Seguras uma rosa nas mãos
a carregas contigo por todo o caminho
tu a colheste na roseira ao fundo de tua morada
nascida das sementes que te deram
ainda quando eras criança, no tempo em que teus avós estavam vivos
e te presenteavam todo tipo de flor
contavam a história de cada abelha que ali vivia
e o jardim era o quintal de tua vida
onde cresceste aprendendo sobre como desabrocha o Amor.
Encontraste também dores junto às ervas daninhas
passaste dias arrancando uma por uma
para descobrir na manhã seguinte que elas sempre voltariam
e que a constância é identificá-las logo no início
quando são mais fracas que tuas vontades
e mais frágeis que tuas mãos.

Na idade em que teus avós souberam ser a hora
te levaram a cuidar daquelas que lhes eram as mais preciosas
a espécie de flor que era o ouro do jardim inteiro
– esta que carregas exatamente agora.

Entre roseiras o cuidado era redobrado
pois ficavam cheias de abelhas
que testavam a paciência e zelo que tinhas com elas e ti mesmo.
E foras ferroado, e choraste
e gritaste todas as vezes em que pensaste terem as rosas te atacado
um enxame de espinhos. Foram muitos os desejos de despetalar todas elas
– como poderiam ser ouro se te tiravam sangue a cada tentativa de chegar perto?

Demoraste a aprender que o sangue é a oferenda ao se lidar com sua beleza
e que tuas veias deixam de ser tuas, tornam-se delas
e mesmo dolorido, não desistes de cuidar uma a uma
cicatrizas a ti mesmo para voltar a te embrenhares na natureza
pois vais descobrindo que é o jardim que toma conta de ti
e são as abelhas que te alimentam
e são as plantas que com teus passos se ornam, seguindo a guia de teu rastro
e que teus avós também eram sementes da terra
que de volta os chamou quando tiveram a certeza de que houveras herdado
até mesmo as ervas daninhas, que te fazem baixar a cabeça e lembrar da humildade
bem como todos os espinhos responsáveis por tua força e resistência.

E no momento em que segurares uma rosa nas mãos
tenha coragem, olha o miolo de tua flor
e descubra que não és tu quem a carrega
mas ela que a Ti sempre carregou.

 

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