Quando pensamos sobre as palavras, ainda mais para quem é orador ou escreve, surge vez ou outra a questão: como tornar as palavras vivas? E o que seria uma palavra viva?

Olhando o avesso dessa pergunta, poderíamos nos perguntar da mesma forma:
Existe Palavra morta? Existe alguma possibilidade de se matar palavras?

Quando pensamos que o correspondente da Palavra Viva é o nosso Amado Cristo, Ele encarnando o que outros podem chamar também de Arquétipo do Verbo, então podemos observar pontos muito frutíferos:
sabemos que Cristo, a Palavra, é Uno com o Pai, e que o que é do Pai foi dado a Ele.

Se voltamos nossa atenção para Roma Antiga, antes de seu nascimento, encontramos sua correspondência em Júpiter, o dador alegre, responsável pela misericórdia e benevolência. Mas sabemos pela astrologia que ter uma consciência cristificada significa Solarizar nosso mapa, ou seja, acessar nosso Eu superior que é o Espírito.
Isso torna possível observar que, duma forma romanesca, Júpiter, tradicional filho de Saturno, tem como verdadeiro pai o Sol, que reina, sendo ele próprio exemplo do que Cristo ensina de que é preciso ‘abandonar’ pai e mãe [biológicos] para se voltar ao Pai que verdadeiramente nos guia, ainda que sem deixar de honrar a hereditariedade.

Assim vemos, como, em verdade, Júpiter e o Sol, no nosso mapa, são um só – ou serão quando cristificarmos nossa consciência, pois é usando Júpiter [misericórdia e benevolência e expansão] que se chega ao Sol [Espírito] e o Sol que agirá usando Júpiter, tornando-se ambos uma só Ação Oitavada, e por fim usando o Ascendente [corpo] apenas como um veículo físico da expressão da vontade do Sol verdadeiramente para que se expresse Júpiter.

Mas na época romana, não era assim que se via, Júpiter era Júpiter, Sol era Sol, e não se mistura – ainda que em algum período tenha começado a haver uma confusão quanto a qual dos dois seguir como guia último. Júpiter era muito poderoso, tal qual Verbo, um raio que ressoa, mas o Sol é o Sol, senhor de todo o Reino.

Pois bem, sob a Luz Crística e perspectiva romana, poderíamos dizer que existe palavra morta, pois lá Júpiter não é uno com o Sol, lá, Cristo está morto. Assim como poderíamos analogamente dizer o mesmo das tradições predecessoras: grega, egípcia etc.. Todas seriam portadoras de palavras mortas.
Bem como mortal o uso da astrologia – essa ferramenta romana que, se usada com sabedoria para cura, é belíssima!

Mas será a morte mesmo?

Nós conhecemos a morte por, ao menos, duas perspectivas: a de fim de algo [que gera término ou finalidade] e a de transformação de algo [que gera continuação inferior ou uma forma oitavada].
Ou seja, vemos que Escorpião – Lar da Morte – porta forças como que de Senhores da Forma, hábeis que são em usá-la da maneira mais necessária.
Em palavras romanas, Marte é o gerador e Plutão o que termina ou eleva, e sua função depende mais do receptor de suas forças do que dele mesmo: se estamos maduros compreendemos ser uma forma sendo aprimorada, se somos ainda infantis, vemos apenas o fim das coisas que julgávamos prontas e acabadas, finitas ainda que aparentemente vivas – ou seja, vemos um fim sucedendo outro.

Com isso podemos observar duas formas de análise da palavra: uma morta de fato, porque teve seu fim, morreu na Roma Antiga – e ainda que se use hoje em dia a astrologia e se pronuncie nomes, não prestamos cultos nem sabemos verdadeiramente a fundo a mitologia. Ela não tem uma vida em nós por si mesma.
E outra Viva, pois se Cristo é a união de Júpiter com Sol e passa a ser d’Ele o Reino, tal qual Leão de Judá – Leão, justo o Signo e Hierarquia que é conhecida por ter como sua regência o Sol -, então, a Palavra romana não vive por si mesma, realmente, há um corpo “morto”, mas que é vivente por ser interno a um corpo Vivo – o de Cristo.

É como se eu retirasse meu fígado literalmente, ele por si mesmo não se mantém, não vive e, consequentemente, morre. É morto na aparência. Mas quando o vemos sem retirá-lo do corpo, e sim fazendo parte de um grande Ser que o sustenta, então podemos vê-lo vivo, assim como Vivos todos os outros órgãos desse grande Ser que os alimenta.

Como poderá então haver palavra morta? Palavras só morrem se estão e permanecem fora do corpo místico e oculto que é Cristo. Mas uma palavra fora de Cristo, não é uma palavra, pois Ele É a Palavra, o Verbo Encarnado Vivo.

