Carrego um molho nas mãos
são chaves que pingam como suor
a abrir portas pelo caminho
sendo o destino um só:
ajudar quem precisa aprender a molhar
o pão para ter permissão
de seguir até o cômodo mais íntimo
aquele cuja saliva guardada na boca fechada
se torna a chave-mestra que, junto da espada,
degola e encerra os que não tiveram os pés molhados
para assim confirmarem os passos
aos que estão mergulhados no labirinto
um mar morto que se torna vivo para que se abra
a boca com sementes de ouro
somente aos que verdadeiramente querem trabalhar
nos jardins do palácio
aprendendo assim a regar todas as flores
através do sofrimento e da alegria
sendo a seiva de toda flor
feita de cada uma de suas lágrimas
tornando-se capaz de ajudar a construir o próprio palácio um dia
porque se exercita com o molho que pinga de seu corpo
arando a terra com os dentes das chaves que lhe foram dadas
sendo a profundidade de cada sulco
o segredo do flagelo que abre as portas do castelo
como quem bate por conta da secura
sabendo, pelo coração, o toque certo
porque é preciso tornar-se a chave última
não a do molho, mas do oceano
porque todo reino é lavrado e erguido
para, ao fim, voltar a ser mar
ainda maior do que fôra antes.

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