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O ódio (proveniente de Marte) e o medo (proveniente de Saturno) são rasos, fazem parte da temporalidade de um estar usando dessas forças (ambos os planetas) de maneira deformada, “por isso” o ódio e o medo se estendem pela História com poucas mudanças de conteúdo (o Ser) e na adoção de qualquer forma (o Estar) que se fixa como aparência – muda a forma das materializações das armas, por exemplo, mas o conteúdo é o mesmo, independente de quantas armas sejam feitas (pandemia é pandemia, guerra é guerra, só descobre-se diversas maneiras de se amedrontar e matar mais gente); pra odiar e ter medo, ser regido por Saturno e Marte desgovernados, basta a existência…

O Amor (proveniente de Urano) e a Cura (proveniente de Netuno) são profundos (oitavas elevadas) – conteúdos de aparência impalpável por Amar e Curar serem um ato simples, não necessariamente fácil: não é possível enviar amor dentro dum míssil, e nem entregar rosas a garantia de ser amável, assim como tomar remédio não é certeza de cura nem de ser saudável.

No Amor (Urano) e na Cura (Netuno), há a adoção de muitas formas (o Estar), formas mutáveis (os estados) dentro da vivência de cada manifestação, mas o conteúdo (o Ser) é sempre o mesmo: doar-se para o Ser Amado (Vênus com caridade ao próximo – belo Libra – na atuação com Marte via ações sacrificiais – bom Áries), e esquecer-se para ser Curado (Saturno no rigor quanto a si, freando – a própria matéria, a própria personalidade – um bom Capricórnio, junto de Júpiter na misericórdia, tendo um coração miserável, vazio para ser preenchido pela cura proveniente do Pai (o coração galáctico) – um belo Sagitário.

“Por isso” não se vê uma “guerra de amor” nem “pandemia de cura” – não é possível esquecer-se ao lembrar ao mesmo tempo de todos (isso seria onisciência), nem possível ao mesmo tempo olhar no fundo de todos os olhos (isso seria onipresença), é preciso, antes, crer que o ‘todos-juntos’ (Fraternidade, Aquário) está contido em Uma Mente e Um Olho (o Filho no Pai) que nos mira, formando um princípio (Alfa) e um fim (Ômega) para acreditarmos no Caminho (Cristo – o Sol): para Amar e Curar (responder aos influxos de Urano e Netuno) não basta a existência (a personalidade, o Ascendente, o estar encarnado), o Amor e a Cura (o Pai e o Filho) requerem Presença (Eu) na Experiência do Ato (Verbo/Sou). É Ser e Estar no profundo do Outro e de Si (os 7 ‘Eu Sou’s proclamados por Cristo). E assim sermos dignos do Cálice (Plutão) para sermos seres transformadores de realidades – capazes, portanto, de milagres!

Reconhecer o ódio ou medo (Marte e Saturno, Lúcifer e Satanás) como luva, capa ou máscara rasas (ou seja, reconhecer que usamos a personalidade para não nos aprofundarmos em nós mesmos) é necessário: são capas que momentaneamente protegem o ombro esquerdo, o direito, o peito, as mãos ou a boca, mas que precisam ser retiradas, elevadas, usadas apenas quando necessárias, pois o uso prolongado evita que evoluamos e criemos nosso Real Manto: o Manto Nupcial Dourado!

Mas entrar em contato com o profundo assusta, pois é justo desmascarar-se, é desencapar-se e se pôr em risco de choque pela alta tensão como cabos sem proteção (algo parecido com um Urano aflito ou desnorteado): para tentar esse contato com Urano, é preciso antes subir aos picos altos (elevar o uso de Capricórnio, forjar um Saturno em casa ou um Marte exaltado, dignamente aspectados), e mergulhar ao fundo dos mares (aprofundar os efeitos de Câncer, não ter suas paixões rebaixadas por esses mesmos planetas que lá ficam em Queda e em Exílio), é morrer-se indo sem nem saber o que irá encontrar (buscando o Santo Graal, Plutão em Escorpião, a próxima Água), ou morrer após ter chego, crendo que atingiu o aparente ponto final (a ilusão de que alcançar o cálice em si gera redenção automática), quando o Amor e a Cura são infinitos e só por eles é possível Ressuscitar em Verdade.

Há também o constante caso do nosso imenso apego à vida existencial quimicamente-material, e assim morrermos por muitas vezes simplesmente crermos nisso: na morte (Escorpião) trazida pelo ódio (Marte) ou pelo medo (Saturno), como, por exemplo, através de uma doença (Virgem), o que é facilitado pelos bons aspectos que terra faz com água, podendo gerar uma engenhosa armadilha, a velha diferença entre o veneno e a cura. O simples acontecimento (sextil e trígono) que se torna fácil fuga travestida de cegueira ingênua.

Só aquele que aprende a ser breve (viver no corpo denso) pode chegar a ser longo (extrair o corpo-alma): existência (o Estar) é requisito para a presença (o Ser). Mas só o que se sabe sendo longo (tendo consciência no Corpo-Alma) pode compreender o breve (os renascimentos) e ter profunda paz e esperança: a presença que sabe que existir (Estar no mundo) é o 1º passo de qualquer movimento – o único problema é não se mover depois disso, pois não-ação perene é permanente estado de ignorância.

