responsabilidade de sanarmos todos os que conhecemos, mesmo que isso signifique padecermos por completo, pois, como dito ao começo, uma doença nunca é apenas em uma parte, mas em partes correlacionadas entre níveis que nosso corpo tem, ou, para quem tem clarividência e já sabe, para os corpos que temos. Ou seja, nos permitirmos ficar doentes por inteiro… estarmos doídos, em dor e sem firmeza, por inteiro…

Uma das sensações de se tomar um tapa de cada lado da face é a de dor por completo no rosto, é vermos que nossa espiritual identidade está atrelada à dor, tanto para crescimento e ciência e posterior consciência dela mesma, quanto para compreensão e apreensão do fato de que essa dor é também de todos, especialmente porque a maioria de nós ainda não consegue dar a outra face, e a dor se torna ainda maior por vivermos apenas um pedaço, estarmos realmente doentes no despedaçamento da nossa verdadeira identidade. Pois a identidade verdadeiramente inteira não sente dor apenas numa parte, mas é completa em todo e em cada relacionar-se dela.

Os relacionamentos que temos relatam aquilo que carregamos.

A cura é a vigilância constante quanto ao centro – nem aferrado apenas ao dentro, nem perdido apenas no fora.

A saúde é a inteireza com que vivo esses processos todos, inclusive de doença, sendo que sim, é possível ser saudável mesmo estando doente, pois um ser, uma essência, é superior a um estado. Ser é o sentarmos no centro de nós mesmos, isso não evita que as parte ao redor continuem a ser descascadas e mortas e transformadas. Para isso, seremos partidos em pedaços, ou seja, deixaremos de ter saúde muitas vezes. Até que algum dia, talvez, já não seja necessário conhecer a doença como aqui conhecemos, e ela também se transmute a um outro tipo de estado, um outro tipo de vivência.

E se é apenas a relação que relata o que carrego enquanto centro, é possível ver que esse centro também se alterará conforme muda a relação, sendo sempre o mesmo ao se tornar mais si mesmo através da mudança da luz que irradia até as novas sombras que constantemente surgirão para que tudo se revele de imenso brilho por saber que, um dia, todos os centros se iluminarão.

Nos relacionemos e tenhamos coragem de ser inteiros. Não uma inteireza desértica, apenas  em e de  si mesmo, mas em relação com o outro, seja a família ou a humanidade inteira.

Quem vigia logo aprende a estar acordado, seja noite ou seja dia. Essa é a cura. Então que acordemos e encontremos nosso centro. Quem não consegue manter seu centro com uma pessoa, não consegue manter seu centro com muitos mais, por isso é preciso estar atento, vigiando, para aprender os harmônicos espirituais que facilitarão o processo todo. Porque em meio a um mundo lotado de gente, também não é com qualquer um que nós escolhemos estar e passar por um processo evolutivo juntamente. Se estivermos acordados, vigiando, atentos, caminhando, buscando o nosso centro, iremos encontrar, naqueles que já escolhemos, a forma de, juntos, trabalharmos esse encontro de si mesmo, tão raro, tão justo, tão belo, tão bom e tão verdadeiro.

Que cultivemos cada vez mais relacionamentos longos e profundos para aprender a ver a graça que é compartilhar, encontrar a luz e a sombra de si junto a quem também busca, mesmo que inconsciente, fazendo com que o despertar para o encontro possa se tornar uma vertical realidade em algum momento.

Curemos nossas enfermidades, vigiemos nossas instabilidades.

Nos relacionemos. Se relacionar é o próprio caminhar.

Então: Caminhemos…

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