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         O ódio e o medo são rasos, “por isso” se estendem pela História com poucas mudanças de conteúdo e na adoção de qualquer forma que se fixa como aparência – muda a forma das materializações das armas, por exemplo, mas o conteúdo é o mesmo, independente de quantas sejam feitas (pandemia é pandemia, guerra é guerra, só descobre-se diversas maneiras de se amedrontar e matar mais gente); pra odiar e ter medo, basta a existência…

         O Amor e a Cura são profundos – conteúdos de aparência impalpável por Amar e Curar serem um ato simples, não necessariamente fácil: não é possível enviar amor dentro dum míssil, e nem entregar rosas a garantia de ser amável, assim como tomar remédio não é garantia de cura nem de ser saudável.

          No Amor e na Cura, há a adoção de muitas formas, formas mutáveis dentro da vivência de cada, mas o conteúdo é sempre o mesmo: doar-se para o Ser Amado, esquecer-se para ser Curado, “por isso” não se vê uma “guerra de amor” nem “pandemia de cura” – não é possível esquecer-se ao lembrar ao mesmo tempo de todos (isso seria onisciência), nem possível ao mesmo tempo olhar no fundo de todos os olhos (isso seria onipresença), é preciso, antes, crer que o ‘todos-juntos’ está contido em Uma Mente e Um Olho que nos mira, formando um princípio e um fim para acreditarmos no Caminho: para Amar e Curar não basta a existência, o Amor e a Cura requerem Presença na Experiência do Ato. É Ser e Estar no profundo do Outro e de Si.

           Reconhecer o ódio ou medo como luva, capa ou máscara rasa é necessário – seja capa fraca que protege o ombro esquerdo, o direito, o peito, as mãos ou a boca -, entrar em contato com o profundo assusta, pois é desmascarar-se, é desencapar-se e se pôr em risco de choque pela alta tensão: é como subir aos picos altos, mergulhar ao fundo dos mares, é morrer-se indo sem nem saber o que irá encontrar, ou morrer após ter chego [crendo que atingiu o aparente ponto final, quando o Amor e a Cura são infinitos] – nosso apego à vida existencialmente material ainda é imenso, e morremos por simplesmente crermos nisso: na morte trazida pelo ódio ou pelo medo, como uma doença.

          Só o que se permite ser breve pode chegar a ser longo: a existência é requisito para a presença. E só o que se sabe ser longo pode compreender o breve e ter profunda paz e esperança: a presença que sabe que existir é o 1º passo de qualquer movimento – o único problema é não se mover depois disso, ainda que o universo, invariavelmente, obrigue, pois não-ação é permanente estado de ignorância.

         Rasidão não sustenta peixe, e se algum bicho aparecer na orla: Cuidado! – o raso é lugar de filhotes, e tudo bem ter do raso e fácil quando se é frágil, mas cá uns nunca crescem, ficam para sempre à margem da mente, existindo através do imaginário fraco. Mas cuidado também com a profundidade, pois ficar só nela leva a uma cegueira ao resto, seja por escuridão ou claridade, gerando isolamento por se sentir presente em algo imenso: não no outro que junto forma o símbolo da unidade que une o que pareça ter diferença, como todo ecossistema, mas apenas na vertigem do ar rarefeito que o faz temporariamente se sentir existindo ao mesmo tempo sem fazer parte da presentificação do ecossistema, levando à explosão ou implosão da materialidade (material que nos é de responsabilidade, não dá para ignorar que se é um peixe e que encontrar outros seres faz parte)…

        Não há a vivência, em ambos os casos, nem de uma Cura e nem de um Amor dissolvidos (verdadeiramente profundos), ou concentrados (verdadeiramente rasos, no sentido de simples), menos ainda iluminados, mas dissociados dos indivíduos e, portanto, ilusoriamente estendidos ao coletivo. São vivências de pessoas que creem que existir sentindo-se parte do Todo basta; não, não basta, Amar e Curar é o processo de Presentificação, existir somente é abrir espaço para o ódio e o medo na mente, ainda que se viva de forma desapegada – eles irão criar guerras e pandemias para serem encontrados e termos de lidar cara-a-cara, transformando tudo através de Atos!

          A grande questão talvez seja, ao saber que há quem morra por fome – por achar que vive sem alimento ao matar tudo, se isolando do mundo -, e que há quem morra por gula – por ter sede da água da vida e sair caoticamente inalando e degustando tudo, encalhando na rasidão do mundo, como, por fim, saber a quantidade de alimento certo para se Presentificar ao Amar e Curar esse mesmo mundo? Talvez a resposta seja apenas uma:

não são os peixes que sabem do seu alimento, mas o Oceano – Aquele que provê o sustento antes mesmo que saibamos.

          Saber viver é dificílimo. Saber onde está o alimento em cada momento, e qual peixe ou lobo ou felino ou ave alimentar dentro de nós é a Busca. Quem sabe um dia alimentemos um Dragão – que sobe ao céu e anda na terra, e não perde o fogo quando molhado – seja pelo mar, seja pelas chuvas. E não se deixa levar – nem pelo ar no céu e a possibilidade de se viver só, distante, cuidando da Terra – seja do Sol, seja da Lua…

          Quem sabe um dia Amemos e Curemos e assim consigamos nos Presentificar ao nos doarmos e nos esquecermos. Sim, virar dragão que não se olha no espelho, que nem se sabe dragão porque não vive para ver seu reflexo se manifestar, mas sim para que, ao Amar e Curar, um dia todos possam, juntos, voar!

 

Curai os enfermos e Amai-vos uns aos outros.
[Mateus 10:8 e João 15:17]

One comment on “Guerras e Pandemias e a futura presentificação pelo Amor e pela Cura

  • Ricardo Costa

    Excelente texto Le!! Sublime reflexão para o tempo presente que estamos vivendo. Gratidão!

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