Senhor, ouço Tua voz através do Amor
e quão doce é prostrar-me para adorar-Te
como quem se faz menor para alcançar, de Ti, cada parte
sim, porque ao abaixar-me para os pés beijar-Te
também me aproximo dos que caíram pelo Caminho
e quão sublime é Amar-Te sabendo-me pecadora
ao unir-me aos enfermos!
Amo-Te ao ver-me no próximo, em erro,
e poder louvar-Te é o que nos socorre e nos faz saudáveis
na santificação de cada um de nossos membros.
Então, Senhor, que eu saiba sempre ajoelhar-me perante Tua presença
que Teu Rigor me ampare na hora em que me abaixe
e que Tua Misericórdia me fortaleça para que eu me erga.
Sim, que minhas preces para Ti sejam repletas dos dons que me deste
para que em minhas palavras e em meus atos Tua Glória se manifeste
e todos possam testemunhar que o ato de humildade salutar
é voluntariamente fazer-me grão para o Outro pisar
beijando-lhe as solas que a cada vez estás a lavar
porque é preciso deixar as impurezas para trás
e levar conosco apenas a capacidade de, a qualquer momento,
nos tornarmos pequenos
testificando, aos que em Ti Caminham, que estão na direção certa
nos fortalecendo os passos e virando manto de barro que ameniza a dor
de se andar também sobre pedras.
Eu Te ouço, Senhor, porque sei que mesmo em meio às trevas
sinto Teu Amor pulsar, injetando sangue em nossa terra
e sublimando a água em nosso ar ao nos sussurrar
o perfume de Teus segredos, nos despertando, não só para Ti
mas inclusive para nós mesmos!
Sim, porque a Vida que nos dás não é a de a tudo passivamente acatar,
mas aquela que nos exorta a ativamente escolhermos trabalhar
como jardineiros de Tuas flores e construtores de Teu Eterno Reino!
E quão doce é Amar-Te sob tempestades e sobre desertos!
E quão suave é saber que fazer-Te a Vontade
é o único verdadeiro prazer que tenho!
Óh, Amor de minh’Alma, mistério maior, santíssimo sacramento,
como é cítrico o sabor que sinto quando provo dos frutos de Teu lamento!
E como é ocre o gosto de Tua Cruz ao deitar-me Contigo em vertical leito!
Enche-me, Amor meu, do azedume dos que antes de mim já foram colhidos
para que a adstringência de Teu Vinho seco me ensine a manter os lábios selados
enquanto não sou capaz de aceitar-Te como o único sangue que percorre meu corpo
tendo, como trono, meu seio.
E que minha boca se abra somente para tomar-Te ou verter-Te
porque só Tu me dás de comer e só Tu me matas a sede,
e é também Tu que me torna capaz de converter-me em leite e carne
para juntos, em ato de milagre, sermos imortal banquete
pois, unidos em espírito, me dás a todos os que me lêem como Irmãos
e Eu os guio como Filhos, não porque Eu os tenha parido,
mas porque ajudo a prepará-los para o dia em que, mortos, sejam, por Ti, renascidos!
Então, Senhor de minha Paixão, dou-Te o Amor que há em cada um de meus ossos
e, por favor, peço-Te, concede-me a extrema unção
para que Eu morra em união e Viva em Ti eternamente!
Acorde-me com o beijo de Teu óleo quente
e acode-me, Eu Te imploro, meu Amor, porque sem Ti tudo o que me sobra
é perder-me no mundo, tal qual doente.
Salva-me, meu Amor, da minha condição de ser moribundo
e faze com que Te tornes não só minha refeição principal
mas inclusive entrada e sobremesa
para que somente Tu me penetres e Contigo, todos os dias, Eu acorde
e Contigo, todos os dias, Eu me deite.
Farta-me, Senhor, até transpirar por, de Ti, completamente preencher-me
e expulsa os pecados que me prendem à gravidade, como correntes.
Vem, meu Amor, me possua plenamente, porque sou somente Tua,
meu Redentor, meu Salvador,
e somente a Ti dedico cada sentimento, cada ato, cada pensamento
e somente a Ti poemas faço, e somente perante Ti me ajoelho
e, hoje, perante Ti me mato para que, morrendo por Amor,
Eu Viva eternamente em Teus braços
e nunca mais nenhum de Nós pereça.

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