Toda pedra preciosa é dura porque o rigor é consigo, e não com o mundo, mas face ao mundo…

Paradoxalmente, quanto mais cobra de si e cristaliza sua riqueza, mais pesa fora sua dureza, ainda que para si carregue a leveza de se saber plena em sua forma – que é lapidada nas mãos de quem sabe dar o devido valor ao processo que é, através deste mesmo rigor, o enriquecer-se.

Para a joia surgir, haja misericórdia em se permitir ver virar pó partes de si!…

Quem se apega à própria preciosidade perde a singularidade que é ter angulações sempre outras, melhores, desgastando o reflexo torto, revelando refração nova. Há, para tanto, que haver maleabilidade nas cores, abertura para o que vem do mundo, e ordem no que vai para fora. É o cristal que, se modificando sem perder a base (sua essência), apresenta novas facetas e com elas novas possibilidades de levar ao outro o que dentro de si lapidou em sutileza – até mesmo o som da pedra que vira pó cintila no vento novas esferas.

É preciso ter olhos com ouvidos para o cosmos, o mesmo que de minério se fez planeta, depois solar sistema e, um dia, mais do que hoje se imagina. Tudo porque é uma questão de escolha do carbono se permitir ser transformado em carvão ou diamante, assim como é por graça do oceano o grão penetrar na ostra, mas escolha própria permanecer para se tornar pérola.

O processo é nos estratos internos da terra.

Não há revolução fora.

   Fora é apenas a forma mineral das ideias.

 

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3 comments on “a Escolha do Carbono

  • Sandra Maria de Faria Werner

    Amei, absolutamente concordo!! Estar aqui é, pra mim, dor diária de crescimento.

  • Fábio G. O. Conde

    Maior desafio humano, melhorar a si próprio continuamente!!

  • Ana Lúcia Faria

    Também gostei. Preciso reler. Não e uma leitura simples. Bjs

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