Todas as lâminas que me foram fincadas, em mim ficaram cravadas na volta para casa
e, chegando ao cômodo de meus segredos, tirei-as uma a uma.
Coleciono espadas.
As areias do tempo só podem selá-las e fazer com que permaneçam
quando enfiadas fundo; as derreto,
as feridas unto, leva tempo para sará-las
mas, dentro do desejo, a vontade em natureza é que tudo volte a ser uno
fiando a pele para cicatrizar; e verto água para a sede
que sangue se esvai trazendo secura. Gotas deixo ao ir atrás da cura.

O caminho à união
é de sangue banhar-se por outras mãos
e sublimar-se pelas suas, costurando com sutileza o corte
fundindo metais ao cozê-los em fervura
pois a hora da batalha é apontada com fogo
e os sinais de fumaça são o sentir a dor num ponto fixo
ao elevá-la para que saia do corpo.
E cada uma que retiro aqueço e guardo,
é minha forma de morrer, mas continuar com vida
curando todas as minhas feridas ao deixar de herança
tantas lâminas…

A minha coleção de espadas.

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