Amada minha, que no mundo anda a vagar
vejo-te perdida a rogar meu nome
dançando pelos desfiladeiros
que se abrem em teu corpo
a te enganar sobre tudo o que vês
a cegar-te para o fato deu estar
bem ao fim do horizonte
a te esperar
construindo pontes
para que caminhando sobre os abismos tantos
possas vir até mim primeiro com teus pés
e aos poucos eu possa dar-te meus raios como penas
para pintar com o som dos ventos
asas que adornem teu dourado ser
então não te apegues aos meios que crio
porque sou eu o teu destino
e não as pedras que fundamentam o caminho
: pise em cada uma delas
beije-as com tuas solas nuas
entregue-se
lembrando de tirar os sapatos para todas
para conhecer-lhes a brutalidade
ao calçar seus formatos únicos
saboreando cada encontro
e curando-as pouco a pouco
ao atritar com um e outro ponto torto
sofrendo comigo a dureza do mundo
ao mesmo tempo em que, juntos, inovamos tudo
sim, porque como teu esposo
te entrego a quem quero
para que, observando meu trabalho junto aos homens,
possas amar-me ainda mais
através dos milagres cotidianos
então não se encante com o chão ou com o voo
que teci na teia do destino
junto aos anjos
mas descobre, após cada paixão humana,
que era meu Amor que te sustentava
em cada passo que davas
e em cada nuvem que alcançavas
bailando com o céu e a terra
os filhos pródigos que voltam
porque leem nas digitais de teus dedos
que os marca com teu bendito peso
que já fostes a prostituta que encantou ao mundo
com tua voz de sereia
e que hoje canta apenas os hinos que para ti são urdidos
se tornando impossível
negarem que somos um casal verdadeiro
então lembra de não apegar-te aos meios
e não te prenderes à beleza da paisagem
enquanto atravessas os abismos enfeitados com os astros alheios
mas antes acorda para o fato de que é nosso Amor
a real glória e vitória
e que sou eu o fim e o começo
e que todo o resto é apenas o fermento
que se torna necessário
para que me ajudes a suportar o fardo
de guiar um a um
de volta para o nosso reino
lá, onde nos casamos e vivemos
e de onde partes
cada vez que há a necessidade
de que, se sacrificando por amar teus próximos
sofras a paixão pelos homens
para ajudá-los a crescer
até que ao fim venhamos a nos deitar na cama do cosmos
e eu em ti germine um filho nosso
para que um novo universo possa nascer.

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