Então não é possível existir palavra morta, pois toda Palavra é necessariamente Viva.
O que acontece hoje em dia é que há uma deformidade que se chama terminologia.
Terminologia em si é uma palavra, mas os termos têm sua origem em término, determinam finalidades e fins subsequentes. Eles matam tudo ao redor e finalizam qualquer intenção. Seu uso mata um texto, dando nascimento a um tratado, a um pacto discursivo que trata o menor como fonte ao invés do corpo maior ser abrilhantado. E não que este corpo deva ser necessariamente explícito, anunciado e enunciado, nem sequer consciente…
E discernir um termo/terminologia de palavra não é simples questão de jargão e coloquialismo. Antes, é questão de ser um texto com corpo, mas, junto, se saber pequeno e, portanto, parte de um outro todo maior, se reconhecendo ele também órgão de algo, mesmo que apenas por humildade individual, e não vinda de uma, por exemplo, igreja.

Quando olhamos para Roma, Grécia, Egito e o que antecede e cria um traço histórico aos nossos olhos, sob a pupila de Cristo conseguimos ver que tudo é como letras que formam a Palavra, e essas letras em tempo algum tiveram vontade própria, mas foram vivas por fazerem parte de um todo chamado: Tradição, o Coração do Amado.

Toda Tradição pulsa no sangue e na carne d’Ele. Está impregnada por Ele, ainda que não esteja explicito, assim como uma orelha pode não explicitar o sistema inteiro, e quem sabe nem ter consciência de que há uma como ela do outro lado, mas sabe que faz parte de algo maior, de algo que ela poderia pressentir como um ‘todo’.
Claro que pressentir e viver de achismos não é fazer parte do todo, pois pode ser uma orelha deficiente dos sentidos, ou sem um pedaço vital de si mesma, bem como surda efetivamente, achando que basta sua existência para que seja. Mas sabemos que Ser requer Agir, e Ação é eternamente no Presente! [O que aqui nada tem a ver com pessoas surdas-mudas, é apenas uma analogia].

Logo, para se beber e escrever da Palavra Viva é preciso ser aquele que com honra e humildade se aceita parte de algo infinitamente maior do que ele, aquele que se torna uno com a Fonte, que assume os órgãos da Tradição sobre si, que respeita os Cânones – aqueles que provaram d’Ela antes -, e, originalmente e modestamente, ser por fim aquele que se coloca ao lado deles – sem inventar termos na deturpação, deformação e usurpação do cálice sagrado que são as mãos e as bocas de quem, de forma presentificada, fala e escreve… enfim: Cria!

É não forjar um passado, muito menos destruí-lo ou desconstruí-lo para construir um futuro que vaidosamente se almeja, mas sim regar com a Água da Vida a Árvore da Vida que, por dom, dádiva e graça divinas [que são três faces da mesma palavra] se revela a quem, na união d’Elas, vê e ouve a Palavra em si mesma… Palavra que é a Árvore e a Água unidas no Presente de quem as Seja.


Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz.

 

Caso queira, possa e deva me ajudar financeiramente: https://apoia.se/leconde

Amendoeira em Flor [1890] – Vincent Van Gogh!

“Je suis Saint Esprit – Je suis sain d’esprit”

Van Gogh, aliás, é exemplo de um Ser que teve acesso à Fonte de tal forma que teve suas mãos como cálices, sendo sua pintura o ápice da Água e do Fogo dando Vida a todas as formas que tocava. Ser Palavra Viva não é só questão de palavra oral ou escrita, mas de Ser Signo e se Tornar Símbolo d’Ela para que todos A testifiquem: A ouçam e A vejam.

Sobre a pintura: “Grandes galhos de flores, como este, contra um céu azul eram um dos assuntos favoritos de Van Gogh. As amêndoas florescem no início da primavera, tornando-as um símbolo de vida nova. Van Gogh emprestou o assunto, os contornos ousados e o posicionamento da árvore no plano de imagem da impressão japonesa.

A pintura foi um presente para seu irmão Theo e sua cunhada Jo, que tinham acabado de ter um filho, Vincent Willem. Na carta anunciando a nova chegada, Theo escreveu: “Como lhe dissemos, vamos nomeá-lo em sua homenagem, e desejo que ele possa ser tão determinado e corajoso quanto você.”. Sem surpresa, foi este trabalho que permaneceu mais próximo dos corações da família Van Gogh. Vincent Willem fundou o Museu Van Gogh.”.

Fonte: https://www.vangoghmuseum.nl/en/collection/s0176V1962

Fraternidade Rosacruz:
http://www.fraternidaderosacruz.com.br
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http://www.christianrosenkreuz.org/

One comment on “O que é Ser uma Palavra Viva?

  • Gedelci Quadros de Oliveira

    Como não amar-te, se isso é matar palavras então sou uma eterna assassina em você com você amar-te.

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