Se algo te falta e te sentes vazio
respira, olha o céu e aprende que todo espaço é aparente…
Se já não aguentas ter calma, ainda assim,
pisa o chão com leveza, porque a terra, com toda sua dureza
nos aguenta em infinita paciência…
Se te afliges com as coisas do mundo
deixa que te suguem feito seiva
e sê fonte que jorra e nutre
para que também sejas consolado por quem te alimenta…
Se te é um fardo a injustiça
carrega-o silenciosamente
não abra a boca para vingar o que julgas
mas apenas para receber o maná
que vem para saciar as dores presentes…
Se teu coração bate mais forte pela miséria alheia
que pela tua, dá-o a todos por quem ele pulsar
e verás que eterno ele se tornará
pois mesmo quando teu corpo estiver morto
os outros, de mão em mão, o palpitarão
como música infinda a os consolar…
Se tens que suportar as impurezas externas
deixa que te sujem de lama e lodo
e assim manchem tua aparente cristalinidade
que o interno faz vir à tona o verdadeiro corpo
tal qual imagem e semelhança
para que se veja e se banhe
na transparência íntima do face a face.
Se por vezes te sentes alvo de guerra
se por vezes ela te sorve a vontade
agradece por não seres filho daquela
que mata a todos por pura vaidade
e semeia a vida, mesmo com cansaço,
pois o que te é tirado hoje
amanhã te será dado a mais
quando fores reconhecido como filho legítimo da paz…
E se és perseguido por seres justo em tuas medidas
saiba que a porta é estreita em largura
te seguirão até que chegues nela, e nela te matarão
para que pela justiça de todas as vidas
passes sem levar nenhuma
e adentres de mãos vazias o reino das criações puras,
pois aquele que sofre com um mundo que tudo lhe tira
ao nada ter adentra o reino verdadeiro

recebendo a alegria por doar a si mesmo
no face a face da eternidade como obra prima.

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