Com signos e símbolos oro, faço uma oração luminosa
oferto minhas palavras a Ti, cá elas são todo meu ouro…

Pois acaso existas, Ser infinito como imagino e pelo cosmos vejo
que recebas meu grão de brilho, esse mesmo que me aquece a mão quando escrevo
pois que é sombra o resto de meu corpo
então se és toda a energia, que minha eletricidade seja a condução de Ti em minha vida
que aos choques me impulsionas ao infindo
te ofertando faísca, uma lâmpada em meio ao deserto
que ao ver estrela se inebria, mira a fonte de si mesma
e a segue cega de qualquer fio que a prenda.

Que se és livre arbítrio, escolho ser sempre filha
a seguir os passos como infante a correr para os braços
de quem me permite cair para aprender a andar com as próprias pernas.
E se és matéria, uso de Teu sal para temperar a alma minha
e uso de Tua carne para a morte da fome
e para a morte da sede, uso de Teu sangue
faço da concretude metáfora para poesia humana
pois na hora em que desfalecemos Tu te transformas em sonhos
que ainda desejamos, que já vivemos
e não há vinho que afogue na memória o vazio de tantos anos
bem como não há magia que nos tire a graciosidade de um voo pleno.

Pois se bem sois a natureza, sei que colecionarei todas as flores
e me terei para hibernar no inverno uma cama de pétalas
e no outono abraçarei cada uma de Tuas células
folhas que caem de Tua pele porque te descamas de estação em estação
e é em meio ao verão que sinto o ápice do pulsar de Teu coração
me abraçando em raios para que mesmo com olhos fechados eu sinta Tua presença…

Invisível caso sejas, irei ouvir Tuas palavras
em todos os terreiros, em todos os monastérios, em todos os templos,
em todas as igrejas, em todas as mesas, em todos os mosteiros,
em todas as crenças, pois saberei que estás dentro
ainda que seja um labirinto falar-te em cantos e preces, e escutar Teu silêncio
que em estado meditativo se alcança o riso
porque sei que és também lótus branca em negra lama
e te oferto meu couro, e te oferto meus pensamentos
e te oferto meus sentimentos, e te oferto todo o meu vibracional
para estar na mesma frequência, em ressonância
quando és ondas, me aceitando gota em Teu oceano imenso
para que meu corpo evapore e minha essência suba.

E mesmo que eu volte como pesada chuva
que eu use dos raios para fazer fogo assim como és chama que congrega a todos
– ainda que te façam fogueira para queimar a muitos
sendo impossível apagar Tua feminilidade que invisível no tempo perdura
pois se o homem busca pedra que faça rico o espírito
não a encontrará cavando dunas feito tolo
mas somente quando abraçarmos Teu feminino
e compreendermos que basta ver mais nada, senão o olho.

Tu, que és pupila a contrair e dilatar feito lua
dum planeta com baixas e cheias
minério noturno, senhora dos afetos do mundo
causas catástrofes, sem dó nem piedade dás broncas em todos os seres
infinitude, dona de todas as galáxias, és a expansão ao macro
dum micro observável em um óvulo e um esperma.
Tu, que de todos os gêneros se revela átomos, prótons, elétrons, nêutrons
porque és todas as moléculas, és o que nos compõe em harmonia e beleza
ainda que não se veja.

E quando visto, és como estrela que quase cega
nos enche de calor o peito revelando o caminho reto
aquele que une, na curvatura de si mesmo, o dia e a noite
ao andar em carruagem de fogo
do fim ao começo
iluminando a todos, porque és a glória dos mundos
a nos guiar ao centro de Tudo
para que sejamos cada vez mais nós mesmos.

E naqueles que te negam denominações, és razão e sensibilidade
és muitas vezes ciência, outras vezes arte
o bem almejado para a humanidade em forma de fraternidade e sabedoria
que és a virtuose dos incrédulos, o nada dos ateus
e a prática da mais profunda filosofia.

Que por fim és Amor, e a amar estamos a aprender
pois que se soubéssemos seríamos deuses
e não precisaríamos de poesias como ponte.
Mas eu
sou apenas uma poeta em direção ao horizonte
orando com o Sol, a doar a flama e morrer
sabendo cada vez mais
que um dia
iremos todos amanhecer.

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