Por isso é preciso compreender que os métodos Orientais Não funcionam e não são desejáveis para Ocidentais, pois todos os métodos oriundos de lá são para lidar com a Existência, e não com a Presença. E mesmo o que chamam de Ser, no Oriente, provém, na verdade, de um Estado desse Ser. Ou seja, lá Saturno ainda rege Aquário, assim como Júpiter ainda rege Peixes, enquanto deveríamos ‘lutar’ para emanciparmo-nos e sermos cada vez mais capazes de sentir a regência de Urano e de Netuno nesses Signos.

Rasidão não sustenta peixe, literalmente, e se algum bicho aparecer na orla: Cuidado! – o raso é lugar de filhotes; e tudo bem ter do raso e fácil quando se é frágil, mas cá uns nunca crescem, ficam para sempre à margem da mente, existindo através do mental fraco, conformados com um Netuno ou Mercúrio problemáticos.

Mas é preciso ter cuidado também com a profundidade (Peixes) e generalidades (Sagitário) – dois Signos de grande espiritualidade, pois ficar só nisso pode levar a uma cegueira ao resto, seja por escuridão ou claridade (sendo Signos de Queda e Exílio de Mercúrio, precisando ter um Júpiter equilibrado para alçar voos e/ou um Netuno afiado para saber ter nados sábios), podendo gerar isolamento por se sentir estando em algo imenso: não no outro que junto forma o símbolo da unidade que une o que pareça ter diferença, como todo ecossistema, mas apenas na vertigem do ar inflado que o faz temporariamente se sentir existindo de forma expandida (Júpiter em Sagitário) ou a vertigem da imensidão marítima ao temporalmente se sentir existindo de forma diluída (Júpiter em Peixes), sem fazer parte (em ambos os casos) da pontual presentificação no ecossistema, levando à explosão (pressão do fogo atmosférico de Sagitário) ou implosão (pressão da água oceânica de Peixes) da materialidade – material esse (éteres) que nos é de responsabilidade, não dando para ignorar que se é da Hierarquia de Peixes e que encontrar outros seres no éter químico, por exemplo, ainda faz parte, sendo um perigo se isolar (egoísmo) ou se dispersar (no coletivismo, tribalismo) ausentando-se da pontualidade, da individualidade na humanidade.

Não há a vivência, em ambos os casos (coletivismo e egoísmo), nem de uma Cura nem de um Amor dissolvidos (verdadeiramente profundos), ou concentrados (verdadeiramente rasos, como essências que concentram em uma gota a propriedade de uma planta toda), menos ainda iluminados, mas dissociados dos indivíduos e, portanto, ilusoriamente estendidos ao coletivo. São vivências de pessoas que creem que existir sentindo-se parte do Todo basta; não, não basta, Amar (Urano) e Curar (Netuno) é o processo de Presentificação (Individuação, Iniciação)existir somente é abrir espaço para o ódio (Marte) e o medo (Saturno) na Mente, ainda que se viva de forma desapegada – eles irão criar guerras (Marte) e pandemias (Saturno) para serem encontrados, confrontados e termos de lidar cara-a-cara, transformando tudo (Plutão) através de Atos (Verbo, sendo que, caso se Seja em Cristo, a transformação pode ser o Graal para a Ressurreição, mas caso não se seja em Cristo, será apenas o conhecido Plutão mortífero, ou seja, a morte carnal sendo enfrentada)!

A grande questão talvez seja, ao saber que há quem morra por fome – por achar que vive sem alimento ao matar tudo (método Oriental, ou mesmo os Filhos da Água e sua mortificação do Corpo), se isolando do mundo -, e que há quem morra por gula – por ter sede da Água da Vida e sair caoticamente inalando e degustando tudo (método Ocidental, especialmente os Filhos do Fogo), encalhando na rasidão do mundo, como, por fim, saber a quantidade de alimento certo para se Presentificar ao Amar e Curar esse mesmo mundo? Talvez a resposta seja apenas uma: não são os Peixes (o homem) que sabem do seu alimento, mas o Oceano (o Pai) – Aquele que provê o sustento antes mesmo que saibamos.

O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.

O que nos revela que estar sob os influxos de Urano e Netuno, bem como de Plutão, depende da divina Graça, mas há como nos prepararmos através de todos os outros planetas para que, quando isso se dê, eu esteja e seja saudável suficiente para aguentar e saber o que fazer com tamanho talento, dom, dádiva, graça a mim confiado!

Por isso praticar os Exercícios Espirituais, como os que nos são generosamente dados no Conceito Rosacruz do Cosmos, é urgentemente necessário.

Saber viver é dificílimo. Saber onde está o alimento em cada momento, e qual peixe ou mamífero ou ave ou símbolo (os Signos) alimentar dentro de nós é a Busca.

Quem sabe um dia alimentemos um Unicórnio, ou mesmo um Dragão (Cristo e o 13º Signo – todos juntos) – que sobe ao céu e anda na terra, e não perde o fogo quando molhado – seja pelo mar, seja pelas chuvas. E não se deixa levar pelo o ar e a possibilidade de viver só, distante, cuidando da Terra – seja do Sol (como o vaidoso), seja da Lua (tal qual lunático)…

Quem sabe um dia Amemos e Curemos e assim consigamos Ser Presentes ao nos doarmos e nos esquecermos. Sim, virar dragão que não se olha no espelho, que nem se sabe dragão porque não vive para ver seu reflexo se manifestar, mas sim para que, ao Amar e Curar, um dia todos possamos, juntos, voar!

 

Curai os enfermos e Amai-vos uns aos outros.
[Mateus 10:8 e João 15:17]

 

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz!

 

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